sábado, 17 de setembro de 2016

COMO PRESERVAR O SEU CASAMENTO... 2ª PARTE

Aconselhamentos aos casais módulo II

Conforme prometido, os conselhos da revista O Cruzeiro aos maridos, em 1935, pelo "chronista" Luiz Raymundo, amplamente divulgados para uma classe média que vivia entre guerras e saudava Getúlio Vargas. Interessantes os maiôs da época, os campeões de natação dos clubes urbanos e os cabelos das "coquettes" nas colunas sociais, em sua maioria, respeitáveis senhoras casadas.

Na seção "Conselhos ao esposo", Raymundo afirma que um homem deve estar sempre barbeado "de fresco", coisa pela qual sempre lutei pela vida afora. Deve haver mulher que goste de lamber pelos, mas nunca foi meu caso, nem sob os disfarces do terrível cavanhaque.

O cronista continua o texto indicando que o marido não se irrite quando a mulher pedir dinheiro, e nem mesmo que o cônjuge peça satisfação sobre os gastos dela. Isso é coisa de mulher. Que a deixe livre para resolver os gastos da casa e, eventualmente, os da perua.

Dentro de casa, homem não deve andar de pijama e chinelos. Deve deixar sempre os "objectos em ordem" e jamais se esquecer: ela não é uma das criadas. "Você já passou da idade em que necessitava de uma ama." Ora, vejam só! Enquanto ela põe o café, ele deve fingir que isso não é tarefa da criada. Um equilíbrio que exige inteligência. Nada se diz, no manual, sobre se homens têm aptidão para pôr, eles mesmos, a mesa e o café. Não sei se em pouco mais de oito décadas deu tempo de aprender. Acho que sim.

Leitor, tome nas mãos (ou nas telas) o texto da coluna passada  e coloque lado a lado com este aqui. É que Raymundo oferecia ao leitor do Cruzeiro duas colunas para cada um dos elementos do casal. Se ele mencionava aspectos do silêncio e do relacionamento para a mulher, também o fez, dando puxões de orelha nos rapazes. Segundo o cronista, um homem não deve chegar em casa e, imediatamente, pôr-se a ler os jornais. Também não será apreciado pela esposa se for muito "taciturno". É necessário que ele fale um pouco, especialmente se for de assuntos que ela tenha a capacidade de entender. "Por mais fatigado que se encontre ao voltar ao lar deve contar a sua esposa qualquer cousa interessante ou nova." Afinal, completo, a moça fica ali sem ver o mundo, sem ler jornais e sem saber de nada.

O marido não deve fazer recriminações sobre a lavagem das roupas ou porque estejam mal passadas ou sem botão. A esposa adivinha tudo. Não se deve atrasar para o almoço e nem chamar amigos para comer sem avisar. Quando sentado à mesa, é preciso não demonstrar pressa e comer sem exagero. "A refeição commum é o repouso da família." É preciso evitar assuntos desagradáveis, tais como doenças, dinheiro e, arrisco eu, outras mulheres ou piadinhas de esposa. Ou eu é que preciso aprender a escutar? Acho que ando precisando de um manual mais atualizado.

Não havendo muito o que comer, leve-se a esposa a um restaurante. Isso diz o cronista na década de 1930. Se puder dirigir até lá, melhor ainda, digo eu. Se for mesmo insistir em fumar, despeje as cinzas no cinzeiro que ela pôs aí ao lado dos seus talheres. Não use, para isso, os pires herdados de vovó ou as xícaras de porcelana que sua tia deu no casório. Não obrigue sua esposa a mentir, não diga que ela abusa no "rouge", não abra as correspondências que chegarem para ela, não fume na cama, nem durante o almoço, nem no quarto das crianças. Não durma depois do almoço. Não importune sua mulher quando ela disser que está cansada. Depois de um dia como este, quem não estaria? Deixe que ela se vire para o lado de lá e se encolha na beirada da cama. Aproveite e se espalhe (isto é por minha conta). Satisfaça os pequenos prazeres e caprichos de sua cônjuge, diz Raymundo, e não mostre a ela o que sabe fazer em casa. Deixe que ela lave, passe, cozinhe e cuide das crianças, é o que diz o cronista.

A mulher também deve ter um dia só para ela, mas o cronista não entra em detalhes sobre este item. Melhor não dar muita corda, não é mesmo? Passa o autor então a descrever o que chama de "um esposo fidalgo".

A mulher admira o valor nos homens. O esposo não deve, nunca, se mostrar tímido, assustado ou, "o que é peior", chorando! "As lágrimas são a arma da mulher, armas que ella não cede a ninguém." Vê se vou emprestar o que me restou? As mulheres "admiram os homens que triumpham". Não conte os aborrecimentos e os fracassos da profissão que escolheu. Conte os mais insignificantes sucessos como se fossem imensos. Disso ela gostará. Seja, "em qualquer emergencia, o heroe, para que nunca se acabe o romance cuja protagonista é sua esposa". Corteje sua mulher, principalmente se ela "diaria e heroicamente desempenha as funções de uma cozinheira". Isso não é razão para que "você deixe de tratá-la como senhora". (Nem todo mundo lê esta parte, acho).

No caso de ir a festas e bailes, esposo, não se esqueça de convidá-la "para a primeira contradança" (pelo menos esta). Se tiver carro, não a deixe em qualquer esquina quando levá-la em casa. Leve-a aonde ela deseja ao menos de vez em quando. Seja amável com outras mulheres, claro, e também com sua esposa querida. E "não demonstre, em presença da sua [mulher], uma visível preferencia" por outras fêmeas. Ao menos não diante dela.

