domingo, 30 de outubro de 2011

"Perdoe-os, eles não fazem o que fazem!"


Sabem que o que me deixa triste... triste não... possessa na verdade, com vontade de "chutar o balde": É me deparar com  pessoas que deveriam se "revestir" do Evangelho de hoje. Fazer pelo menos uma 50 leituras seguidas dele... Pra ver se alguma coisinha, por pequenina que seja, cala lá no fundo do coração...

São as pessoas de "todo jeito" que encontramos por aí. A maioria, creio, nem sabe direito o que está fazendo. Vem de uma cultura de berço em que só importa o que "EU ACHO"... Ou ainda o que "EU MEREÇO".  E é a esses que acredito Jesus direcionou a frase: "Perdoe-os, eles não fazem o que fazem!"

Hoje resolvi entrar no Facebook porque há dias não o faço... E encontrei, logo de cara, uma meia dúzia de pessoas apoiando uma tal campanha: "LULA, SUS NELE!". Dizendo que o ex-presidente Lula deveria tratar seu câncer através do SUS, porque ele "é do povo" e é lá que o povo se trata...

Bom, achei isso de um extremo mal gosto. Coisa que só quem nunca teve uma pessoa amada com câncer poderia falar... Mas é até normal, a mesma estatística que considera 94% da população brasileira "povo", pode também considerar 94% das pessoas que estão no Facebook completos ignorantes... Sem medo de errar!

Mas o que me deixou assim... meio desanimada, meio revoltada, meio furiosa... Foi ver que muitas pessoas que CURTIRAM a coisa, são CATEQUISTAS!! Cristãos, católicos, pessoas que "teoricamente" espalham a mensagem de Jesus... E que desejam ao ex-presidente que este se f...

Uma coisa é se revoltar contra o Sistema Único de Saúde, lutar para que as coisas melhorem, outra bem diferente é “desejar” que o mal se espalhe e que todos os políticos corruptos morram de câncer na fila... Bem cristão isso!

Penso que seremos de fato "discípulos" no dia em que realmente relevarmos todo tipo de idiotice que lermos e escutarmos por aí. Assim como penso que o projeto de DEUS não está ACIMA das pessoas. Ele está PARA as pessoas. Porque quando a gente acreditar realmente nisso, vamos nos esforçar mais na evangelização.
 
Taí. Isso é o que aprendemos no evangelho de hoje. SER realmente aquilo que dizemos SER. PRATICAR aquilo que espalhamos aos quatro ventos...
CATEQUISTA, que tal começar a SER aquilo que você DIZ que é?

sábado, 29 de outubro de 2011

AMAZING GRACE


"Amazing Grace" é um conhecido hino cristão composto pelo inglês John Newton e foi impresso pela primeira vez no Newton's Olney Hymns (1779).


Nesta versão do YouTube (il Divo), é cantada por tenores de talento memorável, em alta definição e com legenda em português. O cenário é o Coliseum. Sua história o que faz com que entendamos sua letra: depois de um curto tempo na Marinha Real, John Newton iniciou sua carreira como traficante de escravos. Certo dia, durante uma de suas viagens, o navio de Newton foi fortemente afetado por uma tempestade. Momentos depois de ele deixar o convés, o marinheiro que tomou o seu lugar foi jogado ao mar, por isso ele próprio guiou a embarcação pela tempestade. Mais tarde ele comentou que durante a tempestade ele sentiu que estavam tão frágeis e desamparados e concluiu que somente a Graça de Deus poderia salvá-los naquele momento. Incentivado por esse acontecimento e pelo que havia lido no livro, Imitação de Cristo de Tomás de Kempis, ele resolveu abandonar o tráfico de escravos e tornou-se cristão, o que o levou a compor a canção Amazing Grace ("Graça Maravilhosa"). A versão em português é cantada há muito tempo em muitas igrejas.


PASSOS DA LECTIO DIVINA


 

Basta clicar encima da imagem e as terá em tamanho original para copiar e reproduzir. A imagem dois é o verso da primeira.







FAÇA UM BLOG


Eu sou blogueira há três anos. Sempre tive blog, o Catequista Amadora, hospedado no UOL - Universo On Line, meu e-mail principal também é lá. Recentemente me mudei para o blogger ou blogspot, que é o blog do Google. O UOL te oferece uma pasta para arquivos do tipo foto (imagem), texto, vídeos e áudios, chamada UOL MAIS. O Google te oferece o Google Doc e se você procurar vai encontrar estes recursos em muitos provedores. O blog é uma espécie de diário, e existem muitos outros recursos para publicar outros arquivos além dos textos. No blog podemos informar os links (endereços) dos arquivos que se publica em sites de imagem, vídeo (Youtube) ou músicas.  E nem é preciso ser assinante ou pagar algum valor para poder utilizar estes serviços.

No ano passado fui convidada pela Ir. Zélia Batista, assessora nacional de catequese da CNBB, para criar um blog de catequese com o objetivo de interagir com os catequistas do Brasil todo.  Então, diariamente, também estou no Catequese e Bíblia (http://catequeseebiblia.blogspot.com), publicando material de interesse para os catequistas. Adoro este trabalho. Faço com o maior prazer por mais que me dê “trabalho” mesmo.

Então, meus caros catequistas, sejam audaciosos! Experimentem também fazer um blog. Ou simplesmente começar a utilizar o Facebook para deixar mensagens diárias de evangelização, pensamentos, frases, orações, citações bíblicas...

