quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Homilia da sagrada Família

Sagrada Família, Jesus Maria e José

A Sagrada Família de Nazaré é um ícone de beleza. Leva-nos rapidamente aos sentimentos de pureza, obediência e silêncio. Contudo, a celebração deste dia, no tempo do Natal, não nos deve levar a uma busca moralista de um modelo de família. Uma contemplação idealista, aquela que procura se nortear por um ideal supremo, pode conduzir ao erro de desconsiderar os limites humanos próprios de qualquer história familiar. Pois, onde há ser humano, há conflitos; existem problemas para se resolver ou para se considerar.
Primeiramente os textos nos apontam para as virtudes da vida em família. O primeiro eles é o respeito aos pais, nas palavras do Eclesiástico: “Quem honra o seu pai, alcança o perdão dos pecados; evita cometê-los e será ouvido na oração quotidiana. Quem respeita a sua mãe é como alguém que ajunta tesouros. Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto ele vive. Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, procura ser compreensivo para com ele; não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida” (Eclo 3,4-5.14-15). Hoje vemos o egoísmo invadir as relações. Os mais velhos, tão considerados por sua sabedoria nas sociedades orientais, são vistos no Ocidente, em muitos casos, como pesos, como pedras que precisam ser descartadas. A Palavra de Deus exorta aos filhos para que respeitem e cuidem de seus pais.
Outro elemento fundamental é o amor e o perdão: “revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se um tiver queixa contra o outro. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai vós também. Mas, sobretudo, amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição” (Cl 3, 12-14; grifo nosso). Este tempo é propício para que examinemos o nosso coração, identificando os rancores. São comuns as histórias de ressentimentos profundos, causados por fatos longínquos entre pais e filhos. O perdão é um remédio terapêutico, pois as dores do passado nos incomodam, trazem tristeza, melancolia, depressão, além de doenças físicas. Também os esposos são convidados a não viver numa submissão passiva, mas compreendendo os limites um do outro, na doação.
O Evangelho nos mostra os primeiros momentos após o nascimento de Jesus. José e Maria, como bons judeus e cumpridores das tradições, vão até o templo para apresentar o menino. Lá encontram dois personagens – Simeão e Ana, que profetizam sobre a criança. Simeão afirma que Jesus seria causa de contradição e ainda que “uma espada transpassaria a alma de Maria”. De fato, ser mãe é inevitavelmente causa de sofrimento. Especialmente no caso de Maria, pois ela viveu a dificuldade de compreender os passos dados pelo seu filho. Junto com José, formaram uma família humilde, que viveu do esforço árduo do trabalho em um clã de um lugarejo desconsiderado. Desde a infância do Salvador Menino, seus pais enfrentaram dificuldades que muitas das famílias também suportam nos dias de hoje. Sinal importante de que constituir família significa uma luta árdua para que os filhos cresçam com dignidade.
E Jesus crescia “em estatura, sabedoria e em graça”. Não bastava a Ele o mero crescimento físico, mas foi ajudado por seus pais e parentes a crescer no sabor das coisas da vida e na graça de seu Pai Eterno. Hoje a sociedade compele os pais a darem sustento e educação direcionada ao mundo do trabalho, visando uma boa condição financeira no futuro dos infantes. O exemplo da Sagrada Família é uma inspiração para que se considerem os valores, a formação na fé e até o lazer criativo na educação dos filhos.

 
Um feliz 2012 a todos!

Pe. Roberto Nentwig

"Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força!"
(2Cor 12,9)

sábado, 17 de dezembro de 2011

HOMILIA DO DOMINGO



4º. Domingo do Advento - B

“Por que acreditar no poder da graça de Deus, quando me percebo tão dono de mim, tão capaz de realizar tantas coisas?” Esta foi, logo no início do Gênesis, a presunção de Adão no seu desejo de ser como Deus, de se colocar no lugar do próprio Criador. O pecado de Adão é repetido pela sua descendência ao longo dos séculos.

Percebe-se hoje que Deus é uma lacuna, mesmo quando o Natal se aproxima. Os jornais ainda falam de Jesus, mas como um adendo, um acessório. O que importa para a mídia nestes tempos são as luzes, as cores, os presentes... Então o drama do pecado original se perpetua: Adão ainda se acha presunçoso, auto-suficiente. Deus é eclipsado, sem escrúpulos.

Mesmo um homem religioso como Davi, quis construir uma casa para o Senhor, achando-se o principal ator da obra. Paradoxalmente, para agradar a Deus, esqueceu-se do próprio Deus. O Senhor, que dobra os poderosos, mostrou por intermédio do profeta Natã que Ele mesmo construiria uma casa para o seu povo, e já havia começado, pois tinha percorrido toda a trajetória do rei, exterminando os inimigos, vencendo batalhas e tornando-o grande.

A história de Davi, na primeira leitura, revela que o advento é uma espera. O Senhor que vem é um dom, não uma posse. É fruto da bondade de Deus, de um amor gratuito, não fruto de nossos esforços. Deus continua vindo e continua nos pedindo apenas a abertura do coração, o espaço para ter onde nascer e habitar, o sim do ser humano. Não deseja habitar nos templos de pedra suntuosos, nem nos shoppings, mas no coração de cada ser humano. Prefere as construções vivas às pedras frias. Quando descobrimos nossa verdadeira humanidade, então Deus encontrou sua morada.

