quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Homilia da sagrada Família

Sagrada Família, Jesus Maria e José

A Sagrada Família de Nazaré é um ícone de beleza. Leva-nos rapidamente aos sentimentos de pureza, obediência e silêncio. Contudo, a celebração deste dia, no tempo do Natal, não nos deve levar a uma busca moralista de um modelo de família. Uma contemplação idealista, aquela que procura se nortear por um ideal supremo, pode conduzir ao erro de desconsiderar os limites humanos próprios de qualquer história familiar. Pois, onde há ser humano, há conflitos; existem problemas para se resolver ou para se considerar.
Primeiramente os textos nos apontam para as virtudes da vida em família. O primeiro eles é o respeito aos pais, nas palavras do Eclesiástico: “Quem honra o seu pai, alcança o perdão dos pecados; evita cometê-los e será ouvido na oração quotidiana. Quem respeita a sua mãe é como alguém que ajunta tesouros. Meu filho, ampara o teu pai na velhice e não lhe causes desgosto enquanto ele vive. Mesmo que ele esteja perdendo a lucidez, procura ser compreensivo para com ele; não o humilhes, em nenhum dos dias de sua vida” (Eclo 3,4-5.14-15). Hoje vemos o egoísmo invadir as relações. Os mais velhos, tão considerados por sua sabedoria nas sociedades orientais, são vistos no Ocidente, em muitos casos, como pesos, como pedras que precisam ser descartadas. A Palavra de Deus exorta aos filhos para que respeitem e cuidem de seus pais.
Outro elemento fundamental é o amor e o perdão: “revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se um tiver queixa contra o outro. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai vós também. Mas, sobretudo, amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição” (Cl 3, 12-14; grifo nosso). Este tempo é propício para que examinemos o nosso coração, identificando os rancores. São comuns as histórias de ressentimentos profundos, causados por fatos longínquos entre pais e filhos. O perdão é um remédio terapêutico, pois as dores do passado nos incomodam, trazem tristeza, melancolia, depressão, além de doenças físicas. Também os esposos são convidados a não viver numa submissão passiva, mas compreendendo os limites um do outro, na doação.
O Evangelho nos mostra os primeiros momentos após o nascimento de Jesus. José e Maria, como bons judeus e cumpridores das tradições, vão até o templo para apresentar o menino. Lá encontram dois personagens – Simeão e Ana, que profetizam sobre a criança. Simeão afirma que Jesus seria causa de contradição e ainda que “uma espada transpassaria a alma de Maria”. De fato, ser mãe é inevitavelmente causa de sofrimento. Especialmente no caso de Maria, pois ela viveu a dificuldade de compreender os passos dados pelo seu filho. Junto com José, formaram uma família humilde, que viveu do esforço árduo do trabalho em um clã de um lugarejo desconsiderado. Desde a infância do Salvador Menino, seus pais enfrentaram dificuldades que muitas das famílias também suportam nos dias de hoje. Sinal importante de que constituir família significa uma luta árdua para que os filhos cresçam com dignidade.
E Jesus crescia “em estatura, sabedoria e em graça”. Não bastava a Ele o mero crescimento físico, mas foi ajudado por seus pais e parentes a crescer no sabor das coisas da vida e na graça de seu Pai Eterno. Hoje a sociedade compele os pais a darem sustento e educação direcionada ao mundo do trabalho, visando uma boa condição financeira no futuro dos infantes. O exemplo da Sagrada Família é uma inspiração para que se considerem os valores, a formação na fé e até o lazer criativo na educação dos filhos.

 
Um feliz 2012 a todos!

Pe. Roberto Nentwig

"Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força!"
(2Cor 12,9)

sábado, 17 de dezembro de 2011

HOMILIA DO DOMINGO



4º. Domingo do Advento - B

“Por que acreditar no poder da graça de Deus, quando me percebo tão dono de mim, tão capaz de realizar tantas coisas?” Esta foi, logo no início do Gênesis, a presunção de Adão no seu desejo de ser como Deus, de se colocar no lugar do próprio Criador. O pecado de Adão é repetido pela sua descendência ao longo dos séculos.

Percebe-se hoje que Deus é uma lacuna, mesmo quando o Natal se aproxima. Os jornais ainda falam de Jesus, mas como um adendo, um acessório. O que importa para a mídia nestes tempos são as luzes, as cores, os presentes... Então o drama do pecado original se perpetua: Adão ainda se acha presunçoso, auto-suficiente. Deus é eclipsado, sem escrúpulos.

