terça-feira, 13 de novembro de 2012

Aprendi como é amar...




Como é bom acordar de manhã envolta em um abraço. Mesmo que a princípio se pense em “segundas intenções”... Agora? - pergunto eu. Não, não... Eu só quero te namorar um pouquinho. - Responde ele.

E ficamos os dois ali, agarradinhos. Eu com meu rosto na curva de seu pescoço e ele com os lábios em meus cabelos. E pude sentir como é a paz de ser... simplesmente amada! Do jeito que sou. E ali, de repente, inundou-me o sentimento maravilhoso e único de se sentir “parte” de alguém. E lembrei das muitas lições sobre o amor. Que dizem que devemos ser independentes e únicos para sermos felizes. Ah, como estão enganadas essas teorias.

Ultimamente tenho pensando muito em como são nossas relações de amor, de comprometimento. Na maneira um tanto equivocada com que distribuímos e recebemos amor. Nosso amor, via de regra, é um amor “projetado” para nós mesmos. Amamos do “nosso jeito”. Amamos entregando somente aquilo que, acreditamos, não nos fará falta. E esse amor é um amor “controlado”, entregue conforme nosso coração “acha” que deve. E temos medo da entrega total... de amar sem medidas. Medo de entregar aquele amor que o ser amado necessita, não aquele que é “nosso” jeito de amar.

Estou numa relação matrimonial de vinte e seis anos já. E acordo todos os dias “apaixonada”! Verdade! Verdade verdadeira. Agora mesmo recebi um beijo e um “Eu te amo muito!”, antes que ele fosse para o trabalho. E como funciona isso? Nós aprendemos a amar!  Nem sempre foi assim. Houve um tempo em que eu amava do jeito que achava que devia, e ele me amava, também, como queria.

E as minhas teorias de amor esbarravam no jeito comedido dele me amar. E o amor que ele tinha para me dar se chocava com meu jeito expansivo de demonstrar meus sentimentos. E passamos anos a nos desentender. Amando e sofrendo por amar.

Até que finalmente entendi, que não vamos andar na rua de mãos dadas ou abraçadinhos. Esse não é o jeito dele me amar. E que ele não vai lembrar de me dar presentes sempre que uma “certa data” acontece. Isso não faz parte do jeito que ele sabe amar. E ele entendeu que, de vez em quando, preciso receber flores sem ter motivo algum. E que preciso destes “eu te amo”, mesmo que seja só para eu escutar. Esse é o meu jeito de ser amada. E aprendi, eu a respeitar os silêncios dele; ele, a escutar as minhas conversas bobas. Aprendi a ser serena para receber amor. Ele aprendeu a ser loucamente apaixonado para dar amor. E vivo assim, esperando os arroubos apaixonados que me fazem feliz. E ele, a esperar que eu só me aquiete e simplesmente receba seu abraço.

E aquilo que de vez em quando digo, num arremedo de auto afirmação: Ame-me ou deixe-me, aqui é totalmente falso e desnecessário. Porque amar vai muito além. Não posso querer aceitação absoluta do meu jeito de amar, sem aprender como o outro quer ser amado.

Ângela Rocha
angprr@uol.com.br

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