Foi este “aceito” que o Senhor pediu a Maria ao perguntar: “Posso entrar?” E a resposta, duvidosa no início, foi: “Pode, mas como?” A réplica do Anjo não deixa oportunidade para maiores defesas: “Para Deus nada é impossível!” Mais uma vez, Deus no pede uma abertura e uma confiança no poder de Deus, uma confiança na gratuidade. Mais uma vez ele se faz morada, arma a sua tenda, basta que acreditemos e aceitemos o seu amor, que façamos a nossa parte, que digamos o nosso sim.

O Senhor não arromba a casa, mesmo sendo dono. Ele construiu a casa, deu-nos de presente e depois pediu para entrar. Só o amor é capaz de fazer tanto. Maria deixou o Senhor entrar, em nome de todos nós. Agora, ao longo dos séculos, convida homens e mulheres a repetir o seu “sim”.

O seu sim à graça já estava explicito na saudação do Anjo, pois Maria recebeu, de início, um nome novo: “Cheia de graça”. Em grego a expressão “Kechariteméne” tem a raiz na palavra cháris = graça, amor, simpatia, favor, charme... O tempo verbal empregado denota uma ação já realizada. Portanto, Maria foi objeto da ação do Espírito Santo, foi-lhe comunicado o Espírito e agora é para sempre. Ela é antecipadamente repleta do “charis”, ou seja, Maria é já antecipadamente agraciada, escolhida e isenta de todo o pecado, pois é plena da graça. Onde a graça é transbordante, não há espaço para o pecado.

O anjo disse “Alegra-te”. Nós dizemos “Ave Maria”. Na oração cotidiana e por vezes irreflexiva, parece uma simples saudação, mas na verdade é uma palavra que convida à alegria. Tal alegria é a manifestação dos tempos messiânicos (como em Sf 3,14-17; Jl 2,21-27). É uma alegria que brota do fato de Maria ser a mãe de Deus, a agraciada. Deus é conosco e habita em nosso meio, portanto, não cabe mais o medo e a hesitação.

Neste tempo que antecede a vinda do Salvador, somos convidados à alegria. Não basta a alegria das férias, das festas, dos presentes, das cores, mesmo da emoção da família reunida. Tudo isso é apenas sinal. Nossa alegria está no fato de que o Senhor é graça e quer estar conosco. Nossa alegria está na confiança de que o Senhor não só veio, mas continua vindo em nosso socorro, convidando-nos a viver em seu amor! Alegra-te, o Senhor está contigo, veio trazer a sua graça transbordante! A resposta fica por conta de cada um de nós...

Pe. Roberto Nentwig

"Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força!”
 (2Cor 12,9)

Uma palavra sobre...



COMPREENSÃO

Que a compreensão esteja alinhada a nossa capacidade de amar.
Pois só amamos verdadeiramente  o que buscamos conhecer e consequentemente, compreender...
E compreender algo que nos é incompreendido seja, portanto, nosso desafio diário.
Pois compreender o outro é nos despojarmos de nós mesmos, de nossos princípios , sair de nossa casa, de nosso lugar comum e irmos ao encontro do outro..de suas verdades e crenças.
E que esse movimento nos revele o quanto é  extraordinário vermos o outro como ele realmente é e não como gostaríamos que ele fosse...

Rose Kriger

Uma árvore de Natal...



Minha árvore

Eu quero Senhor, neste Natal, armar uma árvore dentro do meu coração...
E nela, pendurar em vez de presentes, os nomes dos meus amigos.
Os amigos de longe...
Os amigos que estão perto...
Os antigos e os recentes...
Os que vejo a cada dia
E os que ficam esquecidos...
Os das horas difíceis
E os das horas alegres...
Os que sem querer eu magoei
Ou sem querer me magoaram...
Aqueles a quem me são conhecidos apenas as aparências...
Os que pouco me devem
e aqueles a quem devo muito...
Meus amigos humildes e os amigos importantes...
Os nomes de todos que já passaram pela minha vida
Os que me admiram e me estimam sem eu saber...
E os que amo e estimo sem lhes dar a entender...
Eu quero Senhor, neste Natal,
Armar uma árvore de raízes muito profundas
Para que seus nomes nunca mais sejam arrancados da minha vida.
Uma árvore de ramos muito extensos
Para que novos nomes vindos de todas as partes,
Venham juntar-se aos já existentes.
E o mais importante Senhor,
Uma árvore de sombra muito agradável
Para que a nossa amizade seja um momento de repouso
No meio das lutas da vida.

Feliz Natal à todos vocês!!

Colaboração: Gislaine – catequista em Goiânia -GO



quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Desapego...



Chega um momento em que precisamos nos desapegar. E esta ação descrita no dicionário como “falta de afeição” é antônimo, é claro, de “sentimento de afeição, de simpatia por alguém ou alguma coisa”. E o apego faz parte da vida do ser humano. Impossível viver e amar sem apegar-se!

Mas praticar o desapego nem sempre é fácil. Leva a gente a um grande exercício de deixar o "confortável", sair de si mesmo e imaginar o que pode vir depois.

