sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Promessas de ano novo...



Sempre que o ano chega ao fim nos prometemos mudanças. A simples passagem de um ano para o outro no calendário nos faz rever nossas atitudes e querer mudar, deixar pra trás aquelas coisas bobas que fizemos durante o ano que passou e, se possível, repetir só aquilo que se fez de bom.

O ano muda. Mas, será que nós mudamos só porque vai ser um novo ano? Será que todas as promessas que nos fazemos não são vazias ou apenas quimeras? Será que janeiro vai fazer algum efeito dentro da gente? Logo virão fevereiro, março, abril... E aí? Será que vamos mesmo mudar? Não vamos mais cometer os mesmos erros?

Tento lembrar das tantas promessas que já fiz em tantos finais de ano na minha vida... Será que cumpri alguma? Será que realmente mudei? Em algumas coisas eu sei que mudei. Mas, não porque prometi ou achei que o novo ano me traria coisas diferentes, mudei por tudo aquilo que aconteceu comigo independente da mudança do calendário.

Na verdade promessas de mudança devem ser feitas todos os dias de nossa vida, a cada momento que passamos. Então, cada dia de nossa vida seria um “ano novo”, uma vida nova, onde deixaríamos tudo aquilo que nos magoou para trás e faríamos de tudo para não magoar aqueles que passaram por nós.

Pois é... Fácil é achar que ao jogar a folhinha do calendário fora, nossa vida tomará um novo rumo. Fácil é fazer promessas que ninguém vai cobrar. A maioria delas a gente nem vai cumprir ou lembrar: Emagrecer, fazer academia, começar um novo curso, mudar o visual... Sem lembrar que todas essas coisas posso fazer a qualquer hora, em qualquer dia. Difícil é se tornar uma nova pessoa. Alguém melhor, mais justo, mais fraterno... Isso não é pra qualquer hora, a qualquer momento. É algo para a vida toda, para todos os dias, meses e anos de nossas vidas... Não só para 2013 ou qualquer outro ano.

Não esperemos então, que chegue o ano novo para mudar. Façamos mudanças a cada minuto, e que mudemos sempre para melhor. Que façamos esforço para sermos seres humanos cada vez melhores e mais próximos daquilo que Deus almejou para nós! Sem esperar o calendário mudar...

Um feliz Minuto Novo para todos!

Ângela Rocha

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Nem vou dizer que é saudade, deve ser crise da meia idade mesmo...



Tenho muita saudade do tempo em que as coisas andavam mais devagar. E não estou falando do tempo em que andávamos a pé, a cavalo ou de carroça. Falo do tempo em que as coisas não nos atropelavam a ponto de passar por cima da gente. Do tempo em que a comunicação era mais "difícil". Mas, muito mais edificante e emocionante.

Ultimamente a gente tem que estar informado de tudo, ligado em tudo e conectado em todas as redes sociais possíveis. Senão está fora do mundo!
E tenho me questionado até que ponto vale a pena estar tão ligado nisto tudo. Penso que se a gente se preocupar em atualizar todos os nossos perfis na rede, não nos sobrará tempo para mais nada nesta vida.
Até um tempo atrás quem não tinha Orkut não fazia parte da civilização moderna. Agora, o orkut “morreu” e se pode dizer isso do Facebook... Para não falar em twitter, Hi5, Badoo e tantos outros que esqueci até o nome. Isso porque nem estou considerando a proliferação de blogs e sites disso ou daquilo.
Pois é. E gastamos um tempo enorme da nossa vida escrevendo um monte de bobagem. Que de "edificante" e "emocionante" não tem nada. A não ser que você ache emocionante saber o que seu amigo está fazendo neste momento, que pode ser: fritando um ovo, tomando banho, cozinhando, comendo, c...
Cada vez mais me surpreendo com a quantidade de asneiras que leio. E me surpreendo mais ainda de ESTAR LENDO ESTAS ASNEIRAS! Ou então lendo pseudo-mensagens de “amigos” que falam da importância de ser amigo, do amor, da amizade, quando estão pouco se lixando para saber como está verdadeiramente este amigo. Mas a realidade nua e crua é que: Não dá Ibope DAR atenção! É preciso SER atenção. Aumentar o número de acessos, curtições, twuitagens, amigos...
Sabe do que tenho saudade? Do bom e velho telefone de disco.

Há quanto tempo você não telefona simplesmente para "ouvir" a voz de um amigo? Telefone é caro! Celular também é artigo de consumo, mas é usado mais para falar bobagem do que por qualquer outra coisa.
Mas ainda tem o MSN e os bate-papos do facebook. Que não serve para nada se você fica "online" simplesmente para dizer que está "conectado" e não fala com ninguém.
Onde anda aquele contato, aquela "proximidade", ao vivo e a cores? Quantas tardes a gente deixa de ir ao clube ou ao barzinho pra encontrar os amigos porque a net é mais interessante?
Bom, acho que estou sendo chata. Cada vez mais os barzinhos e clubes estão cheios de gente conversando com os outros... PELA INTERNET! Ninguém vai a bar que não tenha Wi-fi.
É que amigo bom é aquele que não te amola pedindo atenção, que você não precisa olhar nos olhos. Só se for pela câmera do PC via internet.  E ainda tem uma vantagem na net: você responde depois! Ou não responde nunca mais. Quem é que vai perceber nesse mundo entupido de mensagens eletrônicas?
Ah! Que saudade! Saudade de sentar ao lado do amado ou da amada para assistir um bom filme romântico. Fazer aquela sessãozinha de cócegas nos filhos. Sentar e perguntar: "Amor da minha vida, como foi seu dia?"... Ou então parar na cerca do vizinho e jogar conversa fora. Ah... Esqueci! Quem mora em apartamento não tem cerca e muito menos tem “vizinho", só gente que, de vez em quando, a gente esbarra no elevador.

