sexta-feira, 28 de março de 2014

DIA DE CATEQUESE: O LAVA-PÉS



No meu encontro desta manhã, trabalhei com as crianças o “Lava-pés”, o modelo de servir que Jesus, tão sabiamente, nos deixou.

Preparei o encontro no salão da Igreja. Trouxe uma bacia, uma jarra e até esquentei a água. Preparei ao lado uma mesa com pãozinho, suco de uva e fiz um círculo com as nossas dezessete cadeiras. Três ficaram vazias. Como eu havia avisado na semana passada que iria fazer esse encontro, dos dezesseis, três não vieram.

Por quê? Porque não queriam que eu lhes lavasse os pés!

Um dos meninos presente ao encontro também não quis... Ao chegar a vez dele, repeti as palavras de Jesus: “Pedro, não queres que eu lave seus pés? Se não o fizeres, não terás parte comigo.” Ele me respondeu; “Tia, não sou Pedro, sou Luiz Henrique.” É, eu percebi...

Mas o encontro foi bom. Li o Evangelho, eles escutaram quietinhos e vi que entenderam. Depois fizemos a partilha do pão e do vinho (suco de uva) e conversamos bastante.

Contei pra eles que na minha infância costumávamos (eu e meus irmãos), lavar os pés do meu pai. Ele chegava sempre na sexta-feira a noite, cansado da semana inteira “no mato”, como ele dizia. Seu trabalho era cortar árvores para as serrarias da região. Antes de dormir ele gostava de fazer o “escalda-pés” para relaxar.

Quando éramos bem pequenos brigávamos por esse privilégio. Depois de algum tempo eu já torcia para não ser a “escolhida”. Comecei a achar que lavar os pés do meu pai era “nojento”... Quando eu tinha doze anos, ele morreu em um acidente de trabalho. A serra elétrica que ele operava prendeu na árvore e ela veio para cima dele. Era uma peroba enorme... Ele teve várias fraturas na coluna e não resistiu...

Ah! Como eu gostaria de lavar os pés do meu pai hoje! Contei desse meu sentimento para as crianças e me emocionei ao fazê-lo. Tive que me segurar para não chorar. Eles também me contaram muitas coisas. Luiz Henrique nos contou que não gosta muito de água por quase ter se afogado um dia. Mas o encontro foi muito bom.pousada porto de galinhas

E no encontro da semana seguinte, lá pelas dez horas (a catequese começas às nove e meia), chega um pai afobado tentando trazer o filho: eles estavam atrasados e o menino estava com vergonha de entrar, fugiu do pai e voltou para o carro.

Ele já havia faltado no encontro anterior e fui até o carro falar com ele (e a turminha lá dentro fervendo!). Felipe estava chorando e nem olhou pra mim. Estava triste e com vergonha de não ter vindo ao último encontro. E o Pai ali, pra lá e pra cá... Dizendo que, na verdade, ele não veio porque sabia que íamos fazer o Lava-pés e ele não queria tirar o tênis porque tinha frieira. Que hoje tinham perdido a hora, etc., etc.

Pedi que ele parasse de chorar e que me prometesse que não iria faltar aos dois últimos encontros antes das férias. E eu lhe disse que para mim, seria uma honrar lavar os pés dele, com frieira, chulé, o que fosse... Que ele imaginasse Jesus lavando os pés dos discípulos... naquela época eles tinham tão pouca água. Quanto tempo será tinha passado desde a última vez que tinham lavado os pés? Em que “cascão” Jesus deve ter pegado! Muitos andavam descalços ou de sandálias e seus pés deviam estar uma lástima. Jesus foi um “herói” não foi? E fez isso para provar que não era mais que ninguém e amava gente de pé sujo, com frieira, com chulé...

Os pés que lavei estavam tão limpinhos. E será que não existia frieira ou coisa parecida naquela época? Ninguém tinha sapato! Ele se acalmou e riu um pouco das minhas bobeiras.

Por fim, pedi ao Pai que não brigasse mais com ele, que fossem para casa e não precisava ficar no encontro naquele dia. Que a Tia entendia...

Ângela Rocha
Catequese/ 2009. pousada porto de galinhas


quinta-feira, 27 de março de 2014

As deusas do destino


Quem leu o título acima deve estar se perguntando: Mas, o que é que uma catequista católica que dizer com "deusas"?? 

Não, não mudei minhas crenças e concepções não... Já explico!

