sábado, 17 de março de 2012

Encontros de Pais na catequese: Como fazer?


Começa o ano catequético e estamos aqui ás voltas com o tal “Encontro de Pais”. Porque ele “precisa” acontecer. Mesmo que seja uma vez só no ano...

Mas, realizar encontro para cumprir calendário e cronograma, ou mesmo porque “está no planejamento”, é pura perda de tempo. Todos os encontros e reuniões precisam ter um “motivo” válido. É preciso analisar o grupo que você quer envolver. Afinal, qual a realidade destes pais? Estes pais já não têm uma agenda cheia com trabalho, estudo e um monte de outras coisas? Qual a real necessidade da reunião ou encontro para o grupo de pais? Esta reunião precisa ser feita? Avisos e informativos podem ser feitos por escrito ou mesmo através do e-mail. Os encontros e reuniões de pais jamais devem ser um “incômodo” na vida deles.

E se o problema detectado é a falta de envolvimento com os pais na catequese dos filhos? O que fazer?

Infelizmente essa é uma realidade de quase todas as paróquias e pastorais catequéticas. É fruto da própria realidade sócio-cultural em que vivemos. A catequese é tratada como se fosse uma “escola”, uma obrigação social. Necessária para adquirir conhecimento “religioso”, essa é a visão da maioria dos pais. Vocês já foram às reuniões de pais de uma escola? A presença só é maciça se for por alguma obrigatoriedade como: pegar boletim, justificar faltas das crianças, notas baixas, etc. Como na catequese não tem nada disso, a maioria dos pais pensa duas vezes antes de ir. Por que ficar sentado lá, uma hora ou mais, se depois posso pegar a coisa por escrito?

A verdade é que “Encontros de pais”, precisam ser encarados como “formação” ou catequese mesmo! Ou seja, é preciso por no planejamento anual a catequese para os pais. Sente-se a necessidade de oração, espiritualidade, partilha, solidariedade na vida das famílias. Todos os problemas que temos envolvendo comportamento, falta de assiduidade, desinteresse e a própria falta de vivência de Igreja, deve-se a falta de evangelização das famílias. Essa nossa catolicidade “herdada” já não funciona mais. Ser cristão não é fator genético.

Mas um grande equívoco acontece quando as coordenações se vêem na “obrigação” de fazer os ditos “encontros”. Que acabam virando “reunião”. E muito maçantes por sinal. Nunca se tem um objetivo ou uma razão específica para fazê-los. Aí, aproveita-se a presença para despejar tudo que se tem a fazer no ano.

Outra coisa que acontece, para poupar “tempo”: Encontro de pais envolvendo multidões, ou seja, envolvendo todos os pais independente da etapa em que estão os filhos. Isso não traz bons resultados. Um auditório cheio não proporciona o clima de acolhimento e “intimidade” que se precisa criar. Afinal estamos falando de “encontro” e não de reunião. Interessante é que se reúnam pequenos grupos.

Apesar disso, reuniões se fazem necessárias na catequese. Reuniões mesmo, onde se passe o cronograma do ano, as normas gerais da paróquia/diocese para a catequese, o que se espera dos pais e o que se espera das crianças (número de encontros, freqüência, etc.), qual o conteúdo da catequese, enfim. Temos também as reuniões para se organizar os grandes eventos como a celebrações do sacramento e as entregas. Mas estas reuniões devem ser feitas separadamente, somente para os pais das turmas interessadas.

Mas, atenção! Nunca misture as coisas. Fazer uma “reunião”, cheia de avisos e informações, junto com um “encontro”, com oração, espiritualidade e reflexão; é um erro enorme. No mínimo uma das duas coisas vai ser encarada pelos pais como “cansativo” e “desnecessário”.

Uma coisa que se pode copiar das ciências, como a administração, por exemplo, é como organizar reuniões (encontros):

·        A primeira coisa, claro, é que a reunião ou encontro tem que ter um objetivo que deve ter sido pensado antecipadamente.
·        Depois precisa ter uma pauta e um cronograma do tempo necessário.
·        Cada pessoa que se pretenda envolver precisa ser “convidada” ou “participada” da reunião ou encontro.
·        Quando se trata de encontro, é um convite. Afinal se você convida alguém para um encontro, essa pessoa tem o direito de se recusar a ir.
·        Quando é uma reunião, é uma convocação. Trata-se da necessidade de resolver algum assunto. Se os pais precisam decidir algo ou precisam ser informados sobre o andamento da catequese, precisam estar lá. E para isso se faz ata e lista de presença.

É preciso diferenciar uma coisa da outra. Assim como é preciso PLANEJAR. E planejar com carinho. Discutir com o grupo, ver as reais necessidades com relação aos conteúdos abordados. Muitas vezes um simples café da manhã com os pais, sem discutir assunto algum, é muito mais frutífero do que um encontro com palestra e reflexão.

Vamos pensar nisso.

Ângela Rocha

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