domingo, 20 de julho de 2014

Um mundo a parte: a amizade virtual

Há algum tempo atrás só conseguíamos fazer amigos se nos encontrássemos fisicamente com alguém. Mas isso mudou. Hoje podemos ter amigos no mundo inteiro, falar com esses amigos e vê-los em tempo real através de uma webcam. Mas há quem diga que essas amizades são efêmeras e duram o tempo de uma nova atualização do software. A cada segundo tudo se renova no mundo da internet e o chamado “ciberespaço” se expande e muda a cada instante.

E assim mudam os interesses e multiplicam-se as “amizades”. Dizer que relacionamentos assim são menos verdadeiros que aqueles que fazemos no nosso dia-a-dia é, no mínimo, presunção. Pois muitos relacionamentos originados na internet transformam-se em contato físico e em “presença”. Quantos destes relacionamentos sobrevivem, não podemos precisar, mas sabe-se que até casamentos começam assim.

Fato é que, a internet deixou de ser uma “ferramenta” de comunicação e passou a ser um “universo” a parte em nossos relacionamentos. Podemos claramente dizer que temos uma “outra vida”, além daquela comumente vivida no cotidiano do trabalho, escola, família e amigos. Temos nossas páginas, estamos em todas as redes sociais e a cada dia surgem novas formas de se comunicar, “visitar” e fazer amigos virtuais.

E esses amigos passaram a fazer parte de nossas vidas, tanto quanto aqueles que conhecemos nossa vida toda. Às vezes de uma maneira mais intensa até. Isso porque é mais fácil derramar nossos sentimentos quando não temos que nos deparar com os olhos reprovadores da outra pessoa. È mais fácil confessar nossas falhas e nossos limites sem a presença física de alguém que, certamente, teria algo a dizer. Dá para conceber monólogos de páginas inteiras sem qualquer intervenção em sua fala. Dá para deletar frases que não queremos na verdade dizer... Assim como dá para “apagar” o amigo, quando ele não se faz mais necessário ou se descobrimos nele, algo que nos desagrada.

Estranho dizer isso depois de afirmar que amizades na internet podem ser mais intensas? Não. Acredito que não. Assim como é fácil fazer amizade na internet, é mais fácil ainda, “desfazê-la”. Dificilmente nos encontraremos “por acaso” no ciberespaço e ensaiaremos uma conversa constrangedora. Esse é o novo modelo de amigo. Que de uma relação estreitamente cultivada pode passar a uma ignorância total de existência. Basta que se perca o contato, que se apague o e-mail ou bloqueie a conta ou qualquer ou serviço de mensagem. Acaba-se aí um relacionamento sem cobranças ou encontros embaraçosos. Simples assim. Apaga-se o rastro da pessoa de seu servidor e será como se ela nunca tivesse existido. Pensando assim, acho que alguns casamentos deveriam ser concebidos só no mundo virtual...

Mas, para mim, amizade sempre será AMIZADE, seja ela real ou virtual. Precisa ter as mesmas características e os mesmos sentimentos, precisa se verdadeira, autêntica, fidedigna, genuína e legítima. O amigo ama e pronto! O resto é consequência.

Já dizia Aristóteles: “...uma só alma que habita dois corpos”.


Ângela Rocha

Catequista

Livros que merecem flores


Rosas, mesmo depois de murchas, não morrem nunca,
 pois suas pétalas ficam guardadas qual tesouros,
 por entre as páginas do meu coração...

Nesta manhã de sol (e de diarista, felizmente!), dediquei-me a uma tarefa que aprecio muito: espalhar pétalas de rosas por dentro dos livros que gosto. Minha rosa do dia dos namorados não poderia ter destino diferente. E lá foram elas:

 “Mulheres de aço e de flores”, do Pe. Fábio de Melo, mereceu a maior parte delas. Mulheres merecem flores, sempre. Ainda mais estas tão fielmente retratadas.

A cura pelo amor”, do Pe. Alir Sanagiotto, merece uma pétala especial na dedicatória. Foi um amoroso presente de uma das minhas amigas mais queridas. Não concordo muito com algumas das colocações do autor. Mas ele tem razão numa coisa: o amor é uma excelente cura.

Ostra feliz não faz pérolas”, mereceu duas pétalas. Rubens Alves faz críticas às religiões de modo geral, mas mesmo assim gosto da visão que ele tem de Deus. É preciso conhecer os dois lados da moeda para poder julgar. Se é que temos o direito de julgar.

Paixão de Anunciar” leva pétalas na página 29, 32, 34, 47, 49, 58, 62, 70, 83 e 91. São meus textos preferidos. Recomendo a todos os catequistas que os leiam, duas, três, quatro vezes. É um lembrete diário do que deve ser a missão de catequista. Muitos outros textos levariam pétalas se estivessem no livro. Pétalas virtuais servem?

A distância entre nós”, livro da escritora Thrity Umrigar, de origem Hindu, (cultura tão em moda ultimamente), merece uma pétala, na página que estou lendo. Ainda estou longe de acabar e não posso fazer comentários.

