sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

No ano passado...


No ano passado...

Já repararam como é bom dizer "o ano passado"?
É como quem já tivesse atravessado um rio, deixando tudo na outra margem...
Tudo sim, tudo mesmo! Porque, embora nesse "tudo" se incluam algumas ilusões, a alma está leve, livre, numa extraordinária sensação de alívio, como só se poderiam sentir as almas desencarnadas.

Mas, no ano passado, como eu ia dizendo, ou mais precisamente, no último dia do ano passado deparei com um despacho da Associeted Press em que, depois de anunciado como se comemoraria nos diversos países da Europa a chegada do Ano Novo, informava-se o seguinte, que bem merece um parágrafo à parte:

"Na Itália, quando soarem os sinos à meia-noite, todo mundo atirará pelas janelas as panelas velhas e os vasos rachados".

Ótimo! O meu ímpeto, modesto, mas, sincero, foi atirar-me eu próprio pela janela, tendo apenas no bolso, à guisa de explicação para as autoridades, um recorte do referido despacho. Mas seria levar muito longe uma simples metáfora, aliás, praticamente irrealizável, porque resido num andar térreo. E, por outro lado, metáforas a gente não faz para a Polícia, que só quer saber de coisas concretas. Metáforas são para aproveitar em versos...

Atirei-me, pois, metaforicamente, pela janela do tricentésimo-sexagésimo-quinto andar do ano passado. Morri? Não. Ressuscitei. Que isto da passagem de um ano para outro é um corriqueiro fenômeno de morte e ressurreição - morte do ano velho e sua ressurreição como ano novo, morte da nossa vida velha para uma vida nova.

(Mário Quintana)

... algumas coisas, só os poetas sabem dizer.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Boletim Formativo - Edição especial dezembro - CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO

EXTRA! EXTRA!

Saiu o BOLETIM FORMATIVO, edição especial de dezembro, dos CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO!

Aproveitem, leiam e, se possível, divulguem em suas paróquias.
Em Janeiro voltamos com ele já pensando no planejamento 2014. 
Enquanto vocês aguardam, abram com carinho, desamarrem os laços de fita e curtam...
Pois este é o PRESENTE de Natal dos administradores do grupo para vocês!




Arquivo em PDF para imprimir e distribuir: AQUI.

Angela Rocha
Catequistas em Formação

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Esperando no portão...

Ao chegar de viagem encontrei em minha caixa postal um aviso de que havia uma encomenda no correio me esperando. E lá fui eu curiosa para saber o que havia para mim. Tinha uma relativa certeza de que poderia ser meu presente de “amigo secreto”. Sim, também se faz amigo secreto pela internet! (Coisas que tenho aprendido nessa maravilhosa convivência proporcionada pelo mundo virtual).

E de fato era meu presente de amigo secreto. Presente enviado pela querida Deise, lá de Santo Amaro, SP. Adorei o presente: o livro Carta entre amigos, do Pe. Fábio de Melo e do Gabriel Chalita. Apesar de ter lido trechos encontrados na internet e da minha amada amiga Dulce (te amo!), ter digitado e me enviado um capítulo inteiro apenas porque, era “a minha cara”, andava louca para tê-lo em minhas mãos, tocar as folhas com meus dedos, beber as letras impressas com os olhos e sentir o cheiro do papel. Nada substitui o prazer de ter um livro entre as mãos. Desculpem-me amigos internautas, mas um livro lido na tela do computador, jamais vai ser a mesma coisa...

Apesar de ter gostado imensamente do presente (perdoe-me amiga...), mas ele ficou em segundo plano! O que amei de paixão foi a CARTA. Sim, a carta. Aquelas três folhas frente e verso, manuscritas em folhas de caderno (que você deve ter surrupiado de um de seus filhos) com esferográfica azul. Esse foi o verdadeiro e incontestável presente! Fazem mais de vinte anos que não recebo uma carta pelo correio. Tem idéia do que é isso? Vinte longos e estéreis anos sem correspondência, exceto folhetos de propaganda e faturas de cartão de crédito. Sua carta, Amiga, foi uma luz, um oásis no deserto e o renascimento de algo que eu considerava morto: o amor e a consideração por um amigo. Sim, consideração, porque sei do seu esforço em escrever sem abreviações, porque percebi nos rabiscos os erros não intencionais, porque percebi em cada palavra o amor e o carinho que você tem por mim. Afinal, nos falamos todos os dias, então, porque escrever uma carta?

Sem me referir ao conteúdo da mesma (que é maravilhoso!), este gesto da Deise, fez com que eu voltasse no tempo e me lembrasse da minha primeira mudança de cidade. Eu tinha treze anos e fui para uma cidade onde não conhecia ninguém, não tinha parentes e muito menos amigos. Foi o caos. Eu era, ao contrário de hoje, de uma timidez gritante. Tinha vergonha da minha própria sombra. E era metida a poeta. E vocês sabem como poetas são solitários.

Então, a maneira que encontrei para acabar com a solidão foi a correspondência. Escrevia cartas quase semanais para amigas que havia deixado para traz. Ficava esperando no portão a passagem do carteiro. A expectativa das respostas as minhas cartas, era uma coisa indescritível. Guardo essas cartas até hoje. São de uma preciosidade inestimável. E como disse, estão pra lá de 25 anos no passado. Saudosismo? Não. Amor, puro e simples. Mesmo que tenham se perdido no tempo e na história, muitos destes amigos, ainda amo como se conversasse com eles todos os dias. São provas de um tempo, em que o relacionamento humano não era tão “instantâneo” e “volátil”.