E vou justificar dizendo que acredito que o "saber" não é uma coisa que nos prende, muito pelo contrário, nos dá asas e liberdade para aprender e "desprender" aquilo que nossa mente e nosso espírito  precisa e anseia.

Mas, vamos a história das "deusas"...

Vocês já ouviram a expressão “analfabeto de pai e mãe”? Pois é. Posso dizer que essa expressão permeou a minha infância. Meus pais eram analfabetos e acredito que seus pais também eram. Minha mãe aprendeu a ler depois de adulta. Eu me lembro dela freqüentando as aulas do antigo MOBRAL, um programa de alfabetização de adultos lançado pelo governo. Quanto ao meu pai, lembro que ele fazia contas melhor do que ninguém. E calculava metros cúbicos! Mas não sabia escrever...

Eles tiveram dez filhos e fizeram questão de que todos estudassem. Na escola pública, mas, proporcionaram. E logo que aprendi a ler eu encontrei um tesouro em minha casa. Uma ENCICLOPÉDIA! Ela tinha dez volumes e era organizada em forma de documentário. Chama-se TRÓPICO. Vocês podem imaginar o que é uma família pobre, as voltas em colocar comida na mesa pra dez filhos, ter uma enciclopédia? E grande parte da minha educação global, eu devo a ela.

Eu adorava aquela enciclopédia. Li tudo, os dez volumes. Principalmente porque tinha uma parte dedicada a Mitologia e Lendas. Foi ali que aprendi a gostar de mitologia grega e romana e das diversas lendas de todos os povos. É gente... Perseu, o anel dos Nibelungos, Tróia, o Minotauro, as Valkírias, a Medusa, os deuses do Olimpo... fizeram parte da minha infância!

Porque lembrei disso? Além de ter, recentemente, me lançado num embate com na internet sobre a Medusa, li um texto no blog da Edite que me trouxe algumas lembranças sobre mitologia. Ao ver Edite se debater entre o destino e as escolhas que fazemos, lembrei então da história das Moiras ou Parcas. As velhas senhoras que controlam o destino dos seres humanos na mitologia greco-romana.

As questões que a Edite levantou, sobre as "escolhas" que as pessoas fazem; se coisas boas ou ruins acontecem por “destino” ou porque assim decidimos; se nós construímos e moldamos nossas vidas ou tudo está predeterminado; são coisas que há muito o ser humano se pergunta. O que se pode depreender do “livre arbítrio” é que somos responsáveis por aquilo que nos acontece. Entretanto, existem inúmeros fatos que não corroboram essas afirmativas. Desde o nascimento até a morte, que são os dois principais pontos de nossa “não escolha”, vivenciamos situações que independem de nossa vontade, tais como: poder ter ou não filhos, que estes nasçam sadios, sofrer ou não de determinadas doenças de ordem genética, etc. E, isso é o que chamamos destino ou fatalidade.

E na Grécia antiga isso era representado pelas três deusas Moiras (ou Parcas): Cloto, a fiandeira, representa a que tece a teia da vida; Láchesis, a que distribui a parte que cabe a cada alma; e Átropos, a que cortava o fio da vida. Existia ainda uma crença de que a pessoa poderia atrair para si uma outra fatalidade em função do pecado, ou seja, a fatalidade era uma conseqüência do pecado e era uma sina que podia ser evitada.

Então, pode-se dizer que a fatalidade ou sina determinada pelas Moiras é uma predestinação que só pode ser enfrentada, mas não evitada. Não é determinada por boas ou más ações do sujeito ou de seus pais; não está ligada a uma vida com ou sem pecado. Já a sina atraída pelos pecados, sim. Esta pode ser evitada.

Enfrentar a sina exige e desenvolve o caráter (do grego, xaracter que significa ser alguém definido), ou seja, determinados princípios a que se permanece fiel independente de confrontações. E este é o caminho para nos realizarmos como indivíduos únicos. Sendo a fatalidade inevitável, o mesmo não se pode dizer do destino pois este pode ou não ser cumprido, sendo determinado pela maneira que enfrentamos as fatalidades e fazemos nossas escolhas (caráter).


Na mitologia romana, onde as deusas se chamam Parcas (originalmente, Parca significava "parte" - de vida, de felicidade, de infortúnio), cada ser humano possuía a sua Parca. Aos poucos, desenvolveu-se a idéia de uma Parca universal, dominando o destino de todos os homens. E, finalmente, passou-se a conceber três Parcas. Filhas de Júpiter e Têmis, ou, segundo outra versão, da Noite, personificavam o Destino, poder incontrolável que regula a sorte de todos os homens, do nascimento até a morte.