E finalmente, pétalas vão para a minha Bíblia de Jerusalém. Para o Livro do Deuteronômio, que aprendi a ler e amar nos últimos tempos, principalmente devido aos estudos sobre a Bíblia na catequese. O Deuteronômio ou “Segunda Lei” (gosto mesmo de renovações!), é uma atualização do Código da Aliança. Nele estão contidas as colunas básicas de nossa religião e o poderoso “Shemá!” (Ouça!), chamada veemente à Escuta da Palavra. Mandamentos como “Ama a teu Deus com todo teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força!”, estão lá.

Pétalas cumprem bem melhor o papel de destacar partes de uma leitura do que simples marcadores de páginas. Quando pego um livro com um marcador de páginas no meio, sei que ainda estou lendo. Tenho livros com marcadores abandonados lá, há anos. Quando folheio um e encontro uma pétala, sei imediatamente o quanto amei aquela leitura. O quanto aquele autor me marcou. Mário Quintana, Érico Veríssimo, Clarice Lispector, Shakespeare, para mim são verdadeiros canteiros de rosas.

Sobraram duas pétalas. Estas eu vou guardar comigo. Quero colocar num livro especial. ... que ainda não está nas livrarias.

Angela Rocha
15/07/2009

E lá fui eu, hoje, dia da morte de Rubem Alves, cinco anos depois que escrevi este texto, buscar entre meus tesouros os livros dele...
E lá encontrei, na página 201, minha pétala de rosa...  

Foi lá que aprendi, com o Rubem, os 33 nomes de Deus.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Fazendo Pão de Bafo... (Tampf Kleis)

Uma das coisas que faz parte dos meus domingos é assistir o Globo Rural...
Não porque eu me interesse, mas, porque meu marido é madrugador e desde as seis da manhã assiste TV... rsrsrrsr...
E foi numa destas manhãs que me interessei por uma reportagem feita numa pequena comunidade de descendentes de alemães do município de Palmeira -Pr.
Tratava-se de uma festa numa pequena capela da comunidade, e o prato era:  PÃO DE BAFO!  

Tampf kleis em alemão, o prato simplesmente é de dar água na boca... e feito naqueles panelões de igreja então? Nossa! Eu precisava experimentar. E como é um prato que se faz para muitas pessoas, sempre faço quando a família toda se reúne. Da última vez foram 4 panelas grandes de pão!

E, em homenagem à vitória alemã na Copa, aí vai a receita:

PÃO:
Uma receita de pão normal (2 Kg de trigo rendem 24 pãezinhos).
Amassar o pão deixar crescer a massa, modelar as “bolinhas” e deixar crescer novamente.



CARNES:
500 gr de pernil de porco (sem pele e osso) cortado em cubos
500 gr de linguiça calabresa
200 gr de lombinho defumado
200 gr de bacon
01 cebola cortada em cubos
2 dentes de alho moídos
4 tomates cortados em cubinhos
Fritar tudo com 01 colher de azeite (primeiro o bacon e depois as demais carnes)
(Cheio verde a gosto, não coloco sal nem pimenta, pois a calabresa se encarrega desta parte).

MONTAGEM:
Depois de pronto as carnes, acrescente à panela, repolho cru cortado grosseiramente, para fazer uma espécie de “cama” para receber os pães já crescidos.




Depois de colocados os pães sobre o repolho, coloque um pano de prato sob a tampa, não é necessário acrescentar água o repolho solta o necessário para o vapor.
Pães depois de prontos (ficam branquinhos mas estão bem cozidos).
Tempo de cozimento: 35 min., mais ou menos.

(Eu mostrei somente uma panela, mas fiz em três, minhas panelas são grandes, mas, nem de longe são iguais as da Igreja... rsrsr)



Para acompanhar o Tampf Kleis, pepino azedo e mostarda.



* Receitas da Ângela: Este é um prato que copiei dos descendentes de alemães no Paraná.



domingo, 15 de junho de 2014

NÓS E A COPA...



Coração redondo e verde-amarelo

 Porque a Copa do Mundo de futebol mexe tanto com a gente? Porque ao escutar o Hino nacional antes do jogo, nosso coração bate mais depressa? Porque vibramos e pulamos quando se marca um gol? Apesar de nos denominarmos o país do futebol, sabe-se que essa paixão não é exclusivamente nossa. Vemos a mesma emoção e vibração em muitas faces pintadas de azul, verde, vermelho, preto, amarelo, enfim... O verde e amarelo não é uma unanimidade. Não sei se acontece com vocês, mas vibro com gols de todos os times (desde que não seja contra o Brasil, claro!). A emoção transmitida pela bola na rede é contagiante.

