sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

No ano passado...


No ano passado...

Já repararam como é bom dizer "o ano passado"?
É como quem já tivesse atravessado um rio, deixando tudo na outra margem...
Tudo sim, tudo mesmo! Porque, embora nesse "tudo" se incluam algumas ilusões, a alma está leve, livre, numa extraordinária sensação de alívio, como só se poderiam sentir as almas desencarnadas.

Mas, no ano passado, como eu ia dizendo, ou mais precisamente, no último dia do ano passado deparei com um despacho da Associeted Press em que, depois de anunciado como se comemoraria nos diversos países da Europa a chegada do Ano Novo, informava-se o seguinte, que bem merece um parágrafo à parte:

"Na Itália, quando soarem os sinos à meia-noite, todo mundo atirará pelas janelas as panelas velhas e os vasos rachados".

Ótimo! O meu ímpeto, modesto, mas, sincero, foi atirar-me eu próprio pela janela, tendo apenas no bolso, à guisa de explicação para as autoridades, um recorte do referido despacho. Mas seria levar muito longe uma simples metáfora, aliás, praticamente irrealizável, porque resido num andar térreo. E, por outro lado, metáforas a gente não faz para a Polícia, que só quer saber de coisas concretas. Metáforas são para aproveitar em versos...

Atirei-me, pois, metaforicamente, pela janela do tricentésimo-sexagésimo-quinto andar do ano passado. Morri? Não. Ressuscitei. Que isto da passagem de um ano para outro é um corriqueiro fenômeno de morte e ressurreição - morte do ano velho e sua ressurreição como ano novo, morte da nossa vida velha para uma vida nova.

(Mário Quintana)

... algumas coisas, só os poetas sabem dizer.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Boletim Formativo - Edição especial dezembro - CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO

EXTRA! EXTRA!

Saiu o BOLETIM FORMATIVO, edição especial de dezembro, dos CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO!

Aproveitem, leiam e, se possível, divulguem em suas paróquias.
Em Janeiro voltamos com ele já pensando no planejamento 2014. 
Enquanto vocês aguardam, abram com carinho, desamarrem os laços de fita e curtam...
Pois este é o PRESENTE de Natal dos administradores do grupo para vocês!




Arquivo em PDF para imprimir e distribuir: AQUI.

Angela Rocha
Catequistas em Formação

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Esperando no portão...

Ao chegar de viagem encontrei em minha caixa postal um aviso de que havia uma encomenda no correio me esperando. E lá fui eu curiosa para saber o que havia para mim. Tinha uma relativa certeza de que poderia ser meu presente de “amigo secreto”. Sim, também se faz amigo secreto pela internet! (Coisas que tenho aprendido nessa maravilhosa convivência proporcionada pelo mundo virtual).

E de fato era meu presente de amigo secreto. Presente enviado pela querida Deise, lá de Santo Amaro, SP. Adorei o presente: o livro Carta entre amigos, do Pe. Fábio de Melo e do Gabriel Chalita. Apesar de ter lido trechos encontrados na internet e da minha amada amiga Dulce (te amo!), ter digitado e me enviado um capítulo inteiro apenas porque, era “a minha cara”, andava louca para tê-lo em minhas mãos, tocar as folhas com meus dedos, beber as letras impressas com os olhos e sentir o cheiro do papel. Nada substitui o prazer de ter um livro entre as mãos. Desculpem-me amigos internautas, mas um livro lido na tela do computador, jamais vai ser a mesma coisa...