Vai lá catequista, monta um blog comunitário, convide as crianças e jovens da catequese. É muito interessante pra gente trabalhar esses recursos. Hoje em dia qualquer criança de nove anos dá um show na gente quando se trata de navegar na Internet. Porque a gente não pode por a catequese na internet? Os jovens estão lá a maior parte do dia. É uma excelente oportunidade para conversar com eles, mostrar que você também está lá e fala a mesma linguagem. Além do mais os jovens adoram usar sua criatividade, é uma fase única na vida deles. Por que não unir o útil ao agradável?


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

VAMOS LIMPAR UM POUCO A INTERNET?


Eu confesso que sou uma internauta das mais fanáticas. A primeira coisa que faço todos os dias é ligar o computador, abrir o MSN, ler meus e-mails, atualizar meu blog e navegar pelos sites de notícias e atualidades. Confesso que não sou muito fã de Facebook, Orkut e twitter. Mas vá lá. São necessários para se manter uma rede de contatos. Eu possuo um só endereço de e-mail já fazem mais de dez anos. Até tenho outros, que tive que fazer para entrar nesta ou naquela rede, mas não uso. Participo de Grupos na internet e mantenho uma lista de contatos bem extensa.

Mas mesmo sendo essa “fanática”, uma coisa que sempre me determinei a fazer, desde que me propus a entrar nesse mundo virtual, é não “encher o saco dos outros”. Com isso eu quero dizer: não ficar repassando mensagens aos outros sem saber se elas têm utilidade ou não, se elas são informações confiáveis ou não; não repassar correntes e orações e não mandar essas mensagens em PowerPoint que só entulham nossas caixas postais.

Quem dera dez por cento das pessoas que navegam na internet pensassem assim! Com certeza nossa correspondência seria bem menor e não perderíamos tanto tempo tentando descobrir se alguma coisa presta lá. Mas agora eu queria falar sobre uma coisa que me aborrece demais nestes e-mails: são os HOAX!

Essa palavra é um termo em inglês que significa na verdade  “trote” mesmo. Como aqueles de telefone. Segundo a Wikipédia, a enciclopédia livre da internet (que também nem sempre é confiável), a tradução literal da palavra é embuste ou farsa. Mas esse termo é usado para definir as histórias falsas recebidas por e-mail, sites de relacionamento e na internet de modo geral. O conteúdo desses “hoax”, além das conhecidas correntes, consiste em apelos dramáticos falando de seqüestros ou doenças, histórias melosas de cunho sentimental ou religioso, campanhas filantrópicas ou, ainda, dos famosos vírus letais que ameaçam destruir, contaminar ou formatar seu computador.

Bom, o fato é que muita gente acredita nessas coisas, nesses hoaxes que circulam pela internet. Existem alguns hoaxes que falam de pessoas pobres que precisam de cirurgias e que determinada empresa irá pagar tantos centavos para cada e-mail repassado. Este tipo de mensagens leva os menos informados a distribuir o e-mail pelo maior número de contatos e, a finalidade disso, é entupir os servidores de e-mail.

Sem contar que esse tipo de mensagem, pode ser utilizado por pessoas mal intencionadas que se utilizam dos endereços de e-mails assim obtidos, para construir uma base de dados, e posterior venda ou envio de SPAM. Um Hoax comum é o do fim do MSN,  do orkut (que está acontecendo... rsrsr... mas porque está sendo desbancado pelo facebook), Messenger pago, reativar o Windows, fim da Internet, etc... Esses Hoax são criados basicamente para "chamar atenção", e seu alvo são os usuários básicos. Portanto, o melhor a fazer, é apagar este tipo de e-mails e começar a quebrar a corrente do seu autor.

Então, gostaria de fazer uma proposta. Algo que tem a ver com o apelo que o Papa e  nossos bispos tem feito sobre a comunicação na Igreja. VAMOS USAR ESSE MEIO DE COMUNICAÇÃO PARA EVANGELIZAR! Ou melhor ainda, vamos considerar a internet UM MUNDO QUE PRECISA SER EVANGELIZADO. Vamos parar de enviar e-mails de procedência duvidosa, correntes de oração que prometem salvar nossa alma em troca de mais vinte e-mails, vamos parar de enviar críticas a aquele ou este político, vamos parar de emitir opiniões QUE NÃO SÃO AS NOSSAS e nem tem qualquer fundamento, chega de mensagens em powerpoint sem qualquer quê nem pra quê, piadinhas obcenas, enfim, vamos fazer deste, um mundo um pouco mais limpo? Vamos ser CATEQUISTAS NA internet? Vamos?

Angela Rocha
Catequista Amadora

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Questão de família: E quando o marido “não deixa”?

Vejam só um dilema que grande parte das catequistas tem: O MARIDO! Não deveria ser, mas é. Muitas mulheres estão na igreja contra a vontade do marido. São catequistas e os maridos “não gostam”. Ele cobra delas a presença, reclama das reuniões, das formações, das missas, dos ensaios... Apesar de que desconfio que nem é tanto assim: A maioria usa o marido como desculpa mesmo para não ir aos eventos... 

Mas já escutei muita catequista dizer que vai deixar a catequese por causa do marido. Que ama muito a missão, mas vai ter que sair... A razão? Ah, a catequese exige demais, tem reunião demais, formação demais... E o marido reclama que ela não fica mais em casa... Eu duvido que numa paróquia tenha mais que uma reunião por mês, mais que um encontro de catequistas por mês. E retiros são tão raros e esporádicos! Quanto à missa, tem todo domingo... Aliás, é obrigação do marido ir também! A não ser que ele não seja católico... E quanto ao encontro semanal, é condição imprescindível para ser catequista, ora! Não dá para ser catequista sem preparar e fazer o encontro. É preciso um tempinho também para pesquisar e ler. Se preparar, enfim.