Ah e os e-mails? Esses só enchem o saco da gente. Porque demandam atenção focada em alguma coisa. Ninguém manda e-mail para dizer que está lavando o cabelo, coisa tão interessante e edificante para se saber. E também nunca ninguém manda nada que seja de sua própria autoria. Mas se sente na obrigação de repassar tudo que recebe! Sem censura ou crivo do bom senso.

Bom, dizem que quem vive de saudade já morreu. Então é isso. Antes que digam que já morri, vamos esquecer a saudade. Porque está na hora de ver se tem novidades no Facebook ou no twitter, no e-mail, no orkut... Não, esse não, já saiu de moda.

Ângela Rocha
"Comunicar-se com os outros é dizer as palavras que o amor escolhe."


Essa eu não resisti... Ou vá me dizer que nunca leu gibi do TEX?

domingo, 16 de dezembro de 2012



Quisera, Senhor, neste Natal,
armar uma árvore dentro de meu coração e nela pendurar,
em vez de presentes, os nomes de todos os meus amigos:

Os amigos de longe e de perto;
os antigos e os mais recentes;
os que vejo a cada dia e os que raramente encontro;
os das horas difíceis e os das horas alegres;
os que, sem querer, eu magoei, ou, sem querer, me magoaram;
os que me devem e aqueles a quem muito devo;
meus amigos humildes e meus amigos importantes.

Uma árvore de raízes muito profundas para que seus nomes nunca sejam arrancados do meu coração;
de ramos muito extensos para que novos nomes, vindos de todas as partes, venham juntar-se aos existentes;
uma árvore de sombra muito agradável para que nossa amizade seja um momento de repouso nas lutas da vida.

Que o Natal esteja vivo em cada dia do ano que se inicia para que possamos juntos viver o amor!


Recados
Recados

 



quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Sabe o espírito da coisa?



Pois é...
Quantos dias faltam?
Será que faço peru ou pernil? Talvez os dois, mas vai sobrar, este ano acho que não vem ninguém...
amigo secreto? Presente ou chocolate? (benza Deus! açúcar!)
presente pro pessoal do trabalho
pra turma da fisioterapia
presente pra turma escola
das escolas... tem da filha também
presentes pros filhos, pra namorada do filho
e para o amor da minha vida?
e dá-lhe grana...
e shopping lotado e estacionamento lotado
e atendimento ruim, trânsito confuso
comprar, comprar, comprar
e gente com pressa... pressa pra que? nada vai sair do lugar.
este é o espírito da coisa!

Ah! e quando a gente era criança... era tão bom! uma magia só...!
fim de ano, despedida das aulas, os parentes chegando, tem o início de férias e a chance de ir pra casa de alguma tia...
e Papai Noel? Que a gente nem acredita mais, mas espera com tanta ansiedade... e aquele barulhinho bom de presente sendo desembrulhado, e aquele cheiro gostoso de tanta comida boa, toma café da manhã pensando no almoço, e aquela mesa farta o dia inteiro e gente que chega se abraça, ri, chora e come.
este é o espírito da coisa!

tem gente que programa a festa no quintal na varanda, e fica rezando três dias antes pra não chover... tem gente que se aperta na sala, porque com São Pedro nunca se sabe!
tem roupa e unha e cabelo marcado e fofoca e confusão
e o ceia na casa da família dela, o almoço na casa da família dele...
onde vai ser o natal? onde vai ser o ano novo?
e a gente ali no meio embrulhando presente de última hora, tomando as decisões mais sérias: tempera com vinho branco ou tinto? e tem aquele que amou, amou, amou o presente, e era tudo o que eu precisava, juro!
e aquele que desconfiou do pacote, do presente e da pessoa que deu
este é o espírito da coisa!

será que está naquele momento... naquele tranquilo momento em que você tempera a salada ao lado da irmã que você não encontra há meses, e constata feliz que vocês são as mesmas meninas de sempre, cheias de sonhos e bem humoradas?

não, tão simples assim? será que o espírito da coisa esta naquele vizinho que inesperadamente bate na tua porta e  te presenteia com uma torta linda, receita tradicional da familia...
será que está na voz embargada lembrando da mãe que não está mais com a gente?
ou será que está naquela passada rápida que você faz ao correio pra colocar a última encomenda, e antes de sair o moço do correio, pergunta:
- você não quer adotar uma carta?
- Heim?
- É, uma cartinha endereçada ao Papai Noel, você pode ser o Papai Noel de alguém, comprar o presente pedido pela criança.
- hããããã ,ok, vou escolher uma.
este é espírito da coisa!
estará ai? será isso? este frenesi que a gente sente e quase toca... esse tumulto, essa vontade, essa preguiça, essa graça... esse ou aquele papel de presente?
Ou simplesmente ler um texto que dá uma vontade imensa na gente de fazer um igual?... 

qual é o espírito da coisa?