Apesar de cada um ter seu time do coração, sofrer e exultar muitas vezes, torcer pela seleção é diferente. Puxa de dentro da gente um amor e uma emoção inexplicáveis. Ao ver tremular o verde amarelo de nossa bandeira, escutar o hino da nossa pátria, não há coração que resista e olhos que não se umedeçam. Que amor é esse? É por um esporte que não distingue classe, raça, cor ou credo? Ou é por um amor incontido pela nossa pátria? Nós nos emocionamos e choramos, não tanto por aqueles onze homens que estarão correndo atrás de uma bola em busca de uma trave, nos emocionamos porque junto com aquelas pernas velozes e aquele vigor físico, corre, o enorme orgulho de termos uma pátria e um chão que chamamos de nosso. Sim, sofremos horrores com as escolhas erradas do técnico, com erros táticos, com jogadas fracassadas... Mas nem por isso deixamos de amar o nosso time.

Dizem que cada brasileiro é um técnico de futebol e tem sua seleção escalada. Acredito realmente nisso. Mas acredito mais ainda é que, cada um dos milhões de torcedores brasileiros, gostaria é de estar, ele mesmo, vestido com a camisa amarela correndo atrás daquele pedaço de couro. Não há que se explicar o nosso amor pelo futebol! Há que se torcer pra valer! Gritar, xingar, abraçar... comemorar!

 Angela Rocha

terça-feira, 6 de maio de 2014

Mais uma vela que se acende...

Normalmente eu fico feliz em meus aniversários. Só que este ano a felicidade está meio apagada. Estou como a crônica de Rubem Alves sobre o aniversário. Parece que finalmente me dei conta de que “apaguei” 48 anos da minha vida.

E veio a consciência de que este é um tempo que não tenho mais... E a sensação de “perto do fim” veio igual àquelas lufadas de ar quente de quando a gente abre a porta depois de ter estado no ar condicionado um tempão... Absolutamente desconfortável e desanimador. Analogia nenhuma com a quentura dos infernos, pois, pra lá é que não quero ir... Pelo menos estou fazendo um esforço danado para merecer o céu. Só que eu queria ficar um pouquinho mais por aqui. Uns bons 50 anos a mais não seriam de todo mal.

Mas, aí eu penso como estarão as minhas artroses, osteófitos, epicondilites, plantites, diabetes e outros ites e etes... E vem aquela vontade de não fazer aniversário nunca mais na vida! Prognósticos nada agradáveis. Ah! Eu quero me “aposentar” sem necessariamente ser uma “aposentada” da vida. Quero ter pernas pra andar, olhos pra ver, cérebro para pensar...

E para que a coisa não fique mais deprimente ainda, vamos ao texto de Rubem Alves... “Ah! Vida, vela, coisa frágil que se apaga com um simples
sopro...”
A coisa ainda tem jeito!

Rubem Alves está certo! Realmente, a gente tem mesmo é que reverter o ritual. Nada de ficar apagando vela! Tem mais é que acender uma luz na sala escura, que nenhum sopro apague, que dure todo o tempo da festa! Nada de chorar os anos passados e a vida “desfeita”. Que venha a alegria dos anos que esperam ainda para ser vividos... Com dor ou com mais dor ainda.

Ao invés de soprar a vela, vamos acender a vela... Aquela vela que não se compra em pacote, porque a vida é única e MINHA, ninguém tem outra igual. E vou fazer a minha vela devagarinho, conforme a receita do Rubem “gota a gota, seguindo o ritmo do corpo que vai se formando dentro do corpo da mãe, célula a célula”.

Peço a todos que me amam (e que me amem sempre!), que me ajudem. Que cada um derrame um pouco de sua cera derretida (um pouco da sua vida) no corpo da minha vela, que vai crescer, do lado de fora, enquanto eu, criancinha, vou crescendo do lado de dentro. E da mesma forma me derramo em vocês, para que a vela das suas vidas também vá se construindo...

Esta vela é mais que uma vela. É uma oração. Tem uma estória. Tem um nome. “Cada vela é um desejo de luz e de calor. Cada vela é um reconhecimento de que, para dar luz e calor, é necessário não ter pena do próprio corpo. A vela vive morrendo”.

Nós sabemos que vamos morrer. “Quem faz uma vela medita sobre a beleza e a tristeza da vida. E, com isto, aquele que a faz fica mais sábio.” Pois é vivendo que se aprende, é no exercício diário e morrente que se vive.

E que coisa melhor se pode oferecer a uma pessoa que comemora seu nascimento do que a sabedoria daqueles que já nasceram? A vela é um testemunho dos desejos dos que já vivem, oferecidos àquele que irá viver mais um pouco. Os desejos que as pessoas “despejam” em nós, como cera derretida, nos dizem como seremos. E que tipo de vela estamos formando e transformando...

“Há velas esguias que desejam subir: sonhos alados. Outras, redondas, são frutos encantados: sonhos de prazer. Dádivas luminosas aos olhos, são também dádivas perfumadas, delícias para o nariz. Que perfume deverá desprender ao se queimar? Canela? Jasmim? Cravo? Pêssego?As velas acariciam o corpo mesmo quando os olhos se fecham. E as suas cores dirão das cores dos desejos daqueles que as fizeram. Pois a alma é colorida...”. E são as pessoas que nos amam que fazem nossas almas e vidas mais coloridas.