Sabe o que eu acho? Que quando a gente começa a pensar assim, que a catequese está atrapalhando nossa vida, é porque já não está tão interessado e empolgado mais pela coisa... E outra, o marido que briga com a mulher porque ela vai a Igreja rezar, imagine o que pensa se ela for numa despedida de solteira! Rua na certa. Eu sempre falo nas formações de catequistas que aquela que ainda não convenceu o marido que ir à Igreja é importante, vai conseguir convencer e evangelizar quem??

Mas cada um deve saber onde o calo aperta...

O melhor mesmo é tentar ser feliz.  Seja feliz! Se você ama ser catequista, mas briga com o marido, então resolva o casamento primeiro. Esse conselho eu escutava sempre de uma grande pessoa: nossa assessora diocesana de catequese. Catequista há mais de 40 anos, uma pessoa linda e alegre com quem dava gosto da gente conviver.

Muitas vezes ouvi conselhos para, daquela vez, ficar em casa. Congressos, encontros, têm outros. O que a gente precisa saber é: o que é mais importante naquele momento. Mas realmente, administrar conflitos familiares e as responsabilidades da catequese é muito difícil mesmo. O ideal, antes de se envolver em qualquer projeto, é uma boa conversa. A catequista precisa estar consciente do que é exigido dela e saber que não dá pra ser catequista de uma hora por semana. E a família precisa, também, estar ciente disso. O marido precisa apoiar e o ideal é que ele ajude mesmo!

Quando me envolvi com a catequese, e olha que me “envolvi” com todas as letras, eu estava ciente de toda a responsabilidade que isso acarreta. E minha família sabe o que exige o meu serviço pastoral. E que isso me completa e me faz feliz, apesar de toda luta e todas as contrariedades que a gente tem.

Quantas vezes já chorei nos ombros do meu marido! A falta de interesse das crianças, o desleixo dos pais com a educação na fé de seus filhos, o desinteresse da própria igreja, a falta de engajamento dos demais catequistas; tudo isso é assunto das nossas conversas. Não fosse o apoio que recebo de meu marido, nem sei se ainda estaria por aqui...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

SOMOS COMO CARTA DE CRISTO


"Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento. Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem. Para com estes, cheiro de morte para morte; para com aqueles, aroma de vida para vida. Quem, porém, é suficiente para estas coisas? Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus. Começamos, porventura, outra vez a recomendar-nos a nós mesmos? Ou temos necessidade, como alguns, de cartas de recomendação para vós outros ou de vós? Vós sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens, estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações." 

(2Cor 2, 14-17;3, 1-3)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

ROTEIROS DE ENCONTROS E CELEBRAÇÕES



Alguns materiais sobre o Batismo podem ser acessado nos links abaixo. Coloquei também o Roteiro da Celebração das Promessas do Batismo para a Primeira Eucaristia e o roteiro de um encontro sobre os Símbolos e Gestos da Crisma:

http://mais.uol.com.br/view/6614503  - Encontro sobre o Batismo
http://mais.uol.com.br/view/6614537 - Celebração da Renovação das Promessas do Batismo para Primeira Eucaristia
http://mais.uol.com.br/view/6614507 - Encontro sobre os Símbolos e Gestos na Crisma.



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

GLADIADORES!


Gosto do filme Gladiador, com o Russel Crowe... Gosto da música do filme e da mensagem que nos leva à "eternidade". A valorizar aquilo que fazemos aqui, a não perdemos de vista que o que quer que façamos por aqui nada levaremos para onde quer que a gente vá depois... Aqui fica na memória dos que deixamos. E do filme, conclamando para a batalha seguinte, é a frase:

"O que fazemos na vida, ecoa na eternidade..."

 

Você sabia que Santo Inácio de Antioquia foi comido pelos leões no Coliseu, arena de gladiadores em Roma? É... não era fácil ser cristão, não!!

Santo Inácio foi Bispo de Antioquia, discípulo do apóstolo João, conheceu São Paulo e sucedeu a São Pedro na Igreja de Antioquia criada pelo apóstolo. Foi preso por ordem do imperador Trajano e condenado a ser lançado aos leões no Coliseu, em Roma. As autoridades romanas esperavam fazer dele um exemplo e, assim, desencorajar o cristianismo, porém sua viagem a Roma ofereceu-lhe a oportunidade de conhecer e ensinar os conceitos cristãos, e no seu percurso, Inácio escreveu seis cartas (viu porque gosto dele?) para as igrejas da região e uma para um outro bispo. Ao falar sobre sua execução, Inácio disse a famosa expressão: "Trigo de Cristo, moído nos dentes das feras". E na iminência do martírio prometeu aos cristãos que mesmo depois da morte continuaria a orar por eles junto de Deus:
"Meu espírito se sacrifica por vós, não somente agora, mas também quando eu chegar a Deus. Eu ainda estou exposto ao perigo, mas o Pai é fiel, em Jesus Cristo, para atender minha oração e a vossa. Que sejais encontrados nele sem reprovação."


