sábado, 31 de agosto de 2013

Sobre a Missa da catequese...

Na verdade, a "missa da catequese", mesmo sendo considerada "DA" catequese, é de toda comunidade. O que acontece é que o pároco disponibiliza um horário de missa para que os catequizandos e suas famílias participem dela, celebrem junto com os adultos ou, em alguns lugares, até sem eles. Mas na grande maioria das paróquias a missa ainda é, DE TODA A COMUNIDADE.

Durante muito tempo eu me vi preocupada, como a maioria dos catequistas, com a baixa "frequência" dos catequizandos nas celebrações litúrgicas. E me preocupei, como muitos, em fazer de tudo e mais um pouco para que, nossos pequenos fiéis lá estivessem, naquele dia e horário. E já fui, confesso, entusiasta de teatrinhos, showzinhos e muitos "inhos" mais. Mas, estudando liturgia mais a fundo eu vi que, na verdade, estamos totalmente equivocados quando mudamos o rito em prol da "presença" das crianças. 

Explico. Vocês já pararam para pensar o que é essa "presença" das crianças na celebração? Na festa, no banquete, do Corpo e Sangue de Cristo, sendo que elas nem sequer participam ainda dele? Se temos que "exigir" presença dos catequizandos, que seja depois que eles fizerem a primeira eucaristia, ou seja, dos crismandos, pois estes sim, já podem perfeitamente participar em comunhão com toda a assembleia de fiéis. E, normalmente deles não se exige nada... "Ah! Adolescente é difícil... deixa eles."

Obviamente que é importante a presença das crianças na missa. Mas... COM OS PAIS! COM A FAMÍLIA! A família, essa instituição que a gente enche a boca pra falar que é "a primeira catequese das crianças", fica de fora na hora de dar o exemplo? Que sentido existe numa missa com crianças onde os pais ficam em casa? Qual o sentido de uma celebração "conjugada" (antes ou depois) com o encontro? Os pais não estão,a comunidade não está. O que as crianças pensam em ter que participar de um "negócio" que os pais não gostam de participar e vivem arrumando desculpas pra não fazer? Gente, a missa NUNCA será e terá VALOR para uma criança se o pai e a mãe não têm esse valor!

Missa = celebração da comunidade povo de Deus.  Missa ≠ de hábito.

Mas o que tenho percebido é que temos insistido na presença das crianças na missa como se fosse uma espécie de "exercício" para adquirir um "hábito", um "costume", uma "rotina", enfim... E temos visto que não funcionou com os pais delas...

Missa é hábito? É costume? É rotina? Ou é o encontro de nossas vidas cotidianas com Deus, com Jesus na Eucaristia?

Nenhum adulto deveria frequentar a missa porque foi "treinado" na catequese pra não faltar à missa.  E se muita gente frequenta a missa por "hábito", explica-se o fracasso que tem sido nossa evangelização nestes últimos tempos. Para viver, verdadeiramente, a celebração litúrgica a pessoa precisa adentrar e viver o "mistério" da fé. Precisa se entregar ao ritual: pedir perdão pelas falhas cotidianas, louvar e glorificar a Deus onipotente, escutar a Palavra, professar a fé, fazer preces pela comunidade, oferecer os dons que possui, lembrar e fazer a oração que fala diretamente ao Pai, santificar-se e renovar-se na comunhão, levando isso lá pra fora, para a vida que se começa após cada comunhão.

E, para quem VIVE VERDADEIRAMENTE a missa como memória da vida, morte e ressurreição de Cristo, ela jamais será repetitiva, "hábito", "costume", rotina...

Portanto, dou um conselho a vocês catequistas. Parem de tratar esse assunto, da falta das crianças na missa, como uma verdadeira "tragédia". Parem de se descabelar e plantar bananeira lá no altar pra chamar atenção. Parem de fazer show de bonecos, marionetes, contar historinha de bichinhos, criar personagens fictícios, distribuir hóstia não consagrada ou qualquer espécie de pãozinho. Exemplo "de verdade" são pessoas! E essas pessoas estão na casa delas!

E quando as crianças crescem, não estão mais na catequese e vão numa missa sem essa parafernália toda: teatro, fantoche, pirulito, paõzinho; qual é o sentimento delas? É de TRAIÇÃO! frustração, decepção. Sim. Elas se sentem traídas por vocês! Cadê os bonecos? Cadê a bicharada contando historia? Cadê o pirulito, a bala, o pãozinho? "Ah! Então a missa é isso? Não tem anda divertido."

A missa, se formos falar como "catequese", precisa ser mais intensamente vivida, quando o sacramento da Eucaristia se encontra próximo, ali no último ano/etapa de preparação à Eucaristia. Aí sim, é interessante que o catequista valorize a celebração, peça as crianças que participem dela a cada domingo, que vão observando os ritos, que perguntem o que não entenderam, que falem de suas dúvidas. Mas, NÃO DÊ AULA DE MISSA! Não trate a missa como uma questão de biologia a ser dissecada e olhada no microscópio em todos os seus "pedaços". Quando trabalhamos o sacramento da Eucaristia na catequese, nós estamos explicando a missa! Quando levamos as crianças para conhecer o espaço sagrado e mostramos o que significa os símbolos, os objetos e tudo mais... Estamos explicando a missa! Mas deixe-os vivê-la, eles mesmos, em seus mistérios! Porque "mistério" não se explica! 

