sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Receita da felicidade... Parte III



Pais, pais, sempre os pais...

“Em nossa última reunião para avaliação da catequese e propostas para 2013, observei que a reclamação foi geral sobre a falta de participação dos pais e interação com o projeto catequético. E as propostas para o ano vindouro é justamente procurar formas de tornar essa catequese mais atraente também para os pais. Muito do que se propõe, já efetuamos aqui. Mas tudo no papel é muito bonito e realizável. A prática nos mostra o contrário. Como você disse, descreve-se o que será trabalhado "efetivamente" e como atingir os objetivos, mas o resultado é apenas parcial. Por quê? São tantas as barreiras a vencer...”.

Antes de comentar o depoimento acima, gostaria de relacionar o que é na verdade o “Muito do que se propõe...”:

- Planejamento de temas para encontro de pais;
- Nas celebrações, levar os catequizandos a participar dos momentos da missa: entrada da bíblia, ofertório, acolhida, coral, evangelho encenado. (Se as crianças participam da missa, os pais as acompanharão);
- Levar a catequese mais próxima da sociedade. Como por exemplo, ajudar instituições de caridade, rezar na casa de pessoas enfermas, etc.
- Rezar e lutar para que nasça de fato o compromisso no coração das pessoas que estiverem a nossa volta.

É interessante pensar nesse “problema” da falta de presença dos pais na catequese. Outro dia até, li uma reflexão de uma catequista dizendo que existem pais conscientes sim, que eles estão na catequese! E que há soluções para melhorar a participação deles...

O que acontece, porém, é que a grande maioria de “ausentes”, suplanta os “presentes”... E a gente até esquece de dar valor a esses pais. Tanto é que acabamos lamentando por aqueles que não estão ali e esquecendo de felicitar os que estão. E na presença destes, o que é pior!

Eu diria que, no atual estado das coisas, trazer os pais para a catequese é um trabalho que, ouso dizer, não se faz muito em “equipe”. O catequista da turma precisa ter consciência que cabe a ele “virar o jogo”. E a coisa deveria ser mais ou menos como uma “campanha eleitoral”, e daquelas que se faz no corpo-a-corpo. Precisamos ganhar a confiança dos pais, eles precisam acreditar no nosso trabalho, que vamos fazer “alguma coisa”... E só assim, ganharemos o seu “voto”... (de confiança, no caso). Alguém aqui, já se propôs a procurar seu “eleitor” e perguntar o que ele precisa elencando suas propostas? Lembre que não se faz “proposta” alguma sem conhecer as reais necessidades do eleitorado.

Usei aqui de uma analogia, mas, o nome bonito disso é “Missionariedade”. Nós não saímos em missão. Somos discípulos sem ser missionários. A gente não vai atrás da ovelha perdida. Chama ela para uma “reunião”...

Mas onde fica a comunidade paroquial e a equipe de catequese nisso tudo? E se eu trouxer pais pra escutar balelas em reuniões e encontrar uma comunidade que não é acolhedora? Problema, problema...

Aha! Aí vêm nossas conversas anteriores sobre “trabalhar em comunidade” e “diálogo”. Diálogo entre a equipe de catequistas,  entre coordenação e catequistas, entre padre, coordenação e  catequistas. Planejamento, mudança de mentalidade, interesse, etc. e tal...

A grande verdade é que as experiências passadas depõem contra nós. Ao longo dos últimos quinze anos, sempre tive um dos meus filhos na catequese. E posso dizer que, a maioria das reuniões a que fui, foram uma chatice sem tamanho. E neste último ano a única reunião (é reunião mesmo, não encontro) a que fui, não foi diferente. Foi de um aborrecimento quase mortal para mim. Isso porque eu, como catequista, vou lá de espírito aberto, disposta a entender e colaborar. Imaginem se eu fosse dessas mães que aparecem lá uma vez por ano...