O catequista e as suas "especialidades"


Sempre pensei que o ideal é acompanhar as crianças desde que elas começam na pré-catequese até que elas façam o Sacramento. Já pensou a cumplicidade que isso ia nos proporcionar? O conhecimento que teríamos de cada um deles? Seu jeito de pensar, seu jeito de ser, suas famílias... Talvez aí sim, teríamos uma comunidade verdadeira.
Agora tudo que temos são rápidos encontros semanais que não nos dá tempo nem de conhecer a todos pelo nome, quase... Que dirá seus anseios, sua família e suas vivências. Temos aí cerca de 30 encontros, trinta horas com eles, que não nos dá nem três dias de vivência! Queremos mudar a vida deles como? Tocar seus corações de que jeito? Por osmose?
Isso me frustra por demais... Na paróquia onde comecei a catequese, a catequista ficava três anos com a mesma turma na primeira eucaristia. Aí assumiam os catequsitas de crisma que ficavam dois anos com os adolescentes. Nossa! Nem posso descrever a maravilha que é isso. Tornamo-nos, além de catequista e catequizando, AMIGOS! Ontem ainda conversei com um catequizando meu de 2009. Gabriel me contava como foi na escola e nos jogos, onde foram campeões de vôlei... E ainda confessou a saudade que tinha de mim... Isso não tem preço gente, não tem mesmo!
Infelizmente nem sempre é assim. Na maiorira dos lugares temos catequistas “especialistas”. Especialistas em primeiro ano, especialistas em segundo ano, em terceiro nem tanto... É onde falta mais gente. Porque será? E temos os especialistas da "perseverança" (nome que considero pejorativo) e especialistas de Crisma, onde também não tem muita gente não.
E eu me pergunto: Essa "especilidade" é por afinidade com aquela faixa etária ou é por acomodação de não ter, a cada ano, que rever o seu planejamento, pensar em encontros diferentes, novas dinâmicas, novos planejamentos?

DISCURSO E PRÁTICA


Penso que um dos grandes entraves da nossa Igreja ainda é, infelizmente, nossos padres. A grande maioria vive ainda como se governasse pequenos "feudos" dentro da Igreja, isso pra não falar nos "feudos maiores" que são as dioceses. Num mesmo Regional, encontramos diferenças gritantes de mentalidade. Em alguns lugares, por exemplo, nunca se ouviu falar em Diretório Nacional de catequese, muito menos se conhece qualquer documento ponticífio alertando para as novas realidades continentais: que o número de católicos diminui cada vez mais e que é preciso sair em "missão de resgate" em busca de cristãos perdidos. Temos, e muito, cristão só de nome, católico só de nome. Pior ainda, temos pessoas totalmente descristianizadas.

E a estrutura da catequese em nossa Igreja também não ajuda em nada. A catequese vive como se fosse uma extensão da escola, exclusivamente preocupada com jovens e crianças e adotando o sistema escolar como regra! Vocês já perceberam que para nossos catequizandos é como se a catequese fosse uma extensão da escola? Nem preciso lembrar, não é? Somos "professores" e, pra eles, ir à igreja uma vez por semana é assistir mais uma aula. E chata ainda por cima! Não há qualquer ligação com a vida em comunidade. A liturgia praticamente não existe na vida deles. A "missa da catequese" é meramente uma imposição... que eles acatam porque são obrigados. E percebo uma coisa: eles nem sequer tiram o uniforme da escola pra ir a catequese! Poucas crianças tem uma vivência familiar cristã. É regra geral fazer catequese por obrigação social.

E nós ficamos nesse discurso. Não mudamos nunca. Muitos de nós, não tem apoio dos padres, a família não tá nem aí e em alguns lugares, qualquer criatura pode ser catequista. A necessidade de evangelizadores é tanta que a preocupação com formação é nenhuma.  E continuamos a bater na mesma tecla: é precioso mudar a mentalidade, é preciso mudar a postura... Mas quando? Quando nossa Igreja estiver extinta?

Mas vamos reconhecer: a Igreja tem feito esforço para mudar. Nos últimos cinco anos por exemplo, vimos a produção de documentos riquissímos em prol dessa mudança: O DNC, o Documento de Aparecida e recentemente o Estudo 97. Sem falar nos documentos pontifícios e a nas inúmeras assembléias realizadas pelos Bispos sinalizando a necessidade de mudanças. Mas quem de nós está interessado realmente nisso? E não adianta dizer que a igreja não investe em formação e que o catequista, além de estar lá de graça, tem que comprar livro para estudar. Tive uma experiência numa paróquia onde o padre presenteou cada uma das 32 catequistas com o DNC e com o Documento de Aparecida. Perguntem-me quantas dela o leram. Faltou talvez, interesse dos catequistas e incentivo das coordenações. E estas, via de regra, também não tem qualquer preparo para ajudar na condução de um processo catequético coerente com a realidade atual. Resta-nos então ficar aqui: cobrando mudanças e esperando que elas venham "de cima".

Sabem de uma coisa? No fundo, no fundo, somos um bando de acomodados. Vemos os erros da catequese e da nossa igreja a muito tempo. Sabemos exatamente onde estão todos os problemas. Mas é mais fácil aguardar que o Espírito Santo ilumine a cabeça dos nosso bispo. Que por sua vez exija ação do nosso pároco. E que nosso pároco, por algum milagre de nosso padroeiro, do dia para noite consiga contar com catequistas devidamente preparados para, finalmente, FAZER ALGUMA COISA!