A cada aniversário que se celebra, a vela sai do seu lugar, cada vez menor, para ser de novo acesa, repetindo a eterna lição de que, se é verdade que a vida se apaga facilmente com o sopro de um vento, é verdade também que ela se acende de novo ao ser tocada pela chama... E que esta chama seja cada um de vocês a me desejar: Feliz Aniversário, Ângela!


Autores: Rubem Alves e Ângela Rocha

sexta-feira, 28 de março de 2014

DIA DE CATEQUESE: O LAVA-PÉS



No meu encontro desta manhã, trabalhei com as crianças o “Lava-pés”, o modelo de servir que Jesus, tão sabiamente, nos deixou.

Preparei o encontro no salão da Igreja. Trouxe uma bacia, uma jarra e até esquentei a água. Preparei ao lado uma mesa com pãozinho, suco de uva e fiz um círculo com as nossas dezessete cadeiras. Três ficaram vazias. Como eu havia avisado na semana passada que iria fazer esse encontro, dos dezesseis, três não vieram.

Por quê? Porque não queriam que eu lhes lavasse os pés!

Um dos meninos presente ao encontro também não quis... Ao chegar a vez dele, repeti as palavras de Jesus: “Pedro, não queres que eu lave seus pés? Se não o fizeres, não terás parte comigo.” Ele me respondeu; “Tia, não sou Pedro, sou Luiz Henrique.” É, eu percebi...

Mas o encontro foi bom. Li o Evangelho, eles escutaram quietinhos e vi que entenderam. Depois fizemos a partilha do pão e do vinho (suco de uva) e conversamos bastante.

Contei pra eles que na minha infância costumávamos (eu e meus irmãos), lavar os pés do meu pai. Ele chegava sempre na sexta-feira a noite, cansado da semana inteira “no mato”, como ele dizia. Seu trabalho era cortar árvores para as serrarias da região. Antes de dormir ele gostava de fazer o “escalda-pés” para relaxar.

Quando éramos bem pequenos brigávamos por esse privilégio. Depois de algum tempo eu já torcia para não ser a “escolhida”. Comecei a achar que lavar os pés do meu pai era “nojento”... Quando eu tinha doze anos, ele morreu em um acidente de trabalho. A serra elétrica que ele operava prendeu na árvore e ela veio para cima dele. Era uma peroba enorme... Ele teve várias fraturas na coluna e não resistiu...

Ah! Como eu gostaria de lavar os pés do meu pai hoje! Contei desse meu sentimento para as crianças e me emocionei ao fazê-lo. Tive que me segurar para não chorar. Eles também me contaram muitas coisas. Luiz Henrique nos contou que não gosta muito de água por quase ter se afogado um dia. Mas o encontro foi muito bom.pousada porto de galinhas

E no encontro da semana seguinte, lá pelas dez horas (a catequese começas às nove e meia), chega um pai afobado tentando trazer o filho: eles estavam atrasados e o menino estava com vergonha de entrar, fugiu do pai e voltou para o carro.

Ele já havia faltado no encontro anterior e fui até o carro falar com ele (e a turminha lá dentro fervendo!). Felipe estava chorando e nem olhou pra mim. Estava triste e com vergonha de não ter vindo ao último encontro. E o Pai ali, pra lá e pra cá... Dizendo que, na verdade, ele não veio porque sabia que íamos fazer o Lava-pés e ele não queria tirar o tênis porque tinha frieira. Que hoje tinham perdido a hora, etc., etc.

Pedi que ele parasse de chorar e que me prometesse que não iria faltar aos dois últimos encontros antes das férias. E eu lhe disse que para mim, seria uma honrar lavar os pés dele, com frieira, chulé, o que fosse... Que ele imaginasse Jesus lavando os pés dos discípulos... naquela época eles tinham tão pouca água. Quanto tempo será tinha passado desde a última vez que tinham lavado os pés? Em que “cascão” Jesus deve ter pegado! Muitos andavam descalços ou de sandálias e seus pés deviam estar uma lástima. Jesus foi um “herói” não foi? E fez isso para provar que não era mais que ninguém e amava gente de pé sujo, com frieira, com chulé...

Os pés que lavei estavam tão limpinhos. E será que não existia frieira ou coisa parecida naquela época? Ninguém tinha sapato! Ele se acalmou e riu um pouco das minhas bobeiras.

Por fim, pedi ao Pai que não brigasse mais com ele, que fossem para casa e não precisava ficar no encontro naquele dia. Que a Tia entendia...

Ângela Rocha
Catequese/ 2009. pousada porto de galinhas


quinta-feira, 27 de março de 2014

As deusas do destino


Quem leu o título acima deve estar se perguntando: Mas, o que é que uma catequista católica que dizer com "deusas"?? 

Não, não mudei minhas crenças e concepções não... Já explico!

E vou justificar dizendo que acredito que o "saber" não é uma coisa que nos prende, muito pelo contrário, nos dá asas e liberdade para aprender e "desprender" aquilo que nossa mente e nosso espírito  precisa e anseia.