É isso. Pode parecer uma bobagem sem tamanho, mas ainda sou do tempo em que a espera e a antecipação do conteúdo de uma carta, fazia bater forte o coração. Então, esta carta, foi eleita o “presente do ano”. Sem dúvida alguma. E o título do livro? Tudo a ver!

Angela Rocha
Correspondente Amadora


P.S. Quem quiser me escrever, fique a vontade...

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

TOQUES DE LUZ...

Porque é Natal, pensei nos “toques de luz do Senhor”...  
E as pessoas que fazem parte da minha vida são toques da luz de Deus.

E entre essas pessoas, um destaque especial aqui para este grupo... Um grupo de amigos, e pessoas especiais que dedicam suas vidas a difundir o projeto de Jesus. E que tem se mantido forte, e cada vez maior com a passagem do tempo. E nosso grupo, neste segundo natal, já tem mais números que a idade de Jesus!  Ah! Este é um “toque da luz de Deus” muito especial mesmo!

E nós devemos aproveitar, sábia e amorosamente, os toques de graça que vêm ao nosso encontro... Antecipando festas, celebrações e passagens constantes em nossa vida! Esses momentos, acompanhados de expectativa, doçura, música, felicitações, presenças, presentes e agrados são, de certa forma, toques da luz de Deus, toques de amor dos familiares e amigos que nos impulsionam a seguir em frente com mais clareza e a certeza de que fazemos parte de uma grande família.

Estes toques de graça pedem parada, reflexão, revisão, reconsideração e redirecionamento em algumas dimensões de nossa vida! E agradecimento! Por nos proporcionar um encontro diário com outras pessoas, com irmãos de caminhada, com gente que tem os mesmos projetos, as mesmas aspirações... Que faz do nosso dia, um dia melhor com um simples “Bom dia”!

São passagens de misericórdia divina, são toques de luz do Redentor. Somos melhores e somos perdoados por nossas falhas, na medida em que perdoamos o outro e os aceitamos também.

E quero que esse “toque” me mude! Quero adquirir a arte e a virtude de caminhar para a simplicidade, o desapego e o real sentido das situações que vivemos e passamos. Sejam elas boas ou não... Quero a cada dia da minha vida, aprender a ser melhor do que fui ontem. E quero sempre ter a humildade de admitir que não sei tudo, que erro, caio e me levanto, tantas vezes quanto for necessário nessa caminhada...

Um dia, sabendo que terei que deixar tudo o que recebi de presente, depois da definitiva passagem, quero que permaneça entre as pessoas que amei, a lembrança do que fui e o legado do bem que construí, resultado de minhas interações com a humanidade e o mundo. E que meus erros, por enormes que sejam, tornem-se pequenos diante do amor que dediquei a cada um. Que eu possa criar condições para que a Luz de Cristo resplandeça em mim, ilumine meus pensamentos, clareie meus caminhos e me aponte direções! Sempre!

Que as passagens de aniversário em minha vida e as tantas outras “passagens” e experiências, sejam agraciadas pela fé, aquecidas pelo amor, purificadas pela oração e fortificadas pela esperança.

Que cada passagem de Deus, que cada toque de luz possa chegar também em situações de sofrimento e dor e sejam prenúncios de uma vida nova, a cada ano que passa! E que eu possa, repartir com vocês, meus queridos amigos e amigas, todos os toques de Deus que eu receber!

Amém!

Um grande abraço a todos! Deus os abençoe sempre!

Ângela Rocha


P.S.: E obrigado a Ir. Zuleides M. de Andrade, ASCJ, pela inspiração!



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Coerência e liberdade


Sou maníaca pelo significado das palavras e quero lançar aqui uma discussão e um desafio. Discussão pelo fato de que coerência, que pode ser entendida como um sinônimo de liberdade, também que dizer harmonia, coesão, unidade entre o que se fala e faz, e, “não contradição”. O catequista coerente é aquele que tem a liberdade de julgar o que é certo e errado. E a coerência está no fato de que se pode até ser “incoerente” errando e ao mesmo tempo sendo pessoa de igreja. Confuso, né?

Mas a discussão que quero levantar é pelo fato de que somos totalmente “incoerentes” em muitas de nossas atitudes na Igreja. Nas nossas ações dentro da catequese e no próprio ensino das nossas doutrinas.

Explico. Estava conversando com uma amiga catequista e falávamos das missas da catequese. Ou melhor, da presença das crianças na missa. E nem preciso dizer que em todo lugar é fatal: As crianças e os pais não vão à missa!

Em alguns lugares, nem as catequistas vão à missa da catequese. Que dirá as crianças! Só aí reside uma das maiores incoerências da catequese. Onde está a harmonia em se pregar e não praticar o que se prega? Tenho plena consciência de que tenho liberdade para fazer o que quiser. Para julgar o certo e o errado. Mas, e quando julgo que o errado tá certo? Foi-se pras cucuias minha coerência! Perco minha liberdade de julgar.

Agora, vamos julgar a Missa do ponto de vista da Liturgia da Igreja.

O que é a Missa? É a memória da morte e ressurreição de Cristo. Não é? É a celebração da comunhão. É a Eucaristia o ponto central. Então porque a gente enche o saco das crianças para participar de um Rito que elas não podem participar? Metade da missa não é para as crianças! Não estou falando aqui das crianças da Crisma, óbvio.

Outra coisa que a gente, “catequista”, adora fazer: Explicar tudo na missa. Fazer procissão de entrada com símbolo, que se explica por si só, explicando o que significa o símbolo; fazer entrada da palavra explicando o que é a bíblia, que não precisa de explicação nenhuma; fazer ofertório de pão e vinho e junto, galheta e Sibório, quando tudo é a mesma coisa; enfim, adoramos fazer “catequese” na missa. É por isso que os liturgistas nos odeiam! Missa, teoricamente é celebração, rito... Para quem está catequizado!