Angela Rocha

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011

AS PALAVRAS


(Vanessa da Mata)
 
As palavras saem quase sem querer,
Rezam por nós dois.
Tome conta do que vai dizer.
Elas estão dentro dos meus olhos
Da minha boca, dos meus ombros
Se quiser ouvir, é fácil perceber

Não me acerte, não me cerque
Me dê absolvição, faça luz onde há involução
Escolha os versos para ser meu bem e não ser meu mal
Reabilite o meu coração

Tentei, rasguei sua alma e pus no fogo
Não assoprei, não relutei
Os buracos que eu cavei, não quis rever
Mas o amargo delas resvalou em mim
Não me deu direito de viver em paz
Estou aqui para te pedir perdão

Não me acerte, não me cerque
Me dê absolvição, faça luz onde há involução
Escolha os versos para ser meu bem e não ser meu mal
Reabilite o meu coração

As palavras fogem se você deixar
O impacto é grande demais
Cidades inteiras nascem a partir daí
Violentam, enlouquecem ou me fazem dormir
Adoecem, curam ou me dão limites
Vá com carinho no que vai dizer

Não me acerte, não me cerque
Me dê absolvição, faça luz onde há involução
Escolha os versos para ser meu bem e não ser meu mal
Reabilite o meu coração...

TAMBÉM TE AMO...



Passei grande parte da minha adolescência lendo romances... De preferência aqueles que tinham finais felizes. As grandes tragédias românticas sempre me fizeram sentir demais. Daí minha preferência por folhetins melosos. Acredito hoje que isso contribuiu muito para a minha sensibilidade e mais ainda para enriquecer meu português. Motivo pelo qual sempre incentivei meus filhos e alunos a ler. Quem cria o hábito da leitura certamente vai ser um bom “falante”, senão, um bom escritor.

E dos romances tirei uma grande lição. E essa lição pode ser resumida numa só frase: “Eu te amo!”. Invariavelmente a grande polêmica de toda aventura romântica é a admissão do amor. A confissão final de que, um não pode viver sem o outro. Claro que se não houvesse percalços a separar amantes, também não haveria romances publicados! Há que se admitir então certa relutância, ignorância ou mesmo descaso para com o amor até que ele se torne imprescindível... A ponto de gerar o beijo apaixonado antes do FIM e do ponto final.

E é aí que quero chegar. Nossa vida, apesar de parecer às vezes, não é um romance com a certeza de final feliz. Nem são as pessoas previsíveis e descritas em pormenores como personagens de romance.  Nem sempre conhecemos o bastante as pessoas nem elas nos conhecem tanto para adivinhar nossos sentimentos. Claro que há pessoas que tem visíveis seus sentimentos, estampados em suas faces, em seu sorriso, em seu olhar, em seu abraço, em seu tom de voz... Mas chegar a esse grau demanda um esforço tremendo. É preciso que se apague de nossa mente todo medo da rejeição e vergonha de ser “sensível”. Afinal, somos educados para demonstrar fortaleza e invencibilidade. Ninguém gosta de ser “vencido”. Nem pelo amor...

Outro dia, discutia isso com um amigo. Depois de declarar com todas as letras meu carinho e admiração, recebi de volta um comentário do tipo “E a Fulana? Tem falado com ela?”.  Bom, esse “mudar de assunto” é coisa de quem, definitivamente, se sente constrangido em retribuir afeto. Porque tenho certeza da retribuição. O que faz então, que a pessoa se sinta tão arredia em dizer: “também te amo”?  E aí, temos um belo enredo a “la José de Alencar”. E podemos passar anos sem saber exatamente o que um sente pelo outro. E quem sabe até ter uma separação dolorosa. 

Mas, como sou to tipo “preciso ser amada”... Vem então a grande experiência dos romances: é preciso falar! Dizer por exemplo: “Acho que mereço mais do que isso...”. O mínimo que pode acontecer é levar um baita de um “pé na bunda”, do tipo: “Olha, eu não queria dizer não, mas, não retribuo seus sentimentos”. Ou então se pode ter o final feliz tão esperado. O The end depois do beijo final.

Não é melhor saber do que viver na expectativa? É isso aí. Palavras existem para serem ditas. Principalmente essas: Amo você!

domingo, 16 de outubro de 2011

ANIMAÇÃO BÍBLICA DA PASTORAL

Meus queridos amigos, cá estou eu de volta!

Andei afastada do blog por conta dos meus muitos afazeres... entre eles participar do I CONGRESSO DE ANIMAÇÃO BÍBLICA DA PASTORAL, que aconteceu em Goiânia de 08 a 11 de outubro. Chega até a ser difícil expressar o quanto amei ter estado lá. Foram dias preciosos em matéria de formação e de partilha. E por isso coloco aqui pra vocês os links de alguns dos assuntos tratados no congresso para que vocês, na medida do seu tempo façam uma leitura dos mesmos... De coração e mentes abertas. Porque são artigos, documentos longos e que exigem um pouco mais de tempo e concentração.

MATERIAL DE ANIMAÇÃO BÍBLICA DA PASTORAL:


Joel Portella Amado


Frei Carlos Mesters e Francisco Orofino


Valmor da Silva


Pe. Agenor Brighenti


D. Juventino Kestering


Ir. Lúcia Weiler


Mercedes de Budallés Diez


Ir. Maria Aparecida Barboza


D. Jacinto Bergmann


Katiuska Cáceres Pavez
11 – A LECTIO DIVINA

            D. Orani João Tempesta


            Ir. Israel Nery


Beijos a todos

Angela Rocha
"Comunicar-se com os outros é dizer as palavras que o amor escolhe."