Mas, vamos a história das "deusas"...

Vocês já ouviram a expressão “analfabeto de pai e mãe”? Pois é. Posso dizer que essa expressão permeou a minha infância. Meus pais eram analfabetos e acredito que seus pais também eram. Minha mãe aprendeu a ler depois de adulta. Eu me lembro dela freqüentando as aulas do antigo MOBRAL, um programa de alfabetização de adultos lançado pelo governo. Quanto ao meu pai, lembro que ele fazia contas melhor do que ninguém. E calculava metros cúbicos! Mas não sabia escrever...

Eles tiveram dez filhos e fizeram questão de que todos estudassem. Na escola pública, mas, proporcionaram. E logo que aprendi a ler eu encontrei um tesouro em minha casa. Uma ENCICLOPÉDIA! Ela tinha dez volumes e era organizada em forma de documentário. Chama-se TRÓPICO. Vocês podem imaginar o que é uma família pobre, as voltas em colocar comida na mesa pra dez filhos, ter uma enciclopédia? E grande parte da minha educação global, eu devo a ela.

Eu adorava aquela enciclopédia. Li tudo, os dez volumes. Principalmente porque tinha uma parte dedicada a Mitologia e Lendas. Foi ali que aprendi a gostar de mitologia grega e romana e das diversas lendas de todos os povos. É gente... Perseu, o anel dos Nibelungos, Tróia, o Minotauro, as Valkírias, a Medusa, os deuses do Olimpo... fizeram parte da minha infância!

Porque lembrei disso? Além de ter, recentemente, me lançado num embate com na internet sobre a Medusa, li um texto no blog da Edite que me trouxe algumas lembranças sobre mitologia. Ao ver Edite se debater entre o destino e as escolhas que fazemos, lembrei então da história das Moiras ou Parcas. As velhas senhoras que controlam o destino dos seres humanos na mitologia greco-romana.

As questões que a Edite levantou, sobre as "escolhas" que as pessoas fazem; se coisas boas ou ruins acontecem por “destino” ou porque assim decidimos; se nós construímos e moldamos nossas vidas ou tudo está predeterminado; são coisas que há muito o ser humano se pergunta. O que se pode depreender do “livre arbítrio” é que somos responsáveis por aquilo que nos acontece. Entretanto, existem inúmeros fatos que não corroboram essas afirmativas. Desde o nascimento até a morte, que são os dois principais pontos de nossa “não escolha”, vivenciamos situações que independem de nossa vontade, tais como: poder ter ou não filhos, que estes nasçam sadios, sofrer ou não de determinadas doenças de ordem genética, etc. E, isso é o que chamamos destino ou fatalidade.

E na Grécia antiga isso era representado pelas três deusas Moiras (ou Parcas): Cloto, a fiandeira, representa a que tece a teia da vida; Láchesis, a que distribui a parte que cabe a cada alma; e Átropos, a que cortava o fio da vida. Existia ainda uma crença de que a pessoa poderia atrair para si uma outra fatalidade em função do pecado, ou seja, a fatalidade era uma conseqüência do pecado e era uma sina que podia ser evitada.

Então, pode-se dizer que a fatalidade ou sina determinada pelas Moiras é uma predestinação que só pode ser enfrentada, mas não evitada. Não é determinada por boas ou más ações do sujeito ou de seus pais; não está ligada a uma vida com ou sem pecado. Já a sina atraída pelos pecados, sim. Esta pode ser evitada.

Enfrentar a sina exige e desenvolve o caráter (do grego, xaracter que significa ser alguém definido), ou seja, determinados princípios a que se permanece fiel independente de confrontações. E este é o caminho para nos realizarmos como indivíduos únicos. Sendo a fatalidade inevitável, o mesmo não se pode dizer do destino pois este pode ou não ser cumprido, sendo determinado pela maneira que enfrentamos as fatalidades e fazemos nossas escolhas (caráter).


Na mitologia romana, onde as deusas se chamam Parcas (originalmente, Parca significava "parte" - de vida, de felicidade, de infortúnio), cada ser humano possuía a sua Parca. Aos poucos, desenvolveu-se a idéia de uma Parca universal, dominando o destino de todos os homens. E, finalmente, passou-se a conceber três Parcas. Filhas de Júpiter e Têmis, ou, segundo outra versão, da Noite, personificavam o Destino, poder incontrolável que regula a sorte de todos os homens, do nascimento até a morte.

Cloto, Láquesis e Átropos, como deusas do Destino, presidiam os três momentos culminantes da vida humana: o nascimento, o matrimônio e a morte. Retratadas na arte e na poesia como mulheres velhas e severas, ou como virgens sombrias, as deusas eram temidas até mesmo pelos outros deuses que não podiam transgredir suas leis, sem por em perigo a ordem do mundo.

