sexta-feira, 30 de março de 2012

A melhor religião...

Esta história, conta-se, é uma conversa entre o Dalai Lama e Leonardo Boff. Não posso dizer se é verdadeira ou só uma fábula criada por alguém. Mas acredito que ela traz uma mensagem muito maior do que, simplesmente, a escolha de uma denominação religiosa para se seguir:

No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, na qual ambos participávamos, eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga:
— Santidade, qual é a melhor religião? Esperava que ele dissesse: "É o budismo tibetano" ou "São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo".
O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos — o que me desconcertou um pouco, por que eu sabia da malícia contida na pergunta — e afirmou:
— A melhor religião é aquela que te faz melhor.
Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, voltei a perguntar:
— O que me faz melhor?
— Aquilo que te faz mais compassivo (e aí senti a ressonância tibetana, budista, taoísta de sua resposta), aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável... A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião...
Calei, maravilhado, e até os dias de hoje estou ruminando sua resposta sábia e irrefutável.

Para esclarecer:

O Dalai Lama é o título de uma linhagem de líderes religiosos da escola do budismo tibetano, tratando-se de um monge e lama, reconhecido por todas as escolas do budismo tibetano. "Lama" é um termo geral que se refere aos professores budistas tibetanos. O atual Dalai Lama é muitas vezes chamado de "Sua santidade" por ocidentais, em sinal de respeito, embora este pronome de tratamento não exista no tibetano. Tibetanos podem referir-se a ele através de tratamentos tais como Gyawa Rinpoche que significa "grande protetor", ou Yeshe Norbu, a "grande joia".Tenzin Gyatso é o atual Dalai Lama,  é monge e Geshe (doutor) em filosofia Budista, recebeu o Nobel da Paz e e foi agraciado com mais de 100 títulos honoris causa.

Leonardo Boff, é um teólogo brasileiro, escritor e professor universitário, expoente da Teologia da Libertação no Brasil. Foi membro da ordem dos Frades Menores Franciscanos. É respeitado pela sua história de defesa das causas sociais e por suas muitas obras escritas. Seus questionamentos a respeito da hierarquia da Igreja, expressos no livro Igreja, Carisma e Poder, renderam-lhe um processo junto à Congregação para a Doutrina da Fé. Em 1985, foi condenado a um ano de "silêncio obsequioso", perdendo sua cátedra e suas funções editoriais no interior da Igreja Católica. Em 1986, recuperou algumas funções, mas sempre sob severa vigilância. Em 1992, ante nova ameaça de punição, desligou-se da Ordem Franciscana e pediu dispensa do sacerdócio. Sem que esta dispensa lhe fosse concedida, uniu-se, então, à Márcia Monteiro da Silva Miranda, que é divorciada. Boff afirma que nunca deixou a Igreja: "Continuei e continuo dentro da Igreja e fazendo teologia como antes", mas deixou de exercer a função de padre dentro da Igreja.

Sua reflexão teológica abrange os campos da Ética, ecologia e e da Espiritualidade, além de assessorar as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e movimentos sociais como o MST. Trabalha também no campo do ecumenismo. Em 1993 foi aprovado em concurso público como professor de Ética, Filosofia da Religião e Ecologia na Universidade do Rio de Janeiro, onde é atualmente professor emérito.

Foi professor de Teologia e Espiritualidade em vários institutos do Brasil e exterior. Como professor visitante, lecionou nas seguintes instituições: Universidade de Lisboa, Universidade de Salamanca (Espanha), Universidade de Harvard (EUA), Universidade de Basel (Suiça) e Universidade de Heidelberg (Alemanha). É doutor honoris causa em Política pela universidade de Turim, na Itália, em Teologia pela universidade de Lund na Suécia e nas Faculdades EST – Escola Superior de Teologia em São Leopoldo (Rio Grande do Sul). Boff fala fluentemente alemão. Sua produção literária e teológica é superior a 60 livros, entre eles o best-seller: A águia e a galinha. A maioria de suas obras foram publicadas no exterior.

Mimos de páscoa...

Cartão:



Marca páginas:

quinta-feira, 29 de março de 2012

Homilia do Domingo



Domingo de Ramos – B


A Celebração de Ramos nos traz duas ideias antagônicas que estão ao mesmo tempo unidas: a exaltação e a humilhação. São duas realidades humanas experimentadas em várias ocasiões da vida.

Jesus, como qualquer ser humano, passou por estes dois extremos, e as consequências foram decisivas para a sua vida terrena. O mesmo povo que exaltou o Senhor em sua entrada triunfante em Jerusalém, abandonou-o no seu momento derradeiro, e até mesmo o condenou. O final da vida de Jesus nos mostra que o aplauso fácil não nos garante absolutamente nada.

Aqueles que fazem algum feito extraordinário, os que manifestam competência são aplaudidos. Mas nem todo aplauso denota verdadeiro reconhecimento. Em muitos casos, os aplausos significam bajulação, adulação interesseira. Assim, também os incompetentes são ovacionados, se possuem algum poder. Ao carregar ramos nas mãos, podemos refletir sobre as ocasiões que elogiamos de modo fácil os outros e quando recebemos aplausos vazios.

Por outro lado, existe a humilhação. Os mesmos lábios que elogiam podem insultar, as mesmas mãos que aplaudem podem bater, a mesma presença alegre pode se transformar na tristeza da solidão. Em muitas ocasiões nos sentimos derrotados, oprimidos, humilhados...

Como Jesus encarou estas realidades? Jesus não escolheu o poder, não escolheu a fama, nem o elogio, não assumiu uma atitude triunfalista. Seu desejo não era encabeçar uma revolta, mas sim, uma reforma radical. Jesus não tinha a intenção de mudar a realidade por meio da violência: “Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de um escravo...” (2ª. Leitura). Se a exaltação do povo foi o caminho para a humilhação de Jesus, o esvaziamento humilde do Senhor foi o caminho para a sua exaltação: “Por isso, Deus o exaltou sobremaneira...”.

As escolhas de Jesus nos levam a refletir sobre nossas escolhas. Também podemos escolher estar em evidência, o reconhecimento. Podemos aplaudir indevidamente ou sermos aplaudidos. Podemos escolher uma atitude religiosa de êxtase, de gratificação fácil. Podemos também projetar nossas esperanças em algum líder revolucionário ou em um pregador. Outra possibilidade é escolher aquilo que não aparece e que não “tem valor”. Podemos escolher a discrição, o serviço simples sem reconhecimento. Podemos escolher o caminho doloroso da cruz para que o Senhor nos exalte. As escolhas constituem um paradoxo: o triunfo fácil nos destrói, enquanto o caminho da cruz nos leva a vida.