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

terça-feira, 4 de outubro de 2011

ESTE MUNDO AINDA TEM JEITO


Outro dia discutíamos, aqui entre amigos, se o “mundo de hoje tem jeito”. E hoje de manhã testemunhei alguns acontecimentos que me mostraram que tem sim! De manhã ao voltar para casa depois de cumprir meus afazeres, observei no ônibus uma coisa inusitada.

Primeiro que ao pararmos num ponto havia um cadeirante esperando. O motorista esperou que os demais entrassem e saíssem, e pediu que ele aguardasse um pouco porque ia estacionar mais rente à calçada. E lá foi ele manobrar entre os carros que sempre invadem a faixa de estacionamento do ônibus para deixar o ônibus mais perto. Feito isso, desceu como é de praxe, ajustou o elevador da porta e ajudou o cadeirante e a senhora que estava junto a subir. Mas, dentro do ônibus, a acompanhante simplesmente não conseguia ajustar a cadeira de rodas no lugar. Enroscou-se toda e entalou no meio do corredor. E estava impaciente, já, colocando a culpa no lugar que era pequeno, etc. e tal... Pois o motorista subiu, pediu licença à senhora, ajudou a arrumar a cadeira no lugar, ajustou o cinto e ainda perguntou ao senhor na cadeira de rodas se ele estava confortável. Isso durou mais ou menos uns 10 minutos. Mas o que me espantou de fato foi que o motorista do ônibus, além de cumprir bem mais que o seu dever, fez tudo isso com a maior paciência e com um sorriso no rosto. Até a mal humorada acompanhante teve que se render às atitudes do motorista e agradecer. E juro, quase bati palmas pra ele ali!

Ah, mas não foi só isso não... Dali a pouco, num ponto mais a frente, entra um senhor já de idade. E uma moça se levanta para dar lugar a ele. Este senhor, todo sorridente, recusou a oferta e disse: “Olha eu não vivi tanto tempo para fazer uma mulher se levantar para dar lugar para mim”. Achei essa atitude simplesmente de uma cortesia e um cavalheirismo extremo! E ele se pos a contar que no domingo fará uma festa com toda a família pelos seus 80 anos...

E eu fiquei ali pensando com meus botões como ainda existem pessoas maravilhosas neste mundo! Que nos conquistam e nos mostram que o mundo tem jeito sim! Mesmo com tantas atitudes egoístas e violentas, a gente ainda vê muita bondade no coração das pessoas.

E como se não bastasse, no caixa do supermercado, havia um senhor idoso também, antes de mim. Que se atrapalhou um bocado com a senha de seus cartões. Pois a moça do caixa o atendeu com a maior paciência, refez as operações várias vezes, ajudou-o a fazer as contas e ainda lhe desejou um “Bom dia e Deus o abençoe!” no final. Eu, por curiosidade, perguntei a ela se o conhecia. E ela me disse que não... Sem contar que foi extremamente simpática comigo durante todo o atendimento.

Pois é. Não percamos nunca a fé na humanidade! “Humanidade” ainda existe, basta que a gente olhe um pouco mais adiante, além de nossas preocupações e afazeres diários. E volto a dizer: “O mundo tem jeito, sim!”.

Ângela Rocha
Catequista Amadora

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

ENTREVISTA COM IR. ISRAEL NERY SOBRE O CONCÍLIO VATICANO II


Ângela Rocha: Irmão Nery, desejamos desde já começar a celebrar os 50 anos do Concílio Vaticano II, para isso estamos proporcionando aos nossos catequistas um estudo via web sobre o tema. Mas, afinal o que é um Concílio?

Irmão Nery: Querida Ângela, parabéns pelo Curso sobre o Concílio Vaticano II, é uma alegria para mim, tratar deste tema. Eu estava estudando em Roma de 1961 a 1964, na Universidade Lateranense, portanto, acompanhei de perto quase todo daquele evento histórico. Mas para poder falar de Concílio é preciso entender alguma coisa sobre Cristianismo, Catolicismo e da Igreja e sua organização.

Ângela Rocha: Então, vamos conversar um pouco sobre Cristianismo.

Irmão Nery: Os que acolhem, pelo dom da fé, Jesus Cristo, como verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, e vivem com ele, por ele, nele, na união com as demais pessoas que também fazem esta opção de vida, e cooperando com Jesus para tornar este mundo fraterno, solidário, justo e em paz, são denominados cristãos. A primeira denominação dessas pessoas foi “os que seguem o Caminho”, porque diziam que seguiam Jesus Caminho, Verdade e Vida, e que trilhavam um itinerário de vida pessoal e comunitária, para viver como Jesus viveu e fazer o bem aos outros como ele o fez. A primeira vez que receberam a denominação de cristãos foi na cidade de Antioquia. Todos os cristãos formam um povo universal, sem fronteira de país, etnia, sexo, cultura, grupos, denominações, etc. Hoje há mais de dois milhões e meio de cristãos entre os quase sete milhões de habitantes no mundo.

Ângela Rocha: E o quem vem a ser Igreja?