Às vezes penso que nossa vida, ou nosso “destino” mesmo, é realmente tecido como um grande fio. Minhas crenças religiosas, claro, não me permitem levar em conta a mitologia. No entanto, comungo da sabedoria dos gregos antigos. Temos sim, uma “sina”, um destino que não nos é permitido mudar. Nosso “fio” é tecido por Deus quando do nosso nascimento. E ao longo da nossa vida tomamos decisões baseadas em nossa vontade que pode mudar totalmente o “desenrolar” deste fio. E sim, moldamos nosso caráter pela maneira como enfrentamos as “fatalidades” imutáveis que nos acontecem. Está determinado que um dia nosso fio será “cortado”. Quando? Não nos é dado o conhecimento... Pois poderíamos com isso, realmente, por em perigo a ordem do universo.


Angela Rocha

sexta-feira, 14 de março de 2014

Catequistas em Formação no Facebook

CURTAM  A PAGINA DOS CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO!


Indique aos seus amigos!
Ela é pública e uma maneira de divulgarmos conteúdos catequéticos no facebook. 






terça-feira, 4 de março de 2014

O que me dá saúde...


Vou “copiar” aqui um pouquinho de uma autora que gosto muito: Martha Medeiros.

Num dos seus textos ela nos conta o quando acha engraçado que de tempos em tempos se divulgue “receitas” milagrosas para se prolongar a vida e combater doenças. E é um tal de tomate é bom pra isso, cebola é bom pra aquilo; tome vinho, não beba álcool; tome muita água: água morna, água gelada, água com limão; limão dá pedra no rim, etc. e tal.  E lá vamos nós pulando de mania em mania, anotando tudo e não tornando nada disso um hábito.

E então, Martha dá sua receita também: acha mais seguro não mudar nada porque a gente sabe muito bem o que nos faz mal e o que nos faz bem. E a partir disso ela corre uma lista muito interessante. Lista esta, que todos deveríamos, em um momentinho oportuno, fazer. Em alguns pontos nós até concordamos, em outros divergimos como os pólos da terra. Mas aí vai a minha.

- O prazer faz um bem danado, desde que, corpo e espírito estejam em sintonia.
- Dormir é bom, mas, as melhores produções se fazem bem acordado.
- Cozinhar é uma terapia infalível para que se exercitar o dom de agradar e servir.
- Comer é melhor ainda...
- Ler um bom livro faz a gente viajar sem precisar entrar num veículo, seja ele qual for. Viajar tem me deixado tensa e cansada. Tudo que posso imaginar é a hora de voltar para casa.
- Brigar me causa azia e fico com gosto de guarda-chuva na boca enquanto não converso a respeito.
- Quando vejo pessoas tolas e donas da verdade fico com aquela sensação de que não deveria ter comido daquele “prato”.
- Exercitar a paciência tem feito bem para o meu espírito, mas meu intelecto ainda me diz que, em alguns casos, tem mesmo é que soltar o verbo.
- Eu ainda tenho muita fé no ser humano, mas, quando vejo alguém jogando lixo nas ruas e calçadas, reforço minha “fé” no quanto o ser humano ainda pode ser idiota.
- E televisão... os médicos deveriam mesmo proibir: novela e reality show- e nessa categoria dá pra por os telejornais – é o que há de mais nocivo para a saúde.
- Caminhar faz bem, dançar faz bem, fazer compras faz bem. Cartão de crédito faz mal!
- E ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo, preciso concordar, faz muito bem! Você exercita seu autocontrole e ainda acorda no outro dia com a sensação que é a criatura mais abençoada do mundo.
- Acordar de manhã arrependida do que disse ou do que fez ontem é a pior coisa do mundo. E arrependido do que não fez é a segunda pior. Então, pedir desculpas ainda é, um remédio milagroso. Não pedir perdão pelas nossos erros dá câncer, e não há nada que você possa comer para prevenir isso. E não reconhecê-los é cegueira na certa!
- Mas tem outra coisa a respeito do perdão que é preciso considerar: Conhecer e conviver com pessoas incapazes dele, pode levar a uma depressão sem precedentes! Se puder riscá-las de sua vida pode acreditar que você será bem mais feliz e nunca vai tomar remédio faixa preta.
- Mil vezes um filme antigo na TV, sentada com os pés no puff do que ir ao cinema e ficar horas na fila do ingresso. Todo filme recém lançado uma hora vai pra TV.
- O que lembra que ficar em filas leva a gente a enfartes prematuros. E multidão... Nossa! Se posso evitá-las, rejuvenesço dez anos!
- Uma conversa com uma pessoa interessante e inteligente, equivale a uns seis meses de banco de escola. Conversa é bom e piada na hora certa é melhor ainda.
- Exercício é melhor do que cirurgia. E aí eu acrescento que lavar o rosto com água fria e usar pouca ou nenhuma maquiagem previne rugas, cremes, peelling, esfoliação, chateação...
- Pintar o cabelo é uma necessidade.
- Humor é um milhão de vezes melhor do que rancor.
- Amigos são um bálsamo para qualquer dor.  
- Não ter dívidas é ótimo. Melhor um jeans rasgado (que também é moda!) do que um boleto vencido.
- Pergunta é melhor do que dúvida.
- Gritar quando se está com raiva joga pra fora toda sujeira. Na cale, seja oportuno!

