quarta-feira, 8 de julho de 2015

SABER OUVIR...


Thomas Edison, o inventor da lâmpada, perdeu boa parte de sua capacidade auditiva quando tinha doze anos de idade. Só podia ouvir os ruídos e gritos mais fortes. Isso, no entanto, não o incomodava. Certa vez, indagado a respeito da sua deficiência, respondeu com serenidade: "não ouço um passarinho desde meus doze nos, mas em vez disso constituir uma desvantagem, minha surdez talvez tenha sido benéfica para mim. Ela encaminhou-me muito cedo à leitura e, além disso, pude sempre concentrar-me com rapidez, já que me encontrava naturalmente desligado de conversações inúteis." 

A singela observação guarda grande ensinamento. A maior parte de nós tem plena capacidade auditiva, mas isso não significa necessariamente que tenhamos o dom de saber ouvir. Embora a audição seja uma dádiva maravilhosa, não há como negar que poucos, poucos de nós, dominamos a arte de ouvir.

Ainda não conseguimos ouvir os queixumes dos outros sem que atravessemos um comentário a respeito da nossa própria desdita. Deixamos assim de escutar as histórias dos outros, para narrar a nossa própria, como se apenas esta fosse digna de ser registrada e conhecida.

Ainda não conseguimos ouvir as críticas que nos fazem. Em poucos instantes já estamos irritados e ofendidos, mais preocupados em nos defender ou até em agredir verbalmente o outro. Ouvir com serenidade tudo o que nos querem falar, por ora, parece ser superior às nossas forças. Ainda não conseguimos ouvir conselhos e orientações que sejam dirigidas à nossa melhoria íntima. Esse tipo de conversa sempre nos parece aborrecida e sem sentido, afinal, muitas dessas palavras sábias representariam mudança de conduta e o abandono de muitos vícios. Não estamos dispostos a isso.

Mas se a conversa gira em torno de maledicências, aí então, os ouvidos parecem ficar mais capazes de registrar sons e nosso interesse fica aguçado. O sono passa e sempre há tempo para querer saber algum detalhe a mais a respeito do assunto. Muita conversa inútil preenche nossas horas e consome nosso tempo. Muitos exemplos infelizes são tomados como modelos de atitude, por equívoco daqueles que os ouvem. Inúmeras dificuldades são criadas em nossa intimidade pelo desequilíbrio gerado pela maledicência. Por outro lado, muitos amigos precisam de nós para um diálogo saudável e nós não temos sensibilidade suficiente para deixá-los falar.

Muitas palavras acertadas que nos auxiliariam a não incidir mais uma vez no mesmo erro, deixam de ser escutadas por desatenção. A capacidade de ouvir não se limita exclusivamente à possibilidade de captar sons. Temos sido surdos em um mundo repleto de sons e de melodias que poderiam transformar nossas vidas em sinfonias de amor e de realização.

Temos sido criaturas incapazes de perceber palavras e histórias maravilhosas que ilustram a existência dos seres que nos cercam e que muito poderiam nos ensinar. Temos sido deficientes auditivos quando se trata de escutar verdadeiramente aquilo que precisamos ouvir. É necessário e urgente que desenvolvamos a real capacidade de ouvir.
 

Retirado do livro: Grandes Vidas Grandes Obras.

terça-feira, 7 de julho de 2015

FAZER O QUE SE GOSTA...


Fazer o que se gosta. Simplesmente. Fazer pelo prazer genuíno da coisa. Com aquela sensação interna de quem sabe que aquilo te faz um bem enorme e ponto. 

Eu gostaria de ser sempre assim. De fazer sempre assim...

Fazer o que se gosta, o que se tem pra fazer de verdade. Fazer o que não me perturba, não me adoece, o que antes não me faz pensar no outro, só no outro... Ou no dia de amanhã, ou no futuro próximo ou longínquo.

Apenas a entrega tranquila  de quem vive o que tem pra viver e faz o melhor possível. Dando valor ao que penso, a vontade extremada de dar um abraço e apenas aconchegar o coração ao peito de alguém.

Você já sentiu isso? Tenho sentindo isso todos os dias...

E tem aquele segundo, aquele momento que você olha e está tudo lá, tudo como tem que estar, mesmo que não seja exatamente no “lugar”.

Fazer simplesmente o que se gosta e se tem vontade. Aquilo que só você tem certeza, lá no fundo do coração, uma certeza que só você ouve, só você sabe, não precisa justificar, não precisa adiar, não tem atalhos no caminho...

Ah, é tão bom, tão bom...

Obviamente, quando você começar a desviar-se do que normalmente faz, muitos chegarão dizendo que você é um bobo, que agir com alma e com coração muitas vezes dá em nada, não funciona!

E é nessa hora que eu me agarro a tudo que sou e apenas penso no meu momento presente, naquilo que me faz plena, e sigo em frente sem me importar com o que os outros dizem sobre a minha vida, que parece tão certa e no caminho... Mas que não passa de um emaranhado confuso de incertezas... 

Sempre pensei - que não é a quantidade de dinheiro que faço na vida, quanto de amigos tenho, se sofro ou não sofro, se não conquisto, ou não sou conquistada – que nada disso fará a diferença quando eu não estiver mais por aqui. Boto fé que o que fará a diferença será a maneira como eu "experienciei" a vida, o quanto TENTEI, o quanto ERREI e o quanto eu VIVI apaixonadamente por tudo que está ao meu redor, ao meu alcance. Pelas pessoas que amo e me são importantes. Por tudo que disse e fiz: POR AMOR!

Fazer o que está no código de conduta humana, aquilo que é politicamente correto, não dizer o que penso e não extrapolar um pouco desses sentimentos que me rasgam o peito... Me faz perder um tempo raro, me deixa triste e me faz sentir meio amarrada e fora do lugar... E meu lugar, fazendo o que gosto e preciso, é, ou não é... Sei lá... Junto daqueles que amo?

E como dizem os nerds: “Keep calm...” não me xingue e só me ame como eu sou.


Angela...