Jesus assume nossa vida e nossa dor. Seu coração chagado não apenas sentiu a lança, mas o abandono. Sentiu-se abandonado pela multidão, pelos discípulos, pelo próprio Deus. No seu abandono tornou-se solidário nos maiores dramas do ser humano: o abandono e a morte. No total abandono do Senhor, no seu silêncio, alguém reconhece que Ele é o filho de Deus. O Evangelho de Marcos narrou várias vezes Jesus se opondo àqueles que reconheciam que era ele o messias, pois o faziam de modo indevido, sem entender o que realmente é o messianismo. Sua verdadeira messianeidade se revela na cruz, na sua humildade, na sua kenosis, no seu rebaixamento total, no enfrentamento da violência com o silêncio do amor, na sua doação total. O Rei-Jesus verdadeiro não é reconhecido em uma entrada triunfal sob os aplausos da multidão, mas na sua capacidade de amar revelada na Santa Cruz.

Hoje podemos continuar aplaudindo o Senhor, enquanto somos passivos diante da dor humana, diante dos crucificados que surgem diante de nós pedindo uma palavra, um consolo, um gesto de amor. Também poderemos tentar encontrar o Filho de Deus sem cruz, sem o verdadeiro significado de sua existência e missão. Os ostensórios dos altares correm o risco de se tornar a imagem de um Jesus aplaudido por uma multidão inconsciente sobre a verdade mais profunda do Filho de Deus.

A atitude do filho de Deus continua sendo desconcertante. O Senhor nos revela que as luzes do prestígio e da fama são efêmeras, secundárias. “Quem aceita entrar na cidade num jumentinho é porque está muito consciente de sua grandeza interior, aquela que transcende aparências, porque brota do mais profundo do seu ser”. (J. B. Libanio).

Pe. Roberto Nentwig

"Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força!"
(2Cor 12,9)

Semana Santa - Domingo de Ramos

Mais uma preciosa contribuição de Ir. Zuleides...

"Deus santo, Deus forte, Deus imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro!"
 "Meu Jesus, perdão e misericórdia, pelos méritos de vossas santas chagas!"
Com o Domingo de Ramos, 1° de abril de 2012,  iniciamos a Semana Santa.

Re-cordar = trazer de novo ao coração e à mente.
Faz parte da tradição cristã, recordar as etapas
do caminho que Cristo percorreu até morrer,
pela salvação de todos nós, pregado em uma cruz.

Foi um caminho de dor, de encontros, de despedidas e de entrega.
Depois da celebração da Última Ceia, jantar de despedida
com os seus amigos e da Oração no Horto da Oliveiras...
a traição de um amigo... o julgamento injusto...
as repetidas quedas... os gestos de bondade...
o perdão... o silêncio...
Silêncio fecundo que fez da morte brotar a VIDA,
no Domingo da Ressurreição.

A partir da Ressurreição de Cristo, o Domingo
passa a ser, para os cristãos, o  Dia do Senhor.

Recordamos, celebramos e usufruimos das graças
da vitória do Amor, da vitória de Cristo!
A Cruz é símbolo de nossa redenção e sinal do cristão.
No abraço da Cruz o abraço da compreensão, da misericórdia e do perdão.
Na Cruz de Cristo, coloquemos, confiantes, a cruz de toda a humanidade.
A Sexta-feira Santa de 2012 será no dia 6 de abril, dia de amor e reparação
ao Sagrado Coração de Jesus, dia de Jesus Misericordioso.
Adoremos e louvemos o Coração Eucarístico de Jesus,
que deu a até a última gota de sangue por nós,
sendo transpassado na Cruz de nossa salvação,
Adoremos Jesus, que permanece conosco
no Sacramento da Eucaristia.

Abençoada Semana Santa!

Ir. Zuleides M. de Andrade, ASCJ

quarta-feira, 28 de março de 2012

Verdadeiro discipulado

A Cruz de Jesus


Você tem em sua residência, em seu local de trabalho, uma cruz, ou melhor, uma cruz com Jesus, o Crucifixo - o sinal de nossa salvação "o sinal do cristão"?  Você costuma traçar sobre si o sinal da Cruz? As crianças, em sua família aprendem a traçar o sinal da cruz? O que aprendem na primeira infância são sementes plantadas para germinar em muitas etapas da vida.

Sugestão para você fazer com os pequeninos: Faça uma cruz de cartolina, simples e entregue para a criança. Ajude-a a traçar a cruz com os dedinhos e repetir: Jesus, eu creio no teu amor! Jesus, ensina-me a amar! Quando chegar perto da Páscoa a criança pode decorar essa cruz com flores de papel de seda ou de outra forma – uma cruz vitoriosa.

Um coração sobre a cruz lembra o Coração de Jesus, transpassado por nosso amor. Pode-se escrever os nomes de pessoas que desejamos colocar perto do Coração de Jesus, em oração.

Pequenos corações ou flores lembram nossos atos de amor, práticas de virtudes. Fiz isso com crianças da Educação infantil, nos States.  Percebi  a alegria delas, ao realizar essa atividade.
Que Deus nos ilumine a todos para a vivência de uma quaresma cristã, preparando-nos para celebrar a Vitória de Cristo!

"Vitória, tú reinarás, o Cruz, tu nos Salvarás!  Bendita e louvada seja..."

Bênçãos de Jesus!

Ir. Zuleides Andrade, ASCJ
Comunicação para a Pastoral
Web Apóstolas / Sagrado Educação


DINÂMICA PARA TRABALHAR A RESSURREIÇÃO


Ideal para turmas de crisma ou perseverança.

01 - MOSAICO
- Juntar figuras de jornais e revistas que retratem a violência, pobreza, acidentes, doenças, desmatamento... coisas ruins, enfim;
- Desenhar numa cartolina o contorno de uma POMBA DA PAZ bem grande; em outra cartolina uma VELA  e numa outra uma FLOR;
- pedir aos catequizandos que recortem as figuras em vários formatos geométricos (não muito pequenos, que dê para ver pelo menos parte da imagem) e depois colem nos contornos;
- depois de pronta a colagem, recortar os contornos.

*Fazer a analogia com a páscoa, que significa passagem... passagem da morte para a vida, de uma coisa que era ruim para uma coisa boa - Transformação.