O apego normalmente está ligado aos vínculos afetivos que construímos ao longo de nossa vida. É assim com um par de tênis velho, uma jaqueta, um casaco puído... Pode olhar em seu guarda-roupa e em seus armários. Vai ver que muita coisa que tem lá você nem usa mais. Mas existe uma ligação afetiva, uma lembrança, um conforto de saber que aquilo "lhe pertence". Que aquelas coisas te fizeram um bem danado em alguma época de sua vida.

Psicólogos nos aconselham a fazer uma “limpeza” em nossos armários de vez em quando, para praticar o difícil exercício do desapego. Porque tal como nossas roupas e calçados, nossas relações precisam ser "renovadas". E veja só: falei "renovadas" e não "perdidas". As roupas podem ser doadas ou transformadas em "cobertor" para o cachorro, pano de chão, sei lá. Já os momentos bons que você viveu vão ficar com você para sempre. A roupa que vestia ou o calçado que cobria seus pés, eram só sua "casca". O bom ficou aí dentro de você!

E precisamos pensar assim quando mudanças se fazem necessárias em outras esferas de nossas vidas. Como mudar de cidade ou "desocupar" um cargo. Não é fácil deixar aquilo que acreditamos "nosso". Entregar nossos projetos tão carinhosamente sonhados em mãos de outrem. Imaginar nossas conquistas e progressos não valorizados pelo nosso sucessor.

Acredito mesmo que o melhor seja "não imaginar"...

Coisa boa é pensar no que vem depois! Nos novos espaços, nas novas lutas, nas prováveis vitórias. No recomeço em outro lugar... Porque Deus não nos leva a lugares sem pensar que ali devemos permanecer ENQUANTO SOMOS NECESSÁRIOS. Confie nas sementes que plantou. O solo era fértil? Você adubou bem? Elas vão germinar e florescer, independente de quem fará a colheita.

Desapegue-se. Seja feliz pensando em um novo "apego", em novos projetos, em novas construções...

Novos rumos...

Devido a decisões de ordem administrativa, tomadas pela nova Comissão Bíblico Catequética da CNBB, estou deixando hoje a administração do BLOG CATEQUESE E BIBLIA, da qual fiz parte nos últimos quinze meses. 
Felicidades a nova equipe!
Mas não deixem de visitá-lo:
CATEQUESE E BÍBLIA

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Planejamento 2012

Para quem já está pensando no Planejamento 2012, não esqueçam que temos Subsídios publicados para os Encontros catequéticos da CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2012:


São no total, cinco temas para encontros, todos com sugestão de leitura para o catequista, sugestão de dinâmicas e compromissos sócio-transformadores. Um dos encontros é uma clebração Catequética nos moldes da Leitura Orante da Bíblia.
O livrinho encontra-se em todas as livrarias católicas e custa R$ 1,30.
Caso você não encontre mais, avise-me que posso disponibilizar os roteiros.


123 Panetones depois...

 

E então... resolvi presentear todos os nossos amigos com um panetone. Pequeno claro! De 100 gr apenas.
E estou aqui a fazer panetone há duas semanas já...

E ainda tenho pela frente toda a  família e os amigos do trabalho do Paulo.
Mas vamos lá! Os saquinhos fiz de TNT e colei um tecido de pradonagem natalina, uma lacinho colorido e pronto!

Com frutas, com chocolate... Inventei até uma receita salgada! Linguiça, azeitona preta, tomate seco, alcaparra... são só alguns dos ingredientes...

Uma pena que não dá pra enviar pelo correio... rsrsrrs...

domingo, 4 de dezembro de 2011

Sobre nós, as mulheres...


Um vídeo que fiz com um texto meu  e a música "Nosso Deus", com a Celina Borges.

Na época uma querida amiga estava com um medo danado de estar com câncer no seio...

Que bom que foi só uma suspeita... Mas este texto nasceu da preocupação que tive com ela.


Sob o vento...

O francês, com certeza, é a língua do amor...


E se você crê que estou com medo... É falso.
Eu dei férias a meu coração, um pouco de descanso

E se você crê que eu estava errado... Espere.
Respire um pouco do sopro de outro, que me impulsiona adiante

E... Faça como se eu fosse pelo mar, eu armei a grande vela
E deslizei sob o vento
Faça como se eu deixasse a terra, eu encontrei minha estrela
E a segui por um instante...
Sob o vento...

E se você acha que já acabou... Jamais.
É apenas uma pausa, uma trégua depois dos perigos.

E se você acha que te esqueci... Escute.
Abra seu corpo para os ventos da noite e feche seu olhos.

E... Faça como se eu fosse pelo mar, eu armei a grande vela.
E deslizei sob o vento.
Faça como se eu deixasse a terra, eu encontrei minha estrela.
E a segui por um instante...
Sob o vento...
Sob o vento...
Sob o vento...

sábado, 3 de dezembro de 2011

Reminiscências...


 
Lembro-me de um natal quando tinha cinco ou sei anos. Morávamos no interior, na sede de um distrito, não me lembro exatamente o que meu pai fazia nessa época, só sei que morávamos numa casa nos fundos da casa de uma outra família. Para variar, nossa situação financeira não era lá muito boa. Meu irmão mais novo nasceu nessa casa. Lembro-me daquela noite, do corre-corre, da parteira chegando, minha irmã mais velha mandando a gente voltar pra cama, do choro do bebê.

