sexta-feira, 28 de março de 2014

DIA DE CATEQUESE: O LAVA-PÉS


No meu encontro da semana passada, trabalhei com as crianças o “Lava-pés”: o modelo de servir que Jesus, tão sabiamente, nos deixou.

Preparei o encontro no salão da Igreja. Trouxe uma bacia, uma jarra e até esquentei a água. Preparei ao lado uma mesa com pãozinho, suco de uva e fiz um círculo com as nossas dezessete cadeiras. Três ficaram vazias. Como eu havia avisado na semana passada que iria fazer esse encontro, dos dezesseis, três não vieram.

Por quê? Porque não queriam que eu lhes lavasse os pés!

Um dos meninos presente ao encontro também não quis... Ao chegar a vez dele, repeti as palavras de Jesus: “Pedro, não queres que eu lave seus pés? Se não o fizeres, não terás parte comigo.” Ele me respondeu; “Tia, não sou Pedro, sou Luiz Henrique.” É, eu percebi...

Mas o encontro foi bom. Li o Evangelho, eles escutaram quietinhos e vi que entenderam. Depois fizemos a partilha do pão e do vinho (suco de uva) e conversamos bastante.

Contei pra eles que na minha infância costumávamos (eu e meus irmãos), lavar os pés do meu pai. Ele chegava sempre na sexta-feira a noite, cansado da semana inteira “no mato”, como ele dizia. Seu trabalho era cortar árvores para as serrarias da região. Antes de dormir ele gostava de fazer o “escalda-pés” para relaxar.

Quando éramos bem pequenos brigávamos por esse privilégio. Depois de algum tempo eu já torcia para não ser a “escolhida”. Comecei a achar que lavar os pés do meu pai era “nojento”...  Mas, quando eu tinha doze anos, ele morreu em um acidente de trabalho. 

Ah! Como eu gostaria de lavar os pés do meu pai hoje! Contei desse meu sentimento para as crianças e me emocionei ao fazê-lo. Tive que me segurar para não chorar. Eles também me contaram muitas coisas. Luiz Henrique nos contou que não gosta muito de água por quase ter se afogado um dia. Mas o encontro foi muito bom.pousada porto de galinhas

E teve frutos no próximo...

No encontro desta semana, lá pelas dez horas (a catequese começa às nove e meia), chega um pai afobado tentando trazer o filho: eles estavam atrasados e o menino estava com vergonha de entrar, fugiu do pai e voltou para o carro.

Ele já havia faltado no encontro anterior e fui até o carro falar com ele (e a turminha lá dentro fervendo!). Felipe estava chorando e nem olhou pra mim. Estava triste e com vergonha de não ter vindo ao último encontro. E o Pai ali, pra lá e pra cá... Dizendo que, na verdade, ele não veio porque sabia que íamos fazer o Lava-pés e ele não queria tirar o tênis porque tinha frieira. Que hoje tinham perdido a hora, etc., etc.

Pedi que ele parasse de chorar e que me prometesse que não iria faltar aos dois últimos encontros antes das férias. E eu lhe disse que, para mim, seria uma honra lavar os pés dele, com frieira, chulé, o que fosse. Que ele imaginasse Jesus lavando os pés dos discípulos... naquela época eles tinham tão pouca água. Quanto tempo será tinha passado desde a última vez que tinham lavado os pés? Em que “cascão” Jesus deve ter pegado! Muitos andavam descalços ou de sandálias e seus pés deviam estar uma lástima. Jesus foi um “herói” não foi? E fez isso para provar que não era mais que ninguém e amava gente de pé sujo, com frieira, com chulé! Os pés que lavei estavam tão limpinhos. E será que não existia frieira ou coisa parecida naquela época? Ninguém tinha sapato! Ele se acalmou e riu um pouco das minhas bobeiras e fomos pro encontro.


Ângela Rocha
Catequese/ 2009. pousada porto de galinhas


quinta-feira, 27 de março de 2014

As deusas do destino


Quem leu o título acima deve estar se perguntando: Mas, o que é que uma catequista católica que dizer com "deusas"?? 

Não, não mudei minhas crenças e concepções não... Já explico!

E vou justificar dizendo que acredito que o "saber" não é uma coisa que nos prende, muito pelo contrário, nos dá asas e liberdade para aprender e "desprender" aquilo que nossa mente e nosso espírito  precisa e anseia.

Mas, vamos a história das "deusas"...

Vocês já ouviram a expressão “analfabeto de pai e mãe”? Pois é. Posso dizer que essa expressão permeou a minha infância. Meus pais eram analfabetos e acredito que seus pais também eram. Minha mãe aprendeu a ler depois de adulta. Eu me lembro dela freqüentando as aulas do antigo MOBRAL, um programa de alfabetização de adultos lançado pelo governo. Quanto ao meu pai, lembro que ele fazia contas melhor do que ninguém. E calculava metros cúbicos! Mas não sabia escrever...