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Vai menina...




Vai menina, fecha os olhos. Solta os cabelos.
Joga a vida. Como quem não tem o que perder.
Como quem não aposta. Como quem brinca somente.
Vai, esquece do mundo. Molha os pés na poça.
Mergulha no que te dá vontade. Que a vida não espera por ti.
Abraça o que te faz sorrir. Sonha que é de graça.
Não esperes. Promessas, vão e vem. Planos, desfazem-se.
Regras, tu as ditas. Palavras, o vento leva.
Distância, só existe para quem quer.
Sonhos, realizam-se, ou não.
Os olhos fecham-se um dia, para sempre.
Mas o amor... Ah o amor é eterno.
E o que importa tu sabes, menina.
E o quão isso te faz sorrir. E só.

(Rita Ramalho)

Enfeite a árvore da sua vida...




Enfeite a árvore da sua vida

Enfeite a árvore da sua vida
com grinaldas de gratidão!
Coloque no coração laços de cetim
rosa, amarelo, azul, carmim,
Decore o seu olhar com luzes brilhantes
estendendo as cores em seu semblante
Essa é a sua roupa para o Natal!

Na sua lista de presentes, em cada caixinha,
embrulhe um pedacinho de amor,
carinho, ternura, reconciliação, perdão!
Tem presente de montão no estoque do nosso coração
e não custa um tostão! 
A hora é agora! Enfeite o seu interior! ´

Seja diferente!
Seja reluzente!
Feliz Renascimento

Cora Coralina

Abrindo minha novena de Natal, trago aqui, Cora Coralina, porque é na simplicidade das palavras que encontramos as melhores definições para o cotidiano.

Que cada um possa escolher a sua cor para este Natal e reluzir o melhor de si para o mundo!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Gingerbread: Biscoito de Gengibre



Vocês lembram que no filme Shrek tem um biscoito em forma de homenzinho que fala sem parar? Pois é, aquele biscoito é um Gingerbread, ou seja, um biscoito de gengibre, muito tradicional no natal americano. Além de ter formatos interessantes: homenzinho, sino, bota, estrela, anjo... Ele também é uma delícia!
E este ano resolvi presentear os amigos com biscoitos. Ontem comecei minhas primeiras fornadas. Minha primeira receita testada e aprovada:

 
GINGERBREAD

100 gramas de margarina
100 gramas de açúcar
125 ml de melado (pode ser Karo)
1 gema de ovo
1/2 colher de chá de sal
1/2 colher de bicarbonato de sódio
1/2 colher de canela em pó
1 colher de cravo em pó
1 colher de gengibre ralado
1/2 colher de noz moscada
Trigo até dar ponto na massa (+ou- 1/2 quilo)

Cobertura: misture açúcar de confeiteiro com um pouco de água e suco de limão, coloque anilina ou corante se quiser colorir.

Misturar todos os ingredientes até deixar a massa sem grudar na tigela em ponto que dê para esticar com o rolo. Deixar por uns 30 minutos na geladeira. Em seguida esticar a massa deixando com uns 5 cm e modelar os biscoitos. Pode ser em formato de homenzinho, estrela, sino, bota. Colocar em forma untada ou forrada com papel manteiga. Aquecer o forno a 300º e assar por 10 a 15 minutos. Desenformar depois de frio. Decorar com confetinhos e glacê.


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Receita da felicidade... Parte III



Pais, pais, sempre os pais...

“Em nossa última reunião para avaliação da catequese e propostas para 2013, observei que a reclamação foi geral sobre a falta de participação dos pais e interação com o projeto catequético. E as propostas para o ano vindouro é justamente procurar formas de tornar essa catequese mais atraente também para os pais. Muito do que se propõe, já efetuamos aqui. Mas tudo no papel é muito bonito e realizável. A prática nos mostra o contrário. Como você disse, descreve-se o que será trabalhado "efetivamente" e como atingir os objetivos, mas o resultado é apenas parcial. Por quê? São tantas as barreiras a vencer...”.

Antes de comentar o depoimento acima, gostaria de relacionar o que é na verdade o “Muito do que se propõe...”:

- Planejamento de temas para encontro de pais;
- Nas celebrações, levar os catequizandos a participar dos momentos da missa: entrada da bíblia, ofertório, acolhida, coral, evangelho encenado. (Se as crianças participam da missa, os pais as acompanharão);
- Levar a catequese mais próxima da sociedade. Como por exemplo, ajudar instituições de caridade, rezar na casa de pessoas enfermas, etc.
- Rezar e lutar para que nasça de fato o compromisso no coração das pessoas que estiverem a nossa volta.