Cloto, Láquesis e Átropos, como deusas do Destino, presidiam os três momentos culminantes da vida humana: o nascimento, o matrimônio e a morte. Retratadas na arte e na poesia como mulheres velhas e severas, ou como virgens sombrias, as deusas eram temidas até mesmo pelos outros deuses que não podiam transgredir suas leis, sem por em perigo a ordem do mundo.

Às vezes penso que nossa vida, ou nosso “destino” mesmo, é realmente tecido como um grande fio. Minhas crenças religiosas, claro, não me permitem levar em conta a mitologia. No entanto, comungo da sabedoria dos gregos antigos. Temos sim, uma “sina”, um destino que não nos é permitido mudar. Nosso “fio” é tecido por Deus quando do nosso nascimento. E ao longo da nossa vida tomamos decisões baseadas em nossa vontade que pode mudar totalmente o “desenrolar” deste fio. E sim, moldamos nosso caráter pela maneira como enfrentamos as “fatalidades” imutáveis que nos acontecem. Está determinado que um dia nosso fio será “cortado”. Quando? Não nos é dado o conhecimento... Pois poderíamos com isso, realmente, por em perigo a ordem do universo.


Angela Rocha

sexta-feira, 14 de março de 2014

Catequistas em Formação no Facebook

CURTAM  A PAGINA DOS CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO!


Indique aos seus amigos!
Ela é pública e uma maneira de divulgarmos conteúdos catequéticos no facebook. 






terça-feira, 4 de março de 2014

O que me dá saúde...


Vou “copiar” aqui um pouquinho de uma autora que gosto muito: Martha Medeiros.

Num dos seus textos ela nos conta o quando acha engraçado que de tempos em tempos se divulgue “receitas” milagrosas para se prolongar a vida e combater doenças. E é um tal de tomate é bom pra isso, cebola é bom pra aquilo; tome vinho, não beba álcool; tome muita água: água morna, água gelada, água com limão; limão dá pedra no rim, etc. e tal.  E lá vamos nós pulando de mania em mania, anotando tudo e não tornando nada disso um hábito.

E então, Martha dá sua receita também: acha mais seguro não mudar nada porque a gente sabe muito bem o que nos faz mal e o que nos faz bem. E a partir disso ela corre uma lista muito interessante. Lista esta, que todos deveríamos, em um momentinho oportuno, fazer. Em alguns pontos nós até concordamos, em outros divergimos como os pólos da terra. Mas aí vai a minha.

- O prazer faz um bem danado, desde que, corpo e espírito estejam em sintonia.
- Dormir é bom, mas, as melhores produções se fazem bem acordado.
- Cozinhar é uma terapia infalível para que se exercitar o dom de agradar e servir.
- Comer é melhor ainda...
- Ler um bom livro faz a gente viajar sem precisar entrar num veículo, seja ele qual for. Viajar tem me deixado tensa e cansada. Tudo que posso imaginar é a hora de voltar para casa.
- Brigar me causa azia e fico com gosto de guarda-chuva na boca enquanto não converso a respeito.
- Quando vejo pessoas tolas e donas da verdade fico com aquela sensação de que não deveria ter comido daquele “prato”.
- Exercitar a paciência tem feito bem para o meu espírito, mas meu intelecto ainda me diz que, em alguns casos, tem mesmo é que soltar o verbo.
- Eu ainda tenho muita fé no ser humano, mas, quando vejo alguém jogando lixo nas ruas e calçadas, reforço minha “fé” no quanto o ser humano ainda pode ser idiota.
- E televisão... os médicos deveriam mesmo proibir: novela e reality show- e nessa categoria dá pra por os telejornais – é o que há de mais nocivo para a saúde.
- Caminhar faz bem, dançar faz bem, fazer compras faz bem. Cartão de crédito faz mal!
- E ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo, preciso concordar, faz muito bem! Você exercita seu autocontrole e ainda acorda no outro dia com a sensação que é a criatura mais abençoada do mundo.
- Acordar de manhã arrependida do que disse ou do que fez ontem é a pior coisa do mundo. E arrependido do que não fez é a segunda pior. Então, pedir desculpas ainda é, um remédio milagroso. Não pedir perdão pelas nossos erros dá câncer, e não há nada que você possa comer para prevenir isso. E não reconhecê-los é cegueira na certa!
- Mas tem outra coisa a respeito do perdão que é preciso considerar: Conhecer e conviver com pessoas incapazes dele, pode levar a uma depressão sem precedentes! Se puder riscá-las de sua vida pode acreditar que você será bem mais feliz e nunca vai tomar remédio faixa preta.
- Mil vezes um filme antigo na TV, sentada com os pés no puff do que ir ao cinema e ficar horas na fila do ingresso. Todo filme recém lançado uma hora vai pra TV.
- O que lembra que ficar em filas leva a gente a enfartes prematuros. E multidão... Nossa! Se posso evitá-las, rejuvenesço dez anos!
- Uma conversa com uma pessoa interessante e inteligente, equivale a uns seis meses de banco de escola. Conversa é bom e piada na hora certa é melhor ainda.
- Exercício é melhor do que cirurgia. E aí eu acrescento que lavar o rosto com água fria e usar pouca ou nenhuma maquiagem previne rugas, cremes, peelling, esfoliação, chateação...
- Pintar o cabelo é uma necessidade.
- Humor é um milhão de vezes melhor do que rancor.
- Amigos são um bálsamo para qualquer dor.  
- Não ter dívidas é ótimo. Melhor um jeans rasgado (que também é moda!) do que um boleto vencido.
- Pergunta é melhor do que dúvida.
- Gritar quando se está com raiva joga pra fora toda sujeira. Na cale, seja oportuno!