Numa palestra que assisti na pós-graduação em catequética, Pe. Luiz Baronto, mestre em Liturgia, comentou conosco que, numa certa época, as crianças ficavam na missa somente até o Rito da palavra, escutavam a homilia do padre e então elas eram direcionadas para uma espécie de “escola dominical”. A catequese era feita a partir desse momento. Somente os adultos participavam do Rito Eucarístico. Isso criava no catequizando uma “expectativa” e todo um mistério em torno daquilo que é, realmente, o receber Cristo na Eucaristia.

Essa é a discussão: Como ser coerente com o que ensina a Igreja, com o que ensinamos nós. Onde está a “harmonia de idéias”?  

O desafio é esse: Como fazer a Missa da Catequese?  Como torná-la “necessária” na vida das crianças, se não é na vida dos pais?

Que desafio! Ainda mais agora com a revitalização da Iniciação à Vida Cristã e com o resgate do estilo catecumenal. Que ritos, que símbolos, o que passar para as crianças para que elas entendam a “mistagogia” do sacramento da comunhão? Fazer com que elas participem anos, sem na verdade “participar”, de algo? Ou criar todo um “mistério” em torno da comunhão? Dando a conhecer a missa de forma integral somente quando elas estiverem preparadas?

Responda quem puder... E com coerência. Sinônimo de liberdade.

Angela Rocha

Catequista de Eucaristia

Amigos virtuais...

É bem verdade que a amizade virtual substituiu muitos amigos de “contato”. Amigos que além de palavras, nos dão um ombro amigo, nos olham nos olhos e nos dão aquele abraço apertado quando a gente precisa. Eu mesma relutei muito antes de ter contatos pelo MSN, entrar no Orkut e depois no Facebook.

Mas, em matéria de comunicação, tem coisas que é muito mais fácil dizer quando se está longe, ou melhor ainda, porque se está longe.

Nossas vidas andam tão atribuladas que não temos tempo para fazer amigos. Que dirá para conservá-los! É complicado ter amigos por perto. Eles exigem atenção e resposta na hora. Não dá pra desligar um botão e ver depois o que ele te disse. Amigos virtuais podem ser “acessados” e não visitados. O acesso se dá quando a gente quer. Já, a visita do amigo, pode ser numa hora em que a gente não quer.

Fico um pouco assustada com amigos virtuais. Fico com medo de perdê-los de repente no meio desses milhões de bytes. Fico com medo de esquecer de responder alguma mensagem e perdê-los numas das muitas pastas do meu computador e nunca mais voltar a vê-los. Sei que seria como a morte de um amigo querido, que eu nem poderia prantear por não saber onde está.

Preocupo-me quando tenho muitos e-mails, quando abro e vejo que as notificações do Facebook são muitas.  Sei que a grande maioria é de mensagens, correntes, brincadeiras, divulgação de produtos, etc. Todos “deletáveis”. Mas, e se houver no meio disso, uma mensagem de um amigo querido? E se alguém na sua solidão precisa de algum conforto, de uma palavra amiga, de um incentivo? E se houver alguém assim no meio das minha duas mil quinhentas e noventa e seis mensagens? Quando vou ter tempo de ler todas para não perder ninguém?

Por outro lado, existem muitos “pseudo” amigos, aqueles que só amolam mandando correntes ou fazendo piadas imbecis sobre política. Para mim, e-mail é para mandar mensagem escrita que diga alguma coisa. Pode ser até piadinha, desde que te anime e levante teu astral. E a gente precisa escrever! Não precisam ser “preciosidades literárias”, o amigo pode só dizer pra gente como vai a vida, o que tem feito e mandar um abraço. Sinto falta disso.

Outro dia estava no bate-papo, e uma pessoa chamada “Mozinho”, pediu para falar comigo. Disse que me amava muito e que eu era linda. Mandou-me uma “carinha” com beijinho. Eu disse que queira mais e ela respondeu: “Já vou aí!”. Então, minha filha veio correndo do quarto me deu um abraço apertado e me encheu de beijos.

Queria que todos os meus amigos virtuais pudessem fazer isso!

Ângela Rocha



sábado, 30 de novembro de 2013

COROA DO ADVENTO NA CATEQUESE

COROA DO ADVENTO - feito com as "mãos" das crianças.

Um atividade interessante para se fazer:

Desenhar as mãos dos catequizados num papel cartão/colorset verde e recortar, formar uma coroa imitando as folhas (que significa vida).
Confeccionar a coroa emendando as mãozinhas, enfeitar com flores e fitas vermelhas e no centro colocar pequenas velinhas, vermelhas ou com as cores litúrgicas da Coroa do Advento.

MODELO


TRABALHO FEITO COM A MINHA TURMA:


ORAÇÃO DE ADVENTO


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Fazendo biscoitos...

Esta semana nos dedicamos a uma atividade pra lá de gostosa... nos dois sentidos... 
Fizemos biscoitos de natal para a criançada da catequese, para os catequistas, para os padres, para as meninas da secretária, enfim... 
E nos encontramos como amigas e catequistas em deliciosas tardes de conversa.

Foram fornadas e mais fornadas, biscoitos e mais biscoitos!

Olha aí o resultado...

 
   


RECEITA
01 pote de nata (500 gramas)
200 gramas de margarina (temperatura ambiente)
05 ovos
03 x
ícaras de açúcar
02 colheres de salamon
íaco dissolvido em 01 xícara de leite gelado
Farinha de trigo at
é dar ponto, até que a massa não grude nas mãos e esteja em ponto de esticar com o rolo.


