sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Rasga, queima, enterra...

Dizem que jamais devemos nos arrepender do que fazemos... E, sim, do que não fazemos. Tenho minhas teorias sobre isso... E uma espécie de “ritual” que criei lá na minha adolescência.

Certa feita (legal essa?), quando eu tinha uns quinze anos, comecei a namorar um primo de uma amiga minha. Estávamos lá jogando vôlei na nossa rua (fiz isso, por incrível que pareça!), e de repente: Virei meu pé! E o rapaz me socorreu. Como um príncipe encantado que vem em socorro da donzela ferida, ele me carregou (era possível naquela época) e aí, como mocinhos de uma história de amor começamos a namorar... parecia tão romântico e a propósito.

Só parecia. Acrescento que durou pouco. Um pouco que foi até demais. Isso porque ele era por demais meloso, pegajoso, grudento mesmo. E eu comecei a desejar, com todas as minhas forças, que as férias dele na casa da tia acabassem o mais breve possível.

E mais, de repente o jeito dele me parecia tão... tão... “bicha”. Ou eu que passei a olhar pra ele com olhos preconceituosos, não sei.  Mas finalmente, para minha alegria, ele voltou para Santa Catarina (nada a ver o estado com as tendências dele...). Malgrado meu! A felicidade durou pouco... Ele começou a me escrever cartas. E cartas chorosas, grudentas, melosas, sebosas. Onde demonstrava o grau de “bicheza” dele ao extremo das alturas. O que ele queria comigo, uma mulher, não faço a menor idéia...

Mas enfim... Fui agüentando o quanto pude. E, óbvio, não respondi a carta alguma. Mas o rapaz era insistente. E um dia me mandou uma carta pela prima que estudava comigo. Acontece que ela me entregou a carta no ônibus em que voltávamos para casa. E insistiu que eu deveria ler e dar uma chance pra ele. Abri o envelope ali mesmo no ônibus. Se era para ser torturada, que fosse logo.

Abri... E a primeira coisa que aconteceu, foi cair um quilo de talco perfumado no meu colo (daqueles mais fedidos que existem no universo). Nunca vi na minha vida semelhante coisa. Quem, em sã consciência faz isso? E como se não bastasse, junto, uma foto nossa. De um passeio que, hoje, juro, nunca fiz! E se aquela era eu (e se houvesse photoshop em 1981), aquilo só podia ser montagem! E o teor da carta? Nossa! Acho que li as duas primeiras linhas e já tive ânsia de vômito. Não lembro o que estava escrito, e nem quero lembrar, mas sei que odiei.

Aquilo foi o fim da picada. E depois de dizer a minha querida amiga, que me fizesse o favor de mandar o primo dela para aquele lugar, fiz o ritual definitivo para esquecer aquele namoro maldito.

Peguei as cartas, as fotos, tudo que pudesse me lembrar daquele relacionamento desastroso, e piquei cada uma em mais ou menos 1.592 pedacinhos. Aí pus numa forma de alumínio e queimei. E foi com álcool para a queima ser total e completa.  Então fui ao quintal (nosso quintal era enorme), achei um lugar onde nunca mais eu ia saber achar, fiz um buraco de meio metro, e enterrei as cinzas. Depois daquilo numa mais ouvi falar ou vi, o tal ex meloso e grudento, que se chamava ....... Cruzes! Ainda lembro o nome dele!

Mas o meu ritual do “rasga-queima-enterra” fez com que eu me desligasse daquilo. Já se passaram mais de trinta anos e, claro , ainda que me lembro do que aconteceu, mas... E aí está a grande sacada: Como uma coisa para eu não repetir jamais! Algo para, talvez, nem lembrar como acontecimento, que dirá com saudade...