Eles tiveram dez filhos e fizeram questão de que todos estudassem. Na escola pública, mas, proporcionaram. E logo que aprendi a ler eu encontrei um tesouro em minha casa. Uma ENCICLOPÉDIA! Ela tinha dez volumes e era organizada em forma de documentário. Chama-se TRÓPICO. Vocês podem imaginar o que é uma família pobre, as voltas em colocar comida na mesa pra dez filhos, ter uma enciclopédia? E grande parte da minha educação global, eu devo a ela.

Eu adorava aquela enciclopédia. Li tudo, os dez volumes. Principalmente porque tinha uma parte dedicada a Mitologia e Lendas. Foi ali que aprendi a gostar de mitologia grega e romana e das diversas lendas de todos os povos. É gente... Perseu, o anel dos Nibelungos, Tróia, o Minotauro, as Valkírias, a Medusa, os deuses do Olimpo... fizeram parte da minha infância!

Porque lembrei disso? Além de ter, recentemente, me lançado num embate com na internet sobre a Medusa, li um texto no blog da Edite que me trouxe algumas lembranças sobre mitologia. Ao ver Edite se debater entre o destino e as escolhas que fazemos, lembrei então da história das Moiras ou Parcas. As velhas senhoras que controlam o destino dos seres humanos na mitologia greco-romana.

As questões que a Edite levantou, sobre as "escolhas" que as pessoas fazem; se coisas boas ou ruins acontecem por “destino” ou porque assim decidimos; se nós construímos e moldamos nossas vidas ou tudo está predeterminado; são coisas que há muito o ser humano se pergunta. O que se pode depreender do “livre arbítrio” é que somos responsáveis por aquilo que nos acontece. Entretanto, existem inúmeros fatos que não corroboram essas afirmativas. Desde o nascimento até a morte, que são os dois principais pontos de nossa “não escolha”, vivenciamos situações que independem de nossa vontade, tais como: poder ter ou não filhos, que estes nasçam sadios, sofrer ou não de determinadas doenças de ordem genética, etc. E, isso é o que chamamos destino ou fatalidade.

E na Grécia antiga isso era representado pelas três deusas Moiras (ou Parcas): Cloto, a fiandeira, representa a que tece a teia da vida; Láchesis, a que distribui a parte que cabe a cada alma; e Átropos, a que cortava o fio da vida. Existia ainda uma crença de que a pessoa poderia atrair para si uma outra fatalidade em função do pecado, ou seja, a fatalidade era uma conseqüência do pecado e era uma sina que podia ser evitada.

Então, pode-se dizer que a fatalidade ou sina determinada pelas Moiras é uma predestinação que só pode ser enfrentada, mas não evitada. Não é determinada por boas ou más ações do sujeito ou de seus pais; não está ligada a uma vida com ou sem pecado. Já a sina atraída pelos pecados, sim. Esta pode ser evitada.

Enfrentar a sina exige e desenvolve o caráter (do grego, xaracter que significa ser alguém definido), ou seja, determinados princípios a que se permanece fiel independente de confrontações. E este é o caminho para nos realizarmos como indivíduos únicos. Sendo a fatalidade inevitável, o mesmo não se pode dizer do destino pois este pode ou não ser cumprido, sendo determinado pela maneira que enfrentamos as fatalidades e fazemos nossas escolhas (caráter).


Na mitologia romana, onde as deusas se chamam Parcas (originalmente, Parca significava "parte" - de vida, de felicidade, de infortúnio), cada ser humano possuía a sua Parca. Aos poucos, desenvolveu-se a idéia de uma Parca universal, dominando o destino de todos os homens. E, finalmente, passou-se a conceber três Parcas. Filhas de Júpiter e Têmis, ou, segundo outra versão, da Noite, personificavam o Destino, poder incontrolável que regula a sorte de todos os homens, do nascimento até a morte.

Cloto, Láquesis e Átropos, como deusas do Destino, presidiam os três momentos culminantes da vida humana: o nascimento, o matrimônio e a morte. Retratadas na arte e na poesia como mulheres velhas e severas, ou como virgens sombrias, as deusas eram temidas até mesmo pelos outros deuses que não podiam transgredir suas leis, sem por em perigo a ordem do mundo.

Às vezes penso que nossa vida, ou nosso “destino” mesmo, é realmente tecido como um grande fio. Minhas crenças religiosas, claro, não me permitem levar em conta a mitologia. No entanto, comungo da sabedoria dos gregos antigos. Temos sim, uma “sina”, um destino que não nos é permitido mudar. Nosso “fio” é tecido por Deus quando do nosso nascimento. E ao longo da nossa vida tomamos decisões baseadas em nossa vontade que pode mudar totalmente o “desenrolar” deste fio. E sim, moldamos nosso caráter pela maneira como enfrentamos as “fatalidades” imutáveis que nos acontecem. Está determinado que um dia nosso fio será “cortado”. Quando? Não nos é dado o conhecimento... Pois poderíamos com isso, realmente, por em perigo a ordem do universo.