Glacê
100 gramas de claras (+ ou - 3 claras)
200 gramas de a
çúcar
Leva ao fogo para que o a
çúcar incorpore às clara (não deixe esquentar demais).
Coloca na batedeira em velocidade baixa e deixa bater at
é formar picos
Para colorir usar anilina l
íquida ou em gel.
Interessante usar v
árias cores, para isso, fazer mais que uma receita.


terça-feira, 19 de novembro de 2013

Formação permanente... O labirinto e a liberdade

E novamente estou numa sala de aula.
Aluna agora. De novo...

Apareceu uma oportunidade de fazer uma pós-graduação/especialização e cá estou eu as voltas com aulas, leituras, livros, artigos, resenhas. Desta vez estou indo para outros rumos. A especialização é em Metodologia do Ensino Superior.

A primeira disciplina já "venci"... rsrrsrs.


E aqui vai minha primeira resenha crítica ... E já me rendeu elogios do professor! Tá pensando o que?


Resenha crítica do texto: Sala de Aula: Da angústia de Labirinto à Fundação da Liberdade. *
Autor: Newton Aquiles von Zuben

1. Dados do Autor

Newton Aquiles von Zuben  -  Doutor em Filosofia  -  Université de Louvain; Professor Titular  -  Faculdade de Educação da UNICAMP - e-mail: navzuben@obelix.unicamp.br .

2. Resenha

Estava aqui tentando produzir minha primeira resenha. E escolhi para fazer primeiro, o texto de que mais gostei: “Sala de Aula: Da angústia de Labirinto à Fundação da Liberdade...” e boto aqui reticências no título porque a angústia parece não acabar nunca!

E para começar uma resenha a gente lê. Claro! Depois lê de novo. E lê novamente. E então vai enxergando ali coisas que vão além das palavras, frases, linhas e até das entrelinhas! E começa a grifar as idéias mais contundentes, aquilo que se considera mais importante de se destacar, o que merece uma reflexão mais acurada, o que passa despercebido ao primeiro, segundo olhar e, talvez, até do terceiro olhar... Ah, mas, e quando depois da terceira olhada a gente vê que grifou tudo e não tem como resumir nada?

Para resenhar o texto de Zuben, é preciso então, começar contando uma história. Nada se compara a contar uma história lembrando de outra. O autor faz isso lembrando a percepção de que nem sempre a felicidade está ali, na primeira “cavoucada”, como conta Walter Benjamim. Pode-se cavar muito e descobrir que nem precisava... a coisa estava ali, saltando da terra aos nossos olhos. Nem é preciso dizer quantas e quantas vezes a gente tropeça na verdade e prefere seguir em frente em busca daquilo que não passa de vaidade...

E aquela pretensão do autor de que não vai “construir uma teoria sobre a educação formal...”; acabou por construir em mim uma teoria mais do que séria. Ele busca “pistas para pensar” a sala de aula longe de pesquisas formais e do rigor de experiências e teses acadêmicas. Ele diz estar nos convidando a “deixar de lado preconceitos” para descobrir aquilo que nos passou despercebidos até hoje: o quanto o conceito de “sala de aula”, “antiqüíssimo e quadrado” como diz ele, pode ser visto de mil e outras formas.

E, destas tantas formas de olhar, surge a “minha” história de “sala de aula”. Desenterrando o “tesouro” que lá encontrei. Sim, tesouro com certeza! Von Zuben não sabe o favor que me fez ao escrever este texto! Ele resgatou para mim uma sala de aula sem paredes, sem balizas, sem fronteiras e que, se um dia foi labirinto, eu o atravessei rindo e encontrando a liberdade a cada virar de esquina. Talvez porque tenha tido a sorte de contar com bons mediadores ou por ser daquelas pessoas  que os procura sem usar uma pá...

A sala de aula é um evento pelo qual todos passam e que; como bem lembrou várias vezes, o professor da disciplina; aonde todos se encontram. Porque aqui não estamos considerando na pauta, nossos analfabetos e excluídos. Não neste terceiro milênio onde o próprio mundo já não tem fronteiras! Vamos ser poéticos e acreditar que, bem ou mal, todos um dia entram numa sala de aula.

E vamos encontrar a primeira das grandes eloquências do texto: “Sala de aula: para muitos, espaço geométrico onde se faz de conta que se ensina aquele que imagina que está aprendendo alguma coisa... jogo de máscaras! Papéis, papéis, papéis.” E o quanto isso passa pela verdade de muitos! Quem já não se prestou ao “papel” de aluno lendo somente as “falas do texto”? Ou pior e arrepiante: encenou magistralmente o “papel” de professor lendo um “script” sem possibilidade alguma de improviso ou mudança de texto? Nem que fosse para aumentar o público...

Eu não sei bem se na “minha” história alguém chegou a “pensar o evento” além de maior eficiência do ensino ou de resultados para satisfação de objetivos políticos e metas. A questão é que tive alguns professores que não estavam ali “fazendo de conta” que ensinavam. E que, nessa sua atitude de, “talvez, quem sabe”, ver o aluno na sua “teia de relações” e “na perspectiva ampla do existir de cada um”, acabaram por construir um ser pensante. Olha só que coisa: na sala de aula onde estive me ensinaram a “pensar interpretando a realidade sem a preocupação com categorias de meios e fins”!

Que sala de aula é essa, afinal? Onde estive e onde estudei, você vai me perguntar. E eu respondo: na mesma que muitos que não tiraram dela, senão a idéia de que era “necessário” passar  por lá se quisesse ser de alguma valia para a sociedade. A diferença da “minha” sala de aula seja, talvez, como ela foi pensada e vivida “por mim”.