Pois bem! Fiz este ritual mais duas vezes na minha vida. Não com namorados, mas com pessoas que passaram por mim, e que teriam me feito um favor enorme se tivessem virado uma esquina antes de me encontrar. E devo dizer que foi mais fácil. Não precisei de recipiente, álcool, cavar buraco, nem nada disso... Não havia nada físico para rasgar, picar, queimar e enterrar. Não se enterram coisas virtuais. Mas rasguei, queimei e enterrei DEFINITIVAMENTE, toda uma história que me incomodava, como se minha cabeça estivesse sempre a espera da guilhotina da revolução francesa.  

Há momentos em que precisamos enterrar os nossos erros. Esquecer, acaba virando uma necessidade. Porque tem história que precisa ser apagada. Para não doer. E para que ela não corra o risco de voltar é preciso, no mínimo, um ritual do “rasga-queima-enterra”. Simbólico ou não...

Do meu ritual de hoje, vou enterrar as cinzas na floreira da minha janela. Quem sabe ali não acabe nascendo um dente-de-leão...

Ângela Rocha
angprr@uol.com.br


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Flanelinha...

Edição de imagens: um dos meus "amadorismos"...


Foto: Alberto Meneguzzi (Estilizada)


   Tua boca não me diz...
Mas sabe do que falam teus olhos?
Falam das mil dores que teu coração criança sente...
Eles falam das tantas lágrimas que 
 nem teu pranto consegue derramar mais...
Eles não falam da esperança, que tua mão em arco pede, 
 tão ostensivamente, por detrás destes vidros
que te fecham nessa realidade trágica que é a tua vida...
Mas, teus olhos tristes sabem
quantas janelas fechadas te separam do meu afago...

Angela Rocha



domingo, 21 de outubro de 2012

Os segredos da amizade...



Andei pensando no quanto o conceito “amizade” anda banalizado na internet. As pessoas procuram “amigos” e fazem “coleção” deles. Nós nos dizemos amigos, mas na realidade, não o somos. Que sabemos nós de pessoas que nunca vimos frente a frente? Como podemos chamar de amigos aqueles que só conhecemos através de fotografia? Ou de uma webcam? Como podemos chamar de amigo aquele de quem nunca sentimos o calor do abraço. Ou sabemos como é o brilho dos seus olhos? E como ele fica com cara de choro? Ou se está, de fato, me “ouvindo”? Ou retribui meus sentimentos?

Amigos são pessoas que se amam, que dividem coisas, que escutam e que fazem de tudo para que o outro cresça e se engrandeça aos olhos do mundo. Entre amigos não existe desconfiança nem inveja. Se alguém vêm falar mal de um amigo você o defende e vai imediatamente avisá-lo. Não para fazer fofoca, mas para que o amigo saiba em que terreno está pisando e quem são seus verdadeiros amigos.

Entre amigos não existem “segredos”, não existem “assuntos intocáveis”... E mesmo assim você sabe que existem coisas sobre as quais NUNCA se vai falar. Porque amigos se conhecem verdadeira e integralmente, sem ser preciso preencher um “cadastro de intenções”. Amigos se aceitam. Como eles são. Com mil defeitos... E você os enxerga todos. Você não tenta mudá-lo. VOCÊ tenta mudar. E o aceita, sempre.

Amigos não te magoam? Sim, magoam. Muito mais do que outras pessoas. Amigos você perdoa, mesmo sem que eles te peçam perdão. Os outros? Você simplesmente esquece.

Apesar de toda a distância e de tantas “ausências”, eu acredito na “amizade” via internet. Mas também acredito que via web os relacionamentos se perdem muito facilmente. Basta não ligar mais o computador. Basta “deletar” da lista de contatos. Mas amigos você não “deleta”. Amigos estão gravados “a ferro” no coração.

E por que as pessoas não querem mais amigos reais? Por que se busca tanto o “virtual”? Porque aí, pode-se falar sempre... Sem se dar ao trabalho de escutar. É a filosofia do “eu”. As pessoas estão carentes de serem “ouvidas”. E ninguém quer ser “o ouvido”. Se você tem um amigo de verdade corre o risco de ter que escutá-lo. Já na internet, basta ficar “invisível”. Pronto. Sem incômodos aparentes.

