domingo, 27 de outubro de 2013

Compromissos do SULÃO DE CATEQUESE 2013...

Estive acompanhando as notícias do SULÃO DE CATEQUESE, que está acontecendo em São Leopoldo - RS neste final de semana. Como acontece nestes encontros a nível nacional ou regional, são feitas várias conferências e no final os participantes, representando seus regionais, fazem um compromisso de ação para ser levado às suas dioceses. Vejam a síntese do que cada Regional se comprometeu:



Regional Sul 1 

Despertar o catequista para o protagonismo de uma Igreja viva, missionária, solidária, criativa, dinâmica e transformadora para sermos o rosto vivo e alegre de Jesus.

Regional Sul 2 

Que a Palavra soe em seu coração... e ressoe a partir do coração.

Regional Sul 3 

Comprometimento: Voltemos à Jerusalém, "de dia".

Regional Sul 4 

Catequista, seu testemunho é e faz memória de Deus. Transmite a fé, fortalece a esperança e vivencia o amor.

Oeste 1 

Esperança de evangelizadores que aqueçam o coração e caminhem com as pessoas.

* * * *

E eu fiquei pensando aqui com meus botões...

Por mais que tenha muito mais por trás destas frases tão bonitas, muito do que se precisa na catequese não faz parte de tanta poesia... Espero que estes sejam só os "títulos" de uma longa lista de ATITUDES a serem tomadas.

Porque, vendo desta forma, novamente se coloca tudo "nas costas" do catequista. Ele é aquele que precisa "ser isso" e "fazer aquilo". Obviamente que o catequista precisa despertar uma Igreja Viva, missionária, solidária, dinâmica e transformadora. Que a Palavra precisa ressoar no coração de cada um, é evidente. Que catequistas precisam dar testemunhos, que são esperança numa Igreja, nem se fala... 

Mas, eles precisam se preparar melhor, se formar... E esta formação passa, com certeza, pela tesouraria das paróquias que precisam, se for preciso até, pagar cursos de graduação e especialização em teologia, pedagogia, filosofia, Bíblia, etc... Precisam gastar com material, livro, internet (e formação para uso desta ferramenta) e não esperar que cada um "se vire" como puder...

Fazer um congresso para se discutir "o que é" a catequese? Melhor fazer um para pensar "no que vai ser" a catequese, no que ela se transformou nos últimos anos, nos problemas que ela enfrenta e ainda vai enfrentar (E que este problema não seja, pelo amor de Deus, o padre e a falta de recursos da paróquia!). E melhor ainda, pensar no GRANDE PROBLEMA que é a mudança de cultura dos povos, de mentalidade, de postura; que tem feito com que tantas pessoas se afastem da Igreja, inclusive, os próprios catequistas. Esse sim, é um problema a se resolver. E que o catequista não vai resolver sozinho lá na sua salinha (quando tem essa salinha), com uma turminha de crianças totalmente alheias aos grandes dilemas da fé e da religião. Muito se fala na evangelização e catequese de adultos. São eles que precisam ser re-evangelizados, mas... Que evangelização? Que catequese está acontecendo neste sentido? Continuamos lá na paróquia falando, falando, falando... PRA CRIANÇA!! E, esporadicamente, pra um e outro que quer casar na Igreja...

Onde está o compromisso dos PADRES? Dos BISPOS? Das pessoas que poderiam, verdadeiramente, fazer alguma diferença? Onde está a ação verdadeira em promover FORMAÇÃO, ESPAÇO, RECURSOS? Sabemos que muitos catequistas tem o "status" do nome e nada mais além disso. 

Falar bonito, todos os documentos falam... A cada dia sai um livro novo, um documento novo... que os catequistas não tem dinheiro pra comprar e nem conhecimento e formação suficientes para entender... 

Volta-se para a casa depois do congresso, mas... ainda faltam catequistas, ainda falta espaço na paróquia, os catequistas ainda tem que se sujeitar ao pouco conhecimento que os próprios párocos tem de catequese e precisam "obedecer ordens", por mais absurdas que sejam; ainda tem que comprar seu próprio material e, salvo algumas exceções, não dão palpite em absolutamente nada que se decide na paróquia. Que se fará a este respeito?