E voltamos a pensar nos filhos que imaginavam o tesouro enterrado no vinhedo, quando o “valor” estava em cultivar as uvas. E no quanto o ensino é para uns “infusão de idéias sobre as pessoas” ao invés de difusão de idéias, iniciativas, busca, aventura de pensar o conhecimento... e não esperar recebê-lo ponto e acabado. E aqui resgato o conceito de Paulo Freire de que aprender não é se fechar em respostas. Aprender é “liberdade” de pensamento, liberdade de buscar contradição entre o que se tem por certo e o que o outro diz certo, liberdade de resposta.

Antes de passar ao próximo conceito de sala de aula do autor, abro espaço para contar aqui, da adolescente tímida e insegura que chegou à escola com medo de atravessar aquela porta da temida “sala de aula”. Que já não era mais a escola primária onde se ensinava o alfabeto e as operações fundamentais da matemática. Era a temida “quinta série” lá pelo final da década de 70.

Já não era mais uma só professora. Eram oito! Com as mais diferentes tarefas e os mais diferentes pontos e conceitos. Era o MUNDO da ciência, da geografia, da história que se abria ali. E, pasme: da LITERATURA! Mal posso me conter ao lembrar do primeiro livrinho que, emocionada, li como que devorando as páginas. Ganymedes José; que me contava da vida sofrida (e aborrecida, reconheço hoje!), que vivia Bentinho sonhando e ajudando a mãe a vender doces; essa leitura me fez sonhar e “viajar” para além da sala de aula. E aquele livro foi o primeiro de muitos e minha “sala de aula” nunca teve “paredes”. E eu quis saber sempre mais. Não só de literatura, mas de ciência, de geografia, de história, da vida... A escola me abriu novas perspectivas  e novas situações. Ela me tirou do oco, do vazio e me deu o que pensar! A sala de aula era um espaço que eu ansiava por estar.

“Qual é o sentido deste evento que ocorre no espaço e no tempo?” Von Zuben faz aqui uma comparação a um “jogo de máscaras”, ao começo de uma longa aculturação patológica a que todos estamos sujeitos durante quase um terço de nossas vidas. Também pergunta se a sala de aula não seria um ambiente que nos violenta em nossa capacidade de pensar, nos impondo informações, doutrinas e idéias utilitaristas. Seria a inexorável dominação de uma geração sobre a outra? De uma classe sobre outra? De indivíduos sobre outros? Aprendizado de submissão ao poder político, religioso, ideológico, espaço de repressão? E quando todos estes sentimentos se mesclam, vem a “angústia do labirinto”. A de se pensar que qualquer caminho que se escolha, não vai levar a lugar algum. Que o labirinto em suas múltiplas escolhas não lhe dá a direção certa e nem a garantia de que não se vá acabar numa via sem saída. Ora, é no labirinto que aprendemos a conhecer nosso poder político, religioso, ideológico... !

E comparo este labirinto, essa angústia, ao “pré”, ao “antes” do saber proporcionado pela sala de aula. A sala de aula ideal é aquela que te dá o “horizonte dos possíveis” e te faz sair do “horizonte das realidades”.  Já não existem “paredes” que isolem o indivíduo em um só espaço quando ele adentra a uma destas salas de aula. Onde o professor não é um simples “disciplinador” que apresenta limites de toda ordem, onde a sociedade e a cultura o levam a carregar a pedra montanha acima e ao chegar lá a pedra rola de volta... A sala de aula proporciona a liberdade! A liberdade de escolha, a liberdade de buscar alternativas para empurrar de novo, reiniciar o processo e reconhecer as nossas limitações pelo tamanho daquela  pedra.

Sim, para esta adolescente tímida e insegura, a sala de aula sempre representou o “horizonte dos possíveis”. O lugar do “encontro”, da “discussão”, o amplo e irrestrito espaço para ser e fazer melhor... Ou, pelo menos, diferente, se não pudesse ficar melhor...

E agora, se eu fosse fazer uma citação do nono parágrafo do texto, eu o citaria INTEIRO! Não há como resumir todo o conceito de sala de aula exposto ali. Algumas palavras chaves podem até ser citadas: espaço revolucionário, revolução constante, pluralidade, novo conceito, diálogo, momento de liberdade... Mas, penso que uma frase sintetiza os conceitos e ao mesmo tempo abre espaço para muitas outras reflexões e pensares: “Antes da razão o desejo, a emoção”. Nada de receitas para se viver a vida. Nada de amarras ou imposição de limites a não ser aqueles que o próprio indivíduo descobre em sua busca por “saber” e agir, conforme este saber lhe dá os horizontes possíveis.  E nessa busca vem o princípio da alteridade, de que cada um é um e ao mesmo tempo depende do outro. Não há o desejo de individualismo, mas a construção de balizas para a ação de cada um no mundo, respeitando o espaço do outro, convivendo com o outro.

Para mudar o que a “máquina social” faz ao indivíduo nos dias atuais, ou seja, “castrá-lo em sua capacidade de pensar e agir”, penso que cada professor, na sua condição de mediador do conhecimento, deveria repensar seu “papel”. Deixar de lado os roteiros escritos e passar a pensar dialogicamente, re-elaborar o ensino, construindo o saber como “fundação da liberdade”, que cada possibilidade de caminho no labirinto possa levar à liberdade.

A sala de aula dos dias de hoje, que o autor descreve ao final, com certeza não é mais a mesma que recebeu a menina tímida e insegura; que a ensinou a pensar, a agir, construir. Não há mais diálogo, iniciativa, desejo ou paixão nesta sala de aula... Ou será que ela sempre foi a mesma e a menina é que é diferente?