Elogie bastante a "toilette" de sua esposa. Não deixe de reparar nela. Foi tudo muito bem-montado. Não "escasseie em elogios". Se você deixar barato, pode ser que ela fique desleixada. De vez em quando, dê um presentinho a ela, especialmente flores. Quando ela cair doente (algo que tentará não fazer), "mostre-se atento e paciente; a mulher gosta de ser lastimada".

Na rua, não seja "parco em cumprimentos" aos outros. Não demonstre excessivo interesse por outras mulheres. Se sua esposa for olhar uma vitrine, não encha o saco mostrando uma loja de rádios. Melhor deixá-la vendo roupas. Se forem tomar um trem (ou qualquer coisa mais nova), não ande na frente, algo "descortez e contraproducente". Não fale com ela em tom autoritário, "seja-o de facto, mas não com palavras", entendeu? Não discuta com sua esposa se ela estiver "enervada". Mude de assunto. Não conte a ela nada dos seus segredos profissionais. "Lembre-se que a indiscrição feminina tem sido causa de muitas catastrophes historicas."

Na seção "Não seja idolatra", os conselhos são interessantíssimos para homens realmente apaixonados. "Não considere sua mulher como um ídolo, por mais que ella o mereça." Em 1935, Luiz Raymundo dizia: "O objectivo de sua existencia [do marido] é a pátria, a affirmação de sua individualidade e, não, 'servir uma formosa dama'". É preciso ser condescendente com as fraquezas da esposa, satisfazer-lhe as curiosidades (nem todas, claro), confiar desconfiando (para não ser o último a saber das estripulias dela). É preciso ser o chefe do lar desde as primeiras semanas de casado, "em caso contrário, verá frustradas, mais tarde, todas as tentativas para estabelecer seu domínio".

Na presença de estranhos, não critique sua esposa porque ela gosta demais de dança, canto ou música. Resolva problemas sempre a sós com ela, o culpado dos problemas, não se esqueça, será sempre você. (Confesso que gostei desta parte, fiz mal?).

Não seja ciumento. "Os ciumes agradam a mulher quando não são justificados." Diz o cronista que as moças curtem uma cena injustificável. As justificáveis garantem muito mais aos maridos traídos, não é mesmo? Raymundo dá a dica (mas tomei a liberdade de atualizar os termos): Se a mulher ficar irritada, é porque tem coelho no mato. "Observe attentamente esses phenomenos e poderá prevenir muito passo em falso de sua esposa." E mais: "Porque ela fala com enthusiasmo de outro homem, não é motivo para ciumes. O perigo é maior quando, em sua presença, ella se abstem de falar nesse homem".

"Sobre as sogras e as amigas" é a última seção da crônica "A difficil arte do matrimonio", de 1935. Não podia faltar esse item para a boa sorte do casamento. Diz Raymundo que o marido não deve ser "parco" em elogios aos pais da esposa, especialmente à mãe. Ter boa nota com a sogra é de suma importância. E se discutir com ela, melhor dar-lhe sempre razão.

Em relação às amigas da esposa, é melhor tratá-las bem. O trato com elas, no entanto, é sempre mais difícil do que com a própria esposa. Segundo o cronista, isso, no entanto, pode ser simplificado. "A mulher jamais escolhe amiga mais bonita do que ella." Vou pensando nisso durante a semana.

Para finalizar, diz o cronista sabichão: o otimismo é indispensável em um casamento, além do "saber freiar as exigencias". Sem isso, nada feito, afinal, isto digo eu, as chances de dar tudo errado são obviamente muito maiores. "Não ha casamentos infelizes: ha pessôas infelizes", diz Raymundo, numa tirada de autoajuda que venderia livros ainda hoje. De maneira geral, acho que estas crônicas ainda seriam um sucesso.

Ana Elisa Ribeiro

http://www.digestivocultural.com/colunistas

Definitivamente é pra rir!!!

COMO PRESERVAR SEU CASAMENTO...

Conselhos que dou a vocês depois de 30 anos de casamento... Mas, isto vale só para as “moças”... Cuidado lá, heim?

Este texto é de Ana Elisa Ribeiro, colunista do http://www.digestivocultural.com/ e achei bem interessante:

Aconselhamentos aos casais ― módulo I


“Trabalhei durante alguns anos em uma editora e tínhamos lá um excelente acervo de revistas antigas. Apesar do cheiro de papel velho e mofo que deixavam na sala, aquelas revistas eram nossa diversão nas horas vagas, nas pesquisas iconográficas e nos momentos de vagabundagem. A maior coleção era a de O Cruzeiro, especialmente os números de 1935. Copiei e guardei muitas matérias dessa época e tiro proveito delas até hoje.

E nesta onda de auto ajuda que temos hoje, vale lembrar os conselhos da seção (e aqui preserva-se a grafia original das palavras para nos atermos mais à importância dos conselhos) "conselhos ao esposo" e os "conselhos à esposa" contidos no número de 11 de maio de 1935, numa matéria intitulada "A difficil arte do Matrimonio", assinada como "chronica", de Luiz Raymundo. Em página dupla e ilustrada, o cronista (ou o narrador?) dá setenta conselhos à "jovem esposa" (note-se que é “à moça”) para que ela aumente as chances de "felicidade matrimonial", o peso fica sempre, ao menos nos conselhos de Raymundo, do lado da mulher. Diz o cronista que os aconselhamentos que se seguem não são "theoria". São retirados das "amargas lições da vida quotidiana"... sabe-se lá com que esposa.