02 - CARTAZ
- Revistas de decoração para recortar onde tenha: um quarto bem bonito; uma sala com TV, sofá, etc.; uma mesa posta com refeição;
- Figuras para recortar: crianças dormindo na rua; crianças sentadas na rua,abandonadas; crianças pedindo comida;
Recortar as imagens das crianças com necessidades e colar nas figuras das revistas de decoração... criança dormindo, colocar na cama... crianças com fome, colocar à mesa; criança na rua, colocar na sala vendo TV.

* Refletir com os  catequizandos o sentido dessa "passagem", daquilo que era ruim para o que é bom. O que foi afinal o sacrifício de Jesus ao morrer por nós? Qual o sentido da ressurreição? Não é proporcionar um mundo melhor? Acordar numa nova vida? Que esforço estamos fazendo para que isso aconteça? Estamos ajudando as pessoas a "ressuscitarem"?

- Expor os trabalhos para a comunidade, colocar como título RESSURREIÇÃO.

E fica a seu critério montar o encontro... pode colocar música enquanto eles trabalham...
Pode fazer um lanche com uma Colomba pascal... decorar o ambiente com velas e flores...



terça-feira, 27 de março de 2012

O Cordeiro de Deus


O cordeiro é o símbolo mais antigo da Páscoa, é o símbolo da aliança feita entre Deus e o povo judeu na páscoa da antiga lei. No Antigo Testamento, a Páscoa era celebrada com os pães ázimos (sem fermento) e com o sacrifício de um cordeiro como recordação do grande feito de Deus em prol de seu povo: a libertação da escravidão do Egito. Assim o povo de Israel celebrava a libertação e a aliança de Deus com seu povo.

Moisés, escolhido por Deus para libertar o povo judeu da escravidão dos faraós, comemorou a passagem para a liberdade, imolando um cordeiro.

Para os cristãos, o cordeiro é o próprio Jesus, Cordeiro de Deus, que foi sacrificado na cruz pelos nossos pecados, e cujo sangue nos redimiu: "morrendo, destruiu nossa morte, e ressuscitando, restituiu-nos a vida". É a nova Aliança de Deus realizada por Seu Filho, agora não só com um povo, mas com todos os povos.

Fonte: 
http://www.portaldafamilia.org/datas/pascoa/pascoasimbolos.shtml

E já quee stamos falando de Cordeiros, que tal fazer uma lembrancinha de páscoa (para embalar as guloseimas) para as crianças?
Pode ser colado em sacolinhas, pote de requeijão, latinha...
Achei lá no blog  http://jacirinha.blogspot.com.br/ 




Os vegetais


Os Vegetais ("VeggieTales") é uma série americana de animação por computador, com temática evangélica. Foi criada em 1993 por Phil Vischer e Mike Nawrocki, e produzida pela Big Idea Productions.
A série trata de ensinar as crianças, valores cristãos como gratidão, perseverança e amar o próximo. Seus personagens são vegetais falantes que vivem situações engraçadas e muito divertidas, que sempre trazem uma mensagem especial sobre o amor deDeus e sobre valores morais e éticos, indispensáveis para fazer o caratér de um cidadão.
Estes desenhos foram exibidos durante algum tempo no SÁBADO ANIMADO do SBT.

Quem quiser baixar um filminho para as crianças que fala sobre o perdão, vá na minha pasta do 4SHARED.
O link é este:


COMO BAIXAR O FILME "OS VEGETAIS - POR QUE DEVO PERDOAR":
 
Procure o s site do 4 shared e busque pelo arquivo
http://www.4shared.com/video/JWfdjnd_/os_vegetais_porque_devo_perdoa.html
Clique no DOWLOAD NOW
Aguarde os 20 segundos dos relógio
Clique em DOWLOAD FILE NOW
Escolha a opção "Dowload" e escolha a pasta do seu computador para baixar o arquivo.
PRONTO! Em alguns segundos estará lá.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Aprendendo a fritar ovo...

E a receita de hoje é "Ovo Frito"!




Aprendendo a fritar ovo...

Eu estava conversando com uma amiga. Para variar, sobre catequese.

E ela estava me contando sobre a catequese do filho adolescente. Que o menino andou fugindo alguns dias e ficou na praça jogando bola. E que mesmo o catequista sendo bem preparado e tudo, inventando coisas diferentes e tal, às vezes o filho não quer nem saber da coisa. E aí me lembrei de uma outra mãe, amiga minha, que me contou que o catequista da filha é nota 10, no entanto, teve que se ausentar por problemas de saúde e a “substituta” estragou todo o trabalho dele. Era uma pessoa sem preparo e sem trato com os adolescentes. Em resumo, quando o “titular” voltou encontrou uma revolta só. E acabou perdendo a paciência e estragando mais ainda o que já estava estragado.

Aí é que está o grande problema: nossa Igreja não tem tantos catequistas preparados assim. Todos os catequistas deveriam estar preparados e envolvidos no processo. Mas só alguns estão. E outra coisa que ando percebendo, alguns catequistas andam "apelando". Não acho que levar computador ou inventar mil e quinhentas brincadeiras vá resolver o problema de conseguir a atenção dos jovens. Talvez até torne o encontro interessante. Mas será que os jovens vão achar o “assunto” interessante?

Aliás, eu ando meio "revolucionária". Acho que temos que mostrar a igreja como ela é, cheinha de defeitos. E mostrar o projeto que Jesus queria. E mostrar o mundo como ele é... e conclamar os jovens a tentar mudá-lo. É nessa idade que a gente quer mudar o mundo! Eu acredito na força do jovem, na vontade dele em mudar o mundo em que vive. Claro que ele é meio narcisista nesta fase... mas nem tanto, ele é cheio de ideais também.

O que a gente encontra é muita divergência de método, de conteúdo. Dentro até de uma mesma paróquia. As dioceses então, estão perdidas. Mas enfim, é o seguinte: o que o Brasil, o mundo inteiro, aliás, já percebeu, é que a catequese de modo geral precisa mudar. E isso não é de hoje, é desde o Concílio Vaticano II (que alguns catequistas nunca ouviram falar).

Mas, COMO MUDAR??? A idéia é voltar aos primeiros tempos da igreja. Ao catecumenato, a mistagogia da fé. Voltar a fazer uma catequese de símbolos, rituais, etc. e tal. Sem essa parafernália de escola de doutrina. Porque a doutrina da Igreja Católica é que afasta muita gente... Isso porque ela é jogada na cabeça das pessoas sem o devido preparo.