É interessante pensar nesse “problema” da falta de presença dos pais na catequese. Outro dia até, li uma reflexão de uma catequista dizendo que existem pais conscientes sim, que eles estão na catequese! E que há soluções para melhorar a participação deles...

O que acontece, porém, é que a grande maioria de “ausentes”, suplanta os “presentes”... E a gente até esquece de dar valor a esses pais. Tanto é que acabamos lamentando por aqueles que não estão ali e esquecendo de felicitar os que estão. E na presença destes, o que é pior!

Eu diria que, no atual estado das coisas, trazer os pais para a catequese é um trabalho que, ouso dizer, não se faz muito em “equipe”. O catequista da turma precisa ter consciência que cabe a ele “virar o jogo”. E a coisa deveria ser mais ou menos como uma “campanha eleitoral”, e daquelas que se faz no corpo-a-corpo. Precisamos ganhar a confiança dos pais, eles precisam acreditar no nosso trabalho, que vamos fazer “alguma coisa”... E só assim, ganharemos o seu “voto”... (de confiança, no caso). Alguém aqui, já se propôs a procurar seu “eleitor” e perguntar o que ele precisa elencando suas propostas? Lembre que não se faz “proposta” alguma sem conhecer as reais necessidades do eleitorado.

Usei aqui de uma analogia, mas, o nome bonito disso é “Missionariedade”. Nós não saímos em missão. Somos discípulos sem ser missionários. A gente não vai atrás da ovelha perdida. Chama ela para uma “reunião”...

Mas onde fica a comunidade paroquial e a equipe de catequese nisso tudo? E se eu trouxer pais pra escutar balelas em reuniões e encontrar uma comunidade que não é acolhedora? Problema, problema...

Aha! Aí vêm nossas conversas anteriores sobre “trabalhar em comunidade” e “diálogo”. Diálogo entre a equipe de catequistas,  entre coordenação e catequistas, entre padre, coordenação e  catequistas. Planejamento, mudança de mentalidade, interesse, etc. e tal...

A grande verdade é que as experiências passadas depõem contra nós. Ao longo dos últimos quinze anos, sempre tive um dos meus filhos na catequese. E posso dizer que, a maioria das reuniões a que fui, foram uma chatice sem tamanho. E neste último ano a única reunião (é reunião mesmo, não encontro) a que fui, não foi diferente. Foi de um aborrecimento quase mortal para mim. Isso porque eu, como catequista, vou lá de espírito aberto, disposta a entender e colaborar. Imaginem se eu fosse dessas mães que aparecem lá uma vez por ano...

Aí é que está! Os pais tem em suas cabeças que nossos “encontros” ou “reuniões”, tem dois motivos normais e comuns;  e um outro, tremendamente equivocado. Os dois primeiros são: dar recados que podem ser dados em um bilhete e, falar um monte de assunto que não tem nada a ver com a vida deles. E o equivocado e “grave” (que rezo para que não aconteça nunca): tentar ensiná-los a criar os filhos e dizer-lhes como se comportar. Nem a pedagoga da escola de nossos filhos consegue ser tão intrometida e chata. Fato é que, ninguém gosta que alguém de fora se meta na maneira como você cria seus filhos. Nem reclame que seus filhos não vão à missa, que não se comportam, etc., etc... Isso eles sabem. Os filhos não vão á missa porque os pais não vão à missa. E quando os pais vão, eles reclamam que os filhos não querem ir... Os filhos não querem ir porque não entendem a missa, a missa é chata... Na verdade é “madura” demais para eles.

E podemos continuar nessa conversa indefinidamente... Tanto é que já estou no fim da segunda página e ainda não consegui achar uma “receita de felicidade” pra esse caso.

Isso porque o problema do “afastamento” dos pais é muito maior que a catequese paroquial. Nossos pais, assim como grande parte dos batizados, comungados e crismados de hoje em dia não foram, de fato, evangelizados. E posso dizer que a maioria dos nossos catequizandos vai pelo mesmo caminho. A fé cristã até pode fazer parte da vida deles. É aquela tal “sementinha” que alguém jogou nas pedras e que de alguma forma brotou. Mas a “religião”, a vivência comunitária e eclesial, é outra conversa.

“A Igreja é a comunidade dos pecadores que crêem no amor de Deus e se deixam transformar por Ele, e assim se tornam santos e santificam o mundo”.

Esta frase é do Papa Bento XVI e foi proferida numa homilia que falava de Santidade e Missionariedade. E a santidade passa pelo estilo de vida que Jesus nos pediu: a compaixão. O viver e dar a vida pelo projeto do amor. Quem hoje se preocupa em viver numa comunidade que se preocupa com o outro? Quem hoje entende o sentido de solidariedade e partilha? Quem quer ser santo? O mundo está preocupado demais com coisas materiais e terrenas. As pessoas de modo geral querem o “ter” para depois pensar no “ser”. Isso quando o ser não acaba em “ser maior que o outro”. Ninguém quer ser santo, quer mais é ser “rei”. E de preferência sem nenhuma das responsabilidades que um reinado acarreta. E quem quer sair em missão? Quem quer buscar as ovelhas desgarradas do rebanho?