E finalmente, sonhar ainda é bom... quando morrem os sonhos, é melhor ser enterrado com eles.

Eu, Ângela Rocha e, em algumas coisas, Martha Medeiros.

angprr@uol.com.br

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

RITOS E ENTREGAS NA CATEQUESE - INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ

Um texto para ser lido com carinho por quem quer formação catequética.

Os vários ritos de entrega na catequese...

Outro dia estávamos comentando em nosso grupo a respeito do Rito de Entrega da Oração do Senhor – Pai Nosso. E ali surgiram algumas questões quando comentei que estes ritos carecem de preparação e cuidado tendo em vista que não são meros “ritualismos” para deixar a missa mais bonita.

Na verdade estes ritos de entregas tem sido inspirados pelo RICA – Ritual da Iniciação Cristã de Adultos, livro litúrgico que orienta as diferentes etapas do catecumenato (iniciação cristã de adultos em nossa Igreja), aprovado pela Sagrada Congregação para o Culto Divino em 1973. No Brasil ele teve uma nova edição aprovada em 2001 pela CNBB, que trouxe algumas mudanças na disposição gráfica e inclusão de algumas normas exigidas pelo Código de Direito Canônico, textos bíblicos aprovados pela Sé Apostólica e também algumas observações sobre a Iniciação cristã que constavam apenas no Ritual de Batismo de Crianças.

Apesar de sua “extraordinária riqueza litúrgica e preciosa fonte pastoral”, ele ainda permanece desconhecido da maioria dos agentes de pastoral ligados à catequese de adultos e a catequese de crianças. Observamos, já no prefácio do livro o Decreto de 1972, da Sagrada Congregação para o Culto Divino, que restaura “o catecumenato dos adultos dividido em várias etapas, de modo que o tempo do catecumenato, destinado a conveniente formação, pudesse ser santificado pelos sagrados ritos celebrados sucessivamente.” No entanto, o que podemos observar na maioria das Igrejas particulares é que ainda se faz a catequese de adultos nos moldes “doutrinais” e com o único objetivo se fazer a “regularização” da situação sacramental (objetivando principalmente o matrimônio) daqueles que procuram as paróquias. Ou seja, faz-se um catequese baseada quase que exclusivamente no Catecismo sem levar em conta, de fato, a INICIAÇÃO CRISTÃ destas pessoas.

Com o pedido de restauração do Catecumenato para os adultos, nossa Igreja se viu diante da necessidade premente de reestabelecer a catequese como era nos primeiros tempos da nossa Igreja, ou seja, adotar a IVC – Iniciação a Vida Cristã inspirada no processo catecumenal. E a catequese que fazemos, com crianças, jovens e adolescentes, “tomou a frente” de toda ação pastoral necessária, adotando em seus planejamentos algumas ações da catequese catecumenal de adultos, adaptando celebrações, ritos e entregas do catecumenato à catequese de nossas crianças e jovens. Em muitas paróquias encontramos na catequese das crianças características da IVC sem que o resto da paróquia sequer tenha conhecimento do que seria um processo de IVC catecumenal, que, em sua base, deveria envolver TODA A COMUNIDADE, pastorais, movimentos, grupos, lideranças.