Meu irmão nasceu em junho. As lembranças de criança são um tanto esparsas e depois do nascimento do dele, me lembro do natal. Meu Pai chegou bem tarde naquela véspera. Trazia ás costas, um saco cheio de coisas para nós. Éramos nove filhos nessa época. Para as meninas menores, eu e minha irmã, ele trouxe uma bonequinha de plástico para cada uma, daquelas com cabelo que parece de milho. Para os dois meninos mais novos ele trouxe um carrinho. Um só. Um dos meus irmãos, o que tinha 10 anos, recusou e disse que não precisava de presente. Lembro-me do meu pai ter ficado zangado. Lembro do meu irmão chorando. Lembro-me de minha mãe triste. Lembro de meu pai ter pego o cinto e batido no meu irmão. São lembranças tristes. Não sei se meu pai não tinha dinheiro suficiente ou se ele esqueceu de um dos meninos. Só sei que foi triste. E isso dói.

Lembro-me ainda, de que quando moramos nessa casa, não havia água encanada nem poço e precisávamos pedir licença para nossos vizinhos da frente para pegar água num cano que passava no meio do terreiro entre as duas casas. Isso fazia com que a água para a casa da frente fosse interrompida. E isso nos custava muitos xingos. Anos mais tarde minha mãe me contou que essa família chegou a nos sustentar por uns tempos. Acabaram sendo padrinhos de meu irmão que nasceu lá. Eram épocas de vacas magras.

Bem, por falar em vaca, no dia seguinte ao natal, eu estava brincando no pátio e esqueci minha bonequinha na cerca e uma vaca mastigou! Que coisa! Essa mesma vaca já tinha mastigado uma blusinha de flanela que minha mãe tinha costurado pra mim. Bem feito, quem manda esquecer as coisas lá fora!

Mas nem tudo era tristeza. Brinquei muito naquele lugar. O sítio proporciona isso pra gente: espaços abertos, natureza, árvores, riachos, crianças. Naquela época ainda não ia à escola e só brincava. Infelizmente havia sempre uma vaca para estragar tudo! Mas crianças não vêem a vida com olhos de tristeza. Elas têm olhos de aventura, enxergam aquilo que os adultos, com os olhos embaçados já esqueceram.

Voltei aquele lugar quando adulta. Qual não foi a minha surpresa ao observar que aquele mundo, aquelas coisas que para mim eram tão grandes, agora pareciam tão pequenas, sem vida e sem graça. O mundo passou a ser pequeno, meus olhos já não tem tanta perspectiva. Já não vejo o filete de água do riacho como um grande rio a ser atravessado com um barco pirata. Como diria Rubens Alves, com as suas jabuticabas, já não há pêssegos e peras a serem comidas no galho mais alto. A gente se contenta com as da feira mesmo.

Angela Rocha 

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

É tudo culpa do Papai-Noel...


Perceberam o quanto nós lutamos contra moinhos de vento em nossa Igreja? De vez em quando se levantam bandeiras de causas totalmente inócuas. É o caso do dia das bruxas, é o coelhinho da páscoa e muitas outras coisas. Nessa época a luta tem sido contra o pobre do Papai Noel. Aquele velhinho sorridente de longas barbas brancas e roupa vermelha, símbolo de esperança que povoa o imaginário de muitas crianças. Resolvemos colocar toda a culpa da nossa incompetência, em evangelizar e tocar corações, nas costas do bom velhinho.

Temos dito que ele é o símbolo do consumismo e não significa o Natal. Concordo. Afinal, São Nicolau, ao iniciar a tradição, apenas queria trazer alegria às crianças pobres no natal. Jamais imaginou que a Coca-cola ia dar-lhe uma roupa vermelha e que sua figura ia ser transformada em tamanho ícone do capitalismo. Mas o fato é que temos dado a ele um fardo grande demais para carregar. Tá certo que ele já carrega um saco a altura de tamanha amolação, mas... Haja saco!

Pouco, na verdade, nos esforçamos para transformar o Menino Jesus em símbolo do Natal. O menino na manjedoura como símbolo de esperança e salvação, não nos lembra o Jesus adulto que carregou no pó das suas sandálias tantos discípulos. Cristo adulto é para nós modelo e mensagem. Do Cristo menino, pouco sabemos. Lembramos dele no natal e só.

A ternura do menino nascido num estábulo, não lembra às crianças, aquilo que elas vão necessitar por toda a sua vida adulta: fé. Porque quando criança, precisamos de coisas palpáveis que façam parte do nosso mundo. Brinquedos, por exemplo. Talvez seja isso que faça com que a maioria das crianças, confie bem mais no velhinho que atravessa os céus em um trenó movido a renas, cheio de presentes. É de praxe. Copiamos e vivemos muitos modelos americanos. E também, é bem mais fácil para as crianças confiar num adulto, que lembra o vovô, do que num pobre menino que nasceu num berço de palha.

Mas, independente de ícones e símbolos, o significado do Natal está arraigado, de alguma maneira, em cada um de nós. É uma época mágica. De luzes, enfeites, presentes, encontros. É uma época em que um pouco daquela bondade escondida em nós, vem à tona. Sim, deveríamos transportar estes sentimentos de fraternidade e perdão, para o resto do ano, mas temos falhado nisso, de modo fragrante.