Sejamos francos. Poucas famílias levam seus filhos à catequese pensando numa vivência de “Igreja”. A coisa remete mais à culpa e ao medo do inferno, processos arraigados muito mais na cultura do que no aspecto religioso, do que exatamente num interesse cristão.

É, a solução volta a ser: CATEQUESE DE ADULTOS. Mudança de paradigmas e mentalidades. Processo que deve ser profundamente estudado e assumido pela Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Enquanto fizermos coisas bonitas só no papel, planejamentos que não mudem as estruturas da nossa Igreja, os resultados serão sempre “parciais”. É fato.

E essa receita não ficou boa!

Só coloquei essa imagem aqui porque estou numa dieta ferrenha! Ó sacrifício!

 Ângela Rocha

Hallelujah...

♫ Por que a norma será o amor
E não governe a corrupção
Senão o bom e o melhor da alma pura
Que Deus nos proteja de um triste fim
E que um dia possamos nos compreender
E que acabem com tanto ódio...
 Linda essa versão do Hallellujah!
E lindas as vozes do Il Divo...  
O Il Divo é um quarteto de pop-ópera, que se formou em 2004. É formado por um barítono espanhol: Carlos Marin; dois tenores de formação clássica: o suíço Urs Bühler e o norte-americanoDavid Miller; e um cantor pop francês, Sebástien Izambard. O Il Divo canta em inglês, italiano, espanhol, francês e latim. Possuidores de uma qualidade vocal impressionante, entrosamento e emoção, o quarteto conquistou multidões de fãs por onde passaram e atualmente consolida-se como um grande sucesso da música internacional.
 

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Missa com Crianças: Eis a questão!

Falando sobre Missa com Crianças...

Alguns links bem legais pra você:

https://www.facebook.com/groups/catequistasanjosdobrasil/534065726623186/

https://www.facebook.com/groups/catequistasanjosdobrasil/534079723288453/


A receita da felicidade... Parte II



Senta aí que vou te dar mais uma receita:

 
 “O que mais se comentou foi a falta de espaço para que as crianças participem na Liturgia, elas não podem fazer nada, não podem nada. Tem Missa da “Catequese”¨, mas só de nome. É muito triste!!! O nosso Padre até libera para a leitura, mas fica exigindo perfeição, jalecos para os leitores, etc. Fico lembrando de quando morava em São Paulo e tínhamos a Missa das Crianças, com tudo voltado pra elas, e o Padre já dizia aos adultos: Esta é Missa das crianças, vou falar pra elas...”.
Eu disse, ontem na reunião, que o meu sonho ainda é trabalhar junto com a Pastoral Familiar, e termos Missa para as Crianças. Porque percebemos que a maioria não freqüenta a  Missa, nem suas famílias. Tristeza total.
Infelizmente, o que sinto, com dor no coração, é que precisamos de um Padre que valorize as crianças, que saiba “falar” com elas, que não supervalorize a aparência nas vestes, mas o conteúdo da leitura, a participação dos pequenos... Que irão crescer, e que se espera, não abandonem a Igreja. Rezar pelas vocações sacerdotais, a gente até reza. Mas, e o exemplo do Padre na acolhida para que haja futuros candidatos?”

Este é um depoimento que até, não nos causa muito espanto. Já “ouvi” inúmeros deles. Só nos causa dor e tristeza. Por percebemos que aquele que deveria ser no nosso pastor, o condutor e guardião do redil, pouca importância dá às suas ovelhinhas. O que percebemos é que existem ainda paróquias e santuários onde as celebrações e ritos são bem mais formais. Os ritos litúrgicos são encarados com seriedade tal que, é impossível admitir crianças nele. Isso porque a ludicidade é uma característica da infância. Crianças vão querer brincar e rir sempre, não importa muito onde estão. Daí a “implicância” de alguns liturgistas e padres.

Então, como vamos “ensinar” que a liturgia é parte integrante da fé? Na verdade, ensinamos PARA ela! A essência da fé cristã na Igreja  Católica é a própria Celebração Eucarística. O problema talvez seja aquele de sempre: Estamos focando crianças quando deveríamos estar com o foco nos adultos. E focamos as crianças como se elas fossem adultas...

Agora, se formos, de fato, levar “ao pé da letra” os ritos litúrgicos, a própria Missa enfim, temos que concordar que ela não é para criança! As celebrações cristãs foram pensadas para adultos. A sua estrutura, formalidade,  os seus sinais, a linguagem dos textos e todo seu desenvolvimento, não são fáceis de compreender pelas crianças (até alguns adultos tem dificuldades). E isso compromete o caráter pedagógico que é pertinente à celebração, e ela perde sua força sobre as crianças. Mas a psicologia moderna sustenta que não é a inteligência a chave primordial que te aproxima das coisas e valores. Assim como todas as experiências, a  religiosa, é marcante na infância.

Para isso é preciso buscar a “receita”. O ingrediente para que nosso bolo não saia “batumado”. Fermento! Muitos dirão. É isso mesmo, a gente precisa por fermento na massa. Por fé nos corações para que nosso bolo chamado Igreja, só venha a crescer. E se temos que começar com as crianças, comecemos!