É como aprender a cozinhar: ao invés da gente aprender primeiro a fritar ovo, ficar craque no mexido, na farofinha, na gema mole... a gente quer logo aprender a fazer Creme Brulée*...

Ângela Rocha

* Creme Brulée é uma requintada sobremesa francesa.

Uma dica: para que o ovo não grude na frigideira, quando o óleo estiver bem quente, coloque uma pitadinha de farinha de trigo nela.

sábado, 24 de março de 2012

Quem foi D. Oscar Romero?


 Monsenhor Oscar Romero: Trinta e dois anos de um martírio

Maria Clara Lucchetti Bingemer

No dia 24 de março de 1980, às 6 h da tarde, o arcebispo de San Salvador, capital do pequeno país da América Central, El Salvador, celebrava missa na capela do Hospitalito, hospital de religiosas que cuidavam de doentes de câncer.  No momento da consagração, o tiro desfechado por um atirador de elite escondido atrás da porta traseira da capela atingiu o coração do pastor e matou-o imediatamente.

Calava-se assim a voz que defendia os pobres no regime cruel e sangrento que dominava El Salvador.  E Monsenhor Romero passaria a estar vivo, a partir de então, no coração de seu povo, no qual profetizou que ressuscitaria, se  o matassem.  Assim foi, assim é.  Não existe um só salvadorenho nos dias de hoje que não fale com carinho extremo de Monsenhor Romero e não reconheça nele um pai e um protetor.  E não há um cristão que não deva conhecer a vida e a trajetória deste grande bispo que é exemplar para todos aqueles e aquelas que hoje se dispõem a seguir Jesus de Nazaré.

Como homem de seu tempo, Romero é configurado pela formação que recebeu como seminarista e sacerdote.  Uma formação dada por uma Igreja pré-conciliar, onde a vivência da fé e a pratica da religião são concebidas como um tanto desvinculadas da vida real e cotidiana das pessoas.  Seu caminho será extremamente coerente com o caminho cristão nesses mais de 2000 anos de história. A fé cristã foi desde seus começos uma fé no testemunho de outros. É uma fé de testemunhas e nem tanto de textos. As testemunhas continuam sendo os melhores teóricos da fé que professamos e que desejamos comunicar.  Nesse sentido, continuam sendo os teólogos primordiais.

Monsenhor Oscar Arnulfo Romero entra nessa categoria de testemunha e teólogo primordial.  Seu testemunho de vida e sua morte iluminaram e continuam iluminando o caminho e a vida de várias gerações.  Enquanto era padre, Oscar Arnulfo Romero era um sacerdote de corte tradicional, que exercia sua pastoral mais ao interior da Igreja, celebrando missas, distribuindo sacramentos, organizando sua diocese.   Devido a seu perfil tranqüilo e não conflitivo  foi designado pelo Vaticano como bispo no conflitivo país de El Salvador.

A segunda conversão de Monsenhor Romero, conversão à causa dos pobres e dos explorados - uma classe de maioria nas terras de El Salvador – ocorreu depois de sua nomeação para as funções de bispo. Olhando mais de perto essa conversão, podemos ver que é perfeitamente coerente com o itinerário de um homem honrado e bom, cujo coração se mantinha aberto à missão recebida e à vocação sentida no coração. E sobretudo, aberto ao Deus em quem acreditava e ao qual tinha consagrado toda sua vida , assim como ao povo ao qual prometera servir como pastor.  Desde seu posto de bispo, de autoridade eclesiástica, pôde sentir de outra maneira a miséria de seu povo e a violência dos capitalistas, que - como em muitos países do Continente - matavam ou faziam desaparecer líderes, camponeses, padres, agentes de pastoral e tantos quantos fizessem ouvir suas vozes em defesa do povo oprimido.

Monsenhor Romero foi “convertido” aos pobres e a sua causa,  a causa da justiça e da verdade,  por outra testemunha: o jesuíta P. Rutilio Grande. O Padre Rutilio fez muitas denúncias contra a situação de pobreza do povo, a insensibilidade das elites e a violência do governo. No dia 12 de Março de 1977  quando se dirigia para sua terra natal com outros cristãos para preparar uma festa religiosa, foi morto por militares, com uma rajada de metralhadora. Dom Oscar Romero afirmou que foi o exemplo do Padre Rutilio e sua morte que o convenceram a ficar firmemente ao lado dos pobres e dos injustiçados de El Salvador.

Depois da morte de seu companheiro,  Romero passou a acusar frontalmente os capitalistas, governantes, militares e ricos, responsabilizando-os por todos os males ocorridos no país. O testemunho de Rutilio mudou seu olhar sobre a história. Romero não se calou  diante das violências da guerrilha revolucionária mas tampouco diante daquelas perpetradas pelos poderes constituídos. Entendeu que seu papel de pastor – papel esse que entendia como extensivo a toda a Igreja naquele momento histórico difícil e doloroso que vivia seu país e seu povo – era levantando a voz e expondo-se, colocando-se claramente do lado dos mais fracos e oprimidos. Por isso a configuração mais vigorosa de sua ação e de sua luta em favor da justiça e da paz, em defesa dos direitos humanos,   vamos encontra-la em suas homilias dominicais, nas quais analisa a realidade da semana à luz do evangelho. Transmitidas pela rádio católica, são ouvidas em cada canto do país, dando esperança ao povo e suscitando o rancor dos capitalistas.

Ao mesmo tempo em que conclamava a todos à plena responsabilidade eclesial, denunciava a acomodação e a alienação de muitos com relação a sua responsabilidade eclesiástica e histórica. Eclesialidade e cidadania para ele são inseparáveis.

"Uma religião de missa dominical, mas de semana injusta, não agrada ao Senhor. Uma religião de muitas rezas e tantas hipocrisias no coração, não é cristã. Uma Igreja que se instala sozinho para estar bem, para ter muito dinheiro, muita comodidade, mas que se esquece do clamor das injustiças, não é verdadeiramente a Igreja de nosso divino Redentor" (04/12/1977).

Fiel a sua leitura da história  iluminada pelo evangelho do Jesus, sabia também e inseparavelmente, que assumir essa visão e essa vivência de Igreja leva consigo sérias conseqüências.  A mais séria, mais dolorosa, mas também a mais luminosa e consoladora é a perseguição.