Fato é, que todos nós, temos lembranças de natais passados e dos natais da nossa infância. Maravilhosos ou não, trazem ao nosso coração aquela doce nostalgia de uma época em que ainda tínhamos a inocência de acreditar em Papai Noel, onde havia esperança, muito mais que de presente, de encontro, de abraço, de rever parentes, de festa. Claro que hoje a mídia e o comércio deram ao natal uma roupagem por demais materialista. Nossas crianças não se contentam mais com simples bonecas e carrinhos. Computadores e jogos, videogames de décima, vigésima... geração, Ipods, Tablets, celulares cibernéticos, Barbies que cantam, dançam e, se duvidar, expressam sua opinião; estão mais ao gosto delas. São os novos tempos. E lutar contra o futuro, é fazer como Dom Quixote, lutar contra moinhos de vento imaginando que são dragões.

Definitivamente, Papai Noel existe. E está aí, estampado em outdoors e decorando as vitrines de todas as lojas, para quem quiser ver.  Então, ao invés de lutarmos contra ele, porque é que não gastamos nossas energias na Novena de Natal, ou numa campanha de alimento e presentes? Porque não temos catequese no Natal? Porque numa época tão maravilhosa e cheia de significado religioso, damos férias a nossas crianças? Deve ser porque precisamos de tempo para percorrer todas as lojas, tão lindamente enfeitadas com a imagem do Papai Noel...

Angela Rocha

Um pouco decepcionada...

Sabem por que ando meio quieta ultimamente?

Um pouco é por falta de tempo... O outro “muito” é porque ando decepcionada...
Andei empregando meu tempo em coisas que não trouxeram muito resultado...

E é difícil lidar com a decepção. Na verdade é... frustrante, triste e... “esmagador”! Mas eu já tive decepções antes. Até aí, nada de novo. As pessoas costumam me decepcionar com freqüência. E nem por isso eu perco a minha fé na humanidade. “O homem é capaz de Deus...”. Incrível, mas eu ainda acredito nisso!  Mas, às vezes, essa crença é colocada a provas dificílimas! Como é o caso das minhas tentativas de dar “formação” aos catequistas.

Sou catequista só há seis anos. E podem até dizer que nem tenho experiência bastante para dar qualquer palpite sobre o que quer que seja, haja vista que tem gente com mais de 30 anos que não se atreve a dizer o que quer que seja. Mas acredito que, por tudo que sei e aprendi neste pouco tempo, posso dar uns “pitacos” de vez em quando...

Enfim, quando comecei na catequese percebi, quase que imediatamente, que não sabia absolutamente NADA! Que não tinha preparo pedagógico para “conduzir” ninguém. Que não tinha conhecimento da Doutrina, do Magistério e nem de Bíblia para ensinar ninguém. Só tinha comigo fé em Deus e minha crença no projeto de Jesus Cristo para os homens. E também, claro, o Espírito Santo, que nos dá a coragem para enfrentar todos os desafios. Mas, sinceramente, nenhum dos entes da Trindade pode fazer o conhecimento de todas essas coisas, entrarem na cabeça da gente por “encanto”. Não se aprende por “osmose”. Você não se “mistura” ao que está escrito num livro só por segurá-lo. É preciso lê-lo! E nem tampouco, pelo método da “tentativa e erro”.

E por acreditar nisso sempre me dispus a “aprender”. E não tenho feito outra coisa nestes últimos seis anos. E neste caminho de aprendizado fiz todas as formações que pude, assisti a todas as palestras e fui a todos os encontros que estavam ao meu alcance. Sem falar no quanto li e pesquisei na internet. E não acho que perdi tempo nisso ou deixei de dedicar um minuto que fosse aos outros afazeres da minha vida. Minha família nunca se sentiu “roubada” de mim pela minha dedicação à catequese. Tudo é uma questão de “organização”. Todos os momentos da nossa vida são preciosos e se soubermos organizá-los, sobra tempo para tudo. Inclusive para uma boa leitura. E depois que “aprendi” o suficiente e vi as dificuldades que os catequistas enfrentam, me dispus a “ensinar”. Por isso investi numa pós-graduação em catequética e passei a me “formar” para poder “formar”. E nem por isso me considero “preparada”! Há muito ainda para ler, aprender e vivenciar.

E a minha grande decepção com os catequistas de maneira geral é que parece que a maioria não quer “saber” nada! É visível que a maioria não consegue freqüentar as formações oferecidas pelas paróquias e que as paróquias têm dificuldades em oferecê-las. Mesmo as noites ou finais de semana, nunca se mostraram, seguramente, um tempo que pudesse ser “aproveitado” para formações. Sempre há alguma coisa: escola, faculdade, namorado, marido, filhos, casa... E por falta de “quorum”, os párocos não investem muito nisso. Sabem o que penso disso? Um incrível e inadmissível falta de organização! Mas vamos resolver isso...

E descobri a “pólvora” novamente! Pensei em lançar formações via internet. Claro! Pode-se disponibilizar conteúdo e o catequista pode ler quando puder, pode fazer as atividades em seus momentos raros de ociosidade. E não precisa ficar longe de casa nem da família. E também não tem ônus nenhum, não custa nada! Quase todo mundo tem acesso á internet hoje em dia.