A Liturgia PRECISA fazer parte da catequese. Ela é condição para se criar um cristão de fato! Precisamos “ensinar” Liturgia na catequese. E a gente pode encontrar muita coisa na celebração eucarística para se valorizar no processo de ensino da fé. A começar pelo saber fazer (celebrar) em comum com os outros: a saudação ao outro, a acolhida, a capacidade de escutar, a atitude de dar e receber o perdão, a atitude de expressar o agradecimento, a linguagem dos símbolos (quando bem explicados na catequese), o comer fraternalmente com os outros, a experiência da celebração festiva, etc.  (DGC - n.º 25).  Claro que a Eucaristia é mais do que isto, é a Celebração do Mistério de Cristo. Mas, a linguagem com que as crianças vão celebrar e participar plenamente estão implícitos na sua capacidade de “aprender”. Não se pode assim, ignorar os valores antropológicos, pedagógicos e litúrgicos contidos na celebração.

E é nesse contexto, que a Liturgia da Missa com Crianças, usando a Psicologia e a Pedagogia, caminha para uma celebração mais virtuosa e mistagógica. É a partir do que a Igreja reza e celebra que se conhece e se desenvolve a sua fé. Quem fala da “Eucaristia” é a própria Eucaristia. Em seu mistério ela é a fonte de sua compreensão.

Difícil entender isso, não? Mas, é o “mistério da fé”, que só será vivido plenamente na maturidade de cada um. E aqui cabe um alerta: Não é preciso inventar coisas de fora para dentro, correndo o gravíssimo perigo de fazer um “show” a cada celebração, que precisa ser sempre diferente e acaba perdendo o foco essencial, que é o rito da memória da morte e ressurreição de Cristo. E muito menos dar “aula” na missa, explicando com comentários, tudo que acontece. Se um símbolo precisa ser explicado, então ele não “simboliza” nada!

Há algum tempo atrás, mais especificamente em 1977, há mais de três décadas, portanto, a CNBB publicou um documento chamado Diretório Para Missa Com Grupos Populares, que tinha em seu anexo o DIRETÓRIO PARA MISSA COM CRIANÇAS, aprovado pela Sagrada Congregação para o Culto Divino em 01 de novembro de 1973.

Vou falar um pouco dele num texto a parte e publicá-lo aqui nos grupos do Facebook.

Mas por enquanto, atendo-nos aqui ao nosso “problema” e a “receita” para sua cura, vamos ao que proponho.

Primeiro uma leitura bem atenta ao Diretório para Missa com Crianças. Na verdade, um estudo com o grupo de catequistas. Tem também um texto publicado na Diocese de Porto, em Portugal, que é bastante elucidativo sobre a Missa com Crianças. Estou adaptando para o nosso português “brasileiro”, para que vocês possam partilhar com seu grupo. Também será publicado nos grupos.

Depois... E olha que esse depois é muito importante! Uma proposta de Missa com Crianças deve ser levada ao pároco. Mas, uma proposta “decente”! Embasada naquilo que a Congregação para o Culto Divino permite. E que vocês verão que não é pouco.

É possível sim, tornar a missa atrativa para as crianças, sem exageros e show de palhaços. Dá trabalho? É óbvio que dá! Então, se você não quer ter trabalho, conforme-se com as coisas como elas são e veja carinhas “emburradas” todos os domingos na missa como “normal”.

E sabe de uma outra coisa? Estamos acostumados a ver os padres, mais especificamente o pároco, como o “Senhor todo poderoso”. E isso é uma coisa que eles não são. A eles cabe conduzir o povo de Deus. E isso não é tarefa fácil para um simples mortal, por maior que seja sua vocação. E por mais “intocáveis” e “inatingíveis” que eles pareçam, ás vezes, eles só precisam de colaboração. E sabe qual é o medo deles? Principalmente daqueles que se dedicam mais a Liturgia? Que a gente faça da missa uma “palhaçada”, um “show”, um “teatro” para entreter a criançada. Porque isso é feito em muito lugar que eu sei...

Então vamos lá! Vamos conversar com nossa equipe sobre a Missa da Catequese. Vamos criar uma proposta, onde se trabalhe os aspectos pedagógicos da celebração e ao mesmo tempo não se esqueça o lado mistagógico dela. Vamos levar esta proposta ao pároco. Melhor ainda se o padre puder participar dessa discussão... Levante as questões da falta de interesse dos catequizandos e de suas famílias. Crie alternativas de espaço e horário... Mas dê preferência à missa junto da comunidade paroquial. É melhor para o padre e para a comunidade.

Mas lembre que existem vários aspectos a se considerar na missa com crianças.

Não é porque é com criança que as leituras não precisam ser bem feitas; coloque no cotidiano da catequese o treinamento de  leitores. Existem músicas próprias para as missas com crianças; pense em um coral infantil na paróquia, alie-se ao ministério de música.  Pense em encenações do Evangelho, sem grandes “produções” e exageros; as crianças gostam desse “agito” (principalmente as menores). Pense numa acolhida feita pelas crianças, com cartõezinhos confeccionados por elas mesmas. Use as crianças para fazer o ofertório, a entrada da Bíblia, as preces dos fiéis. Mas sempre com critérios, com ensaios, com preparação. Nada de “oba-oba”  e  “o Espírito Santo guiará”. Seriedade na coisa! Garanto que o padre vai gostar da idéia.