A "chronica" começa com intertítulos que valem como máximas:

- A primeira logo despacha que "o marido vê o vestido de sua esposa, e, não, a alma". Assim fico mais tranquila. Se minha alma for horrorosa, visto nela uma bem-talhada blusinha e pronto, meu querido nem perceberá. Acho que, afinal, é assim que age muita gente sábia. Aconselha o cronista que eu "mude de vestido diariamente, se possível", porque nenhum marido merece ver a sua senhora com roupa repetida. Note-se, no entanto, o "se possível", que resguarda qualquer eventual falta de um bom guarda-roupa. Raymundo alerta que pequenas mudanças fazem já diferença: uma "golla nova, uma gravata, um collar"; e alerta: "nunca appareça a seu marido com um vestido que não ousaria exibir ás visitas". Foi neste ponto que me ferrei de vez. Meu Deus, aquele chinelinho de dedo, nunca mais! Vai ver que é isso o que causa tanto espanto nele. Minhas calças de ginástica, minha bermudinha desfiada (feita de calça velha cortada), minhas blusinhas de R$ 9,90. Assim não pode!

- Outro conselho de Luiz Raymundo: o marido não pode me ver de "rosto untado de creme ou com o nariz brilhante", nem de meias, a não ser que a costura esteja sempre "bem collocada" e bem puxada. Também não se pode escovar os dentes diante do cônjuge ou usar "chinellas sem salto". É preciso estar sempre "arranjada e 'coquette’, tanto faz se na hora do café ou noutra.

Fico pensando em minhas tantas falhas. Escovar os dentes é um problema, jamais me incomodei de cuspir na frente do meu marido, e o cabelo despenteado é quase uma instituição em minha família. Para mim isto sempre foi normal: Lavar e secar ao vento, de preferência sem se mostrar ao pente. A minha gene de cabelos pretos e cacheados, herança de papai, não aconselha arrumação que não seja com os dedos. Se bem que minha mãe não andava pela casa com a cabeleira desfiada. Muito ao contrário: estava sempre bem arrumada, com um arquinho, no mínimo. Diz Raymundo que "mulher despenteada provoca aversão do homem". Além disso, pede ele que a esposa seja sempre amável, ordem que finaliza a seção.

- No próximo intertítulo, já se pode imaginar o que vem: "Se a palavra é de prata o silêncio é de ouro". Alguém tem dúvida de que os conselhos serão dados às moças? "Não fale com seu marido senão quando elle terminar de barbear-se ou escovar os dentes". Nada sobre se ele os escova na minha frente, nada sobre se ele deixa a barba na pia para eu limpar. Apenas que eu espere que ele queira ouvir minha voz. "Para o homem, o vestir-se e barbear-se é como a celebração de um rito que a mulher não deve interromper". Relaxei depois dessa. Nem todo homem tem essas preocupações de vestir-se como um cavalheiro ou de barbear-se bem para poupar a mulher dos pinicamentos do toque de uma barba malfeita.

- Depois da manhã de silêncio, pede o cronista que a esposa: ponha a mesa do café de "maneira que o marido sente-se a ella com prazer", coloque o cinzeiro ao lado dos talheres e deixe-o ler o jornal em paz (sem interrupções). Quando fica aberta a temporada de falar (sempre pelo esposo), é preciso atentar para o fato de que a moça nunca tem razão nos assuntos: "de quando em vez procure provar-lhe que você estava sem razão". Assim pode ser que ele fique com a auto estima bem conservada. Além disso, é preciso equilibrar as coisas: "se seu esposo tem algum habito ou preferencia especial, procure satisfaze-lo sem insinuar que você assim procede por fazer-lhe a vontade". Ou seja: mesmo quando se pode conversar, é melhor adivinhar e não se deixar notar. "Não fale em demasia dos amigos delle, mas também não os esqueça", sutileza que ainda preciso aprender a fazer...

- Na seção "Aprenda a cozinhar", o que minha avó tentou me dizer e não conseguiu: "Não diga que só cozinha para elle e sim para ambos", que é um jeito mais conformado de não assumir a cozinheira que existe em mim. Ao mesmo tempo, Raymundo sugere: "Não prepare muito amiudadamente seus pratos favoritos", referindo-se aos dele, claro, já que não se pode enjoar o marido oferecendo sempre as mesmas comidinhas. Atualize-se, mulher, e lembre-se: "Não ande de chinellas, nem mesmo na cozinha". É só se lembrar das mulheres casadas de propaganda de margarina e seguir o modelo. A publicidade se utiliza destes manuais da década de 1930 até hoje. Não deve ser à-toa.

- Mais uma seção e mais conselhos. "O bom humor da esposa é um repouso para o marido". O que é uma esposa sem bom humor, não é mesmo? Ele quase não lhe dá motivos e você não faz outra coisa na vida, certo? Diz Luiz Raymundo que eu não me queixe nunca, de nada, que isso aborrece demais os homens. Pede o cronista que eu dê festas em casa apenas para marido e mulher, festinha privê, que é pra animar o moço. Não me pode faltar alegria, "seja sempre vinte e cinco por cento mais alegre do que dispõe de motivo para o ser", cálculo fácil de fazer e difícil de acertar, mas é preciso tentar. Raymundo me diz que dê presentes ao esposo, seja sempre moderada, discreta, não ultrapasse os limites quando me sentir atraída por discussões.