Apesar de ter gostado imensamente do presente (perdoe-me amiga...), mas ele ficou em segundo plano! O que amei de paixão foi a CARTA. Sim, a carta. Aquelas três folhas frente e verso, manuscritas em folhas de caderno (que você deve ter surrupiado de um de seus filhos) com esferográfica azul. Esse foi o verdadeiro e incontestável presente! Fazem mais de vinte anos que não recebo uma carta pelo correio. Tem idéia do que é isso? Vinte longos e estéreis anos sem correspondência, exceto folhetos de propaganda e faturas de cartão de crédito. Sua carta, Amiga, foi uma luz, um oásis no deserto e o renascimento de algo que eu considerava morto: o amor e a consideração por um amigo. Sim, consideração, porque sei do seu esforço em escrever sem abreviações, porque percebi nos rabiscos os erros não intencionais, porque percebi em cada palavra o amor e o carinho que você tem por mim. Afinal, nos falamos todos os dias, então, porque escrever uma carta?

Sem me referir ao conteúdo da mesma (que é maravilhoso!), este gesto da Deise, fez com que eu voltasse no tempo e me lembrasse da minha primeira mudança de cidade. Eu tinha treze anos e fui para uma cidade onde não conhecia ninguém, não tinha parentes e muito menos amigos. Foi o caos. Eu era, ao contrário de hoje, de uma timidez gritante. Tinha vergonha da minha própria sombra. E era metida a poeta. E vocês sabem como poetas são solitários.

Então, a maneira que encontrei para acabar com a solidão foi a correspondência. Escrevia cartas quase semanais para amigas que havia deixado para traz. Ficava esperando no portão a passagem do carteiro. A expectativa das respostas as minhas cartas, era uma coisa indescritível. Guardo essas cartas até hoje. São de uma preciosidade inestimável. E como disse, estão pra lá de 25 anos no passado. Saudosismo? Não. Amor, puro e simples. Mesmo que tenham se perdido no tempo e na história, muitos destes amigos, ainda amo como se conversasse com eles todos os dias. São provas de um tempo, em que o relacionamento humano não era tão “instantâneo” e “volátil”.

É isso. Pode parecer uma bobagem sem tamanho, mas ainda sou do tempo em que a espera e a antecipação do conteúdo de uma carta, fazia bater forte o coração. Então, esta carta, foi eleita o “presente do ano”. Sem dúvida alguma. E o título do livro? Tudo a ver!

Angela Rocha
Correspondente Amadora


P.S. Quem quiser me escrever, fique a vontade...

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

TOQUES DE LUZ...

Porque é Natal, pensei nos “toques de luz do Senhor”...  
E as pessoas que fazem parte da minha vida são toques da luz de Deus.

E entre essas pessoas, um destaque especial aqui para este grupo... Um grupo de amigos, e pessoas especiais que dedicam suas vidas a difundir o projeto de Jesus. E que tem se mantido forte, e cada vez maior com a passagem do tempo. E nosso grupo, neste segundo natal, já tem mais números que a idade de Jesus!  Ah! Este é um “toque da luz de Deus” muito especial mesmo!

E nós devemos aproveitar, sábia e amorosamente, os toques de graça que vêm ao nosso encontro... Antecipando festas, celebrações e passagens constantes em nossa vida! Esses momentos, acompanhados de expectativa, doçura, música, felicitações, presenças, presentes e agrados são, de certa forma, toques da luz de Deus, toques de amor dos familiares e amigos que nos impulsionam a seguir em frente com mais clareza e a certeza de que fazemos parte de uma grande família.

Estes toques de graça pedem parada, reflexão, revisão, reconsideração e redirecionamento em algumas dimensões de nossa vida! E agradecimento! Por nos proporcionar um encontro diário com outras pessoas, com irmãos de caminhada, com gente que tem os mesmos projetos, as mesmas aspirações... Que faz do nosso dia, um dia melhor com um simples “Bom dia”!

São passagens de misericórdia divina, são toques de luz do Redentor. Somos melhores e somos perdoados por nossas falhas, na medida em que perdoamos o outro e os aceitamos também.

E quero que esse “toque” me mude! Quero adquirir a arte e a virtude de caminhar para a simplicidade, o desapego e o real sentido das situações que vivemos e passamos. Sejam elas boas ou não... Quero a cada dia da minha vida, aprender a ser melhor do que fui ontem. E quero sempre ter a humildade de admitir que não sei tudo, que erro, caio e me levanto, tantas vezes quanto for necessário nessa caminhada...