E uma coisa delicada. Pode ser que o nosso padre não tenha “jeito” para falar com as crianças. Acontece. O Diretório de Missa com Crianças permite que leigos bem preparados façam monições e a homilia, e que se use recursos de mídia também para a compreensão das leituras. Use desse critério, mas sugira de “mansinho”, sutilmente...

Novamente a receita é: CONVERSA! Precisamos de diálogo na nossa Igreja. A catequese nunca vai caminhar sozinha, alheia às outras pastorais, sem apoio do pároco e demais padres.

Ah, vocês não tem esse “poder”? Mulheres e homens de pouca fé! Vocês, como mais ninguém na nossa Igreja, exercem o mandato profético instituído pelo nosso batismo. Façam jus a ele!

Ângela Rocha

sábado, 17 de novembro de 2012

A receita da felicidade... na catequese!


"E agora, onde coloquei a receita?"
Se é que isso é possível...

Mas vamos lá, vamos ser otimistas e acreditar que ela existe e está logo ali. 

Não gosto de dar "receita"... mas depois de um "papo" que rendeu mais de 78 comentários no Facebook, é preciso dizer alguma coisa. Aliás, fui "intimada" a dizer.

Enfim, como mudar a nossa catequese? Como "animar" nossas crianças? Como fazê-los gostar da catequese e da nossa religião? Como fazer os pais participarem? Como fazer da catequese prioridade para os párocos e demais lideranças?

Bom, se vocês pensam que conseguimos responder essas perguntas nos nossos 78 comentários, tirem o cavalinho da chuva! rsrsrrs...

Sem contar que ainda surgiram outros "entraves" que encontramos todos os dias na nossa missão: falta de espaço físico, descaso de funcionários da paróquia, falta de vontade dos próprios catequistas, empurra-empurra de responsabilidades, fofocas, o "nem aí" dos padres, a catequese ser "só mais uma pastoral", enfim... Coisinhas que poderiam ser evitadas, pra começar, só com boa vontade.

Mas nós chegamos a uma conclusão básica:

NÃO SE FAZ CATEQUESE COM CRIANÇAS SEM FAZER, TAMBÉM, COM ADULTOS.

E quem são estes adultos? A família das crianças? Não teria mais “adulto” nessa história? E como fazer catequese com a família? Inventar encontros de pais em que quase ninguém comparece? Inútil e frustrante. 

E olha que esse "povo adulto" pode ser até nossos próprios colegas catequistas...

Colocar a tal "Catequese familiar" como prioridade. Bingo! Achamos o primeiro ingrediente necessário...

Mas só se isso for REALMENTE levado a sério pela comunidade eclesial, senão não passará de mais uma "atividadezinha", inventada por catequistas que acham que ninguém tem o que fazer e amam ler documentos... Precisa-se envolver TODA a Igreja nisso.

Para reforçar, coloco aqui uma coisa que diz o DNC (é, sou "daqueles"! Que não tem o que fazer e amam ler documentos, rsrrsrs...):

"A Igreja transmite a fé que ela mesma vive e o catequista é um porta-voz da comunidade e não de uma doutrina pessoal." (DNC 39).

Por aí se vê que não se faz nada SOZINHO! E que a Igreja não é “sua”, nem é “você”.  Ainda mais se você é um simples catequista "ninguém" e o povo da coordenação também "dorme no ponto". Mas se você é da coordenação: tem o PODER! Ou deveria ter...

Os coordenadores da catequese fazem parte do Conselho Pastoral e tem voz lá. Podem levar às demais lideranças os anseios, necessidades, aspirações, dificuldades, choradeiras, etc. e tal... Podem acreditar que se vocês contarem das experiências que estamos vivendo, eles nunca mais serão os mesmos! Terão pesadelos por semanas...

Ah! E tem mais: "o catequista é um autêntico profeta, pois pronuncia a Palavra de Deus, na força do Espírito Santo.", isso ainda no 39. E no 41: "a catequese educa para a vida de comunidade, celebra o compromisso com Jesus”.

Então? Por que ter medo? Vamos botar a boca no trombone. Profeta que se preza "profetiza"! Não tem barriga de baleia que esconda a gente. E muito menos vamos esperar crescer um pé de mamona em cima da gente...

Tarefas da catequese: EDUCAÇÃO, INICIAÇÃO E INSTRUÇÃO. 

E vocês acham que isso é só pra criançada? Não, é pros adultos também. E deve começar na marmanjada que está na paróquia, que participa das outras pastorais, trabalha na paróquia, inclusive aquele que "reza" a missa... E que acham "lindo" o dia da Primeira Comunhão na comunidade, sem saber o quanto de sangue, suor e lágrimas você derramou pra isso...

Eu penso que nada, nada mesmo, faremos sem que um verdadeiro “CONSELHO” se faça na paróquia, levantando todas as dificuldades pelas quais a catequese e com isso, a própria paróquia, passa. E disso depende o futuro da nossa Igreja e, mais grave ainda, da nossa FÉ na Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. O tesouro da fé precisa ser recebido, vivido e crescido no coração de cada catequizando para que a Igreja cresça. E isso quem diz é o DNC também...