- Mais adiante, diz o cronista que "o homem pode tornar-se grosseiro e áspero; a mulher, não, pois isso a diminui em todos os sentidos". Admito: nem sempre consigo ser macia e gentil, mas vou tentar. Não se pode, igualmente, fazer cenas de ciúme, dizer de quantos "sacrifícios" fiz por ele e ficar doente. Assim reza a crônica: "trate de ficar doente o menos possível". Pode deixar, doutor, vou me controlar, afinal, preciso estar sempre bem para cuidar dos eventuais achaques dele.
- Melhores ainda são os conselhos sobre a vida social do casal. Raymundo afirma que cada um precisa ter seu dia de "mania", dia de sair só, de respirar. Ao menos uma vez por semana, o esposo deve "sentir-se como solteiro". E não se pode perguntar aonde ele foi ou o que andou fazendo. Diz o cronista que, se quiser, o marido chegará contando as experiências. E se houver qualquer deslize, que a esposa não se ressinta, nem cobre, nem se vingue. Isso é normal nos homens, não nelas. Não se pode sequer dar a entender ao marido que eu sinto ciúmes, coisa mais feia! E caso eu note que o homem está atraído por outra mulher, deixe estar, aproveito para reparar nela. "Observe, antes, o que é que elle nellas admira. Na maioria dos casos, são as qualidades que você não possue". Trate-se, então, de possuir. E ainda: "Chame a attenção delle para as virtudes das outras mulheres. Com isso, elle apreciará em você o senso de imparcialidade".

- A profissão e o tempo do marido são sagrados. Quando ele voltar à noite para casa, diz o manual, é preciso demonstrar que eu o estava esperando com impaciência. Preciso deixar tudo arrumado, inclusive eu, a mesa posta, o cinzeiro perto dos talheres e buscar o chinelo dele com o focinho. Não, não, misturei os manuais. Não é bem isso, excluam aí a última parte. Só devo telefonar (especialmente para mãe e amigas) quando ele não estiver em casa, óbvio, porque depois que ele chega, minha atenção é exclusiva. Devo me adiantar ao me arrumar para sair, assim não o deixo esperando; se ele já estiver a postos para sair, não vá eu encher a paciência com pequenas coisas, do tipo dar bitoquinhas nos filhos, procurar bolsa, instruir a faxineira ou procurar as chaves. Ou isso tudo estava feito ou babau. Ele certamente não o fará.

- Quando o marido, enfim, chegar do trabalho, não devo contar nada de aborrecimentos bestas para ele, um papo fútil e inútil, com o qual ele não ganhará nada. Ele, enfim, não quer ouvir minha voz nem de manhã cedo nem mais à tardinha. Ele quer mesmo é jantar e descansar. E se quiser sair? Não devo ter ideias sozinha. É preciso consultá-lo antes. Não devo nem aceitar sem propor nada antes que ele examine o assunto.

- Mas a esposa não fica totalmente desamparada nos conselhos de Raymundo. Ela também tem seu espaço, além daquele de se dedicar ao marido. Repare-se que os filhos quase não são citados, em um modelo de família bem diverso deste nosso mais atual, o "filharcado". A mulher também merece alguma dedicação. Afinal, na página 33, estão lá os conselhos ao rapaz, que só virão na próxima coluna.

Portanto, queridas amigas, não percam a oportunidade de ter um matrimônio feliz, de acordo com os aconselhamentos colhidos de um manual da década de 1930, mas, provavelmente ainda bastante atuais.”
É pra rir ou pra chorar??

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

COMO SERIA A VIDA SEM INTERNET?

Achei esta matéria no site do WIX, e achei bem interessante. De fato, eu seria uma das pessoas que me veria completamente "perdida" sem a internet!
O mundo como nós o conhecemos mudou dramaticamente nos últimos anos, e é tudo graças a uma certa palavra mágica chamamos de internet. A rede mundial de computadores foi criada em 1991 e, desde então, a tecnologia tem sido decolando (quase) na velocidade da luz.
Alguns (ou até muitos) de nós nasceram em uma época onde a tecnologia não era a que conhecemos hoje e nem acessível a todos. Mas nós nos acostumamos rapidamente as facilidades que esta tecnologia nos trouxe e dificilmente conseguimos pensar como seria de nossa vida sem ela. Mas a equipe Wix está aqui para isso! Apertem os cintos, iremos fazer uma pequena viagem a uma realidade paralela e um pouco assustadora.
Afinal, como seria nossa vida sem internet?
1. “Seguir” a vida de alguém poderia te levar a prisão.
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2. Ter seguidores potencialmente faria de você o líder de uma seita.
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3. Você teria que ir fisicamente ao shopping em seu dia de folga para fazer compras.
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4. Fazer o Marketing de seu negócio seria tudo, menos fácil…
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5. Se algo se tornasse “viral”, profissionais da saúde estariam envolvidos.
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6. Se você quisesse aprender como fazer algo, esquece o sr. Google, você teria que correr atrás e fazer um curso.
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7. Aquele encontro as cegas, que seu colega do trabalho arrumou para você, seria realmente as cegas… Com o nome da pessoa, o máximo que conseguiria, seria procurar nas páginas amarelas (!).
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8. Você teria que pedir muita informação na rua ou ser um expert em leitura de mapas.
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9. Se você trabalha com tecnologia, onde você estaria agora?
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10. Você teria que convidar todos seus amigos em casa para mostrar as fotos das suas férias.
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11. Pesquisar algo significaria passar alguns dias na biblioteca. 
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12. Metade do seu salário seria gasto com ligações de longa distância.
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13. Você teria que procurar um médico ao invés de consultar o Dr. Google para cada sintoma estranho (e embaraçoso) que tivesse.
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14. 私たちは今、行うことになっていますか? – Boa sorte sem Google Translator!
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15. Você teria que ir de empresa em empresa para levar seu currículo (impresso!) pessoalmente. 
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Agora respire fundo que tudo não passou de um sonho! A internet veio e veio para ficar e para facilitar nosso dia-a-dia.
Fonte: http://pt.wix.com/blog/2015/08/vida-sem-internet/ 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

DIAS DE VENTO...


Gosto dos dias de vento.
Sempre que o ouço balançando as minhas janelas, não resisto a espreitar lá para fora para ver tudo o que ele mexe... Quando temos o coração acordado, até o vento pode conversar conosco. E dizer-nos muitas coisas importantes...