E finalmente, sonhar ainda é bom... quando morrem os sonhos, é melhor ser enterrado com eles.

Eu, Ângela Rocha e, em algumas coisas, Martha Medeiros.

angprr@uol.com.br

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

RITOS E ENTREGAS NA CATEQUESE - INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ

Um texto para ser lido com carinho por quem quer formação catequética.

Os vários ritos de entrega na catequese...

Outro dia estávamos comentando em nosso grupo a respeito do Rito de Entrega da Oração do Senhor – Pai Nosso. E ali surgiram algumas questões quando comentei que estes ritos carecem de preparação e cuidado tendo em vista que não são meros “ritualismos” para deixar a missa mais bonita.

Na verdade estes ritos de entregas tem sido inspirados pelo RICA – Ritual da Iniciação Cristã de Adultos, livro litúrgico que orienta as diferentes etapas do catecumenato (iniciação cristã de adultos em nossa Igreja), aprovado pela Sagrada Congregação para o Culto Divino em 1973. No Brasil ele teve uma nova edição aprovada em 2001 pela CNBB, que trouxe algumas mudanças na disposição gráfica e inclusão de algumas normas exigidas pelo Código de Direito Canônico, textos bíblicos aprovados pela Sé Apostólica e também algumas observações sobre a Iniciação cristã que constavam apenas no Ritual de Batismo de Crianças.

Apesar de sua “extraordinária riqueza litúrgica e preciosa fonte pastoral”, ele ainda permanece desconhecido da maioria dos agentes de pastoral ligados à catequese de adultos e a catequese de crianças. Observamos, já no prefácio do livro o Decreto de 1972, da Sagrada Congregação para o Culto Divino, que restaura “o catecumenato dos adultos dividido em várias etapas, de modo que o tempo do catecumenato, destinado a conveniente formação, pudesse ser santificado pelos sagrados ritos celebrados sucessivamente.” No entanto, o que podemos observar na maioria das Igrejas particulares é que ainda se faz a catequese de adultos nos moldes “doutrinais” e com o único objetivo se fazer a “regularização” da situação sacramental (objetivando principalmente o matrimônio) daqueles que procuram as paróquias. Ou seja, faz-se um catequese baseada quase que exclusivamente no Catecismo sem levar em conta, de fato, a INICIAÇÃO CRISTÃ destas pessoas.

Com o pedido de restauração do Catecumenato para os adultos, nossa Igreja se viu diante da necessidade premente de reestabelecer a catequese como era nos primeiros tempos da nossa Igreja, ou seja, adotar a IVC – Iniciação a Vida Cristã inspirada no processo catecumenal. E a catequese que fazemos, com crianças, jovens e adolescentes, “tomou a frente” de toda ação pastoral necessária, adotando em seus planejamentos algumas ações da catequese catecumenal de adultos, adaptando celebrações, ritos e entregas do catecumenato à catequese de nossas crianças e jovens. Em muitas paróquias encontramos na catequese das crianças características da IVC sem que o resto da paróquia sequer tenha conhecimento do que seria um processo de IVC catecumenal, que, em sua base, deveria envolver TODA A COMUNIDADE, pastorais, movimentos, grupos, lideranças.

Mas, o que a primeira vista, parece um equívoco, tem se mostrado uma verdadeira ação do Espírito Santo no sentido de que, com a implantação dos ritos e celebrações de inspiração catecumenal, nossa catequese tem se tornado mais litúrgica e mistagógica. Temos celebrado mais, orado mais e dado mais valor aos símbolos da nossa fé.

Só que, aqui faço um alerta: não tomemos os RITOS e ENTREGAS como modismo e meras celebrações mais bonitas e “interessantes”. São ações que tem o objetivo de enriquecer nosso espírito e trazer de volta todo o “mistério” da nossa fé.

Observemos por exemplo o seguinte: o RICA prevê durante o processo de Iniciação, ritos e a entrega de alguns símbolos, feitos durante a celebração com a comunidade. O primeiro deles é o RITO DE ACOLHIDA dos novos catecúmenos (adaptando-se  a nossa realidade: aos novos catequizandos em preparação ao sacramento da Eucaristia), onde, durante a celebração se faz a entrega da PALAVRA (Bíblia), base de todo o ensinamento catequético.