Bom seria se, cada um dos bispos, de cada diocese do Brasil, em uma "visitinha" básica em cada uma de suas paróquias, sentassem com os catequistas e escutassem DELES, daqueles que realmente se esforçam para fazer catequese, o que é que "tá pegando" lá... Nós sabemos que não tem adiantado muito falar para crianças cujos pais nem sequer pisam na Igreja ou, se pisam, não sabem o que estão fazendo lá. Também não tem resolvido muito fazer catequese em paróquias sem apoio dos padres e das lideranças pastorais. Enfim, estamos, como sempre, fazendo catequese de "manutenção".

Pensei e rezei para que o tema deste Sulão: "Profetismo", finalmente despertasse em nossas lideranças pastorais, o compromisso que a dimensão dessa palavra deveria alcançar: Denunciar e Anunciar. Tomara que eu, ao ler o compromisso de cada regional,  apenas tenha lido as primeiras linhas de um extenso documento que gere mudanças. Precisamos delas.


Ângela Rocha



quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Encontro de Catequese - Mês Missionário


SUGESTÕES PARA ENCONTRO SOBRE O MÊS MISSIONÁRIO

Primeiro sugiro a você que entre no site da POM - Pontifícias Obras Missionárias e veja o material que eles têm por lá, inclusive você pode fazer dowload dos subsídios da campanha missionária num ícone do lado direito da página principal. O site é esse:


Uma sugestão é que você use o folhetinho da oração dos fiéis do domingo próximo ao encontro. Sua paróquia deve ter os folhetos, pois todas as paróquias têm o material para o mês de outubro. Bom, mas está disponível no site, assim como o cartaz que também é legal ter na sala. Lá também tem uns vídeos que, dependendo, você pode passar... Mas  se são crianças muito pequenas talvez seja um conteúdo sem interesse para elas.

Não esqueça de fazer a oração missionária deste ano também.

Outra coisa interessante: normalmente as dioceses e paróquias que se envolvem com as missões, têm uma paróquia/diocese irmã lá na Amazônia ou numa região carente. Descubra se a sua paróquia tem. Enfim, se você conseguir o endereço de uma paróquia de lá, incentive as suas crianças a escreverem cartinhas para as crianças de lá. Contando como é a vida e a catequese delas aqui e pedindo informações da catequese de lá.
Coloque, claro o endereço da paróquia. Mas peça às crianças que direcionem a carta à outra criança.

Fiz uma experiência com minhas crianças numa paróquia cuja paróquia irmã era na Amazônia. Elas têm muita curiosidade sobre a Amazônia, os rios, os bichos, etc. e tal. E as de lá querem saber da cidade “grande”, dos prédios e como é a vida aqui.

O tema da Campanha Missionária deste ano é “Juventude em Missão”. Como leitura bíblica você pode usar o lema que foi tirado do livro do profeta Jeremias: “A quem eu te enviar, irás” (Jr 1, 7b), recorda que Deus continua a chamar e a enviar pessoas para anunciar a Boa Notícia de Jesus a todos os povos. A Missão é a principal razão de ser da nossa Igreja e seus missionários e missionárias representam uma grande riqueza. Pela Campanha Missionária, toda a comunidade cristã é convidada a renovar seu compromisso batismal em conformidade ao mandato de Jesus Cristo, “Ide fazei discípulos todas as nações” (Mt 28, 19).

E distribua os envelopes da campanha missionária e fale sobre ela. A coleta é no penúltimo domingo do mês de outubro (este ano, dias 19 e 20). As ofertas realizadas em todas as comunidades, paróquias e instituições católicas devem ser integralmente enviadas às Pontifícias Obras Missionárias (POM) que as repassam ao Fundo Universal de Solidariedade para apoiar projetos em todo o mundo. No site tem dados sobre onde o dinheiro é investido, como são as missões, quais os países e estados brasileiros atingidos.

E se tiver infância missionária aí, convide alguém pra vir dar um testemunho, convidar as crianças para participar. Faça um evento conjunto com a Infância Missionária... Agite a paróquia!

Ângela Rocha
Catequista


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O mercado do amor...

Tenho saído de casa de manhã bem cedo. Antes das sete e trinta já estou na rua. Moro numa região residencial com muitos prédios de apartamentos.