A mim, que em frente à janela do meu quarto tenho muitas árvores, o vento fala-me sempre da importância das raízes. Sim, gosto dos dias de vento, porque me lembram a importância de ter raízes. Às vezes, parece que vivemos sem chegar nunca a lançar raízes profundas.

Ter raiz significa encontrar um sentido verdadeiramente válido para viver, um sentido daqueles que as primeiras tempestades de inverno derrubam, perene, mais forte que a morte, como o Amor.

Um dia, Jesus disse tudo isto contando a parábola das duas casas.

“Era uma vez um homem insensato, que construiu a sua casa sobre a areia: veio a chuva, o vento e a tempestade e a casa ruiu. E havia um outro homem, este sábio, que construiu a sua casa sobre a rocha: veio a chuva, o vento e a tempestade, mas a casa permaneceu.”

A casa sobre a rocha, como as árvores com raiz, como as vidas com sentido…

E lá fora, o vento continua a segredar-me tudo isto enquanto embala e empurra as árvores do jardim: vão-se as folhas, caem alguns frutos já tardios, partem-se alguns galhos mais frágeis, mas a árvore permanece, porque está enraizada.

E assim o vento até vai limpando-a... O vento, assim, até vai espalhando sementes com as suas invisíveis mãos.

Está vendo? Quando há uma raiz profunda, o vento forte até se torna para as árvores instrumento de purificação e fecundidade. Temos que lançar raízes, assumir motivos válidos para viver e enfrentar todos os ventos, olhos nos olhos. E no subsolo do nosso coração, temos que aprender dia após dia, que para os nossos corações enraizados não há problemas. Nunca há problemas, apenas desafios. Sim, transformar os problemas e as lágrimas em desafios a vencer: esse é o segredo dos corações bem enraizados, para domar todos os ventos. Para isto, a aposta primeira não se faz nas folhas, nos frutos ou nos ramos débeis do nosso ser; tudo começa nas raízes, no sentido, nos critérios.

Olha, o vento a dançar por entre as árvores do jardim está ainda a dizer outra coisa: até na morte, até na morte a raiz é sinal de uma grande dignidade. Porque uma árvore morre sempre de pé…

SHALOM

Rui Santiago cssr 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

SACUDINDO O PÓ DAS SANDÁLIAS


“Quanto àqueles que não vos acolherem, ao saírem daquela cidade, sacudam o pó das suas sandálias, para que sirva de testemunho...”. 
(Lucas 9,5)

Eu sempre me perguntei o que exatamente Jesus quis dizer nessa passagem bíblica. Ela sempre foi para mim objeto de espanto, em princípio ela parece uma atitude muito rigorosa. Mas, por que Cristo instruiu os discípulos a agirem assim? Parece uma recomendação um tanto dura com relação ao trabalho missionário. Teria ele ficado indignado com aqueles que se recusavam a ouvir sua mensagem? Ou estaria “lavando as mãos”? Qual é, realmente, a nossa responsabilidade quando as pessoas, simplesmente, não querem nos ouvir?

Pois bem, essas minhas inquietações estão bem condizentes com o momento que estou vivendo. Estou me sentindo bem fracassada nesta minha última “aventura” em ser catequista numa comunidade e fazer parte dela. Tentei durante três anos, modificar algumas coisas na catequese, implantar novos projetos e ser aceita como uma pessoa que quer e pode ajudar. Infelizmente não foi possível. Minhas palavras caíram no vazio de alguns, infelizmente, de quem “manda”. Paciência... Parece que me resta sacudir o pó das sandálias e partir para outro povoado.

Mas esse “sacudir o pó das sandálias” não é nada de revolta, impaciência ou mágoa. É simplesmente a tomada de consciência de que algumas pessoas não estão ainda preparadas para viver a “radicalidade” do que é realmente a “Boa Nova”. Isso virá com o tempo.

Acredito que essa recomendação de Jesus é para mim, uma recomendação de tolerância. Claro que não é fácil falar e não ser ouvida, e receber um balde de água fria em seu entusiasmo. É deprimente saber que tudo o que se faz com o maior carinho, é tratado com a mais pura indiferença.

Mas, se acontecia com Jesus, por que não pode acontecer comigo? Quem sou eu, perto Dele? O desafio disso tudo é justamente encarar e entender essa desatenção como falta de preparo e medo da mudança. Mudanças abalam as estruturas e o comodismo é confortável.

Com tudo isso não quero me dizer “superior” e a “sabe tudo” do pedaço. Aliás, isso serviu para eu pensar numa profunda mudança em meu jeito de agir. E que nem sempre quem recebe a novidade está preparado para acolher bem o que é novo. Algumas pessoas não têm como mudar, não porque não queiram, mas porque não entendem e não confiam naquilo que pode desorientar seu costumeiro modo de pensar. “Desinstalar-se” não é para qualquer um! Aquilo que para mim é tão fácil e simples, porque estou acostumada, pode parecer ao outro uma coisa do outro mundo.

E o ser humano é muito complexo. Fora a complexidade que é o próprio ambiente em que nasceram e foram criados. As culturas são diferentes, as maneiras de agir vêm de suas heranças culturais, étnicas, sociais, enfim...

Quando venho de uma outra cultura meu modo de agir choca um pouco, trago uma postura diferente, um olhar “novo” sobre todas as coisas. Sem contar que meu jeito expansivo e franco é confundido com um caráter arrogante e brusco, e até ofensivo em algumas ocasiões. Minha impaciência e minha urgência foram lidas, muitas vezes, como impertinência.