Mas, o que a primeira vista, parece um equívoco, tem se mostrado uma verdadeira ação do Espírito Santo no sentido de que, com a implantação dos ritos e celebrações de inspiração catecumenal, nossa catequese tem se tornado mais litúrgica e mistagógica. Temos celebrado mais, orado mais e dado mais valor aos símbolos da nossa fé.

Só que, aqui faço um alerta: não tomemos os RITOS e ENTREGAS como modismo e meras celebrações mais bonitas e “interessantes”. São ações que tem o objetivo de enriquecer nosso espírito e trazer de volta todo o “mistério” da nossa fé.

Observemos por exemplo o seguinte: o RICA prevê durante o processo de Iniciação, ritos e a entrega de alguns símbolos, feitos durante a celebração com a comunidade. O primeiro deles é o RITO DE ACOLHIDA dos novos catecúmenos (adaptando-se  a nossa realidade: aos novos catequizandos em preparação ao sacramento da Eucaristia), onde, durante a celebração se faz a entrega da PALAVRA (Bíblia), base de todo o ensinamento catequético.

No entanto, pude observar em alguns manuais e orientações pastorais que esta acolhida e entrega tem sido feita no início da catequese... correto! Mas, na catequese de CRISMA? Ora, por mais que o processo de IVC catecumenal esteja sendo iniciado naquele momento na paróquia, não dá pra esquecer que estes jovens JÁ ESTÃO NA PARÓQUIA DESDE A CATEQUESE DE EUCARISTIA! E que aos 13, 14, 15 anos já tem uma Bíblia ou já a manusearam muito nos anos de preparação anterior! Correto esta entrega e acolhida, se o jovem está COMEÇANDO naquele momento a catequese e não recebeu nenhuma preparação anterior e ainda não fez a Eucaristia. Ora, se estamos “acolhendo” neste momento e só agora entregando a Palavra aos jovens, que podem até já ter participado da catequese de eucaristia, estaremos NEGANDO tudo aquilo que nossa Igreja já fez. Que esta catequese anterior tenha sido equivocada e não tenha levado a verdadeira conversão e encontro pessoal com Jesus, não quer dizer que tenhamos que fazer o Ritual de Acolhida, como se a pessoa estivesse entrando pela primeira vez na Igreja, para começar uma catequese frutuosa no aspecto “Evangelização”. Ela já leu a Bíblia, senão com o coração, com a mente, resta agora, unir as duas coisas.

Com relação as duas outras entregas de símbolos previstos no RICA. Sim, são somente DUAS! Entrega do Símbolo (Credo) e Entrega da Oração do Senhor (Pai Nosso), conforme preceitua os itens 125 a 187 e 188 a 192  (pgs 91 e 104). Ambas são feitas durante a etapa (no catecumenato)  de Purificação e Iluminação, ou seja, próximas ao sacramento, podendo ser feitas na etapa anterior (catequese) a critério pastoral. E não são entregues apressadamente NUMA ÚNICA CELEBRAÇÃO!  O RICA prevê que se faça os ritos de “escrutínio” (que são três), sendo entregue o Símbolo (Creio) depois do primeiro escrutínio e a Oração do Senhor depois do terceiro.

Só para esclarecer: Os “escrutínios” se realizam por meio dos “exorcismos”, são sobretudo, ESPIRITUAIS. São expressões que traduzem, na verdade, “orações”, “súplicas” e “bênçãos”. O que se procura por eles é purificar os espíritos e os corações, fortalecer contra as tentações, orientar os propósitos e estimular as vontades, para que os catecúmenos se unam mais estreitamente a Cristo e reavivem seu desejo de amara a Deus (cf. RICA, item 154). São realizados nos 3º, 4º e 5º domingo da Quaresma. A critério pastoral podem ser feitos em outros domingos da Quaresma. Não tenho conhecimento de que alguma Diocese ou paróquia tenha reestabelecido os escrutínios em seu processo de catequese catecumenal. Por aí se vê o quanto estamos perdendo ao se ignorar esta parte do processo.

Mas, enfim, se não fazemos os escrutínios e não conseguimos fazer a etapa de Purificação e Iluminação na Quaresma, podemos colocar os ritos e entregas em outra época conveniente à paróquia. Mas, preceder (SEMPRE!) a entrega do Símbolo e da Oração do Senhor, de uma catequese a respeito, tanto para os catequizandos quanto para os pais/responsáveis. Nossos iniciandos na fé PRECISAM saber e entender o significado profundo de se receber o Símbolo da nossa Fé apostólica e da Oração que Jesus nos ensinou. Durante a celebração (missa), não se explica nada, nem se faz “catequese”. Aliás, se um símbolo precisar de explicação é porque ele não simboliza aquilo que queremos. A união da Catequese e da Liturgia passa pelo profundo respeito que se deve ter por ambas as ações. A catequese ensina e orienta, a Liturgia celebra.