Aí é que está! Os pais tem em suas cabeças que nossos “encontros” ou “reuniões”, tem dois motivos normais e comuns;  e um outro, tremendamente equivocado. Os dois primeiros são: dar recados que podem ser dados em um bilhete e, falar um monte de assunto que não tem nada a ver com a vida deles. E o equivocado e “grave” (que rezo para que não aconteça nunca): tentar ensiná-los a criar os filhos e dizer-lhes como se comportar. Nem a pedagoga da escola de nossos filhos consegue ser tão intrometida e chata. Fato é que, ninguém gosta que alguém de fora se meta na maneira como você cria seus filhos. Nem reclame que seus filhos não vão à missa, que não se comportam, etc., etc... Isso eles sabem. Os filhos não vão á missa porque os pais não vão à missa. E quando os pais vão, eles reclamam que os filhos não querem ir... Os filhos não querem ir porque não entendem a missa, a missa é chata... Na verdade é “madura” demais para eles.

E podemos continuar nessa conversa indefinidamente... Tanto é que já estou no fim da segunda página e ainda não consegui achar uma “receita de felicidade” pra esse caso.

Isso porque o problema do “afastamento” dos pais é muito maior que a catequese paroquial. Nossos pais, assim como grande parte dos batizados, comungados e crismados de hoje em dia não foram, de fato, evangelizados. E posso dizer que a maioria dos nossos catequizandos vai pelo mesmo caminho. A fé cristã até pode fazer parte da vida deles. É aquela tal “sementinha” que alguém jogou nas pedras e que de alguma forma brotou. Mas a “religião”, a vivência comunitária e eclesial, é outra conversa.

“A Igreja é a comunidade dos pecadores que crêem no amor de Deus e se deixam transformar por Ele, e assim se tornam santos e santificam o mundo”.

Esta frase é do Papa Bento XVI e foi proferida numa homilia que falava de Santidade e Missionariedade. E a santidade passa pelo estilo de vida que Jesus nos pediu: a compaixão. O viver e dar a vida pelo projeto do amor. Quem hoje se preocupa em viver numa comunidade que se preocupa com o outro? Quem hoje entende o sentido de solidariedade e partilha? Quem quer ser santo? O mundo está preocupado demais com coisas materiais e terrenas. As pessoas de modo geral querem o “ter” para depois pensar no “ser”. Isso quando o ser não acaba em “ser maior que o outro”. Ninguém quer ser santo, quer mais é ser “rei”. E de preferência sem nenhuma das responsabilidades que um reinado acarreta. E quem quer sair em missão? Quem quer buscar as ovelhas desgarradas do rebanho?

Sejamos francos. Poucas famílias levam seus filhos à catequese pensando numa vivência de “Igreja”. A coisa remete mais à culpa e ao medo do inferno, processos arraigados muito mais na cultura do que no aspecto religioso, do que exatamente num interesse cristão.

É, a solução volta a ser: CATEQUESE DE ADULTOS. Mudança de paradigmas e mentalidades. Processo que deve ser profundamente estudado e assumido pela Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Enquanto fizermos coisas bonitas só no papel, planejamentos que não mudem as estruturas da nossa Igreja, os resultados serão sempre “parciais”. É fato.

E essa receita não ficou boa!

Só coloquei essa imagem aqui porque estou numa dieta ferrenha! Ó sacrifício!

 Ângela Rocha

2 comentários:

  1. As citações das propostas a seguir que foram publicadas na postagem foi eu que comentei numa postagem anterior...
    - Planejamento de temas para encontro de pais;
    - Nas celebrações, levar os catequizandos a participar dos momentos da missa: entrada da bíblia, ofertório, acolhida, coral, evangelho encenado. (Se as crianças participam da missa, os pais as acompanharão);
    - Levar a catequese mais próxima da sociedade. Como por exemplo, ajudar instituições de caridade, rezar na casa de pessoas enfermas, etc.
    - Rezar e lutar para que nasça de fato o compromisso no coração das pessoas que estiverem a nossa volta.

    Você não concordas com elas Angela?

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