E as leituras pessoais e o conhecimento levam tempo, meses e até anos. E como não tenho esse tempo, já não sou tão jovem, não como desaforo ou represália, mas por tolerância e amor, só me resta “bater o pó das sandálias”. Haverá ainda um outro tempo, um outro missionário.

Meu desafio agora é “tolerar”, buscar uma segunda trilha, tirando o pó das sandálias. E esse pó, do qual preciso me livrar, encaro como se fosse o poder de provocar represálias, carregar mágoa, raiva, direito de resposta e... vontade de desistir de tudo e abandonar a missão. Essa é uma lição preciosa. Li em algum lugar que batendo as sandálias, a gente deixa cair no chão sementes daquilo que queremos plantar. E isso é esperança. Quem sabe deixei sementes que possam germinar e florescer no futuro?

Acredito que Deus é aquele que não nos abandona nunca. E nos conhece mais do que nós mesmos nos conhecemos. Com essa minha mudança acredito que Ele está me dizendo que minha tarefa foi cumprida, e não há mais nada que eu possa fazer. Acho que estou tendo a oportunidade de tirar o pó das sandálias no momento certo… antes que me coloquem para fora com sandália, pó e tudo! Rsrsrsrs. Talvez eu tenha passado da medida, insistindo com quem não tem condição de absorver mais, pelo menos nesse momento. Arrumei muita confusão por causa disso, talvez tenha até prejudicado algumas pessoas que me apoiaram. Meus anjos da guarda tiveram muito trabalho neste nestes últimos anos.

Mas aprendi muito. Aprendi que tenho limites. Por mais que eu me prepare e me instrua tenho que pensar que ainda tenho muito que aprender e caminhar. Tenho que entender que o ser humano tem limites. E preciso aprender a esperar. Há o tempo se semear, de esperar a germinação, a planta crescer, dar frutos e, só então, colhê-los.

E gente não é igual milho que tem duas safras por ano...

Não. Não gastei minhas sandálias à toa. Tenho certeza. Só estou sacudindo a poeira para renová-las em outro chão e em outro pó. Tolerância, persistência, paciência. Estas são as lições que aprendi. E “baixa a bola” um pouco, Dona Catequista! Esqueceu o que é também um aprendiz?

E eu peço a Deus que continue a me dar forças para continuar semeando e me faça ter paciência, esperar e caminhar sempre... E, se necessário, que eu saiba sempre o momento de sacudir minhas sandálias e buscar novos caminhos.

Ângela Rocha

Catequista

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Bonita que só ela!


Estamos habituados a revoluções feitas com armas, que deixam um fio de sangue a escorrer no chão… Estamos habituados a confiar nas mudanças que são impostas pela força, porque nos queixamos muito da violência, mas, é sempre a ela que recorremos quando queremos que as coisas fiquem diferentes…

É por isso que o Evangelho ainda nos parece tão estranho, às vezes…Porque nos conta a história de uma revolução feita de ternura. Porque o Evangelho nos conta a mudança mais decisiva que foi introduzida no mundo, mas é uma mudança selada pela mansidão e pela não-violência.

Era uma vez uma mulher, bonita que só ela, uma mulher que vivia numa aldeia pequenita da Galileia chamada Nazaré, e ficou para sempre ligada à história que muda a história! O nome dela era Maria e foi da sua boca que nasceu o hino mais revolucionário que se tinha ouvido alguma vez. Foi uma exultação de alegria, porque há revoluções que nascem da Felicidade! Foi um clarão de Esperança, porque há revoluções que nascem de uma Promessa!

Era uma vez uma mulher, bonita que só ela, que sentiu a vida visitada pela bondade de Deus e, por causa disso, abriu as portas e percorreu os montes. Era uma vida d’esperanças, semeada de futuros, e dentro de si uma Palavra ganhava corpo. Foi ela quem ouviu a primeira Bem-Aventurança do Evangelho: “Feliz de ti que acreditaste que vai cumprir-se tudo o que foi dito da parte do Senhor! ” Por isso mesmo, ela cantou logo depois: “De hoje em diante, todas as gerações me chamarão FELIZ! ”

Era uma vez uma mulher, bonita que só ela, que era uma pessoa feliz por causa da Esperança que Deus encontrou nela e por causa da Confiança que ela encontrou em Deus.

Voltamos o nosso rosto para Maria porque queremos aprender dela a coisa mais importante de todas: que Esperança é essa, que Confiança é essa, que faz de ti “Maria Feliz”?

Rui Santiago, cssr.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

SABER OUVIR...


Thomas Edison, o inventor da lâmpada, perdeu boa parte de sua capacidade auditiva quando tinha doze anos de idade. Só podia ouvir os ruídos e gritos mais fortes. Isso, no entanto, não o incomodava. Certa vez, indagado a respeito da sua deficiência, respondeu com serenidade: "não ouço um passarinho desde meus doze nos, mas em vez disso constituir uma desvantagem, minha surdez talvez tenha sido benéfica para mim. Ela encaminhou-me muito cedo à leitura e, além disso, pude sempre concentrar-me com rapidez, já que me encontrava naturalmente desligado de conversações inúteis." 

A singela observação guarda grande ensinamento. A maior parte de nós tem plena capacidade auditiva, mas isso não significa necessariamente que tenhamos o dom de saber ouvir. Embora a audição seja uma dádiva maravilhosa, não há como negar que poucos, poucos de nós, dominamos a arte de ouvir.

Ainda não conseguimos ouvir os queixumes dos outros sem que atravessemos um comentário a respeito da nossa própria desdita. Deixamos assim de escutar as histórias dos outros, para narrar a nossa própria, como se apenas esta fosse digna de ser registrada e conhecida.

