domingo, 20 de julho de 2014

Um mundo a parte: a amizade virtual

Há algum tempo atrás só conseguíamos fazer amigos se nos encontrássemos fisicamente com alguém. Mas isso mudou. Hoje podemos ter amigos no mundo inteiro, falar com esses amigos e vê-los em tempo real através de uma webcam. Mas há quem diga que essas amizades são efêmeras e duram o tempo de uma nova atualização do software. A cada segundo tudo se renova no mundo da internet e o chamado “ciberespaço” se expande e muda a cada instante.

E assim mudam os interesses e multiplicam-se as “amizades”. Dizer que relacionamentos assim são menos verdadeiros que aqueles que fazemos no nosso dia-a-dia é, no mínimo, presunção. Pois muitos relacionamentos originados na internet transformam-se em contato físico e em “presença”. Quantos destes relacionamentos sobrevivem, não podemos precisar, mas sabe-se que até casamentos começam assim.

Fato é que, a internet deixou de ser uma “ferramenta” de comunicação e passou a ser um “universo” a parte em nossos relacionamentos. Podemos claramente dizer que temos uma “outra vida”, além daquela comumente vivida no cotidiano do trabalho, escola, família e amigos. Temos nossas páginas, estamos em todas as redes sociais e a cada dia surgem novas formas de se comunicar, “visitar” e fazer amigos virtuais.

E esses amigos passaram a fazer parte de nossas vidas, tanto quanto aqueles que conhecemos nossa vida toda. Às vezes de uma maneira mais intensa até. Isso porque é mais fácil derramar nossos sentimentos quando não temos que nos deparar com os olhos reprovadores da outra pessoa. È mais fácil confessar nossas falhas e nossos limites sem a presença física de alguém que, certamente, teria algo a dizer. Dá para conceber monólogos de páginas inteiras sem qualquer intervenção em sua fala. Dá para deletar frases que não queremos na verdade dizer... Assim como dá para “apagar” o amigo, quando ele não se faz mais necessário ou se descobrimos nele, algo que nos desagrada.

Estranho dizer isso depois de afirmar que amizades na internet podem ser mais intensas? Não. Acredito que não. Assim como é fácil fazer amizade na internet, é mais fácil ainda, “desfazê-la”. Dificilmente nos encontraremos “por acaso” no ciberespaço e ensaiaremos uma conversa constrangedora. Esse é o novo modelo de amigo. Que de uma relação estreitamente cultivada pode passar a uma ignorância total de existência. Basta que se perca o contato, que se apague o e-mail ou bloqueie a conta ou qualquer ou serviço de mensagem. Acaba-se aí um relacionamento sem cobranças ou encontros embaraçosos. Simples assim. Apaga-se o rastro da pessoa de seu servidor e será como se ela nunca tivesse existido. Pensando assim, acho que alguns casamentos deveriam ser concebidos só no mundo virtual...

Mas, para mim, amizade sempre será AMIZADE, seja ela real ou virtual. Precisa ter as mesmas características e os mesmos sentimentos, precisa se verdadeira, autêntica, fidedigna, genuína e legítima. O amigo ama e pronto! O resto é consequência.

Já dizia Aristóteles: “...uma só alma que habita dois corpos”.


Ângela Rocha

Catequista

Livros que merecem flores


Rosas, mesmo depois de murchas, não morrem nunca,
 pois suas pétalas ficam guardadas qual tesouros,
 por entre as páginas do meu coração...

Nesta manhã de sol (e de diarista, felizmente!), dediquei-me a uma tarefa que aprecio muito: espalhar pétalas de rosas por dentro dos livros que gosto. Minha rosa do dia dos namorados não poderia ter destino diferente. E lá foram elas:

 “Mulheres de aço e de flores”, do Pe. Fábio de Melo, mereceu a maior parte delas. Mulheres merecem flores, sempre. Ainda mais estas tão fielmente retratadas.

A cura pelo amor”, do Pe. Alir Sanagiotto, merece uma pétala especial na dedicatória. Foi um amoroso presente de uma das minhas amigas mais queridas. Não concordo muito com algumas das colocações do autor. Mas ele tem razão numa coisa: o amor é uma excelente cura.

Ostra feliz não faz pérolas”, mereceu duas pétalas. Rubens Alves faz críticas às religiões de modo geral, mas mesmo assim gosto da visão que ele tem de Deus. É preciso conhecer os dois lados da moeda para poder julgar. Se é que temos o direito de julgar.