Então encontrei eco dos meus sonhos em outra sonhadora e montamos nosso grupo de estudo. Tivemos mais de 150 inscritos na primeira formação. Maravilha! Só que... Descobri que catequistas NUNCA tem momentos de ociosidade. Cada minuto do seu dia já está ocupado com alguma coisa. Nem me atrevo a adivinhar como ele encontra tempo para “ser” catequista...

E lá pelo meio do primeiro mês começaram as desistências, alguns tiveram a gentileza de nos comunicar, outros nem isso. No final, 20% dos inscritos terminaram a primeira parte do estudo no prazo. E sinceramente, nem sei quantos destes chegarão ao término da segunda parte! Nem as formações paroquiais, que são presenciais, têm tão baixo índice de perseverança.

E também não passou pela cabeça de nenhum dos catequistas que nos abandonou no meio do caminho, o trabalho que isso deu pra gente. Montar um grupo, cadastrar cada um dos e-mails, responder a cada uma das mensagens enviadas, resumir o material, estudar para se aprofundar-se no assunto e assim, poder fazer uma boa assessoria... Não. Acho que não está no perfil de muitos “catequistas” as palavras “respeito” e “valorização”. Estou começando a dar razão aos párocos por não oferecer muita formação...

E cheguei à conclusão de que o problema não é o tempo...

Formação via web: fracasso quase total!

Seria uma questão de “nível”? Não. Li recentemente um texto de Pe. Zezinho que me provou que não é bem esta a questão. O conteúdo da formação é matéria que todo catequista deve conhecer. Fui muito exigente? Absolutamente! É inadmissível que catequistas não consigam ler um texto e interpretar. Como lêem as Escrituras? Como interpretam e ajudam os catequizandos a interpretar? Como falam da Igreja Católica sem conhecê-la?

Bom, entre acreditar que esta é uma das causas de tanta “evasão” em nossa Igreja, prefiro pensar que a é culpa destes novos tempos. Nossos catequistas estão muito bem formados ou, então, não precisam mesmo de formação. No final, o Espírito Santo deve acabar dando jeito nisso.

Em tempo: Não desisti não! Estou aqui tentando... ainda. Em janeiro, Módulo III dos “Documentos eclesiais e a catequese”. Aos meus perseverantes alunos, muito obrigado por me acompanharem nesta jornada. Claudinha, força aí! Não me abandone!

Ângela Rocha

sábado, 26 de novembro de 2011

Manjedoura...


Natal é
Festa da simplicidade
das crianças, dos anjos,
dos velhos. É festa de todos os
homens! Tudo o que Jesus fez na
terra, foi para nos dar  o exemplo, se
nasceu numa manjedoura, foi para nos
ensinar que a simplicidade faz parte do nosso
caminho. Se recebeu ouro, foi para que saibamos
que existem Tesouros valiosos que nos pertencem de
direito: a amizade e o amor. Se recebeu incenso e mirra,
foi para nos mostrar que a vida também tem seu perfume,
mesmo quando estamos fechados a tudo ao nosso redor. Se
Deus nos permite festejar o aniversário de Cristo, isso também é
Por nós, não por ele, pois é o período onde as pessoas se esquecem
um pouquinho de si mesmas para pensarem nos outros. Natal é festa do
amor, do amor de deus ao mundo, do amor dos homens com o próximo. E
só para lembrar: comer é bom, cantar é bom, dar e receber presentes é bom... mas Jesus é o único caminho que conduz  ao Pai e a oração é a única coisa que nos 
aproxima e nos 
torna acessíveis a Deus.

Crisliana – Salto Grande SP


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Movimento Gota d'Água


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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Sugestões natalinas para a Catequese


Encontre tempo para recordar e contar a história do Menino-Deus que veio viver a nossa vida e a nossa história. Recorde Natais passados e escreva também. Visite ou presenteie, se puder. Nesse tempo tão especial, muita gente espera e merece ser lembrada. Visite as famílias de seus catequizandos. São muitas as atividades envolvendo momentos de espiritualidade, confraternização e ações solidárias, desenvolvidas em famílias, escolas, na catequese e em outras instituições, para celebrar o aniversário de Jesus. Participe da forma como puder!

Algumas sugestões:

- A preparação de enxoval para gestantes é um gesto concreto, as pessoas contempladas são mães que necessitam de nossa colaboração na chegada de seu bebê. Ou então a montagem de cestas básicas para famílias carentes. A paróquia sempre tem iniciativas nesse sentido. Por que não montar uma com sua turminha de catequese?

- A confecção de enfeites para a árvore de Natal reforça nos catequizandos o sentido de pertença à comunidade. No início do Advento, fazer com que cada turma tenha o seu momento de celebração, junto à árvore que completa o cenário do presépio. Entre cantos e preces, cada um coloca o seu enfeite na árvore. Interessante o que acontece a partir desse momento: As crianças insistem para que os pais e familiares vejam o enfeite que fez e colocou na árvore.

- Durante a novena celebrada na paróquia, contemplar um dos personagens do presépio. A reflexão inclui a entrada solene das imagens e perguntas referentes ao personagem do dia. Propor uma virtude a ser praticada; pois, Natal é tempo de rever a vida e torná-la cada vez mais de acordo com os ensinamentos de Jesus.