Mas nada, absolutamente nada, impede que uma amizade virtual, seja real. Basta abrir o coração e aceitar que se pode ter saudade, mesmo do que não se conhece... Mesmo sem nunca ter tido presença. O amor transcende a barreiras físicas, supere distâncias. O segredo é amar!

Ângela Rocha
angprr@uol.com.br

"A amizade é o conforto indescritível de nos sentirmos seguros com uma pessoa, sem ser preciso pesar o que se pensa, nem medir o que se diz."

(George Eliot)

sábado, 20 de outubro de 2012

Aniversário dos Anjos!!!




Em outubro de 2008, nascia a “Catequista Amadora”. Isso numa carta que escrevi e assim assinei... “Confissões inconfessas de uma catequista amadora”.

Eu havia acabado de “devorar” o livro “Paixão de Anunciar” do Alberto Meneguzzi. Tinha ficado um pouco chateada com ele... Nada daquilo era novo pra mim!
Primeiro que eu lia seus textos no site catequisar.com, depois, que aquilo que acontecia com ele... Acontecia comigo!!!
O fato é que pensei comigo: “Vou escrever pra esse cara!”. E me dediquei a contar minhas desventuras em cinco longas páginas...
E quase morri do coração quando ele me respondeu!  Quando me ligou no outro dia então, achei que tinha acordado e continuava sonhando...

Bom, foi aí que passei a fazer parte dos Catequistas Anjos do Brasil.
Um convite muito especial que um amigo muito especial, me fez.

Montei um blog logo em seguida e passei, do dia para a noite, a me corresponder com catequistas de todo o Brasil.

Muita gente, muita gente mesmo... Algumas eu continuo a me corresponder até hoje, outras perdi contato ao longo do caminho. E nesse tempo todo, fui acrescento mais gente na minha lista de “anjos” amigos. Algumas até, já tive a grande alegria de abraçar ao vivo e a cores!

E ao longo destes quatro anos venho ajudando como posso (e às vezes até como não posso, rsrrsrs...), a cultivar e fomentar as partilhas do grupo.

E é com muita alegria que celebro junto com os 565 membros do grupo no Facebook, o aniversário de sete anos deste grupo que, posso dizer com certeza, mudou totalmente o rumo da minha vida.

Agradeço de coração ao meu amigo Alberto Meneguzzi por me deixar fazer parte desta história e a todos que me lêem, me “agüentam” e afagam meu ego... rsrrsr... Amigos como vocês é que fazem a gente viver "de verdade" a paixão pela catequese!

Um grande, enorme, imensurável beijo no coração de todos!

Angela Rocha
angprr@uol.com.br 
 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Um conto...



Eu amo ler... E meu amor à leitura me faz gostar de escrever também. Dizem que escrevo bem. Não sei se isso é verdade. Penso como Mário Quintana, que dizia que o perigo de ficarmos lendo o que escrevemos é nos tornar por demasiado fãs de si mesmos.

Tive uma professora muito querida na sexta série. O nome dela é Elza Bassani, ela me incentivava a escrever, dizia que eu era um “gênio” de onze anos... rsrrsrsr... Engraçado isso porque eu não me achava nada disso. Tinha vergonha até da minha sombra. Mas penso que os elogios da  Professora Elza me fizeram um grande bem. Minha auto estima foi lá em cima.

Escrevi muito na minha adolescência. Parei na vida adulta porque a “vida adulta” nos cobra acordar um pouco dos sonhos e viver a realidade. E escrever é sonhar. Há alguns anos atrás encontrei um amigo que me incentivou a “por a pena no papel” novamente. Desta vez,  facilitado por um teclado e um monitor e, maravilha das maravilhas, textos  que se corrigem sem borracha e rasura. E voltei a escrever.

Hoje me dedico a escrever pequenos textos, reflexões e impressões sobre a vida, o mundo e a catequese. Mas gosto de contos e histórias românticas. Em 2010, escrevi um conto inspirada numa grande amiga, que vi definhar com o câncer. Ela não chegou a  ler, pois faleceu em março do ano seguinte. E nem eu o mostraria a ela. Pois escrevi pensando no “depois”...