Ângela Rocha

Referências:

* Publicado em obra coletiva:
MORAIS, Regis (org). Sala de Aula. Que espaço é esse? 10ª ed. Editora Papirus, Campinas.  Texto disponível em:
< http://www.fae.unicamp.br/vonzuben/salaaula.html>  Acesso em 26 de outubro de 2013.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

É tudo culpa do Papai Noel...

Perceberam o quanto nós lutamos contra moinhos de vento em nossa Igreja? De vez em quando se levantam bandeiras de causas totalmente inócuas. É o caso do dia das bruxas, é o coelhinho da páscoa e muitas outras coisas. A de agora, quando chega o final do ano,  contra o pobre do Papai Noel. Aquele velhinho sorridente de longas barbas brancas e roupa vermelha, símbolo de esperança que povoa o imaginário de muitas crianças. Revolvemos colocar toda a culpa da nossa incompetência em evangelizar e tocar corações, nas costas do bom velhinho.

Temos dito que ele é o símbolo do consumismo e não significa o natal. Concordo. Afinal, São Nicolau, ao iniciar a tradição, apenas queria trazer alegria às crianças pobres no natal. Jamais imaginou que a Coca-cola ia dar-lhe uma roupa vermelha e que sua figura ia ser transformada em tamanho ícone do capitalismo. Mas o fato é que temos dado a ele um fardo grande demais para carregar. Tá certo que ele já carrega um saco a altura de tamanha amolação, mas... Haja saco!

Nunca, na verdade, nos esforçamos para transformar o Menino Jesus em símbolo do Natal. O menino na manjedoura como símbolo de esperança e salvação, não nos lembra o Jesus adulto que carregou no pó das suas sandálias tanto discípulos. Cristo adulto é para nós modelo e mensagem. Do Cristo menino, pouco sabemos. Lembramos dele no natal e só. A ternura do menino nascido num estábulo, não lembra às crianças aquilo que elas vão necessitar somente na vida adulta: fé.
Quando criança, precisamos de coisas palpáveis que façam parte do nosso mundo. Brinquedos, por exemplo. Talvez seja isso que faça com que a maioria das crianças, confie bem mais no velhinho que atravessa os céus em um trenó movido a renas, cheio de presentes. É de praxe. Copiamos e vivemos muitos modelos americanos. E também, é bem mais fácil para as crianças confiar num adulto, que lembra o vovô, do que num pobre menino que nasceu num berço de palha.

Independente de ícones e símbolos, o significado do Natal está arraigado de alguma maneira, em cada um de nós. É uma época mágica. De luzes, enfeites, presentes, encontros. É uma época em que um pouco daquela bondade escondida em nós, vem à tona. Sim, deveríamos transportar estes sentimentos de fraternidade e perdão, para o resto do ano, mas temos falhado nisso, de modo miserável.

Fato é que todos nós temos lembranças de natais de nossa infância. Maravilhosos ou não, trazem ao nosso coração aquela doce nostalgia de uma época em que ainda tínhamos a inocência de acreditar em Papai Noel, onde havia esperança, muito mais que de presente, de encontro, de abraço, de rever parentes, de festa. Claro que hoje a mídia e o comércio deram ao natal uma roupagem por demais materialista. Nossas crianças não se contentam mais com simples bonecas e carrinhos. Videogames de oitava geração, Ipods, celulares cibernéticos, Barbies que cantam, dançam e, se duvidar: expressam até sua opinião; estão bem mais ao gosto delas. São os novos tempos. E lutar contra o futuro, é fazer como Dom Quixote, lutar contra moinhos de vento imaginando que são dragões.

Definitivamente, Papai Noel existe! E está aí, estampado em outdoors e decorando as vitrines de todas as lojas, para quem quiser ver.  Então, ao invés de lutarmos contra ele, porque é que não gastamos nossas energias na Novena de Natal, numa campanha de alimento e presentes? Porque não temos catequese no Natal? Porque numa época tão maravilhosa e cheia de significado religioso, damos férias a nossas crianças? Deve ser porque precisamos de tempo para correr todas as lojas, tão lindamente enfeitadas, exercendo nosso “consumismo”...  


Ângela Rocha

domingo, 27 de outubro de 2013

Compromissos do SULÃO DE CATEQUESE 2013...

Estive acompanhando as notícias do SULÃO DE CATEQUESE, que está acontecendo em São Leopoldo - RS neste final de semana. Como acontece nestes encontros a nível nacional ou regional, são feitas várias conferências e no final os participantes, representando seus regionais, fazem um compromisso de ação para ser levado às suas dioceses. Vejam a síntese do que cada Regional se comprometeu:



Regional Sul 1 

Despertar o catequista para o protagonismo de uma Igreja viva, missionária, solidária, criativa, dinâmica e transformadora para sermos o rosto vivo e alegre de Jesus.

Regional Sul 2 

Que a Palavra soe em seu coração... e ressoe a partir do coração.

Regional Sul 3 

Comprometimento: Voltemos à Jerusalém, "de dia".

Regional Sul 4 

Catequista, seu testemunho é e faz memória de Deus. Transmite a fé, fortalece a esperança e vivencia o amor.

Oeste 1 

Esperança de evangelizadores que aqueçam o coração e caminhem com as pessoas.

* * * *

E eu fiquei pensando aqui com meus botões...

Por mais que tenha muito mais por trás destas frases tão bonitas, muito do que se precisa na catequese não faz parte de tanta poesia... Espero que estes sejam só os "títulos" de uma longa lista de ATITUDES a serem tomadas.