- Sendo o Natal festa da família e de muita luz, sugerir o tema LUZ para a celebração do Advento e Natal. "Aquela" estrela que conduziu os magos até Jesus, deve conduzir, através de dinâmica, cada catequizando com a sua família, para o presépio, montado em local estratégico.

- Que tal convidar as crianças a partir o seu natal indo com os pais a agência dos Correios e escolher uma das cartinhas de crianças pobres e ser o Papai ou Mamãe-Noel delas? É só entregar um presente numa agência do Correio, até dia 20 de dezembro, que ele se encarregará de fazer a entrega.

- Bem próximo ao natal, em uma celebração, proporcionar à comunidade uma encenação viva do presépio contando com a participação das crianças.

Visite as Páginas Natalinas no portal Apóstolas: http://www.apostolas-pr.org.br

Só o amor constrói pontes indestrutíveis...



terça-feira, 22 de novembro de 2011

Paradoxo...

Quem tem TV por assinatura já deve ter ouvido falar num seriado da Fox chamado Terra Nova. É uma história de ficção científica que se passa no ano de 2149. A Terra se encontra devastada e a maioria dos animais e plantas estão extintos. Então os cientistas desenvolvem um portal do tempo onde é possível voltar aos tempos pré-históricos e tentar mudar o destino do planeta. E algumas pessoas se mudam pra lá. O que acontece no decorrer da história é que eles descobrem que estão num paradoxo, ou seja, aquilo que estão fazendo lá para a preservação das espécies, não está mudando o que eles vivem no futuro. Isso é um paradoxo. Porque não se muda o passado simplesmente porque... É PASSADO! Se fosse mutável não seria “passado”. Complicado, né?

E por que eu estou falando disto? Porque às vezes sento em frente ao meu computador e me sinto na Terra Nova. Tento mudar as coisas pensando em não ver mais os catequistas se debatendo com coisas aparentemente tão claras. Mas vejo que para mudar o futuro eu teria que voltar no tempo... Ou então, sair dando “paulada” na cabeça de algumas pessoas e obrigá-las a mudar nem que seja “na marra”!

Falo isso porque às vezes escrevo algumas coisas que, pra mim, não são nada complexas e perfeitamente claras. No entanto, são encaradas por alguns leitores como uma “ofensa” ou como motivo de se armar uma “defesa” bem ao estilo de um “julgamento final”.

Outro dia fiz uma afirmação de que a “catequese” é incompetente e tem preguiça. Veja bem: a “catequese”. Não disse que os “catequistas” são preguiçosos e incompetentes. Por “catequese” eu entendo toda a estrutura onde se firma o serviço pastoral que atende crianças, jovens e adultos no “processo de educação da fé” (CR 318). Isso implica muito mais que somente o catequista que trabalha os encontros semanais. Diz respeito às coordenações em todas as esferas: paroquial, diocesana, regional; e também às diretrizes norteadoras do processo pedagógico da fé. Aliás, o catequista é “formado” dentro desta estrutura organizada (tenho algumas restrições também, quanto ao uso desta palavra aí). Por mais que ele, o catequista, não tenha culpa direta pelos problemas enfrentados pela pastoral, indiretamente ele é um pouco conivente com esta estrutura “paralisada” no tempo, que a gente vê hoje.

Mas até serei justa e farei uma retratação. Preguiça é um tanto forte, mesmo porque, é um pecado, inadequado à catequese, que tem se esforçado até demais para fazer acontecer o Reino aqui na terra. Vou trocar por comodismo.

E a ferida que cutuquei ao fazer esta afirmação foi o fato de que a catequese não acompanha os tempos chamados “fortes” da liturgia, ou seja, Advento e Quaresma. Pelo simples fato de que é época de férias das crianças e jovens. E, também, dos catequistas, claro. Isso porque nossa catequese, “que não é aula”, acompanha o calendário escolar. Veja que aí também não critiquei o fato de se tirar “férias” e sim, quando essas “férias” são concedidas. E férias dos “encontros” é uma coisa. Férias da Igreja é outra. Deus existe nos 365 dias no ano e não em 28 ou 30.

A catequese de Iniciação á Vida Cristã com inspiração Catecumenal preconiza mudanças nesse sentido. O primeiro passo é, não só acompanhar o Ano Litúrgico, como também fazer “casamento” com a Liturgia. Como fazer isso sem “reviver” o nascimento, a morte e a ressurreição daquele que é o Ícone da nossa Igreja? Como fazer isso se as crianças ficam três meses só com o “ensinamento” dos pais e sem a catequese formal? Mas vemos que os pais não têm esse preparo. Já que o “problema” é dos pais, eles deveriam, no mínimo, receber uma “catequese” pra isso.

Ué? Por que? Eles não frequentaram a catequese?

Por incrível que pareça, nem todos! E os que freqüentaram fizeram uma catequese como essa nossa de hoje (senão pior), que não tem levado o catequizando a uma “permanência” na Igreja e muito menos a uma vivência de fé verdadeira. E isso faz vinte ou trinta anos. Pouquíssimo tempo se considerarmos o ritmo de mudanças desta nossa Igreja milenar. Mudou pouca coisa nos conceitos. Nas estruturas, menos ainda.