Mesmo um homem religioso como Davi, quis construir uma casa para o Senhor, achando-se o principal ator da obra. Paradoxalmente, para agradar a Deus, esqueceu-se do próprio Deus. O Senhor, que dobra os poderosos, mostrou por intermédio do profeta Natã que Ele mesmo construiria uma casa para o seu povo, e já havia começado, pois tinha percorrido toda a trajetória do rei, exterminando os inimigos, vencendo batalhas e tornando-o grande.

A história de Davi, na primeira leitura, revela que o advento é uma espera. O Senhor que vem é um dom, não uma posse. É fruto da bondade de Deus, de um amor gratuito, não fruto de nossos esforços. Deus continua vindo e continua nos pedindo apenas a abertura do coração, o espaço para ter onde nascer e habitar, o sim do ser humano. Não deseja habitar nos templos de pedra suntuosos, nem nos shoppings, mas no coração de cada ser humano. Prefere as construções vivas às pedras frias. Quando descobrimos nossa verdadeira humanidade, então Deus encontrou sua morada.

Foi este “aceito” que o Senhor pediu a Maria ao perguntar: “Posso entrar?” E a resposta, duvidosa no início, foi: “Pode, mas como?” A réplica do Anjo não deixa oportunidade para maiores defesas: “Para Deus nada é impossível!” Mais uma vez, Deus no pede uma abertura e uma confiança no poder de Deus, uma confiança na gratuidade. Mais uma vez ele se faz morada, arma a sua tenda, basta que acreditemos e aceitemos o seu amor, que façamos a nossa parte, que digamos o nosso sim.

O Senhor não arromba a casa, mesmo sendo dono. Ele construiu a casa, deu-nos de presente e depois pediu para entrar. Só o amor é capaz de fazer tanto. Maria deixou o Senhor entrar, em nome de todos nós. Agora, ao longo dos séculos, convida homens e mulheres a repetir o seu “sim”.

O seu sim à graça já estava explicito na saudação do Anjo, pois Maria recebeu, de início, um nome novo: “Cheia de graça”. Em grego a expressão “Kechariteméne” tem a raiz na palavra cháris = graça, amor, simpatia, favor, charme... O tempo verbal empregado denota uma ação já realizada. Portanto, Maria foi objeto da ação do Espírito Santo, foi-lhe comunicado o Espírito e agora é para sempre. Ela é antecipadamente repleta do “charis”, ou seja, Maria é já antecipadamente agraciada, escolhida e isenta de todo o pecado, pois é plena da graça. Onde a graça é transbordante, não há espaço para o pecado.

O anjo disse “Alegra-te”. Nós dizemos “Ave Maria”. Na oração cotidiana e por vezes irreflexiva, parece uma simples saudação, mas na verdade é uma palavra que convida à alegria. Tal alegria é a manifestação dos tempos messiânicos (como em Sf 3,14-17; Jl 2,21-27). É uma alegria que brota do fato de Maria ser a mãe de Deus, a agraciada. Deus é conosco e habita em nosso meio, portanto, não cabe mais o medo e a hesitação.

Neste tempo que antecede a vinda do Salvador, somos convidados à alegria. Não basta a alegria das férias, das festas, dos presentes, das cores, mesmo da emoção da família reunida. Tudo isso é apenas sinal. Nossa alegria está no fato de que o Senhor é graça e quer estar conosco. Nossa alegria está na confiança de que o Senhor não só veio, mas continua vindo em nosso socorro, convidando-nos a viver em seu amor! Alegra-te, o Senhor está contigo, veio trazer a sua graça transbordante! A resposta fica por conta de cada um de nós...

Pe. Roberto Nentwig

"Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força!”
 (2Cor 12,9)

Uma palavra sobre...



COMPREENSÃO

Que a compreensão esteja alinhada a nossa capacidade de amar.
Pois só amamos verdadeiramente  o que buscamos conhecer e consequentemente, compreender...
E compreender algo que nos é incompreendido seja, portanto, nosso desafio diário.
Pois compreender o outro é nos despojarmos de nós mesmos, de nossos princípios , sair de nossa casa, de nosso lugar comum e irmos ao encontro do outro..de suas verdades e crenças.
E que esse movimento nos revele o quanto é  extraordinário vermos o outro como ele realmente é e não como gostaríamos que ele fosse...

Rose Kriger

Uma árvore de Natal...