Angela Rocha

sexta-feira, 14 de março de 2014

Catequistas em Formação no Facebook

CURTAM  A PAGINA DOS CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO!


Indique aos seus amigos!
Ela é pública e uma maneira de divulgarmos conteúdos catequéticos no facebook. 






terça-feira, 4 de março de 2014

O que me dá saúde...


Vou “copiar” aqui um pouquinho de uma autora que gosto muito: Martha Medeiros.

Num dos seus textos ela nos conta o quando acha engraçado que de tempos em tempos se divulgue “receitas” milagrosas para se prolongar a vida e combater doenças. E é um tal de tomate é bom pra isso, cebola é bom pra aquilo; tome vinho, não beba álcool; tome muita água: água morna, água gelada, água com limão; limão dá pedra no rim, etc. e tal.  E lá vamos nós pulando de mania em mania, anotando tudo e não tornando nada disso um hábito.

E então, Martha dá sua receita também: acha mais seguro não mudar nada porque a gente sabe muito bem o que nos faz mal e o que nos faz bem. E a partir disso ela corre uma lista muito interessante. Lista esta, que todos deveríamos, em um momentinho oportuno, fazer. Em alguns pontos nós até concordamos, em outros divergimos como os pólos da terra. Mas aí vai a minha.

- O prazer faz um bem danado, desde que, corpo e espírito estejam em sintonia.
- Dormir é bom, mas, as melhores produções se fazem bem acordado.
- Cozinhar é uma terapia infalível para que se exercitar o dom de agradar e servir.
- Comer é melhor ainda...
- Ler um bom livro faz a gente viajar sem precisar entrar num veículo, seja ele qual for. Viajar tem me deixado tensa e cansada. Tudo que posso imaginar é a hora de voltar para casa.
- Brigar me causa azia e fico com gosto de guarda-chuva na boca enquanto não converso a respeito.
- Quando vejo pessoas tolas e donas da verdade fico com aquela sensação de que não deveria ter comido daquele “prato”.
- Exercitar a paciência tem feito bem para o meu espírito, mas meu intelecto ainda me diz que, em alguns casos, tem mesmo é que soltar o verbo.
- Eu ainda tenho muita fé no ser humano, mas, quando vejo alguém jogando lixo nas ruas e calçadas, reforço minha “fé” no quanto o ser humano ainda pode ser idiota.
- E televisão... os médicos deveriam mesmo proibir: novela e reality show- e nessa categoria dá pra por os telejornais – é o que há de mais nocivo para a saúde.
- Caminhar faz bem, dançar faz bem, fazer compras faz bem. Cartão de crédito faz mal!
- E ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo, preciso concordar, faz muito bem! Você exercita seu autocontrole e ainda acorda no outro dia com a sensação que é a criatura mais abençoada do mundo.
- Acordar de manhã arrependida do que disse ou do que fez ontem é a pior coisa do mundo. E arrependido do que não fez é a segunda pior. Então, pedir desculpas ainda é, um remédio milagroso. Não pedir perdão pelas nossos erros dá câncer, e não há nada que você possa comer para prevenir isso. E não reconhecê-los é cegueira na certa!
- Mas tem outra coisa a respeito do perdão que é preciso considerar: Conhecer e conviver com pessoas incapazes dele, pode levar a uma depressão sem precedentes! Se puder riscá-las de sua vida pode acreditar que você será bem mais feliz e nunca vai tomar remédio faixa preta.
- Mil vezes um filme antigo na TV, sentada com os pés no puff do que ir ao cinema e ficar horas na fila do ingresso. Todo filme recém lançado uma hora vai pra TV.
- O que lembra que ficar em filas leva a gente a enfartes prematuros. E multidão... Nossa! Se posso evitá-las, rejuvenesço dez anos!
- Uma conversa com uma pessoa interessante e inteligente, equivale a uns seis meses de banco de escola. Conversa é bom e piada na hora certa é melhor ainda.
- Exercício é melhor do que cirurgia. E aí eu acrescento que lavar o rosto com água fria e usar pouca ou nenhuma maquiagem previne rugas, cremes, peelling, esfoliação, chateação...
- Pintar o cabelo é uma necessidade.
- Humor é um milhão de vezes melhor do que rancor.
- Amigos são um bálsamo para qualquer dor.  
- Não ter dívidas é ótimo. Melhor um jeans rasgado (que também é moda!) do que um boleto vencido.
- Pergunta é melhor do que dúvida.
- Gritar quando se está com raiva joga pra fora toda sujeira. Na cale, seja oportuno!

E finalmente, sonhar ainda é bom... quando morrem os sonhos, é melhor ser enterrado com eles.

Eu, Ângela Rocha e, em algumas coisas, Martha Medeiros.

angprr@uol.com.br