Já nos primórdios do cristianismo os discípulos entenderam, de acordo a ensinamentos do próprio mestre, que seriam perseguidos se permaneciam fiéis em seu proceder e em seu testemunho.  O mundo os odiaria como tinha odiado a Jesus e os perseguiria implacavelmente.  Ao invés, se eram aplaudidos e elogiados pelos capitalistas e as instâncias ricas da sociedade deveriam ficar muito desconfiados.  Isso significaria que seu testemunho era débil e não  seguia fielmente as pegadas do Mestre e Senhor, a quem deveriam aspirar assemelhar-se.  Assim entendeu Monsenhor Romero a cascata de ameaças, perseguições e sofrimentos que se abateu sobre ele e a Igreja salvadorenha que o acompanhava e apoiava e procurou inspira-la com sua palavra e seu carinho de pastor.

"Quando nos chamarem de loucos, embora nos chamem de subversivos, comunistas e todas as ofensas que assacam contra nós, sabemos que não fazem mais que pregar o testemunho ‘subversivo’ das bem-aventuranças, que anima a todos para proclamar que os bem-aventurados são os pobres, bem-aventurados os sedentos de justiça, bem-aventurados os que sofrem" (11/05/1978).

Assim também a Igreja, se seguir seriamente a seu Senhor, não pode ser aplaudida e aclamada por todos. A perseguição real e a disposição a sofrê-la é e sempre foi a “verificação mais clara do seguimento do Jesus”.   Monsenhor Romero sabe e a isso convoca abundante e eloqüentemente a seus fiéis.

"Uma Igreja que não sofre perseguições, e que está desfrutando dos privilégios e o apoio da burguesia, não é a verdadeira Igreja de Jesus Cristo" (11/03/1979).

Os dias do pastor estavam contados. Ele sabia. E o dizia claramente.  São conhecidas de todos nós o sem número de vezes em que anunciou sua morte próxima.  Fazem-nos recordar os anúncios da Paixão feitos por Jesus do Nazaré e que os evangelhos recolhem. Com muita clareza, afirmava: “Se nos cortarem a rádio, se nos fecharem o jornal, se não nos deixam falar, se matarem todos os sacerdotes e até o arcebispo, e fica um povo sem sacerdotes, cada um de vocês deve converter-se em microfone de Deus, cada um de vocês deve ser um mensageiro, um profeta”.

Duas semanas antes de sua morte, em uma entrevista ao jornal Excelsior, do México, disse: “Fui freqüentemente ameaçado de morte. Devo lhe dizer que, como cristão, não acredito na morte sem ressurreição: se me matarem, ressuscitarei no povo salvadorenho. Digo isso sem nenhuma ostentação, com a maior humildade. Como pastor, sou obrigado, por mandato divino, a dar a vida por aqueles que amo, que são todos os salvadorenhos, até por aqueles que me assassinem. Se chegarem a cumpri-las ameaças, a partir de agora ofereço a Deus meu sangue pela redenção e ressurreição do Salvador. O martírio é uma graça de Deus, que não me sinto na situação de merecer, entretanto, se Deus aceitar o sacrifício de minha vida, que meu sangue seja semente de liberdade e sinal de que a esperança se transformará logo em realidade. Minha morte, se é aceita Por Deus, que seja pela liberação de meu povo e como testemunho de esperança no futuro. Pode escrever: se chegarem a me matar, desde já eu perdôo e benzo aquele que o faça”.

Na homilia de 23 de março de 1980, um dia antes de morrer,  ele se dirige explicitamente aos homens do exército, da Guarda Nacional e da Polícia: “Frente à ordem de matar seus irmãos deve prevalecer a Lei de Deus, que afirma: NÃO MATARÁS! Ninguém deve obedecer a uma lei imoral (...). Em favor deste povo sofrido, cujos gritos sobem ao céu de maneira sempre mais numerosa, suplico-lhes, peço-lhes, ordeno-lhes em nome de Deus: cesse a repressão!”.

Serão as últimas palavras do bispo ao país. No dia seguinte, é assassinado por um franco-atirador, enquanto reza a missa. Selou seu testemunho com sangue, como Jesus e todos os mártires cristãos. Entretanto, sua morte não pode ser desconectada de sua vida.  Foi o selo coerente desta.  Para entender o alcance da morte de Mons. Romero e afirmar que é realmente um martírio importa lançar os olhos sobre o modo como viveu.  É o modo como viveu, sua história de vida que ilumina e faz com que sua morte cobre todo  sentido.  E vice –versa.  Sua morte confirma e legitima todo aquilo pelo que lutou em vida.

A fé de Monsenhor Romero, como fé de uma autêntica testemunha, tem que alimentar nossa fé aqui e agora. A fé de Mons. Romero nos ensina que o Reino é uma proposta para todos e terá que colocar-nos ao lado de todos que desejam construí-lo.  Mas a Igreja é uma proposta para aqueles que se dispõem a tomar a sério  seu Batismo e aceitar suas implicações, que são sofrer e morrer pelo povo.  Por isso, terá que dar sua vida construindo o Reino para todos, mas fazer Igreja com aqueles que realmente querem seguir a Jesus Cristo com todas as suas conseqüências.  Enquanto o Batismo seja um bem de consumo posto a disposição de todos, parece que não conseguiremos construir a Igreja segundo o sonho de Jesus.

Igreja celebra Dia de Oração e Jejum pelos missionários Mártires


Neste sábado, 24, as Pontifícias Obras Missionárias (POM) da Itália, celebram o 20º Dia de Oração e Jejum pelos Missionários Mártires. Como acontece todos os anos, a data é celebrada no mesmo dia em que se celebra o aniversário de assassinato do arcebispo de El Salvador, dom Oscar Romero (24 de março de 1980).

A iniciativa pretende recordar com a oração e o jejum todos os missionários que foram mortos no mundo e todos os agentes pastorais que derramaram o sangue pelo Evangelho, se espalhou a muitas dioceses, realidades juvenis e missionárias, institutos religiosos dos diversos continentes.

O tema escolhido para este ano foi “Amando até o fim”. Para o diretor nacional das POM da Itália, padre Gianni Cesena, “não quer ser um final feliz forçado que cancela a dureza da violência ou da tragédia de uma vida interrompida dramaticamente, mas simplesmente evoca os últimos instantes daqueles que, a exemplo do Mestre, doam a vida, perdoando seus carnífices”, escreveu, apresentando o subsídio para a animação. “Eis porque cada martírio, a partir do tempo de Estevão, deve ser relido na figura do martírio de Jesus, testemunha e revelador de um Deus Pai que ama e perdoa. Jesus nos revela a dor do Pai, que não é um vago sentimento de desprazer pelo pecado dos filhos ou de compaixão por seus sofrimentos, mas é o seu modo de ser misericordioso e fiel”, afirmou.