Paixão de Anunciar” leva pétalas na página 29, 32, 34, 47, 49, 58, 62, 70, 83 e 91. São meus textos preferidos. Recomendo a todos os catequistas que os leiam, duas, três, quatro vezes. É um lembrete diário do que deve ser a missão de catequista. Muitos outros textos levariam pétalas se estivessem no livro. Pétalas virtuais servem?

A distância entre nós”, livro da escritora Thrity Umrigar, de origem Hindu, (cultura tão em moda ultimamente), merece uma pétala, na página que estou lendo. Ainda estou longe de acabar e não posso fazer comentários.

E finalmente, pétalas vão para a minha Bíblia de Jerusalém. Para o Livro do Deuteronômio, que aprendi a ler e amar nos últimos tempos, principalmente devido aos estudos sobre a Bíblia na catequese. O Deuteronômio ou “Segunda Lei” (gosto mesmo de renovações!), é uma atualização do Código da Aliança. Nele estão contidas as colunas básicas de nossa religião e o poderoso “Shemá!” (Ouça!), chamada veemente à Escuta da Palavra. Mandamentos como “Ama a teu Deus com todo teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força!”, estão lá.

Pétalas cumprem bem melhor o papel de destacar partes de uma leitura do que simples marcadores de páginas. Quando pego um livro com um marcador de páginas no meio, sei que ainda estou lendo. Tenho livros com marcadores abandonados lá, há anos. Quando folheio um e encontro uma pétala, sei imediatamente o quanto amei aquela leitura. O quanto aquele autor me marcou. Mário Quintana, Érico Veríssimo, Clarice Lispector, Shakespeare, para mim são verdadeiros canteiros de rosas.

Sobraram duas pétalas. Estas eu vou guardar comigo. Quero colocar num livro especial. ... que ainda não está nas livrarias.

Angela Rocha
15/07/2009

E lá fui eu, hoje, dia da morte de Rubem Alves, cinco anos depois que escrevi este texto, buscar entre meus tesouros os livros dele...
E lá encontrei, na página 201, minha pétala de rosa...  

Foi lá que aprendi, com o Rubem, os 33 nomes de Deus.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Fazendo Pão de Bafo... (Tampf Kleis)

Uma das coisas que faz parte dos meus domingos é assistir o Globo Rural...
Não porque eu me interesse, mas, porque meu marido é madrugador e desde as seis da manhã assiste TV... rsrsrrsr...
E foi numa destas manhãs que me interessei por uma reportagem feita numa pequena comunidade de descendentes de alemães do município de Palmeira -Pr.
Tratava-se de uma festa numa pequena capela da comunidade, e o prato era:  PÃO DE BAFO!  

Tampf kleis em alemão, o prato simplesmente é de dar água na boca... e feito naqueles panelões de igreja então? Nossa! Eu precisava experimentar. E como é um prato que se faz para muitas pessoas, sempre faço quando a família toda se reúne. Da última vez foram 4 panelas grandes de pão!

E, em homenagem à vitória alemã na Copa, aí vai a receita:

PÃO:
Uma receita de pão normal (2 Kg de trigo rendem 24 pãezinhos).
Amassar o pão deixar crescer a massa, modelar as “bolinhas” e deixar crescer novamente.



CARNES:
500 gr de pernil de porco (sem pele e osso) cortado em cubos
500 gr de linguiça calabresa
200 gr de lombinho defumado
200 gr de bacon
01 cebola cortada em cubos
2 dentes de alho moídos
4 tomates cortados em cubinhos
Fritar tudo com 01 colher de azeite (primeiro o bacon e depois as demais carnes)
(Cheio verde a gosto, não coloco sal nem pimenta, pois a calabresa se encarrega desta parte).

MONTAGEM:
Depois de pronto as carnes, acrescente à panela, repolho cru cortado grosseiramente, para fazer uma espécie de “cama” para receber os pães já crescidos.




Depois de colocados os pães sobre o repolho, coloque um pano de prato sob a tampa, não é necessário acrescentar água o repolho solta o necessário para o vapor.
Pães depois de prontos (ficam branquinhos mas estão bem cozidos).
Tempo de cozimento: 35 min., mais ou menos.

(Eu mostrei somente uma panela, mas fiz em três, minhas panelas são grandes, mas, nem de longe são iguais as da Igreja... rsrsr)



Para acompanhar o Tampf Kleis, pepino azedo e mostarda.



* Receitas da Ângela: Este é um prato que copiei dos descendentes de alemães no Paraná.