Irmão Nery: É uma adaptação ou inculturação da expressão hebraica “Qahal Yaweh” (Assembléia do povo convocada por Deus para ouvi-lo a partir das Escrituras Sagradas; cultuá-lo - por meio de orações, cânticos, holocaustos e sacrifícios; e recomendações de como viver segundo as orientações do Senhor). Os Apóstolos e os primeiros convertidos ao seguimento de Jesus, ao passarem do mundo judeu para o mundo grego encontraram algo parecido, mas no sentido puramente civil. Havia o KERUX (anunciador) que passava pelas ruas convocando o povo para a grande EKKLESÍA (Assembléia do povo), numa determinada praça. Quando o povo ali se congregava o mesmo KERUX (anunciador) falava em nome do Imperador ou do General ou de qualquer Autoridade (se esta não estivesse presente para falar). Ele dava o recado, a mensagem e o termo usado é KERIGMA. O que fizeram os cristãos? Adaptaram para si e enriqueceram estes termos e realidades do costume grego. Passaram a se considerar como “Ekkesía, ecclesia, Igreja” (povo permanentemente congregado por Deus e para Deus. Não importava onde cada um estivesse, pela fé se fazia parte deste Povo, pertencia-se ao povo). Os cristãos já possuíam momentos especiais de congraçamento, reunião, em estilo de assembléia (também ekklesía) para ler e meditar os textos bíblicos, cantar, partilhar o pão, receber a missão... Esta assembléia litúrgica aos poucos foi se aperfeiçoando e tem seu melhor modelo na celebração eucarística.

Ângela Rocha: Nossa! Que síntese histórica importante! Garanto que muita gente não sabe nada disso. Mesmo assim, há diferença entre Cristianismo e Igreja, já que você falou que os cristãos formam um povo universal?   

Irmão Nery. Sim, há. Na verdade nem deveria haver. Digamos que cristianismo é a Religião Cristã, centrada em Jesus Cristo, que nos conduz, pelo Espírito Santo, à glória de Deus Pai, que é nossa vida como filhos dele e entre nós, como irmãos, na construção de um mundo segundo o seu coração de Pai. Quem assume viver esta religião é, portanto, cristão. Mas como somos humanos precisamos organizar estes seguidores de Jesus, estes cristãos. A Religião Cristã, ao longo destes 2.000 anos de existência, foi se organizando em muitos grupos que se auto denominam de Igreja (Ekklesía), outros de “Comunidade”, outros de “Assembléia”. Algumas usam como característica o termo “Igreja universal”. Ora, o termo grego Kathólikos (católico) significa exatamente universal, sem fronteiras. Os cristãos que se consideram diretamente na linha sucessória de São Paulo, chefe primeiro dos seguidores de Jesus, se denominam Católicos (sem fronteiras, nem discriminações). Deste tronco marcado pela sucessão por parte da linha dos sucessores de Pedro e dos Apóstolos (Papa e Bispos) houve grupos que, por motivos históricos específicos na época, romperam e criaram outro tipo de sucessão, formaram outro modo de organizar a Igreja. Isso aconteceu deste o primeiro século depois de Jesus Cristo.

Ângela Rocha: Poderia dar alguns exemplos?

Irmão Nery: Pois não. Houve um sacerdote, chamado Ario, que criou uma corrente cristã denominada “arianismo”, com uma série de interpretações da fé e práticas cristãs que destoavam dos demais cristãos do mundo, é um deles. Outro é o bispo Miguel Cerulário, (no ano 1024), depois de muita polêmica, decidiu romper com o Papa, dizendo que os grupos cristãos do oriente, tinham os sucessores dos Apóstolos, denominados Patriarcas, em cidades históricas do cristianismo como Jerusalém, Antioquia, Bizâncio. Ao mesmo tempo ele cunha o termo “Ortodoxa” (doutrina correta), pois afirma que eles, sim, estão com a doutrina correta. Mais tarde ainda, no século XVI, o padre Marinho Lutero se separou da Igreja Católica e deu origem às denominações “Igreja Protestante” (porque Padre Lutero protestou publicamente a respeito de como líderes da Igreja se comportavam e ensinavam). Mais tarde houve mais líderes que se separaram da Igreja Católica e fundaram outras Igrejas. E nestes dois últimos séculos, a proliferação continua e de modo acelerado. Há algumas que fazem questão de serem chamadas “Universal”, “Mundial”. As divergências são muitas, mas a fé básica na Santíssima Trindade, em Jesus Cristo, é a mesma. As divergências correm por conta de interpretações diferentes e contrastantes entre as diferentes igrejas sobre a Bíblia, sobre o próprio Jesus e seus ensinamentos, sobre os sacramentos - especialmente a Eucaristia -, sobre Liturgia, sobre os sucessores dos Apóstolos, etc.

Ângela Rocha: E o que tem a ver Concílio, com toda esta sua explicação?    