Para celebrar os mártires, o Movimento Juvenil Missionário, convida as comunidades paroquiais e de vida consagrada, os seminários e os noviciados, a criar na Igreja “o ângulo do martírio”, utilizando uma cruz, uma faixa vermelha e escrevendo os nomes das missionárias e dos missionários mortos no ano; a informar-se se na própria diocese houve missionários mortos, também no passado, e dar a conhecer o testemunho deles; a realizar um gesto de reconciliação com os membros de outras confissões religiosas.

As famílias podem realizar um gesto de reconciliação entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre irmãos e irmãs, entre membros da mesma família; podem convidar para o almoço um irmão ou uma irmã de outra nação; rezar todos juntos pelos missionários assassinados. Os jovens são convidados a visitar os que estão sós e oprimidos pelos sofrimentos (no hospital, numa casa de repouso, na prisão, doentes ou idosos sozinhos em casa), a viver e promover o Dia na própria paróquia e na própria diocese.

Solidariedade

O Projeto de solidariedade, que se pretende realizar este ano com as ofertas arrecadadas no Dia de oração e jejum pelos Missionários Mártires, diz respeito à população que mora nas zonas montanhosas da Papua Nova Guiné, que chegam a 4 mil metros. Ali, inúmeras mães e suas crianças são contaminadas com HIV/AIDS e morrem sem qualquer assistência, de fato a Papua Nova Guiné está entre os países do Pacífico com maior número de soropositivos. No ano passado, foi construído o primeiro centro de análise e cura na planície, mas agora seriam necessários pelo menos outros cinco entre as montanhas, pois as pessoas caminham dias a pé para chegar aos diversos vilarejos espalhados nas imensas florestas ou nas vastas planícies.

Missionários assassinados em 2011

Em 2011 foram assassinados 26 missionários e agentes de pastorais. A lista, como é de costume, foi divulgada pela Agência Fides no final do ano. De acordo com os dados, foram assassinados 18 sacerdotes, quatro religiosos e quatro leigos.

A América está em primeiro lugar em número de assassinatos. Ao todo foram 13 sacerdotes e dois leigos. A África vem em seguida com seis agentes: dois sacerdotes, três religiosas e um leigo. Na Ásia foram dois sacerdotes, uma religiosa e um leigo. Na Europa, por sua vez, foi morto um sacerdote. No ano anterior foram assassinados 25 agentes.

A Agência Fides revela que os missionários assassinados foram vítimas da violência que combatiam ou da disponibilidade de ajudar os outros colocando em segundo lugar a própria segurança. Ainda em 2011, completou a Agência, “muitos foram mortos em tentativas de roubo ou de sequestro que terminaram mal, surpreendidos em suas casas por bandidos ou por jovens delinquentes que tinham ajudado antes, à procura de dinheiro fácil”.

O papa Bento XVI lembrou na festa litúrgica do Protomártir Estevão, em 26 de dezembro, os missionários assassinados com a seguinte passagem do livro de Mateus 10, 22. “Como nos tempos antigos, hoje a adesão sincera ao Evangelho pode exigir o sacrifício da vida, e muitos cristãos em várias partes do mundo são expostos a perseguições e ao martírio. Porém, o Senhor nos recorda que aquele que perseverar até o fim será salvo”.


LISTA FIDES 2011


FONTE: 

Reconciliação - Celebração da Penitência para a catequese


CELEBRAÇÃO DA PENITÊNCIA PARA A CATEQUESE

Orientação: Catequistas, Pais ou Responsáveis, Catequizandos da Crisma e Perseverança se reúnem e fazem silêncio durante algum tempo antes da celebração. É importante que haja a presença do sacerdote para ouvir as confissões após a celebração.

Comentarista: Em sua vida, o cristão sempre se coloca em atitude de conversão e penitência, porque reconhece em si sua fraqueza e suas limitações. Podemos sempre nos aperfeiçoar e nos doar mais. Converter-ser significa querer viver de acordo com o Evangelho de Jesus Cristo para sermos mais felizes. Muitas vezes nos preocupamos tanto conosco mesmos que nem temos tempo para nos dedicarmos ao próximo. É hora de abrirmos mais espaço em nossa vida para acolher a Boa-Nova da salvação e nos examinarmos diante da Palavra.

Presidente: Em nome do Pai...

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo...
Deus, pela penitência, nos abre um caminho novo, conduzindo-nos cada vez mais à plena liberdade de filhos e filhas de Deus. Queremos nos parecer sempre mais com Jesus Cristo. Se não podemos parecer fisicamente, podemos, sim, ter um coração muito próximo ao dele com os mesmos sentimentos de Cristo, que primeiramente nos ensinou a amar e a perdoar.

Canto Penitencial

Senhor, tende piedade...

Presidente: Oremos
Ó Deus que nos chamais das trevas à luz, da mentira à verdade, e da morte à vida, derramai em nós o vosso espírito santo para que abra nossos ouvidos e fortaleça nossos corações, a fim de podermos compreender nossa vocação e caminhar corajosamente para uma verdadeira vida cristã. Por Cristo, Nosso Senhor.

Canto de aclamação ao Evangelho

Proclamação do Evangelho de Mateus 25, 14-30.

Partilha da Palavra

Quem preside retoma o texto com o grupo e repete alguns versículos para fixar bem a mensagem. É importante relacionar o trecho lido com o projeto de vida que o adolescente é convidado a formular para si e no contexto familiar.

Texto de apoio:

O talento era um peso-moeda, feito de metais precioso e usado na antiguidade grega e romana. Equivalia a 49 gramas de ouro. Podemos imaginar como era precioso um talento de ouro! Entretanto, no decorrer dos tempos, talento passou a indicar genericamente dom natural, inteligência excepcional, dotes especiais... O Evangelho quer nos mostrar que todos recebemos numerosos talentos de Deus: a vida, a saúde, a inteligência, a educação, a fé, o batismo, a amizade com Deus...

E a primeira atitude a ser tomada perante esses talentos-dons deve ser a de acolhida agradecida e prática. Nunca esqueçamos que na raiz e na fonte primeira está sempre o dom de Deus. Mais que desenvolver os próprios dons, Jesus lança o apelo apara reconhecermos e aceitarmos o dom as Salvação, abrindo de par em par nosso coração. Os dons que Deus nos concedeu precisam crescer e frutificar para o bem de todos.