Um dia, sabendo que terei que deixar tudo o que recebi de presente, depois da definitiva passagem, quero que permaneça entre as pessoas que amei, a lembrança do que fui e o legado do bem que construí, resultado de minhas interações com a humanidade e o mundo. E que meus erros, por enormes que sejam, tornem-se pequenos diante do amor que dediquei a cada um. Que eu possa criar condições para que a Luz de Cristo resplandeça em mim, ilumine meus pensamentos, clareie meus caminhos e me aponte direções! Sempre!

Que as passagens de aniversário em minha vida e as tantas outras “passagens” e experiências, sejam agraciadas pela fé, aquecidas pelo amor, purificadas pela oração e fortificadas pela esperança.

Que cada passagem de Deus, que cada toque de luz possa chegar também em situações de sofrimento e dor e sejam prenúncios de uma vida nova, a cada ano que passa! E que eu possa, repartir com vocês, meus queridos amigos e amigas, todos os toques de Deus que eu receber!

Amém!

Um grande abraço a todos! Deus os abençoe sempre!

Ângela Rocha


P.S.: E obrigado a Ir. Zuleides M. de Andrade, ASCJ, pela inspiração!



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Coerência e liberdade


Sou maníaca pelo significado das palavras e quero lançar aqui uma discussão e um desafio. Discussão pelo fato de que coerência, que pode ser entendida como um sinônimo de liberdade, também que dizer harmonia, coesão, unidade entre o que se fala e faz, e, “não contradição”. O catequista coerente é aquele que tem a liberdade de julgar o que é certo e errado. E a coerência está no fato de que se pode até ser “incoerente” errando e ao mesmo tempo sendo pessoa de igreja. Confuso, né?

Mas a discussão que quero levantar é pelo fato de que somos totalmente “incoerentes” em muitas de nossas atitudes na Igreja. Nas nossas ações dentro da catequese e no próprio ensino das nossas doutrinas.

Explico. Estava conversando com uma amiga catequista e falávamos das missas da catequese. Ou melhor, da presença das crianças na missa. E nem preciso dizer que em todo lugar é fatal: As crianças e os pais não vão à missa!

Em alguns lugares, nem as catequistas vão à missa da catequese. Que dirá as crianças! Só aí reside uma das maiores incoerências da catequese. Onde está a harmonia em se pregar e não praticar o que se prega? Tenho plena consciência de que tenho liberdade para fazer o que quiser. Para julgar o certo e o errado. Mas, e quando julgo que o errado tá certo? Foi-se pras cucuias minha coerência! Perco minha liberdade de julgar.

Agora, vamos julgar a Missa do ponto de vista da Liturgia da Igreja.

O que é a Missa? É a memória da morte e ressurreição de Cristo. Não é? É a celebração da comunhão. É a Eucaristia o ponto central. Então porque a gente enche o saco das crianças para participar de um Rito que elas não podem participar? Metade da missa não é para as crianças! Não estou falando aqui das crianças da Crisma, óbvio.

Outra coisa que a gente, “catequista”, adora fazer: Explicar tudo na missa. Fazer procissão de entrada com símbolo, que se explica por si só, explicando o que significa o símbolo; fazer entrada da palavra explicando o que é a bíblia, que não precisa de explicação nenhuma; fazer ofertório de pão e vinho e junto, galheta e Sibório, quando tudo é a mesma coisa; enfim, adoramos fazer “catequese” na missa. É por isso que os liturgistas nos odeiam! Missa, teoricamente é celebração, rito... Para quem está catequizado!