Porque, vendo desta forma, novamente se coloca tudo "nas costas" do catequista. Ele é aquele que precisa "ser isso" e "fazer aquilo". Obviamente que o catequista precisa despertar uma Igreja Viva, missionária, solidária, dinâmica e transformadora. Que a Palavra precisa ressoar no coração de cada um, é evidente. Que catequistas precisam dar testemunhos, que são esperança numa Igreja, nem se fala... 

Mas, eles precisam se preparar melhor, se formar... E esta formação passa, com certeza, pela tesouraria das paróquias que precisam, se for preciso até, pagar cursos de graduação e especialização em teologia, pedagogia, filosofia, Bíblia, etc... Precisam gastar com material, livro, internet (e formação para uso desta ferramenta) e não esperar que cada um "se vire" como puder...

Fazer um congresso para se discutir "o que é" a catequese? Melhor fazer um para pensar "no que vai ser" a catequese, no que ela se transformou nos últimos anos, nos problemas que ela enfrenta e ainda vai enfrentar (E que este problema não seja, pelo amor de Deus, o padre e a falta de recursos da paróquia!). E melhor ainda, pensar no GRANDE PROBLEMA que é a mudança de cultura dos povos, de mentalidade, de postura; que tem feito com que tantas pessoas se afastem da Igreja, inclusive, os próprios catequistas. Esse sim, é um problema a se resolver. E que o catequista não vai resolver sozinho lá na sua salinha (quando tem essa salinha), com uma turminha de crianças totalmente alheias aos grandes dilemas da fé e da religião. Muito se fala na evangelização e catequese de adultos. São eles que precisam ser re-evangelizados, mas... Que evangelização? Que catequese está acontecendo neste sentido? Continuamos lá na paróquia falando, falando, falando... PRA CRIANÇA!! E, esporadicamente, pra um e outro que quer casar na Igreja...

Onde está o compromisso dos PADRES? Dos BISPOS? Das pessoas que poderiam, verdadeiramente, fazer alguma diferença? Onde está a ação verdadeira em promover FORMAÇÃO, ESPAÇO, RECURSOS? Sabemos que muitos catequistas tem o "status" do nome e nada mais além disso. 

Falar bonito, todos os documentos falam... A cada dia sai um livro novo, um documento novo... que os catequistas não tem dinheiro pra comprar e nem conhecimento e formação suficientes para entender... 

Volta-se para a casa depois do congresso, mas... ainda faltam catequistas, ainda falta espaço na paróquia, os catequistas ainda tem que se sujeitar ao pouco conhecimento que os próprios párocos tem de catequese e precisam "obedecer ordens", por mais absurdas que sejam; ainda tem que comprar seu próprio material e, salvo algumas exceções, não dão palpite em absolutamente nada que se decide na paróquia. Que se fará a este respeito?

Bom seria se, cada um dos bispos, de cada diocese do Brasil, em uma "visitinha" básica em cada uma de suas paróquias, sentassem com os catequistas e escutassem DELES, daqueles que realmente se esforçam para fazer catequese, o que é que "tá pegando" lá... Nós sabemos que não tem adiantado muito falar para crianças cujos pais nem sequer pisam na Igreja ou, se pisam, não sabem o que estão fazendo lá. Também não tem resolvido muito fazer catequese em paróquias sem apoio dos padres e das lideranças pastorais. Enfim, estamos, como sempre, fazendo catequese de "manutenção".

Pensei e rezei para que o tema deste Sulão: "Profetismo", finalmente despertasse em nossas lideranças pastorais, o compromisso que a dimensão dessa palavra deveria alcançar: Denunciar e Anunciar. Tomara que eu, ao ler o compromisso de cada regional,  apenas tenha lido as primeiras linhas de um extenso documento que gere mudanças. Precisamos delas.


Ângela Rocha



quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Encontro de Catequese - Mês Missionário


SUGESTÕES PARA ENCONTRO SOBRE O MÊS MISSIONÁRIO

Primeiro sugiro a você que entre no site da POM - Pontifícias Obras Missionárias e veja o material que eles têm por lá, inclusive você pode fazer dowload dos subsídios da campanha missionária num ícone do lado direito da página principal. O site é esse:


Uma sugestão é que você use o folhetinho da oração dos fiéis do domingo próximo ao encontro. Sua paróquia deve ter os folhetos, pois todas as paróquias têm o material para o mês de outubro. Bom, mas está disponível no site, assim como o cartaz que também é legal ter na sala. Lá também tem uns vídeos que, dependendo, você pode passar... Mas  se são crianças muito pequenas talvez seja um conteúdo sem interesse para elas.

Não esqueça de fazer a oração missionária deste ano também.

Outra coisa interessante: normalmente as dioceses e paróquias que se envolvem com as missões, têm uma paróquia/diocese irmã lá na Amazônia ou numa região carente. Descubra se a sua paróquia tem. Enfim, se você conseguir o endereço de uma paróquia de lá, incentive as suas crianças a escreverem cartinhas para as crianças de lá. Contando como é a vida e a catequese delas aqui e pedindo informações da catequese de lá.
Coloque, claro o endereço da paróquia. Mas peça às crianças que direcionem a carta à outra criança.

Fiz uma experiência com minhas crianças numa paróquia cuja paróquia irmã era na Amazônia. Elas têm muita curiosidade sobre a Amazônia, os rios, os bichos, etc. e tal. E as de lá querem saber da cidade “grande”, dos prédios e como é a vida aqui.