Não importa se recebemos cinco, dois ou um talento apenas. O que importa é que não o guardemos só para nós. Na verdade as graças com as quais o Pai nos presenteou não são apenas nossas; pertencem á comunidade, pois nossas energias, nossos talentos devem estar a serviço dos irmãos. Quando o patrão voltar, não podemos estar de mãos vazias, com o talento enterrado. Devemos apresentar a Deus um mundo renovado, justo, fraterno, um mundo onde haja espaço para todos, onde não haja excluídos. Um mundo conforme á sua vontade, construído com o empenho de todos. A comunidade não cresce e definha aos poucos, quando seus membros não colocam em comum as potencialidades que possuem.

Exame de consciência

Podemos nos perguntar: que talentos Deus me concedeu na formação de minha família, na convivência escolar, na amizade com as pessoas... Reconheço os dons que me foram oferecidos? Qual é o maior dom que Deus nos concedeu? Qual a semelhança de atitudes entre aquele que recebeu um talento e o jovem rico da parábola de Mt 19, 16-26 (Parábola do Jovem Rico).

Neste momento é recomendável que os fiéis façam a confissão individual (auricular).

Ato Penitencial

Todos: Confesso a Deus todo-poderoso...

Presidente: Senhor deus, vós conheceis todas as coisas. Conheceis também nossa vontade sincera, de servir melhor a vós e a nossos irmãos e irmãs. Voltai para nós os vossos olhos e atendei as nossas súplicas.

Leitor: Dai-nos, ó Deus, a garça de uma verdadeira conversão.
Todos: Ouvi-nos Senhor!
Leitor: Despertai em nós o espírito de penitência e confirmai o nosso propósito.
Todos: Ouvi-nos Senhor!
Leitor: Perdoai nossos pecados e compadecei-vos de nossas fraquezas.
Todos: Ouvi-nos Senhor!
Leitor: Fazei-nos confiantes e generosos.
Todos: Ouvi-nos Senhor!
Leitor: Tornai-nos fiéis discípulos do vosso Filho, e membros vivos de vossa Igreja.
Todos: Ouvi-nos Senhor!

Presidente: Deus, que não quereis a morte do pecador, mas que ele se converta e viva, recebei com bondade a confissão de nossos pecados e sejais misericordiosos para conosco que recorremos a vós como vosso Filho nos ensinou.

Todos: Pai Nosso que estais no céu...

Benção e Canto Final

Neste momento é recomendável que os fiéis façam a confissão individual (auricular).


Fonte:
Pe. Antonio Francisco Lelo. Projeto Jovem, Livro da Família. São Paulo: Paulinas, 2010.

Roteiro para encontros com jovens: Musimensagem



Lamento dos imperfeitos
(Pe. Fábio de Melo, CD: enredo do meu povo simples)

Não sou perfeito
Estou ainda sendo feito
E por ter muito defeito
Vivo em constante construção
Sou raro efeito
Não sou causa e a respeito
Da raiz que me fez fruto
Desfruto a divina condição

Em noites de céu apagado
Desenhos as estrelas no chão
Em noites de céu estrelado
Eu pego as estrelas com a mão
E quando a agonia cruza a estrada
Eu peço pra Deus me dar sua mão

Sou seresteiro
Sou poeta, sou romeiro
Com palavra, amor primeiro
Vou rabiscando o coração
Vou pela rua
Minha alma às vezes nua
De joelhos pede ao tempo
A ponta do seu cobertor.

Vou pelo mundo
Cruzo estradas, num segundo
Mundo imenso, vasto e fundo
Todo alojado em meu olhar
Sou retirante
Sou ao rio semelhante
Se me barram, aprofundo
Depois vou buscar outro lugar.


VÍDEO NO YOUTUBE:


REFLEXÃO:

Os quatro versos iniciais: “Não sou perfeito/estou ainda sendo feito/E por ter muito defeito/Vivo em constante construção” expressam com exatidão o projeto da catequese com adolescentes: nos conscientizar de que somos seres em construção. Muitas vezes, eles se sentem pleno de vida e de energia, com rapidez de raciocínio suficiente para apontar muitas limitações em sua casa, na escola ou entre seus amigos; porém, são lentos em reconhecer os próprios erros, e mais ainda em superá-los.

Quais são as faltas mais freqüentes nos jovens, hoje?

Na prática, o que significa: “Vivo em constante construção?” Do ponto de vista religioso, vivemos em estado de contínua conversão, ou seja, de mudança para melhor, pois sempre atua em nós a graça de Deus.

O autor da música se refere á causa e á raiz de sua condição humana. Somos filhos adotivos de Deus pelo nosso Batismo, esta é a nossa raiz, por isso participamos da natureza divina e somos frutos divinos. A força desta raiz nos encoraja a enfrentar a noite. Assim como algumas noites tem céu estrelado e outras apagado, na vida também, nos deparamos com dias bons e dias difíceis. O importante é que nas horas mais difíceis, em que o sofrimento cruza a estrada da vida, “eu peço pra Deus me dar a sua mão”.

O poeta se sente um ser a caminho, como o romeiro a procura da casa de Deus. Pede ao tempo que não lhe seja tão ingrato, que não lhe recuse ao menos “a ponta do seu cobertor”, porque segue pela rua, sem amparo, sem abrigo, e percebe sua alma nua, desprovida de toda proteção.

As imagens do andarilho do mundo que segue adiante na sua estrada, ou do retirante sem parada, ou do rio sem retorno retomam a proposta dos primeiros versos, que revelam o ser humano em construção, ainda sendo feito, pois sua raiz divina o quer como um fruto sempre mais acabado.

Comente a dinâmica das imagens do rio, do romeiro, do retirante, do poeta e do seresteiro, da vida em movimento nas estradas do mundo. O que evocam essas imagens?
Como Deus protege o poeta que se sente desamparado?
Por que, ao encontrar obstáculos no caminho, ele mergulha em si mesmo e vai buscar outros mundos?

Pe. Antonio Francisco Lelo.
Paulinas – Projeto Jovem

quinta-feira, 22 de março de 2012

Água...

A catequese tem que ser "diferente"!


Outro dia recebi um e-mail de uma catequista pedindo ajuda para um grupo de perseverança da Paróquia... Os jovens se sentem desanimados e o grupo está prestes a acabar.