Ainda não conseguimos ouvir as críticas que nos fazem. Em poucos instantes já estamos irritados e ofendidos, mais preocupados em nos defender ou até em agredir verbalmente o outro. Ouvir com serenidade tudo o que nos querem falar, por ora, parece ser superior às nossas forças. Ainda não conseguimos ouvir conselhos e orientações que sejam dirigidas à nossa melhoria íntima. Esse tipo de conversa sempre nos parece aborrecida e sem sentido, afinal, muitas dessas palavras sábias representariam mudança de conduta e o abandono de muitos vícios. Não estamos dispostos a isso.

Mas se a conversa gira em torno de maledicências, aí então, os ouvidos parecem ficar mais capazes de registrar sons e nosso interesse fica aguçado. O sono passa e sempre há tempo para querer saber algum detalhe a mais a respeito do assunto. Muita conversa inútil preenche nossas horas e consome nosso tempo. Muitos exemplos infelizes são tomados como modelos de atitude, por equívoco daqueles que os ouvem. Inúmeras dificuldades são criadas em nossa intimidade pelo desequilíbrio gerado pela maledicência. Por outro lado, muitos amigos precisam de nós para um diálogo saudável e nós não temos sensibilidade suficiente para deixá-los falar.

Muitas palavras acertadas que nos auxiliariam a não incidir mais uma vez no mesmo erro, deixam de ser escutadas por desatenção. A capacidade de ouvir não se limita exclusivamente à possibilidade de captar sons. Temos sido surdos em um mundo repleto de sons e de melodias que poderiam transformar nossas vidas em sinfonias de amor e de realização.

Temos sido criaturas incapazes de perceber palavras e histórias maravilhosas que ilustram a existência dos seres que nos cercam e que muito poderiam nos ensinar. Temos sido deficientes auditivos quando se trata de escutar verdadeiramente aquilo que precisamos ouvir. É necessário e urgente que desenvolvamos a real capacidade de ouvir.
 

Retirado do livro: Grandes Vidas Grandes Obras.

terça-feira, 7 de julho de 2015

FAZER O QUE SE GOSTA...


Fazer o que se gosta. Simplesmente. Fazer pelo prazer genuíno da coisa. Com aquela sensação interna de quem sabe que aquilo te faz um bem enorme e ponto. 

Eu gostaria de ser sempre assim. De fazer sempre assim...

Fazer o que se gosta, o que se tem pra fazer de verdade. Fazer o que não me perturba, não me adoece, o que antes não me faz pensar no outro, só no outro... Ou no dia de amanhã, ou no futuro próximo ou longínquo.

Apenas a entrega tranquila  de quem vive o que tem pra viver e faz o melhor possível. Dando valor ao que penso, a vontade extremada de dar um abraço e apenas aconchegar o coração ao peito de alguém.

Você já sentiu isso? Tenho sentindo isso todos os dias...

E tem aquele segundo, aquele momento que você olha e está tudo lá, tudo como tem que estar, mesmo que não seja exatamente no “lugar”.

Fazer simplesmente o que se gosta e se tem vontade. Aquilo que só você tem certeza, lá no fundo do coração, uma certeza que só você ouve, só você sabe, não precisa justificar, não precisa adiar, não tem atalhos no caminho...

Ah, é tão bom, tão bom...

Obviamente, quando você começar a desviar-se do que normalmente faz, muitos chegarão dizendo que você é um bobo, que agir com alma e com coração muitas vezes dá em nada, não funciona!

E é nessa hora que eu me agarro a tudo que sou e apenas penso no meu momento presente, naquilo que me faz plena, e sigo em frente sem me importar com o que os outros dizem sobre a minha vida, que parece tão certa e no caminho... Mas que não passa de um emaranhado confuso de incertezas... 

Sempre pensei - que não é a quantidade de dinheiro que faço na vida, quanto de amigos tenho, se sofro ou não sofro, se não conquisto, ou não sou conquistada – que nada disso fará a diferença quando eu não estiver mais por aqui. Boto fé que o que fará a diferença será a maneira como eu "experienciei" a vida, o quanto TENTEI, o quanto ERREI e o quanto eu VIVI apaixonadamente por tudo que está ao meu redor, ao meu alcance. Pelas pessoas que amo e me são importantes. Por tudo que disse e fiz: POR AMOR!

Fazer o que está no código de conduta humana, aquilo que é politicamente correto, não dizer o que penso e não extrapolar um pouco desses sentimentos que me rasgam o peito... Me faz perder um tempo raro, me deixa triste e me faz sentir meio amarrada e fora do lugar... E meu lugar, fazendo o que gosto e preciso, é, ou não é... Sei lá... Junto daqueles que amo?

E como dizem os nerds: “Keep calm...” não me xingue e só me ame como eu sou.


Angela...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

EDUCAÇÃO NÃO TRANSFORMA O MUNDO. EDUCAÇÃO MUDA AS PESSOAS. PESSOAS TRANSFORMAM O MUNDO.


(Paulo Freire, educador brasileiro que transformou a educação no Brasil).

A fé não transforma o mundo. A fé (Jesus) transforma as pessoas. Pessoas transformam o mundo...
Catequese não transforma o mundo. Catequese muda as pessoas, Pessoas transformam o mundo...

Profissionalmente eu sou PROFESSORA, na minha área de atuação profissional: contabilidade e administração. E para ser professora eu estudei bastante, fiz curso de graduação e especialização, extensão e atualização. Muito do que ensino está escrito em livros, manuais, normas, leis, diretrizes ou tem orientações de alguém que já viveu e criou este ou aquele processo. Não só “alguém”, uma pessoa só, mas várias. Leio bastante e me atualizo sempre.