Numa palestra que assisti na pós-graduação em catequética, Pe. Luiz Baronto, mestre em Liturgia, comentou conosco que, numa certa época, as crianças ficavam na missa somente até o Rito da palavra, escutavam a homilia do padre e então elas eram direcionadas para uma espécie de “escola dominical”. A catequese era feita a partir desse momento. Somente os adultos participavam do Rito Eucarístico. Isso criava no catequizando uma “expectativa” e todo um mistério em torno daquilo que é, realmente, o receber Cristo na Eucaristia.

Essa é a discussão: Como ser coerente com o que ensina a Igreja, com o que ensinamos nós. Onde está a “harmonia de idéias”?  

O desafio é esse: Como fazer a Missa da Catequese?  Como torná-la “necessária” na vida das crianças, se não é na vida dos pais?

Que desafio! Ainda mais agora com a revitalização da Iniciação à Vida Cristã e com o resgate do estilo catecumenal. Que ritos, que símbolos, o que passar para as crianças para que elas entendam a “mistagogia” do sacramento da comunhão? Fazer com que elas participem anos, sem na verdade “participar”, de algo? Ou criar todo um “mistério” em torno da comunhão? Dando a conhecer a missa de forma integral somente quando elas estiverem preparadas?

Responda quem puder... E com coerência. Sinônimo de liberdade.

Angela Rocha

Catequista de Eucaristia

Amigos virtuais...

É bem verdade que a amizade virtual substituiu muitos amigos de “contato”. Amigos que além de palavras, nos dão um ombro amigo, nos olham nos olhos e nos dão aquele abraço apertado quando a gente precisa. Eu mesma relutei muito antes de ter contatos pelo MSN, entrar no Orkut e depois no Facebook.

Mas, em matéria de comunicação, tem coisas que é muito mais fácil dizer quando se está longe, ou melhor ainda, porque se está longe.

Nossas vidas andam tão atribuladas que não temos tempo para fazer amigos. Que dirá para conservá-los! É complicado ter amigos por perto. Eles exigem atenção e resposta na hora. Não dá pra desligar um botão e ver depois o que ele te disse. Amigos virtuais podem ser “acessados” e não visitados. O acesso se dá quando a gente quer. Já, a visita do amigo, pode ser numa hora em que a gente não quer.

Fico um pouco assustada com amigos virtuais. Fico com medo de perdê-los de repente no meio desses milhões de bytes. Fico com medo de esquecer de responder alguma mensagem e perdê-los numas das muitas pastas do meu computador e nunca mais voltar a vê-los. Sei que seria como a morte de um amigo querido, que eu nem poderia prantear por não saber onde está.

Preocupo-me quando tenho muitos e-mails, quando abro e vejo que as notificações do Facebook são muitas.  Sei que a grande maioria é de mensagens, correntes, brincadeiras, divulgação de produtos, etc. Todos “deletáveis”. Mas, e se houver no meio disso, uma mensagem de um amigo querido? E se alguém na sua solidão precisa de algum conforto, de uma palavra amiga, de um incentivo? E se houver alguém assim no meio das minha duas mil quinhentas e noventa e seis mensagens? Quando vou ter tempo de ler todas para não perder ninguém?

Por outro lado, existem muitos “pseudo” amigos, aqueles que só amolam mandando correntes ou fazendo piadas imbecis sobre política. Para mim, e-mail é para mandar mensagem escrita que diga alguma coisa. Pode ser até piadinha, desde que te anime e levante teu astral. E a gente precisa escrever! Não precisam ser “preciosidades literárias”, o amigo pode só dizer pra gente como vai a vida, o que tem feito e mandar um abraço. Sinto falta disso.

Outro dia estava no bate-papo, e uma pessoa chamada “Mozinho”, pediu para falar comigo. Disse que me amava muito e que eu era linda. Mandou-me uma “carinha” com beijinho. Eu disse que queira mais e ela respondeu: “Já vou aí!”. Então, minha filha veio correndo do quarto me deu um abraço apertado e me encheu de beijos.

Queria que todos os meus amigos virtuais pudessem fazer isso!

Ângela Rocha