Quando encontro meus catequizandos na Missa eu fico feliz, vou cumprimentá-los e AOS SEUS PAIS e demonstro minha alegria em encontrá-los. Mas, se não os vejo, se eles não vão, eu não cobro, acuso ou faço "chantagem". Nenhuma criança de 11 anos decide a vida sozinha ou aonde quer ir. Eles sabem que amo encontrá-los e vão quando se sentem bem em fazê-lo. Outro dia, eu estava quieta lá no meu banco em oração e alguém me bate nas costas: era um dos meninos da catequese pra me dar um abraço. No dia do catequista, na saída da missa lá estava uma das minhas catequizandas, que raramente vai à missa, me esperando com um vasinho de flores pra me presentear.

E quando tenho oportunidade de ajudar na organização, convido-os para fazer o ofertório, leituras, preces, entrar com símbolos, para que eles, aos poucos, adentrem a beleza desse rito que marca a nossa fé e nossa vida de cristãos. Convido, nunca imponho. E quando peço ajuda, eles vão.

O que mais pode ajudar as crianças a gostarem de estar na Igreja? Que aja uma acolhida diferenciada a eles, que o sacerdote fale uma linguagem que eles entendam, que os chame em alguns momentos, que eles se sintam bem vindos, que possam ir tomar água quando tem sede, fazer xixi se der vontade, que não fiquem sendo "cutucados" a toda hora sobre o "certo" e "errado". E que escutem "historinhas" da boca do padre, porque lá, o catequista é ele e não nós.


Ângela Rocha

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O documento 26: Catequese Renovada - CR

Ontem eu coloquei no grupo de Catequistas no Facebook, vários arquivos falando sobre o documento CATEQUESE RENOVADA, documento da CNBB número 26, aprovado em 1983. Não só artigos falando dele, mas, também, o próprio em arquivo do Word para baixar. Isso porque neste mês das vocações e Dia do Catequista, foi sugerido que se comemorasse os 30 anos dele...

Mas, de repente, eu me toco que muitos catequistas não o conhecem, ou ainda não o leram ou ainda, nunca ouviram falar dele... E, se ouviram, não prestaram a devida atenção.

Sei que nossa Igreja é "mestra" em produzir documentos que ficam empoeirando nas estantes. Sei que é muita coisa para se ler e conhecer. Falta tempo, às vezes energia... Às vezes, vontade mesmo... Mas, este documento gente, assim como o DNC - Diretório Nacional de Catequese (que, aliás, é uma "continuidade" dele), tem um valor INESTIMÁVEL e histórico, para a catequese no Brasil. 

O Concílio Vaticano II não produziu nenhum documento específico sobre a Catequese, mas, pediu que se criasse um diretório para ela. E ele foi criado. É o Diretório Catequético Geral - DCG de 1971 (mais tarde, remodelado pelo DGC - Diretório Geral para a Catequese em 1997). Mas, isso em nível mundial, para toda a Igreja. Não havia um documento "brasileiro" sobre a catequese.

Então, na visita do Papa João Paulo II ao Brasil, em 1980, num pronunciamento em Fortaleza, ele disse o seguinte:
"A catequese é uma URGÊNCIA. Só posso admirar os pastores zelosos que em suas Igrejas procuram responder concretamente a essa urgência, fazendo da catequese uma prioridade!"

E lá foram nossos bispos correr atrás do prejuízo. E muitas reuniões foram feitas a partir daí. E o documento foi construído com a colaboração e as sugestões de muitos catequistas de todos os níveis. Foram feitas TRÊS assembléias na CNBB: 1981, 1982 e 1983; para aprovar o formato final do documento.

Portanto, minha gente, foram três anos de muitas discussões e trabalho. E vocês sabiam que uma das proposições que mais causou polêmica para a aprovação do documento foi instituir a BÍBLIA como "MANUAL" POR EXCELÊNCIA na catequese? Até então, a catequese era exclusivamente doutrinal e apoiada nos catecismos de perguntas e respostas.

Outra coisa inovadora nele: INTERAÇÃO FÉ E VIDA! Até então só se falava de alma separada do corpo. A religião não se ligava a vida da pessoa. Espírito era o "Sagrado" e o corpo era o "pecado". Não havia uma ligação entre a fé e a realidade em que viviam as pessoas. É daí que vem o nosso método "VER, JULGAR e AGIR". É daí que se começa a priorizar a catequese com adultos.

Vejam então, a importância que este documento é para nós, catequistas na Igreja do Brasil. Não há como, não há como MESMO, um catequista desconhecer seu conteúdo, mesmo que seja 30 anos depois. Talvez ele tenha ficado um pouco esquecido nas prateleiras nessas novas gerações de catequistas, mas, com certeza, quem viveu a catequese inovadora do final dos anos 80, sabe do que estou falando. E ele ainda é atual! Muito do que ele diz sequer foi instituído em paróquias por aí afora!

Infelizmente, eu vivi a catequese anterior a ele. Fiz catequese de eucaristia em 1975. Uma catequese relâmpago na escola onde eu estudava. Eram “encontrinhos” de meia hora após o período escolar, onde decorávamos algumas orações, mandamentos e sacramentos e PRONTO! - Nem sei se isso foi 6, 3 ou 2 meses! - E estávamos aptos a receber a Primeira Eucaristia. Tivessem nossos pais dado alguma instrução anterior, ótimo! Senão, lá iam as criancinhas vestidas de branco para a Igreja, sem saber bem porque, só que, tinham que ir! E não havia catequese de Crisma, uma vez que as crianças eram crismadas (confirmadas) pequenas, quando da visita do Bispo à paróquia ou quando os pais iam à sede da diocese.

A partir do CR -Catequese Renovada, é que foram mudando as coisas na catequese do Brasil. Portanto, meu queridos, quem ainda não viu, veja! Quem ainda não leu, leia! Depois de tudo que vivemos com o Papa Francisco no Brasil, se faz agora, mais urgente ainda, a gente saber do que se está falando...

Catequista