Como ela, não sei muito de lidar com jovens. A experiência que tenho é a de lidar com meus três filhos. E não considero que tenha tido lá muito sucesso. Nenhum dos três é frequentar a Igreja. O mais novo, participou um ano da catequese da crisma, aos trancos e barrancos. E ia porque, como ele dizia: "Vou porque amo você Mãe e porque a catequista é muito legal!”.

Bom, considero isso uma vitória, pois ele, assim como os outros, tem valores cristãos (apesar de negarem que isso seja ser cristão!), não frequentam a Igreja, mas são jovens maravilhosos e conscientes. Não bebem, não fumam, respeitam o próximo, os pais e são muito amorosos. Honestidade, caridade, fraternidade faz parte da vida deles. E isso me leva sempre a questionar: O que os afastou da Igreja?

Eu estou sempre lá, a ponto de brincarem comigo e me chamarem de "beata". Então o que aconteceu? Falta de exemplo? No meu caso considero falta de "atrativo" por parte da Igreja. Eles não conseguiram se “achar” lá. Na verdade esse afastamento foi uma das coisas que me levou à catequese. Afinal, por que meus filhos não gostaram da catequese? E assim resolvi encarar o negócio. Fui ser catequista.

E uma das coisas que fui aprendendo é fazer uma catequese “diferente”. Descobri muito material e dinâmica lendo e pesquisando na internet. Só que é preciso, sempre, fazer algumas adaptações. E também temos que respeitar os itinerários construídos pela paróquia.  Mas percebi ao longo do tempo que simples encontros, com temas pré-estabelecidos, chateia as crianças. Mas mesmo respeitando aquilo que a paróquia e a coordenação planejou, é possível fazer muita coisa “concreta” para transformar a catequese em verdadeiros “encontros”.

Por exemplo, quando falamos da Páscoa Judaica, fomos procurar, pesquisar mesmo, na Bíblia e na história, como, por que e quantas pessoas, Moises tirou do Egito; como foi a peregrinação no deserto, etc. Mas em ritmo de conversa de interesse. Para isso sentamos embaixo de uma árvore no pátio da Igreja e enquanto íamos conversando sobre o assunto, CONVERSANDO mesmo, comemos pães ázimos, carne de cordeiro  e mastigamos ervas amargas. A experiência foi ótima, pois nos sentimos como aquelas famílias, apreensivas, com  medo do que ia acontecer... E com isso surgiram outros assuntos, outros medos e anseios dos dias de hoje: insegurança, relacionamento da família, etc.

E quando falamos de Abraão e da confiança que ele tinha em Deus - a ponto de partir sem saber direito pra onde ia - simplesmente vendamos nossos olhos e confiamos num outro guia que nos levou por corredores, escadarias, pedregulhos, portas, ruas, calçadas. E depois falamos sobre nossa experiência ao não enxergar nada e ter que confiar em outra pessoa para nos guiar. E novamente vieram as experiências cotidianas das crianças, a família, etc. Ao final do encontro brincamos de cabra-cega no pátio da Igreja, foi muito divertido. Por que isso não pode ser feito sempre? Brincar é uma coisa muito saudável!

Lembro de um encontro em que tinha que falar de Responsabilidade e Compromisso. E usei a construção da nova igreja, que está sendo construída para abrigar um número maior de fiéis, como tema da conversa. Um dia levei todos até o subsolo na construção, onde vai ser o estacionamento e cada um de nós escreveu seu nome num dos pilares da construção. Fiz a seguinte analogia: cada um de nós de uma forma ou de outra ajuda a construir a Igreja, e não só fisicamente. Quando contribuímos com o dízimo ou com qualquer outra oferta, com nosso serviço, a Igreja vai se construindo, vamos nos tornando a base da comunidade. No futuro, nossos filhos e netos serão sustentados por estas bases. Imagine você a carga de responsabilidade que cada um tem. Resultado: eles começaram a encarar a Igreja com outros olhos. O mestre de obras da construção até demorou a ter coragem para passar o reboco encima dos nossos nomes.

Encenações para a comunidade e para outros grupos, são também uma maneira excelente de fazer catequese. Mesmos que nem todos tenham dons artísticos, isso une muito o grupo. Sempre invento alguma coisa para apresentar na missa. Seja encenação do evangelho ou algo especial para os pais. Instigue, agite os jovens, faça-os sacudirem a comunidade. Sabe aquela música do grupo Rosas de Saron, "Anjos de rua"? Fala de crianças abandonadas nas ruas, prostituição, fome, abandono. Porque não fazer uma apresentação de dança com ela? Mostrar a comunidade como somos insensíveis com o nosso próximo. Ou então fazer uma apresentação com ela no próximo encontro de pais.

E LER as cartas de São Paulo? São mensagens maravilhosas. Mas é preciso ler e entender, visualizar o contexto histórico em que Paulo vivia; em que Lucas escreveu os Atos, enfim... Ache alguém que saiba o lado histórico, que saiba um pouco daquilo que não está escrito, que conte para os jovens como se estivesse contando uma história de vida! Nossa! Como isso pode se tornar uma riqueza para eles.

Sem contar que hoje temos um aliado poderoso. Que muitos até, consideram inimigo: a internet. Digamos que hoje essa é a “praia” das crianças e jovens. Mais até do que a nossa. Mas a internet pode ser usada como uma ferramenta. Por que não propor aos adolescentes criar um “blog” da turma? Ou criar um grupo no Facebook pra trocar idéias? Existem inúmeras ferramentas a disposição. Basta usar a criatividade. A gente vê muita página de paróquias e pastorais na internet, abandonadas porque não tem quem as alimente. E os catequizandos? Não poderiam colaborar?

O segredo é inovar, inventar coisas sempre. Os jovens de hoje precisam fazer o que gostam. Sentar numa salinha de reuniões e ler a Bíblia? Muito bonito! Mas não funciona na prática. É preciso envolvê-los! Na catequese de Crisma, na de Primeira Eucaristia, nas missas... Faça-os se sentirem úteis. Faça com que as idéias partam deles. Apóie as iniciativas e a criatividade deles. Pode, às vezes, parecer difícil fazer alguma coisa. O padre pode até não concordar com essas coisas “diferentes”. Mas, encha o "saco" (perdoe a expressão) do pároco até ele concordar. Depois, os resultados serão compensadores.

Fórmulas mágicas não existem. Existe sim, muita criatividade, e isso, os jovens têm de sobra. Basta que a gente dê um empurrãozinho!

Ângela Rocha