E com isso vamos sofrendo. Nossa catequese não tem dado os frutos esperados. Sabemos quais são os problemas. Vamos lá! Vamos citá-los, nós já sabemos de “trás pra diante” até: crianças desinteressadas; pais que não participam; famílias desestruturadas; sacramentalização; falta de preparo dos catequistas; clericalismo; desapego da liturgia; estruturas arcaicas... Só para citar algumas.

E porque sofremos e padecemos se sabemos exatamente onde está a causa do mal? É “confortável” sofrer? Será que se “sofre” mesmo?

Fato é que estou ficando totalmente conformada. Pela Cruz, a morte é vida, a derrota é triunfo, o túmulo é glória. Nada mais paradoxal do que esta afirmação. Então, porque é que estou reclamando da conduta de alguns cristãos que buscam o sofrimento por excelência? Parece que a glória é o padecer.

Mas fico aqui pensando se Cristo realmente nos pediu para imitá-lo no sofrimento ou nas ações. Sempre acreditei que Ele nos pediu para segui-lo na busca de um mundo melhor e não que todos nós fossemos pregados numa cruz para padecer das mesmas dores. Nem acredito que vamos salvar a humanidade nos imolando e esperando “ressuscitar ao terceiro dia”. Este não é nosso papel. Cristo já fez isso pela humanidade. Agora precisamos fazer valer todo o sacrifício e a dor que ele sofreu. Vamos agir em prol do Reino!

Nada de férias! Rsrsrrsrs...

Ângela Rocha
Catequista Amadora


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Comentários...

Olá queridos amigos!

Algumas pessoas reclamaram comigo que não estavam conseguindo postar comentários no blog.
Pois agora podem fazê-lo, mesmo aqueles que não tem conta no Google. Se ainda não conseguirem, podem fazê-lo na opção anônimo e colocar seu nome na própria mensagem.

domingo, 20 de novembro de 2011

E estamos de férias na catequese!


Hoje é um dia especial: Domingo do Cristo Rei, fechamento do ano litúrgico. E não há, quase, presença de catequizandos na missa. Isso porque a catequese já decretou “férias”. E quem tinha que receber os sacramentos, já recebeu.

Não consegui nem tirar minha filha da cama. Eita Mãe incompetente! “Ah Mãe! A catequese já acabou”. E assim é com muitos pais. Já é um tanto difícil levar os filhos à missa normalmente, que dirá quando a catequese já promoveu as festinhas de despedida e os catequistas já deram “adeus” às turmas até o próximo ano.

E a partir do próximo domingo viveremos um dos tempos mais fortes da liturgia: o Advento. E onde estarão nossas crianças? De férias, é claro! E é possível que só voltem a “viver” Igreja somente lá pelo meio da quaresma. Fico pensando como explicar ou justificar esta “organização” da catequese. O fato é que nem é preciso. Ninguém estranha. Afinal a catequese sempre foi dissociada da Liturgia. O ano litúrgico é apenas “ponto” do conteúdo programático da catequese. As crianças e jovens aprendem o que é, e quais os tempos, mas viver na prática é outra história... Exigiria muito mais que a preguiça e a incompetência de nossa catequese.

Estou sendo dura eu sei, mas explico. É extremamente difícil aos catequistas estender a catequese do ano para algo mais além daqueles 28 ou 30 encontros anuais. É de praxe que se tenha pelo menos três meses de parada no final do ano, coisa que nem a escola formal faz mais, e mais um mês no meio do ano. Não, não dá pra dedicar mais que oito meses a missão. É demais! Isto é pura PREGUIÇA!

E também, como explicar aos pais que não se tira férias de Deus? Difícil. Aí a gente se agarra aquelas velhas desculpas: de que as crianças precisam descansar. Descansar do que? De ir à Igreja durante uma hora uma vez por semana? De que os pais são contra. Como? Eles também deixam de ir a Igreja nas férias? De que as famílias viajam nas férias. Sinceramente, por mais ricos que sejam, duvido que uma família fique viajando de férias durante três meses. Muito menos as crianças fiquem três meses na casa dos avós! São caso raros. Ah, poderíamos sim, se quiséssemos de verdade, viver o Domingo do Cristo Rei e o Advento na catequese. Falta COMPETÊNCIA para isso.

Agora, estranho mesmo, é perceber nas paróquias onde se vive a catequese em estilo catecumenal, que isto também não mudou! Sim. Isto mesmo. Em muitas dioceses já se vive uma catequese orientada pelo calendário litúrgico. É o caso da comunidade onde vivo. O início da catequese se dá no mês de maio quase próximo ao Pentecostes. E, teoricamente, acaba depois da Quaresma, no tempo pascal ainda. Mas isso é teoricamente. Os pais, acredito, nem sabem disso. É complicado demais explicar a eles. Isto porque, os pais viveram, também, uma catequese onde o ano litúrgico era só teoria!

Fico aqui pensando onde e quando se viverá, neste novo estilo de catequese, o tempo da Iluminação e Purificação. Porque eles são vividos nos domingos da Quaresma e tem seu ápice na Semana Santa. Outro período de “folga” da catequese. Será que a catequese vai criar sua própria “Semana Santa” em outra data?