Hoje gostaria de mostrar a ela o quanto a amo e penso nela sempre. E se pudesse a visitaria todas as terças-feiras e regaria com amor as suas rosas vermelhas.

Bom, para quem gostar de ler, acesse esse link. São sete páginas, uma história curta, que escrevi com o coração.

Para Roseli Meneguzzi Calai...



ANO DA FÉ: Curso no EAD- SÉCULO 21

Queridos catequistas
Está disponível para inscrições no site da Século XXI, o Curso sobre o Ano da Fé, ministrado pelo Pe. José Álem. É um curso gratuito e com certeza nos ajudará e muito a viver intensamente esse ano.
Eis o link...
http://www.eadseculo21.net.br/moodle/course/category.php?id=13
Divulguem para os catequistas que vocês conhecem. Estou fazendo o curso também e se puder ajudar é só me falar.

O quanto as coisas podem ser diferentes...



Tem gente que deve achar que sou uma tremenda duma “azeda”...

Mas quem me conhece sabe que sou, antes de tudo, uma otimista. Acredito em mudanças e nas coisas certas... E que um dia elas devem acontecer. Talvez não neste meu “mandato” aqui na terra, mas, quem sabe? A esperança ainda é grande. Rsrsrsrsr...

Acho o rito do batismo um dos mais bonitos ritos da nossa Igreja. E por isso ele merece até um “encontro” especial na catequese, onde a gente relembre aos pequenos como foi o dia em quem eles forma “marcados” com a cruz a de Jesus.

Aqui, na paróquia que freqüentamos em Londrina, ele acontece no terceiro domingo do mês junto com a missa das 9h30. As crianças são apresentadas a toda a comunidade e no decorrer da missa o padre unge com óleo, derrama a água, a comunidade renova as promessas junto com os pais, faz o rito do Éfeta, a consagração e tudo mais. A missa não fica tão mais longa do que é normalmente e o importante é que a comunidade participa da “apresentação” destes novos cristãos à Igreja de Jesus Cristo. Ficamos tão envolvidos com tudo que nem vemos o tempo passar. É bonito mesmo.

Neste último final de semana estive em Califórnia, uma pequena cidade do norte do Paraná onde nasci e onde ainda tenho parentes do lado de minha mãe. Lá também moram meu irmão mais velho, minha sobrinha, o marido e os filhos. E foi no batizado do João Gustavo, meu mais novo sobrinho-neto (pois é, sou tia-avó, uma pá de vezes já!), que fomos no domingo.

Lá o batizado acontece depois da missa. A celebração da missa começa as oito e dura cerca de uma hora e quinze minutos. Então os batizados começam lá pelas nove e quinze. Aí então os pais, padrinhos e crianças se reúnem no presbitério para a cerimônia do batismo. No domingo havia quatro crianças para serem batizadas. E, (olha só!) a cerimônia toda do batismo durou UMA HORA E MEIA! Quem conduziu a celebração é um diácono. E um diácono muito sem noção, diga-se de passagem.

Depois dos pais das crianças (todas com no máximo dois ou três meses), ficarem na missa os sessenta e tantos minutos, entre choros, mamadas, resmungos e outros chamados da natureza, o celebrante do batismo vem, e os tortura por mais uma hora e meia. Isso num rito que deveria ser lindo e acaba se transformando numa chatice sem fim. Desculpem-me, mas isso é pra acabar com a  paciência de qualquer cristão!  

Primeiro que o homem fez uma “homilia” de quase 15 minutos. Um diácono! Depois que ele quis explicar cada gesto, cada símbolo, tudo! Ah! E sem microfone (a acústica da Igreja não permite que se escute metade do que ele fala). Os familiares que estavam nos bancos não ouviram absolutamente nada. Olhavam pra cima, por lado, pro relógio e, ansiosamente, para a porta de saída...