O tema da Campanha Missionária deste ano é “Juventude em Missão”. Como leitura bíblica você pode usar o lema que foi tirado do livro do profeta Jeremias: “A quem eu te enviar, irás” (Jr 1, 7b), recorda que Deus continua a chamar e a enviar pessoas para anunciar a Boa Notícia de Jesus a todos os povos. A Missão é a principal razão de ser da nossa Igreja e seus missionários e missionárias representam uma grande riqueza. Pela Campanha Missionária, toda a comunidade cristã é convidada a renovar seu compromisso batismal em conformidade ao mandato de Jesus Cristo, “Ide fazei discípulos todas as nações” (Mt 28, 19).

E distribua os envelopes da campanha missionária e fale sobre ela. A coleta é no penúltimo domingo do mês de outubro (este ano, dias 19 e 20). As ofertas realizadas em todas as comunidades, paróquias e instituições católicas devem ser integralmente enviadas às Pontifícias Obras Missionárias (POM) que as repassam ao Fundo Universal de Solidariedade para apoiar projetos em todo o mundo. No site tem dados sobre onde o dinheiro é investido, como são as missões, quais os países e estados brasileiros atingidos.

E se tiver infância missionária aí, convide alguém pra vir dar um testemunho, convidar as crianças para participar. Faça um evento conjunto com a Infância Missionária... Agite a paróquia!

Ângela Rocha
Catequista


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O mercado do amor...

Tenho saído de casa de manhã bem cedo. Antes das sete e trinta já estou na rua. Moro numa região residencial com muitos prédios de apartamentos.

E tenho observado um fato curioso. Muitos moradores estão nas calçadas passeando com seus cães. São poodles, Lhasa, shihtzu, pequinês, pinscher e outros tantos nomes que nem sei dizer. E é interessante observar que por mais pomposas que as pessoas sejam, lá estão elas com as sacolinhas e pazinhas, juntando coco do chão... Perdoem-me a comparação, mas, será que fariam isso por seus filhos? E é assustador quantidade de pessoas “conversando” com os animais, e de “comadres” contando uma a outra as “aventuras” de seus “filhotes” ( e aqui leia-se “filhos pequenos” mesmo).

E estive pensando no que afinal ocasionou essa "proliferação" de amor canino por parte das pessoas. Carência afetiva? Falta de companhia? De amor? Tudo, tudo, leva à “solidão” e a falta de confiança numa relação verdadeiramente “humana”, onde os pares têm o direito de pensar e discutir a relação.

E, tirando algumas poucas pessoas que tem verdadeira paixão por animais e a solidão de quem procura companhia, a grande maioria aderiu a "moda". Hoje encontrei uma pessoa, as sete e meia da manhã passeando com um pastor alemão de casaco de lã... O cão... não a dona! Quando foi que os animais começaram a necessitar de roupas? Não resisti à imagem que me veio a cabeça de cães de trenó vestidos de casado, luvas e botas de camurça...

E a moda que falo nem se trata de vestir o cão ou ter um cão para "fazer parte" da sociedade. Falo que a moda agora é: se não tenho amor, nem posso expressá-lo com outro ser humano, eu o "compro"! Sim, se é verdade que os cães "fazem parte da família" e são amados como filhos, é verdade também que foi um amor adquirido no mercado consumista do novo milênio. E ao gosto e estilo do freguês.

Os setores de medicina veterinária; indústria de ração; pet shops (verdadeiros "salões de beleza" caninos); e moda canina (sim!), agradecem. Gasta-se com um cão em média dois salários mínimos por mês. Imagino que exista a "indústria" que “fabrica” os bichinhos também. Porque a gente vê poucos cães domésticos procriando. E a infinidade de raças, das quais nunca ouvimos falar antes, que apareceram por aí? Desconfio que muitas foram criadas em laboratório...

Saudade do bom e velho "vira-lata". Um filhote de raça não custa menos que R$ 700. Gastos com ração, veterinário, banhos, tosas, roupas, etc. e tal,  levam uma família a pensar seriamente se vale a pena ter um cão.

Mas, algumas coisas pesam na balança em favor dos cães: ainda é mais barato que ter um filho. Você pode escolher a cor, o porte, o aspecto, a raça, as características físicas, enfim; ele pode até ir pra escola de adestramento, mas nunca fará faculdade; nunca vai ter uma discussão com você porque quer ir a balada... E a expectativa média de vida dos cães não passa de quinze anos, ao final desse tempo pode ser perfeitamente substituído. Você também pode escolher se ele terá filhos e lhe dará "netos"; pode ser deixado em um hotel, sem remorsos, quando você viajar; e pode até doá-lo a um amigo se chegar a conclusão que isso não é pra você... Enfim, o inconveniente de levantar de madrugada para passear na calçada com um cão e juntar coco, é bem menor que ter um filho!!

Nada contra se ter animais. Desde os primórdios, os animais domésticos, como os cães, são companhias excelentes para o ser humano. Mas acredito que as coisas deveriam continuar sendo "naturais". Cães, gatos, tartarugas, hamsters... virou objeto de consumo e são comercializados indiscriminadamente. E atrelado a isso vieram os serviços para dar suporte a esse consumo. Temos casas de ração, petshops a razão de duas lojas a cada quarteirão. Encontramos ração, shampoo e sabonete para os animais; nas prateleiras de todas as pequenas lojas, mesmo na periferia e em comunidades mais pobres.

Mas, alarmante mesmo, é a quantidade de cães que se tem encontrado abandonados por aí, feito casaco velho que não se usa mais. Mais ou menos como acontece quando uma relação acaba. Só que não dá pra pedir a um cão que “vá cuidar da vida”. E mais alarmante ainda é pensarmos nas crianças que estão jogadas por aí também, e que custariam bem menos ao bolso que um cachorro...


Ângela Rocha

OBS.: Não pensem vocês que sou "inimiga" dos bichinhos. Gosto deles, mas, como bichos de "estimação" mesmo.