E aqui entra um outro assunto que são as demais entregas que é costume se fazer em alguns lugares, durante a missa da catequese: “Mandamento do Amor”, “Mandamentos do Senhor”, “Bem-Aventuranças” e outras invenções catequéticas. Sim, são “invenções” da catequese, não estão disciplinadas pelo RICA e, portanto, não passaram pelo crivo da Sé Apostólica. Nada contra que se faça. Cada paróquia, junto com o pároco, equipe de liturgia e equipe de catequese podem fazê-las. No entanto, fogem totalmente do aspecto litúrgico da missa. Pior ainda se forem feitas sem uma catequese anterior a respeito, sem que a comunidade entenda o que se está fazendo e misturado com os ritos do catecumenato.  Estas pequenas celebrações são maravilhosas se forem feitas NA CATEQUESE, como “celebração catequética” após cada término de assunto, revestidos de sentido mistagógico, contemplativo e orante.

E devemos pensar também, que tudo que fazemos e “inventamos” precisa ser visto com um profundo respeito pela comunidade e assembleia. A missa tem seus ritos próprios, sua condução normal. Dura em média uma a uma hora e meia. Nesta missa temos crianças que, por natureza, são impacientes e inquietas. Pense-se então que, qualquer coisa que leve a uma missa prolongada além do normal, vai gerar insatisfação e inconveniência para os pais. “Ah! Que cristãos são esses que não tem tempo para Deus?” E aí queremos usar o tempo da missa para fazer a catequese que não conseguimos fazer no lugar e hora dela...

Vamos pensar sempre que, vivemos numa mudança de época e não numa época de mudanças onde as pessoas tem que se adequar a Igreja. A Igreja é que tem que se adequar aos novos tempos. E, infelizmente para nós e Deus, o tempo é de pressa.

Angela Rocha
Catequista


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Homilia do Domingo

Festa da Epifania do Senhor

Epifania significa a manifestação de Deus. Os magos são homens sábios de nações estrangeiras. Se os sábios do povo eleito tardaram em reconhecê-lo, os estrangeiros vieram adorar o Senhor. Ou seja, Cristo não é propriedade de nenhum povo ou raça.

Os magos oferecera presentes: ouro, incenso e mirra.

A mirra é uma resina curativa produzida por uma pequena árvore. Na língua hebraica, mirra significa amargo. Na nossa língua significa pequeno. De fato, somos mirra quando reconhecemos a nossa pequenez, pois não podemos fazer tudo o que queremos. A tecnologia, a comunicação e o dinheiro são as ilusões do poder. Deus nos ensina que o poder está no amor e na humildade. Por isso, nasceu na manjedoura longe dos grandes centros de domínio. Deus não se revela nos holofotes da pós-modernidade.

O incenso nos remete a oração, à fé, ao religioso. Diz o Salmista: “Suba nossa oração como incenso” (Sl 141,2). Por mais que o mundo se mostre descrente, por mais que muitos se afastem da fé, no mais íntimo de cada um de nós há uma chama divina da fé. Muitos o reconhecem nas dores e na hora da morte, quando percebem que somente há sentido para a vida em Deus. Somos incenso quando elevamos o nosso coração a Deus.
O ouro é sinal do que é duradouro, pois não estraga e nem perde o seu brilho com o passar do tempo. O mundo passa, os bens estragam com o tempo, nós envelhecemos e somos seres para a morte (Heidegger). O que dura para sempre é o bem que construímos e o amor que existe em nós e se derrama em atitudes concretas pelo irmão.

Quando os magos viram a estrela, se encheram de alegria. Sem a estrela, caminhavam sem sentido, sem direção. Lembremo-nos de que o Papa Francisco nos convida a viver a alegria do Evangelho: “A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são li­bertados do pecado, da tristeza, do vazio inte­rior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria” (Evangelii Gaudium 1).

Pe. Roberto Nentwig

"Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força!" (2Cor 12,9)

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

No ano passado...


No ano passado...