Minha árvore

Eu quero Senhor, neste Natal, armar uma árvore dentro do meu coração...
E nela, pendurar em vez de presentes, os nomes dos meus amigos.
Os amigos de longe...
Os amigos que estão perto...
Os antigos e os recentes...
Os que vejo a cada dia
E os que ficam esquecidos...
Os das horas difíceis
E os das horas alegres...
Os que sem querer eu magoei
Ou sem querer me magoaram...
Aqueles a quem me são conhecidos apenas as aparências...
Os que pouco me devem
e aqueles a quem devo muito...
Meus amigos humildes e os amigos importantes...
Os nomes de todos que já passaram pela minha vida
Os que me admiram e me estimam sem eu saber...
E os que amo e estimo sem lhes dar a entender...
Eu quero Senhor, neste Natal,
Armar uma árvore de raízes muito profundas
Para que seus nomes nunca mais sejam arrancados da minha vida.
Uma árvore de ramos muito extensos
Para que novos nomes vindos de todas as partes,
Venham juntar-se aos já existentes.
E o mais importante Senhor,
Uma árvore de sombra muito agradável
Para que a nossa amizade seja um momento de repouso
No meio das lutas da vida.

Feliz Natal à todos vocês!!

Colaboração: Gislaine – catequista em Goiânia -GO



quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Desapego...



Chega um momento em que precisamos nos desapegar. E esta ação descrita no dicionário como “falta de afeição” é antônimo, é claro, de “sentimento de afeição, de simpatia por alguém ou alguma coisa”. E o apego faz parte da vida do ser humano. Impossível viver e amar sem apegar-se!

Mas praticar o desapego nem sempre é fácil. Leva a gente a um grande exercício de deixar o "confortável", sair de si mesmo e imaginar o que pode vir depois.

O apego normalmente está ligado aos vínculos afetivos que construímos ao longo de nossa vida. É assim com um par de tênis velho, uma jaqueta, um casaco puído... Pode olhar em seu guarda-roupa e em seus armários. Vai ver que muita coisa que tem lá você nem usa mais. Mas existe uma ligação afetiva, uma lembrança, um conforto de saber que aquilo "lhe pertence". Que aquelas coisas te fizeram um bem danado em alguma época de sua vida.

Psicólogos nos aconselham a fazer uma “limpeza” em nossos armários de vez em quando, para praticar o difícil exercício do desapego. Porque tal como nossas roupas e calçados, nossas relações precisam ser "renovadas". E veja só: falei "renovadas" e não "perdidas". As roupas podem ser doadas ou transformadas em "cobertor" para o cachorro, pano de chão, sei lá. Já os momentos bons que você viveu vão ficar com você para sempre. A roupa que vestia ou o calçado que cobria seus pés, eram só sua "casca". O bom ficou aí dentro de você!

E precisamos pensar assim quando mudanças se fazem necessárias em outras esferas de nossas vidas. Como mudar de cidade ou "desocupar" um cargo. Não é fácil deixar aquilo que acreditamos "nosso". Entregar nossos projetos tão carinhosamente sonhados em mãos de outrem. Imaginar nossas conquistas e progressos não valorizados pelo nosso sucessor.

Acredito mesmo que o melhor seja "não imaginar"...

Coisa boa é pensar no que vem depois! Nos novos espaços, nas novas lutas, nas prováveis vitórias. No recomeço em outro lugar... Porque Deus não nos leva a lugares sem pensar que ali devemos permanecer ENQUANTO SOMOS NECESSÁRIOS. Confie nas sementes que plantou. O solo era fértil? Você adubou bem? Elas vão germinar e florescer, independente de quem fará a colheita.

Desapegue-se. Seja feliz pensando em um novo "apego", em novos projetos, em novas construções...

Novos rumos...

Devido a decisões de ordem administrativa, tomadas pela nova Comissão Bíblico Catequética da CNBB, estou deixando hoje a administração do BLOG CATEQUESE E BIBLIA, da qual fiz parte nos últimos quinze meses. 
Felicidades a nova equipe!
Mas não deixem de visitá-lo:
CATEQUESE E BÍBLIA

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Planejamento 2012

Para quem já está pensando no Planejamento 2012, não esqueçam que temos Subsídios publicados para os Encontros catequéticos da CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2012:


São no total, cinco temas para encontros, todos com sugestão de leitura para o catequista, sugestão de dinâmicas e compromissos sócio-transformadores. Um dos encontros é uma clebração Catequética nos moldes da Leitura Orante da Bíblia.
O livrinho encontra-se em todas as livrarias católicas e custa R$ 1,30.
Caso você não encontre mais, avise-me que posso disponibilizar os roteiros.


123 Panetones depois...

 

E então... resolvi presentear todos os nossos amigos com um panetone. Pequeno claro! De 100 gr apenas.
E estou aqui a fazer panetone há duas semanas já...

E ainda tenho pela frente toda a  família e os amigos do trabalho do Paulo.
Mas vamos lá! Os saquinhos fiz de TNT e colei um tecido de pradonagem natalina, uma lacinho colorido e pronto!

Com frutas, com chocolate... Inventei até uma receita salgada! Linguiça, azeitona preta, tomate seco, alcaparra... são só alguns dos ingredientes...

