terça-feira, 22 de novembro de 2011

Paradoxo...

Quem tem TV por assinatura já deve ter ouvido falar num seriado da Fox chamado Terra Nova. É uma história de ficção científica que se passa no ano de 2149. A Terra se encontra devastada e a maioria dos animais e plantas estão extintos. Então os cientistas desenvolvem um portal do tempo onde é possível voltar aos tempos pré-históricos e tentar mudar o destino do planeta. E algumas pessoas se mudam pra lá. O que acontece no decorrer da história é que eles descobrem que estão num paradoxo, ou seja, aquilo que estão fazendo lá para a preservação das espécies, não está mudando o que eles vivem no futuro. Isso é um paradoxo. Porque não se muda o passado simplesmente porque... É PASSADO! Se fosse mutável não seria “passado”. Complicado, né?

E por que eu estou falando disto? Porque às vezes sento em frente ao meu computador e me sinto na Terra Nova. Tento mudar as coisas pensando em não ver mais os catequistas se debatendo com coisas aparentemente tão claras. Mas vejo que para mudar o futuro eu teria que voltar no tempo... Ou então, sair dando “paulada” na cabeça de algumas pessoas e obrigá-las a mudar nem que seja “na marra”!

Falo isso porque às vezes escrevo algumas coisas que, pra mim, não são nada complexas e perfeitamente claras. No entanto, são encaradas por alguns leitores como uma “ofensa” ou como motivo de se armar uma “defesa” bem ao estilo de um “julgamento final”.

Outro dia fiz uma afirmação de que a “catequese” é incompetente e tem preguiça. Veja bem: a “catequese”. Não disse que os “catequistas” são preguiçosos e incompetentes. Por “catequese” eu entendo toda a estrutura onde se firma o serviço pastoral que atende crianças, jovens e adultos no “processo de educação da fé” (CR 318). Isso implica muito mais que somente o catequista que trabalha os encontros semanais. Diz respeito às coordenações em todas as esferas: paroquial, diocesana, regional; e também às diretrizes norteadoras do processo pedagógico da fé. Aliás, o catequista é “formado” dentro desta estrutura organizada (tenho algumas restrições também, quanto ao uso desta palavra aí). Por mais que ele, o catequista, não tenha culpa direta pelos problemas enfrentados pela pastoral, indiretamente ele é um pouco conivente com esta estrutura “paralisada” no tempo, que a gente vê hoje.

Mas até serei justa e farei uma retratação. Preguiça é um tanto forte, mesmo porque, é um pecado, inadequado à catequese, que tem se esforçado até demais para fazer acontecer o Reino aqui na terra. Vou trocar por comodismo.

E a ferida que cutuquei ao fazer esta afirmação foi o fato de que a catequese não acompanha os tempos chamados “fortes” da liturgia, ou seja, Advento e Quaresma. Pelo simples fato de que é época de férias das crianças e jovens. E, também, dos catequistas, claro. Isso porque nossa catequese, “que não é aula”, acompanha o calendário escolar. Veja que aí também não critiquei o fato de se tirar “férias” e sim, quando essas “férias” são concedidas. E férias dos “encontros” é uma coisa. Férias da Igreja é outra. Deus existe nos 365 dias no ano e não em 28 ou 30.

A catequese de Iniciação á Vida Cristã com inspiração Catecumenal preconiza mudanças nesse sentido. O primeiro passo é, não só acompanhar o Ano Litúrgico, como também fazer “casamento” com a Liturgia. Como fazer isso sem “reviver” o nascimento, a morte e a ressurreição daquele que é o Ícone da nossa Igreja? Como fazer isso se as crianças ficam três meses só com o “ensinamento” dos pais e sem a catequese formal? Mas vemos que os pais não têm esse preparo. Já que o “problema” é dos pais, eles deveriam, no mínimo, receber uma “catequese” pra isso.

Ué? Por que? Eles não frequentaram a catequese?

Por incrível que pareça, nem todos! E os que freqüentaram fizeram uma catequese como essa nossa de hoje (senão pior), que não tem levado o catequizando a uma “permanência” na Igreja e muito menos a uma vivência de fé verdadeira. E isso faz vinte ou trinta anos. Pouquíssimo tempo se considerarmos o ritmo de mudanças desta nossa Igreja milenar. Mudou pouca coisa nos conceitos. Nas estruturas, menos ainda.

E com isso vamos sofrendo. Nossa catequese não tem dado os frutos esperados. Sabemos quais são os problemas. Vamos lá! Vamos citá-los, nós já sabemos de “trás pra diante” até: crianças desinteressadas; pais que não participam; famílias desestruturadas; sacramentalização; falta de preparo dos catequistas; clericalismo; desapego da liturgia; estruturas arcaicas... Só para citar algumas.

E porque sofremos e padecemos se sabemos exatamente onde está a causa do mal? É “confortável” sofrer? Será que se “sofre” mesmo?

Fato é que estou ficando totalmente conformada. Pela Cruz, a morte é vida, a derrota é triunfo, o túmulo é glória. Nada mais paradoxal do que esta afirmação. Então, porque é que estou reclamando da conduta de alguns cristãos que buscam o sofrimento por excelência? Parece que a glória é o padecer.

Mas fico aqui pensando se Cristo realmente nos pediu para imitá-lo no sofrimento ou nas ações. Sempre acreditei que Ele nos pediu para segui-lo na busca de um mundo melhor e não que todos nós fossemos pregados numa cruz para padecer das mesmas dores. Nem acredito que vamos salvar a humanidade nos imolando e esperando “ressuscitar ao terceiro dia”. Este não é nosso papel. Cristo já fez isso pela humanidade. Agora precisamos fazer valer todo o sacrifício e a dor que ele sofreu. Vamos agir em prol do Reino!

Nada de férias! Rsrsrrsrs...

Ângela Rocha
Catequista Amadora


4 comentários:

  1. Oi, Angela. Estou fazendo parte dos Catequistas Unidos e vim visitar seu blog. Meu nome é Joana, tenho 12 anos e sou coroinha em minha comunidade. Gostei muito de tudo por aqui e já estou te seguindo. Você tem o mesmo nome da minha mãe, a Angela do blog Nos Passos de Jesus.
    Venha conhecer meu cantinho também, que ficarei muito contente.
    Deus abençoe você!
    Beijinhos perfumados,
    Joana

    sorrindocomjesus.blogspot.com

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  2. Joana, que bom saber que você já está no "caminho"... rsrsrrs...Vou ver seu blog com certeza!

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  3. Meri,

    Vai ter que ler e confirmar a "assinatura"... ficou faltando um pedaço do texto... rsrsrsr

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