Já repararam como é bom dizer "o ano passado"?
É como quem já tivesse atravessado um rio, deixando tudo na outra margem...
Tudo sim, tudo mesmo! Porque, embora nesse "tudo" se incluam algumas ilusões, a alma está leve, livre, numa extraordinária sensação de alívio, como só se poderiam sentir as almas desencarnadas.

Mas, no ano passado, como eu ia dizendo, ou mais precisamente, no último dia do ano passado deparei com um despacho da Associeted Press em que, depois de anunciado como se comemoraria nos diversos países da Europa a chegada do Ano Novo, informava-se o seguinte, que bem merece um parágrafo à parte:

"Na Itália, quando soarem os sinos à meia-noite, todo mundo atirará pelas janelas as panelas velhas e os vasos rachados".

Ótimo! O meu ímpeto, modesto, mas, sincero, foi atirar-me eu próprio pela janela, tendo apenas no bolso, à guisa de explicação para as autoridades, um recorte do referido despacho. Mas seria levar muito longe uma simples metáfora, aliás, praticamente irrealizável, porque resido num andar térreo. E, por outro lado, metáforas a gente não faz para a Polícia, que só quer saber de coisas concretas. Metáforas são para aproveitar em versos...

Atirei-me, pois, metaforicamente, pela janela do tricentésimo-sexagésimo-quinto andar do ano passado. Morri? Não. Ressuscitei. Que isto da passagem de um ano para outro é um corriqueiro fenômeno de morte e ressurreição - morte do ano velho e sua ressurreição como ano novo, morte da nossa vida velha para uma vida nova.

(Mário Quintana)

... algumas coisas, só os poetas sabem dizer.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Boletim Formativo - Edição especial dezembro - CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO

EXTRA! EXTRA!

Saiu o BOLETIM FORMATIVO, edição especial de dezembro, dos CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO!

Aproveitem, leiam e, se possível, divulguem em suas paróquias.
Em Janeiro voltamos com ele já pensando no planejamento 2014. 
Enquanto vocês aguardam, abram com carinho, desamarrem os laços de fita e curtam...
Pois este é o PRESENTE de Natal dos administradores do grupo para vocês!




Arquivo em PDF para imprimir e distribuir: AQUI.

Angela Rocha
Catequistas em Formação

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Esperando no portão...

Ao chegar de viagem encontrei em minha caixa postal um aviso de que havia uma encomenda no correio me esperando. E lá fui eu curiosa para saber o que havia para mim. Tinha uma relativa certeza de que poderia ser meu presente de “amigo secreto”. Sim, também se faz amigo secreto pela internet! (Coisas que tenho aprendido nessa maravilhosa convivência proporcionada pelo mundo virtual).

E de fato era meu presente de amigo secreto. Presente enviado pela querida Deise, lá de Santo Amaro, SP. Adorei o presente: o livro Carta entre amigos, do Pe. Fábio de Melo e do Gabriel Chalita. Apesar de ter lido trechos encontrados na internet e da minha amada amiga Dulce (te amo!), ter digitado e me enviado um capítulo inteiro apenas porque, era “a minha cara”, andava louca para tê-lo em minhas mãos, tocar as folhas com meus dedos, beber as letras impressas com os olhos e sentir o cheiro do papel. Nada substitui o prazer de ter um livro entre as mãos. Desculpem-me amigos internautas, mas um livro lido na tela do computador, jamais vai ser a mesma coisa...

Apesar de ter gostado imensamente do presente (perdoe-me amiga...), mas ele ficou em segundo plano! O que amei de paixão foi a CARTA. Sim, a carta. Aquelas três folhas frente e verso, manuscritas em folhas de caderno (que você deve ter surrupiado de um de seus filhos) com esferográfica azul. Esse foi o verdadeiro e incontestável presente! Fazem mais de vinte anos que não recebo uma carta pelo correio. Tem idéia do que é isso? Vinte longos e estéreis anos sem correspondência, exceto folhetos de propaganda e faturas de cartão de crédito. Sua carta, Amiga, foi uma luz, um oásis no deserto e o renascimento de algo que eu considerava morto: o amor e a consideração por um amigo. Sim, consideração, porque sei do seu esforço em escrever sem abreviações, porque percebi nos rabiscos os erros não intencionais, porque percebi em cada palavra o amor e o carinho que você tem por mim. Afinal, nos falamos todos os dias, então, porque escrever uma carta?