No entanto, pude observar em alguns manuais e orientações pastorais que esta acolhida e entrega tem sido feita no início da catequese... correto! Mas, na catequese de CRISMA? Ora, por mais que o processo de IVC catecumenal esteja sendo iniciado naquele momento na paróquia, não dá pra esquecer que estes jovens JÁ ESTÃO NA PARÓQUIA DESDE A CATEQUESE DE EUCARISTIA! E que aos 13, 14, 15 anos já tem uma Bíblia ou já a manusearam muito nos anos de preparação anterior! Correto esta entrega e acolhida, se o jovem está COMEÇANDO naquele momento a catequese e não recebeu nenhuma preparação anterior e ainda não fez a Eucaristia. Ora, se estamos “acolhendo” neste momento e só agora entregando a Palavra aos jovens, que podem até já ter participado da catequese de eucaristia, estaremos NEGANDO tudo aquilo que nossa Igreja já fez. Que esta catequese anterior tenha sido equivocada e não tenha levado a verdadeira conversão e encontro pessoal com Jesus, não quer dizer que tenhamos que fazer o Ritual de Acolhida, como se a pessoa estivesse entrando pela primeira vez na Igreja, para começar uma catequese frutuosa no aspecto “Evangelização”. Ela já leu a Bíblia, senão com o coração, com a mente, resta agora, unir as duas coisas.

Com relação as duas outras entregas de símbolos previstos no RICA. Sim, são somente DUAS! Entrega do Símbolo (Credo) e Entrega da Oração do Senhor (Pai Nosso), conforme preceitua os itens 125 a 187 e 188 a 192  (pgs 91 e 104). Ambas são feitas durante a etapa (no catecumenato)  de Purificação e Iluminação, ou seja, próximas ao sacramento, podendo ser feitas na etapa anterior (catequese) a critério pastoral. E não são entregues apressadamente NUMA ÚNICA CELEBRAÇÃO!  O RICA prevê que se faça os ritos de “escrutínio” (que são três), sendo entregue o Símbolo (Creio) depois do primeiro escrutínio e a Oração do Senhor depois do terceiro.

Só para esclarecer: Os “escrutínios” se realizam por meio dos “exorcismos”, são sobretudo, ESPIRITUAIS. São expressões que traduzem, na verdade, “orações”, “súplicas” e “bênçãos”. O que se procura por eles é purificar os espíritos e os corações, fortalecer contra as tentações, orientar os propósitos e estimular as vontades, para que os catecúmenos se unam mais estreitamente a Cristo e reavivem seu desejo de amara a Deus (cf. RICA, item 154). São realizados nos 3º, 4º e 5º domingo da Quaresma. A critério pastoral podem ser feitos em outros domingos da Quaresma. Não tenho conhecimento de que alguma Diocese ou paróquia tenha reestabelecido os escrutínios em seu processo de catequese catecumenal. Por aí se vê o quanto estamos perdendo ao se ignorar esta parte do processo.

Mas, enfim, se não fazemos os escrutínios e não conseguimos fazer a etapa de Purificação e Iluminação na Quaresma, podemos colocar os ritos e entregas em outra época conveniente à paróquia. Mas, preceder (SEMPRE!) a entrega do Símbolo e da Oração do Senhor, de uma catequese a respeito, tanto para os catequizandos quanto para os pais/responsáveis. Nossos iniciandos na fé PRECISAM saber e entender o significado profundo de se receber o Símbolo da nossa Fé apostólica e da Oração que Jesus nos ensinou. Durante a celebração (missa), não se explica nada, nem se faz “catequese”. Aliás, se um símbolo precisar de explicação é porque ele não simboliza aquilo que queremos. A união da Catequese e da Liturgia passa pelo profundo respeito que se deve ter por ambas as ações. A catequese ensina e orienta, a Liturgia celebra.

E aqui entra um outro assunto que são as demais entregas que é costume se fazer em alguns lugares, durante a missa da catequese: “Mandamento do Amor”, “Mandamentos do Senhor”, “Bem-Aventuranças” e outras invenções catequéticas. Sim, são “invenções” da catequese, não estão disciplinadas pelo RICA e, portanto, não passaram pelo crivo da Sé Apostólica. Nada contra que se faça. Cada paróquia, junto com o pároco, equipe de liturgia e equipe de catequese podem fazê-las. No entanto, fogem totalmente do aspecto litúrgico da missa. Pior ainda se forem feitas sem uma catequese anterior a respeito, sem que a comunidade entenda o que se está fazendo e misturado com os ritos do catecumenato.  Estas pequenas celebrações são maravilhosas se forem feitas NA CATEQUESE, como “celebração catequética” após cada término de assunto, revestidos de sentido mistagógico, contemplativo e orante.

E devemos pensar também, que tudo que fazemos e “inventamos” precisa ser visto com um profundo respeito pela comunidade e assembleia. A missa tem seus ritos próprios, sua condução normal. Dura em média uma a uma hora e meia. Nesta missa temos crianças que, por natureza, são impacientes e inquietas. Pense-se então que, qualquer coisa que leve a uma missa prolongada além do normal, vai gerar insatisfação e inconveniência para os pais. “Ah! Que cristãos são esses que não tem tempo para Deus?” E aí queremos usar o tempo da missa para fazer a catequese que não conseguimos fazer no lugar e hora dela...

Vamos pensar sempre que, vivemos numa mudança de época e não numa época de mudanças onde as pessoas tem que se adequar a Igreja. A Igreja é que tem que se adequar aos novos tempos. E, infelizmente para nós e Deus, o tempo é de pressa.

Angela Rocha
Catequista