Uma pena que não dá pra enviar pelo correio... rsrsrrs...

domingo, 4 de dezembro de 2011

Sobre nós, as mulheres...


Um vídeo que fiz com um texto meu  e a música "Nosso Deus", com a Celina Borges.

Na época uma querida amiga estava com um medo danado de estar com câncer no seio...

Que bom que foi só uma suspeita... Mas este texto nasceu da preocupação que tive com ela.


Sob o vento...

O francês, com certeza, é a língua do amor...


E se você crê que estou com medo... É falso.
Eu dei férias a meu coração, um pouco de descanso

E se você crê que eu estava errado... Espere.
Respire um pouco do sopro de outro, que me impulsiona adiante

E... Faça como se eu fosse pelo mar, eu armei a grande vela
E deslizei sob o vento
Faça como se eu deixasse a terra, eu encontrei minha estrela
E a segui por um instante...
Sob o vento...

E se você acha que já acabou... Jamais.
É apenas uma pausa, uma trégua depois dos perigos.

E se você acha que te esqueci... Escute.
Abra seu corpo para os ventos da noite e feche seu olhos.

E... Faça como se eu fosse pelo mar, eu armei a grande vela.
E deslizei sob o vento.
Faça como se eu deixasse a terra, eu encontrei minha estrela.
E a segui por um instante...
Sob o vento...
Sob o vento...
Sob o vento...

sábado, 3 de dezembro de 2011

Reminiscências...


 
Lembro-me de um natal quando tinha cinco ou sei anos. Morávamos no interior, na sede de um distrito, não me lembro exatamente o que meu pai fazia nessa época, só sei que morávamos numa casa nos fundos da casa de uma outra família. Para variar, nossa situação financeira não era lá muito boa. Meu irmão mais novo nasceu nessa casa. Lembro-me daquela noite, do corre-corre, da parteira chegando, minha irmã mais velha mandando a gente voltar pra cama, do choro do bebê.

Meu irmão nasceu em junho. As lembranças de criança são um tanto esparsas e depois do nascimento do dele, me lembro do natal. Meu Pai chegou bem tarde naquela véspera. Trazia ás costas, um saco cheio de coisas para nós. Éramos nove filhos nessa época. Para as meninas menores, eu e minha irmã, ele trouxe uma bonequinha de plástico para cada uma, daquelas com cabelo que parece de milho. Para os dois meninos mais novos ele trouxe um carrinho. Um só. Um dos meus irmãos, o que tinha 10 anos, recusou e disse que não precisava de presente. Lembro-me do meu pai ter ficado zangado. Lembro do meu irmão chorando. Lembro-me de minha mãe triste. Lembro de meu pai ter pego o cinto e batido no meu irmão. São lembranças tristes. Não sei se meu pai não tinha dinheiro suficiente ou se ele esqueceu de um dos meninos. Só sei que foi triste. E isso dói.

Lembro-me ainda, de que quando moramos nessa casa, não havia água encanada nem poço e precisávamos pedir licença para nossos vizinhos da frente para pegar água num cano que passava no meio do terreiro entre as duas casas. Isso fazia com que a água para a casa da frente fosse interrompida. E isso nos custava muitos xingos. Anos mais tarde minha mãe me contou que essa família chegou a nos sustentar por uns tempos. Acabaram sendo padrinhos de meu irmão que nasceu lá. Eram épocas de vacas magras.

Bem, por falar em vaca, no dia seguinte ao natal, eu estava brincando no pátio e esqueci minha bonequinha na cerca e uma vaca mastigou! Que coisa! Essa mesma vaca já tinha mastigado uma blusinha de flanela que minha mãe tinha costurado pra mim. Bem feito, quem manda esquecer as coisas lá fora!

Mas nem tudo era tristeza. Brinquei muito naquele lugar. O sítio proporciona isso pra gente: espaços abertos, natureza, árvores, riachos, crianças. Naquela época ainda não ia à escola e só brincava. Infelizmente havia sempre uma vaca para estragar tudo! Mas crianças não vêem a vida com olhos de tristeza. Elas têm olhos de aventura, enxergam aquilo que os adultos, com os olhos embaçados já esqueceram.

Voltei aquele lugar quando adulta. Qual não foi a minha surpresa ao observar que aquele mundo, aquelas coisas que para mim eram tão grandes, agora pareciam tão pequenas, sem vida e sem graça. O mundo passou a ser pequeno, meus olhos já não tem tanta perspectiva. Já não vejo o filete de água do riacho como um grande rio a ser atravessado com um barco pirata. Como diria Rubens Alves, com as suas jabuticabas, já não há pêssegos e peras a serem comidas no galho mais alto. A gente se contenta com as da feira mesmo.

Angela Rocha