Sem me referir ao conteúdo da mesma (que é maravilhoso!), este gesto da Deise, fez com que eu voltasse no tempo e me lembrasse da minha primeira mudança de cidade. Eu tinha treze anos e fui para uma cidade onde não conhecia ninguém, não tinha parentes e muito menos amigos. Foi o caos. Eu era, ao contrário de hoje, de uma timidez gritante. Tinha vergonha da minha própria sombra. E era metida a poeta. E vocês sabem como poetas são solitários.

Então, a maneira que encontrei para acabar com a solidão foi a correspondência. Escrevia cartas quase semanais para amigas que havia deixado para traz. Ficava esperando no portão a passagem do carteiro. A expectativa das respostas as minhas cartas, era uma coisa indescritível. Guardo essas cartas até hoje. São de uma preciosidade inestimável. E como disse, estão pra lá de 25 anos no passado. Saudosismo? Não. Amor, puro e simples. Mesmo que tenham se perdido no tempo e na história, muitos destes amigos, ainda amo como se conversasse com eles todos os dias. São provas de um tempo, em que o relacionamento humano não era tão “instantâneo” e “volátil”.

É isso. Pode parecer uma bobagem sem tamanho, mas ainda sou do tempo em que a espera e a antecipação do conteúdo de uma carta, fazia bater forte o coração. Então, esta carta, foi eleita o “presente do ano”. Sem dúvida alguma. E o título do livro? Tudo a ver!

Angela Rocha
Correspondente Amadora


P.S. Quem quiser me escrever, fique a vontade...

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

TOQUES DE LUZ...

Porque é Natal, pensei nos “toques de luz do Senhor”...  
E as pessoas que fazem parte da minha vida são toques da luz de Deus.

E entre essas pessoas, um destaque especial aqui para este grupo... Um grupo de amigos, e pessoas especiais que dedicam suas vidas a difundir o projeto de Jesus. E que tem se mantido forte, e cada vez maior com a passagem do tempo. E nosso grupo, neste segundo natal, já tem mais números que a idade de Jesus!  Ah! Este é um “toque da luz de Deus” muito especial mesmo!

E nós devemos aproveitar, sábia e amorosamente, os toques de graça que vêm ao nosso encontro... Antecipando festas, celebrações e passagens constantes em nossa vida! Esses momentos, acompanhados de expectativa, doçura, música, felicitações, presenças, presentes e agrados são, de certa forma, toques da luz de Deus, toques de amor dos familiares e amigos que nos impulsionam a seguir em frente com mais clareza e a certeza de que fazemos parte de uma grande família.

Estes toques de graça pedem parada, reflexão, revisão, reconsideração e redirecionamento em algumas dimensões de nossa vida! E agradecimento! Por nos proporcionar um encontro diário com outras pessoas, com irmãos de caminhada, com gente que tem os mesmos projetos, as mesmas aspirações... Que faz do nosso dia, um dia melhor com um simples “Bom dia”!

São passagens de misericórdia divina, são toques de luz do Redentor. Somos melhores e somos perdoados por nossas falhas, na medida em que perdoamos o outro e os aceitamos também.

E quero que esse “toque” me mude! Quero adquirir a arte e a virtude de caminhar para a simplicidade, o desapego e o real sentido das situações que vivemos e passamos. Sejam elas boas ou não... Quero a cada dia da minha vida, aprender a ser melhor do que fui ontem. E quero sempre ter a humildade de admitir que não sei tudo, que erro, caio e me levanto, tantas vezes quanto for necessário nessa caminhada...

Um dia, sabendo que terei que deixar tudo o que recebi de presente, depois da definitiva passagem, quero que permaneça entre as pessoas que amei, a lembrança do que fui e o legado do bem que construí, resultado de minhas interações com a humanidade e o mundo. E que meus erros, por enormes que sejam, tornem-se pequenos diante do amor que dediquei a cada um. Que eu possa criar condições para que a Luz de Cristo resplandeça em mim, ilumine meus pensamentos, clareie meus caminhos e me aponte direções! Sempre!

Que as passagens de aniversário em minha vida e as tantas outras “passagens” e experiências, sejam agraciadas pela fé, aquecidas pelo amor, purificadas pela oração e fortificadas pela esperança.

Que cada passagem de Deus, que cada toque de luz possa chegar também em situações de sofrimento e dor e sejam prenúncios de uma vida nova, a cada ano que passa! E que eu possa, repartir com vocês, meus queridos amigos e amigas, todos os toques de Deus que eu receber!

Amém!

Um grande abraço a todos! Deus os abençoe sempre!

Ângela Rocha


P.S.: E obrigado a Ir. Zuleides M. de Andrade, ASCJ, pela inspiração!