Finalizo aqui o primeiro capítulo do "livro" que as meninas me convocaram a escrever sobre nossas discussões.

Não basta que só "eu" sinta que temos problemas e que não estamos indo a lugar algum.

Primeiro passo de mudança: Convoque a equipe de catequese da paróquia. Sente, avalie, exponha os “podres”, “lave a roupa suja”, só não bata em ninguém... Coloque no papel os problemas que a catequese está vivendo. Mas, PELAMORDEDEUS! Pelo amor que você tem à catequese: não engavete o relatório! Não deixe isso só no “falatório”, não faça disso só mais um "blá blá blá". Leve ao pároco, insista em colocar o Conselho Pastoral a par da situação. É para isso que ele serve. Não se faz reunião de conselho só pra tomar chá e discutir onde vai o dinheiro da festa. 

Não é possível que a paróquia não tenha espaço físico para acolher as crianças! Não é possível que você não tenha acesso a uma chave de porta! Não é possível que o pároco pense que "problema da catequese" tem que ser “resolvido pela catequese"! O primeiro catequista da paróquia é ele!  E se alguém perguntar "e eu com isso?" Dê-lhe uma chulapa e pergunte: "Quer ser coordenador pra que?" Tem que agir e honrar a “camisa”!

E se você não é coordenador nem do mural de aniversários? Paciência... PACIÊNCIA NADA! Vai já conversar com o coordenador (a)! Ou vai sofrer até a aposentadoria? Que, aliás, ouvi dizer, é deprimente... lustrar sibório, lavar sanguinho, manustérgio, trocar água e vinho da galheta... Ah, isso é tarefa de ministro! Pois é, então nem isso vai ter pra fazer...

Esse é o primeiro ingrediente da receita:
TRABALHAR EM COMUNIDADE. Chamar as lideranças pra "responsa"!

VAMOS LÁ! Não perca os próximos capítulos...

Ângela Rocha
Catequista amadora

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Essa conversa está em: "O faz de conta dos sacramentos"...

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Itinerário Catequético



“A Catequese é em processo dinâmico e abrangente de educação da fé, um itinerário, e não apenas uma instrução.” (CR 282).

O que seria afinal esse “Itinerário”?

Numa definição genérica, itinerário é a descrição de um trajeto a ser percorrido. Por exemplo: uma empresa de ônibus urbanos ao definir o itinerário de determinada linha, indica todos os pontos de parada do ônibus desde o início até o fim da linha. A esta indicação dá-se o nome de itinerário. Já um itinerário de turismo é um pouco mais elaborado: é um artigo que descreve uma rota por vários destinos ou atrações, dando sugestões de onde parar, o quê ver, como preparar-se, etc. Se a gente considerar os destinos como pontos em um mapa, o itinerário descreve uma linha que conecta os pontos.

Agora vamos considerar esta palavra na CATEQUESE.

“Um Itinerário Catequético é um circulo mais ou menos prolongado de encontros que integra uma ou várias temáticas (etapas, módulos, blocos) do mistério dentro do processo. Neste itinerário se inclui os conteúdos, as celebrações litúrgicas, a catequese mistagógica, a integração entre a comunidade e o compromisso apostólico.” Eu acrescentaria aqui ainda a dimensão família.

Isso significa que um itinerário é um PLANEJAMENTO, um mapa, um guia do caminho a ser percorrido. No caso da catequese, ele prevê objetivos a serem atingidos, conteúdos que serão explanados, ações transformadoras que se pretende e as dimensões celebrativas que darão suporte à catequese mistagógica.  

Assim temos que, uma simples instrução, é chegar e expor o conteúdo, sem ligação ou compromisso com as ações transformadoras e com a dimensão litúrgica da catequese, não se envolve a comunidade ou a família. Em contraponto, o Itinerário prevê as conseqüências do que se ensina, na vida e na missão do catequizando, como isso será percebido e colocado em prática.

Falando mais na prática, um itinerário catequético PRECISA observar os seguintes pontos: primeiro observar a quem ele se destina (crianças, adolescentes, jovens, adultos, deficientes...); em seguida ver os objetivos da catequese (Sacramentos, formação cristã... ); verificar por fim, o tempo que demanda esta ação e a preparação dos “guias” (catequistas, introdutores) que irão trabalhar na condução do processo. Só aí então, construir o “roteiro/itinerário”, observando o seguinte:

- Conteúdos (temas e formação bíblica);
- Celebrações litúrgicas e mistagógicas (missas, entrega de símbolos, retiros, orações, Via sacra...);
- Vivencia comunitária (família, comunidade, festas, sociedade);
- Dimensão missionária (compromisso apostólico).

Enfim, o Iitnerário descreve o que se fará, EFETIVAMENTE, para se trabalhar o processo catequético, o "como" chegar a cada um dos objetivos (pontos), que se pretende, ou seja, o ensino da fé e a vivência cristã  eclesial.

Ângela Rocha
angprr@uol.com.br