Irmão Nery: A Igreja Católica, Apostólica, Romana (com sede mundial em Roma), por causa da sucessão de São Pedro, na pessoa do papa, sempre que algum ensinamento errôneo sobre a Sagrada Escritura ou sobre Doutrinas comumente aceitas e vividas pela Igreja, aparecem, convoca uma “assembléia especial para estudar, dialogar, elaborar a doutrina correta, condenar quem estava errado e confirmar quem estava no caminho certo”. Para esta “assembléia especial” (Concílio, termo que vem do latim “reunião para se chegar a um consenso, após sério estudo e diálogo”.), o Papa ou os Bispos convidavam bispos (sucessores dos demais apóstolos), biblistas (especialistas no estudo da Bíblia) e teólogos (especialistas no estudo de assuntos da Igreja e da vida do mundo à luz da Bíblia e dos ensinamentos da Igreja). Até agora a Igreja Católica, Apostólica Romana celebrou 21 Concílios Ecumênicos, além de muitos outros regionais e locais. O termo ecumênico vem de (oikòs = casa; Menem = todos, portanto, “casa de todos”) e foi adaptado para significar espaço para todos, sem distinção, que buscam a unidade da Igreja segundo a Oração de Jesus, no capítulo 17 do Evangelho segundo São João “Pai, que todos sejam um como nós somos um e o mundo creia que tu me enviaste” (cf. Jo 17, 20-23). Quase todos os Concílios foram convocados para tratar de assuntos polêmicos ou de lideranças polêmicas. A Igreja concluía, depois de relatar as conclusões do Concílio, a serem aceitas na fé e na obediência cristã, por todos, sempre com a seguinte expressão: “Quem não aceitar o que aqui foi decidido, considere-se excluído da Igreja ou seja excluído da Igreja”. A expressão síntese do Concílio, sempre em latim, língua oficial da Igreja ficou fixada com estas palavras “Anátema sit” (seja considerado condenado, portanto, expulso da Igreja).

Ângela Rocha: E o 21º Concílio, denominado Concilio Vaticano II (porque aconteceu o primeiro em 1870), que também foi dentro da cidade do Vaticano, foi convocado por causa de algum erro, alguma heresia, algum problema especial a ser condenado?

Irmão Nery: O 21º. Concílio Ecumênico Vaticano II, foi anunciado em 25 de janeiro de 1959, pelo Papa João XXIII (que antes se chamava Cardeal Ângelo Roncalli), eleito Papa em 28 de outubro de 1958, sucedendo ao Papa Pio XII. O motivo era, na expressão italiana usada pelo próprio Papa “aggiornare la Chiesa”, isto é, trazer a Igreja para o mundo de hoje, adaptá-la, inseri-la na atualidade. Não se tratava de condenar erro algum, se bem que algumas lideranças queriam um “anátema sit” para o comunismo e os comunistas. Mas o Papa, apelidado de Papa da Bondade, não queria condenação alguma, mas uma Igreja mais fiel a Jesus e ao mundo de hoje.
Depois de enfrentar sérias resistências, João XXIII, enfim, anunciou o Concílio no dia de Pentecostes (17 de maio de 1959), organizou grupos de trabalho e abriu o Concílio Vaticano II, na Basílica de São Pedro, no dia 11 de outubro de 1962, com mais de 2000 participantes, eleitos nos diversos países (entre bispos, biblistas, historiadores e teólogos). Eu tive a graça especial de estar lá na Praça de São Pedro, vendo aquela imensa multidão de “padres e peritos conciliares” em procissão, passando pelo meio do povo. Depois lá da janela dos aposentos do Papa, aconteceu uma memorável saudação do Papa a todo o mundo, para sintonizar a todos com aquele grande evento.
 No final da primeira sessão foi preciso tomar a decisão de mais sessões, de modo que o Concílio durou até 1964 (o encerramento aconteceu no dia 8 de dezembro de 1965). Os participantes levaram muito trabalho para casa e compareciam a Roma, para longas sessões de trabalho e busca de consenso.
João XXIII faleceu pouco depois, mas o seu sucessor o Papa Paulo VI (Cardeal Giovanni Battista Montini), eleito em junho de 1963, deu continuidade ao Concílio e liderou sua colocação em prática depois de 1964. Foram três anos de uma enorme sacudidela na estrutura milenar e bastante fixa da Igreja. E, no fim, mesmo com muitos assuntos ainda pendentes, o saldo de tudo foi maravilhoso e apontava para grandes renovações no mundo católico, plasmadas em seus documentos, mas, sobretudo, no espírito de “aggiornamento” (renovação, adaptação, inculturação) da nossa Igreja, na fidelidade às suas origens - em Jesus Cristo e nos primeiros tempos do cristianismo – e ciosa em estar à altura dos tempos contemporâneos. 

Ângela Rocha: Muito obrigado, Ir. Nery, por esta maravilhosa explanação sobre o assunto. Tenho certeza que será extremamente proveitoso aos catequistas do curso.


Ir. Nery: O prazer é meu em colaborar com essa iniciativa. Um imenso abraço a todos.


* Irmão Israel José Nery fsc, de Machado, MG, formado em Filosofia e Teologia, com concentração em Catequética e Vida Consagrada, é membro do Instituto dos Irmãos de La Salle, escritor com 58 livros publicados, conferencista, membro do GRECAT/CNBB e de SCALA (Sociedade de Catequetas Latino-americanos). 

domingo, 2 de outubro de 2011

LUGARES...

A imagem de fundo deste blog é uma foto que tirei no final do ano passado na cidade portuária de Antonina, no Paraná. Antonina é uma cidade histórica linda, Igrejas lindas, vários casarões antigos e ruas estreitas calçadas com pedras do tempo do império.

E esta foto eu tirei no pequeno cais no centro da cidade que tem também um espaço para os turistas conhecerem a história da cidade.

FIQUEM DE OLHO!

Tenho recebido inúmeros pedidos de informação sobre COMO SE INSCREVER NA FORMAÇÃO DE CATEQUISTAS VIA WEB.

Pois é, gente... Acabaram-se as inscrições!  Mas como elas são por módulo,  EM NOVEMBRO iniciamos  outros dois módulos, aí vocês se inscrevem.  Mas olha lá!

Vamos divulgar aqui, no blog Catequese na Net e no Blog Catequese e Bíblia.