Também ensino pela minha experiência: fui gestora e analista de balanços e contadora. Durante mais de 20 anos ajudei empresas analisando e aprovando crédito num banco. Conheço balanços até que razoavelmente bem. E na minha área não basta só saber ler um balanço, é preciso também visitar as empresas e ver se o "papel" não está mentindo. 

Hoje eu ensino. Numa universidade eu ajudo estudantes de contabilidade a entender este ofício. Mas, por que estou falando tudo isso? Não é pra alguém me oferecer emprego, garanto! rsrsrsrsr...

É porque um dia eu resolvi ser catequista. E eu vi que precisava de "professores" na catequese...  E que bem que alguém poderia me dar umas dicas de como conseguir me fazer ouvir por aquela criançada que me deixava maluca! 

Ah, eu rezei bastante... Como rezei! Bastante mesmo pra Deus me tirar daquela "fria". Mas, Ele, esse "Malandro" tem algumas formas de atender os pedidos da gente que, só por Ele mesmo! Nada de sair não! Ele me mandou estudar, aprender e aprender a "ensinar". “Ah, você acha que catequese tem que ter "professor", vai lá ser um...”. E todos os caminhos na catequese, desde o primeiro momento nela, me levaram a isso...

Primeiro um padre que me falou o seguinte (uns 3 meses depois que entrei na catequese e fui pedir a ele pra sair): "Você ainda vai ser uma coordenadora de catequese!". Ao que pensei: "O senhor só pode estar louco padre!".

Mas, ganhei um presente dele naquele dia: o "Catechesi Tradendae" (Catequese hoje), exortação apostólica do Papa João Paulo II, de 1979. Eu olhei pra aquele livrinho laranja e pensei: "Vamos lá, vamos ver o que é isso." Depois eu ganhei da coordenação um DNC, que hoje está "estrupiadinho" de tanto eu ler. Também ganhei do meu pároco um RICA. Depois, quando fui fazer pós-graduação em catequética, ele me deu a Bíblia de Jerusalém.  

Tá vendo a "malandragem" de Deus? Primeiro ele me deu um padre 100% pastor de suas ovelhas, maravilhoso! Para depois me apresentar os outros nem tão 100% assim...

E lá fui eu aprender a aprender, pra poder ensinar. A única coisa que ainda não fiz (mas, que está nos meus planos) é uma graduação em Teologia. De resto fui aonde pude. Dois anos viajando um final de semana por mês (mais de 600 Km), para me especializar em catequética. Fiquei exatamente 360 horas sentada escutando e aprendendo catequese com os melhores mestres do país. E nem sei quantos livros li, quando documentos conheço, quantos manuais já analisei... Só sei que ainda tem uma pilha interminável para ler e conhecer.

E tal como na minha profissão, eu não fico só "analisando balanço", vou lá pra ver como é que é a coisa. Sou catequista de base desde que comecei na catequese em 2006. Fiquei fora dois anos só, isso porque não me entendi com um outro padre... que Deus me apresentou para conhecer “o outro lado da moeda”. Mas, encontrei outros padres maravilhosos por aí também. E também viajo e conheço muitos lugares, fiz muitas amizades e conheço catequistas de todo Brasil e com isso, muitas realidades.

Às vezes, nos meus devaneios (vaidade minha) penso que o "Malandro" também me mostrou a internet para que eu conhecesse todas as outras realidades que existem por aí e estudasse mais ainda...

E eu levo muito a sério esse negócio do Paulo Freire, escrito no título deste texto, tanto como professora, quanto como catequista.  Acredito mesmo em mudar as pessoas para transformar o mundo. E para isso eu me preparo, leio, estudo, escuto, olho e vivo o que prego. Claro que não sei tudo e ainda erro muito. Aliás, prefiro errar tentando acertar, do que estar “sempre certa”. E aprendo com os erros também.

Mas, procuro não errar ao falar de contabilidade e catequese. Porque tenho pessoas que dependem da veracidade daquilo que falo. Para isso eu me preparei e continuo me preparando. Por isso tomo muito cuidado com o que digo e, muitas vezes, o que a primeira vista pode ser encarado como soberba minha, convencimento, autoritarismo ou mesmo um "ela se acha"; é fruto do mais dedicado zelo que alguém pode ter ao querer ensinar o outro. Posso errar no "jeito" de falar. Às vezes sou tão contundente em afirmar alguma coisa que depois é que percebo que assustei um pouco as pessoas!

Mas, o que digo como matéria e conteúdo da catequese e da contabilidade, tem sempre embasamento teórico e prático. Nem sempre da "minha" prática, mas daquilo que já foi  experenciado e relatado por alguém. Sei reconhecer que tenho muitos mestres terrenos além do divino.

E Jesus? Onde é que fica nisso tudo?

Pode parecer que Jesus não se importa muito com a contabilidade, ela parece ser só um meio do homem calcular e controlar suas riquezas. Mas, acho que ele se importa sim... 

Veja só: São Mateus é o nosso patrono, o “coletor de impostos” foi um dos primeiros “contadores” de que se tem notícia. Lembram do “...ninguém começa a construir uma torre sem antes sentar e calcular (...)”? Pois é...

Agora, com a catequese, tenho certeza absoluta que Ele se importa muito. Fazer ecoar a Palavra não é uma coisa muito fácil não! É preciso esmero, preparo, capricho, disposição, comprometimento. E, é claro, FÉ... que precisa ser inquestionável e inabalável. A minha é. E além da minha fé em Deus, tenho fé em mim mesma. Acreditar em si mesmo é o primeiro passa para um fé madura e comprometida.

E é isso, minha confiança inabalável em Deus, faz de mim uma pessoa que confia em si mesma. Quem está com Ele pode tudo! Rsrsrrsrs...

Angela Rocha
Catequista amadora