E tenho observado um fato curioso. Muitos moradores estão nas calçadas passeando com seus cães. São poodles, Lhasa, shihtzu, pequinês, pinscher e outros tantos nomes que nem sei dizer. E é interessante observar que por mais pomposas que as pessoas sejam, lá estão elas com as sacolinhas e pazinhas, juntando coco do chão... Perdoem-me a comparação, mas, será que fariam isso por seus filhos? E é assustador quantidade de pessoas “conversando” com os animais, e de “comadres” contando uma a outra as “aventuras” de seus “filhotes” ( e aqui leia-se “filhos pequenos” mesmo).

E estive pensando no que afinal ocasionou essa "proliferação" de amor canino por parte das pessoas. Carência afetiva? Falta de companhia? De amor? Tudo, tudo, leva à “solidão” e a falta de confiança numa relação verdadeiramente “humana”, onde os pares têm o direito de pensar e discutir a relação.

E, tirando algumas poucas pessoas que tem verdadeira paixão por animais e a solidão de quem procura companhia, a grande maioria aderiu a "moda". Hoje encontrei uma pessoa, as sete e meia da manhã passeando com um pastor alemão de casaco de lã... O cão... não a dona! Quando foi que os animais começaram a necessitar de roupas? Não resisti à imagem que me veio a cabeça de cães de trenó vestidos de casado, luvas e botas de camurça...

E a moda que falo nem se trata de vestir o cão ou ter um cão para "fazer parte" da sociedade. Falo que a moda agora é: se não tenho amor, nem posso expressá-lo com outro ser humano, eu o "compro"! Sim, se é verdade que os cães "fazem parte da família" e são amados como filhos, é verdade também que foi um amor adquirido no mercado consumista do novo milênio. E ao gosto e estilo do freguês.

Os setores de medicina veterinária; indústria de ração; pet shops (verdadeiros "salões de beleza" caninos); e moda canina (sim!), agradecem. Gasta-se com um cão em média dois salários mínimos por mês. Imagino que exista a "indústria" que “fabrica” os bichinhos também. Porque a gente vê poucos cães domésticos procriando. E a infinidade de raças, das quais nunca ouvimos falar antes, que apareceram por aí? Desconfio que muitas foram criadas em laboratório...

Saudade do bom e velho "vira-lata". Um filhote de raça não custa menos que R$ 700. Gastos com ração, veterinário, banhos, tosas, roupas, etc. e tal,  levam uma família a pensar seriamente se vale a pena ter um cão.

Mas, algumas coisas pesam na balança em favor dos cães: ainda é mais barato que ter um filho. Você pode escolher a cor, o porte, o aspecto, a raça, as características físicas, enfim; ele pode até ir pra escola de adestramento, mas nunca fará faculdade; nunca vai ter uma discussão com você porque quer ir a balada... E a expectativa média de vida dos cães não passa de quinze anos, ao final desse tempo pode ser perfeitamente substituído. Você também pode escolher se ele terá filhos e lhe dará "netos"; pode ser deixado em um hotel, sem remorsos, quando você viajar; e pode até doá-lo a um amigo se chegar a conclusão que isso não é pra você... Enfim, o inconveniente de levantar de madrugada para passear na calçada com um cão e juntar coco, é bem menor que ter um filho!!

Nada contra se ter animais. Desde os primórdios, os animais domésticos, como os cães, são companhias excelentes para o ser humano. Mas acredito que as coisas deveriam continuar sendo "naturais". Cães, gatos, tartarugas, hamsters... virou objeto de consumo e são comercializados indiscriminadamente. E atrelado a isso vieram os serviços para dar suporte a esse consumo. Temos casas de ração, petshops a razão de duas lojas a cada quarteirão. Encontramos ração, shampoo e sabonete para os animais; nas prateleiras de todas as pequenas lojas, mesmo na periferia e em comunidades mais pobres.

Mas, alarmante mesmo, é a quantidade de cães que se tem encontrado abandonados por aí, feito casaco velho que não se usa mais. Mais ou menos como acontece quando uma relação acaba. Só que não dá pra pedir a um cão que “vá cuidar da vida”. E mais alarmante ainda é pensarmos nas crianças que estão jogadas por aí também, e que custariam bem menos ao bolso que um cachorro...


Ângela Rocha

OBS.: Não pensem vocês que sou "inimiga" dos bichinhos. Gosto deles, mas, como bichos de "estimação" mesmo.