Mas vamos as “explicações” e “sermões” do diácono. Será que ele não sabe que pais e padrinhos já fizeram (obrigados) o “curso de batismo” que, via de regra, é uma tarde (senão mais) de chá de doutrina e cadeira? Fiz quatro “cursos” de batismo na minha vida e presenciei partes de outros e, posso dizer com certeza, que foram todos de “doer”, sem exceção. Enfim, não se prepara as pessoas para conduzir essas coisas. O chamado curso de batismo é “catequese”, aliás uma excelente oporutnidade para se fazer catequese com adultos,  mas nunca chamam catequistas pra isso. Eu pelo menos, nunca vi. E o que acontece nestes encontros é que a metodologia e a didática deixa muito a desejar.

Mas este do domingo foi demais... Eu, como tia e fotógrafa, portanto “bicona” na história, já tava quase interrompendo o homem e pedindo, ali aos pés de Jesus, que tivesse compaixão das mães e acabasse de uma vez com aquilo. E os bebês choravam, resmungavam, se espremiam. E os pais e padrinhos, mudando de um pé pro outro (nada de sentar!), aflitos. As mães já meio desesperadas. E estas, já sem recursos, acabavam não resistindo e desnudando os seios ali mesmo, ao lado do sacrário, para Jesus, anjos e santos assistirem... É o fim! Como diriam nossos avós: “o fim dos tempos” mesmo...

Talvez eu esteja sendo meio intransigente. Azeda mesmo. Mas francamente, quem em seu juízo perfeito trocaria uma tranqüila manhã de domingo deitado na cama por uma sessão de quase três horas na Igreja. Metade dela em pé e com seu bebê chorando no ouvido? Nem as avós e muito menos as tias-avós...

Mas ainda tenho esperança. Esperança de que as pessoas que conduzem nossa Igreja se adequem aos “tempos”, não aos tempos de pressa e de “sem tempo” das famílias, mas pelo menos ao respeito pelo conforto e bem-estar delas. Já assisti a batizados inúmeras vezes e sei que este rito pode acontecer de maneira prazerosa e marcante para pais e padrinhos, basta que se tenha um pouco mais de consideração e senso de oportunidade. O que vi ontem foi um exibicionismo desnecessário e sem propósito.

Caso o pároco da Matriz de São Francisco de Assis de Califórnia –Pr, venha a ler isto: Padre, dá um jeito no diácono! Ele espantou pelo menos umas duas dúzias de fiéis no domingo.

Ângela Rocha
angprr@uol.com.br

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Uma história...




Deus é assim...  Não é preciso pensar nele e pronunciar seu nome. Ao contrário, quando se pensa nele o tempo todo, é porque está se afogando.

Deus é como o vento... Sentimos na pele quando ele passa, ouvimos sua música nas folhas das árvores. Mas não sabemos de onde vem, nem para onde vai. Na flauta, o vento se transforma em melodia. Mas não é possível engarrafá-lo.

Nas religiões tentam engarrafá-lo em lugares fechados a que eles dão o nome de “Casa de Deus". Mas, se Deus mora numa casa, estará ele ausente do mundo? Vento engarrafado não sopra...

Deus é como um pássaro encantado que nunca se vê... Só se ouve seu canto... Deus é uma suspeita do nosso coração de que o universo tem um coração que pulsa como o nosso... Suspeita... Nenhuma certeza.

Deus nos deu asas. Mas as religiões inventaram gaiolas. Muitas pessoas que jamais pronunciaram o nome de Deus o conhecem como reverência pela vida.

Há pessoas que se sentem religiosas por acreditar em Deus. De que vale isso? Os demônios também acreditam e estremecem ao ouvir seu nome. (Tiago 2.19)

Há presença do sagrado nas belezas da natureza, no caminhar próprio e contínuo do tempo, na poesia que vem dos puros. Quando você se abre para isso, está tendo um diálogo verdadeiramente religioso.

(Texto do livro "Perguntaram-me se Acredito em Deus" de Rubem Alves).