sábado, 12 de novembro de 2011

E é verdade que os filhos querem colo!


 Outro dia recebi um e-mail com uma história muito triste. Contava de uma adolescente que se suicidara atirando-se do 8º andar. E a conclusão que o amigo dela chega é que foi falta de colo. Parte dela talvez não seja verdadeira. Dificilmente um menino de 15 anos faria essa associação. Um garoto poderia até ter falado alguma coisa nesse sentido, mas, provavelmente, é apenas uma parábola. Mas o fato é que essa história, verdadeira ou não, parece com muitas que já vimos acontecer. Jovens que se suicidam ou simplesmente se perdem no álcool, nas drogas, na violência do mundo... Pior é que a gente vê muita gente que nem é tão jovem assim, percorrendo o mesmo caminho...

Falta de colo. Sim, o colo é remédio para muitos males. Eu às vezes, me dou conta disso e ligo para meus filhos mais velhos, que já estão adultos, só pra perguntar se está tudo bem, se não estão passando fome, se estão se agasalhando, como vai a faculdade, como vão as "minas", enfim. Eles até riem de mim, me chamam de exagerada, de “corujona”. Mas sei que no fundo estou dando a eles um  pouco de "colo". Um lugar onde eles sabem que podem vir pra chorar as suas dores.

Então, ao enviar essa mensagem aos meus contatos, recebi de uma amiga uma resposta que me deixou pensativa. Ela dizia que colo é bom mesmo, que apesar de não ter mais o dela, podia proporcionar isso à filha, mas... Que a filha sentia mesmo era falta do celular, do tênis, roupa da moda... Coisas que ela não podia dar.

É claro que além de COLO, seria maravilhoso ter o celular e o tênis da moda, andar vestida na  moda, ter um computador com todos os recursos disponíveis, a mochila, o caderno, a maquiagem... E a gente nem pode dizer que isso é bobagem porque no nosso tempo nem tinha essas coisas. Na verdade, não precisávamos porque não tinha nada disso!

Claro que lá no futuro, na vida adulta, os colos têm muito mais validade do que todas essas coisas. Aliás, o apoio dos pais e uma educação primorosa podem fazer com que a pessoa consiga todas essas coisas por esforço próprio. Mas o sucesso mesmo, é se, lá na frente, essas coisas não tiverem tanto valor. São coisas supérfluas, que não fazem diferença alguma em nossa vida.

Acho que os maiores ensinamentos que a gente pode passar aos filhos é valorizar as coisas simples. Dar valor àquilo que tem de fato: família, amizade, companheirismo...

Eu por exemplo tenho um celular que faz e recebe chamadas,não preciso mais que isso. Um verdadeiro "museu".  Fotos, Hi Fi, jogos, filmes, MP3... Pra que? Eu não uso nunca! Aliás, eu mal uso o celular. E esse, espero, é um exemplo que passo aos meus filhos.

Minha filha de onze anos, não é uma menina que anda na última moda nem tem tênis da moda. Porque eu também não ando na moda nem tenho tênis da moda. Eu tenho roupas e sapatos confortáveis e úteis.

E é esse o conceito que passo pra ela. Claro que o grupo em que ela anda na escola, não pensa assim. Mas cada vez que ela vem com um papo de que "precisa" de alguma coisa - de que realmente não precisa - eu pergunto pra ela do que ela quer abrir mão para ter algo supérfluo. E aí a gente lista: viagem, passeio, cinema, cachorro quente, Turma da Mônica Jovem, internet, TV por assinatura... E isso, por digamos, um ano inteiro. Aí sim ela pode andar na moda e comprar um tênis de 400 reais. Ah, e também tem a opção dela estudar numa escola pública, o que com certeza nos dará recursos pra comprar um tênis e uma roupa nova todo mês.

Eu não sofro nada por não poder dar as coisas materiais que a minha filha não precisa. Sofro quando ela dá valor a futilidades, sofro quando ela tira notas baixas, sofro quando ela é egoísta e pensa só nela, sofro quando ela não pensa em ajudar quem precisa. Aí sim, eu sei que falhei.

Outro dia fomos passear no Shopping. Fazemos isso pelo menos uma vez por mês. Olhamos as coisas da moda, os sapatos legais, as maquiagens. Fizemos um lanche, compramos um gibi da Mônica, um brinco de cinco reais e prendedores de cabelo de 1,99. E eu ganhei um presente que não troco por nada: Enquanto andávamos por lá, de braços dados, criticando e analisando a moda atual, minha filha me disse: "Sabe quem é minha melhor amiga, Mãe? Você.". Pois é, um passeio no shopping de vez em quando não custa nem 30 reais, mas a felicidade que esses momentos nos proporcionam, não tem preço.
E a gente não faz isso sempre. O que valoriza ainda mais o passeio.

E a felicidade dela não estava no brinco ou no lanche, estava na companhia, no colo, no bate-papo. Ela voltou tão feliz quanto se eu tivesse comprado o tênis de R$ 290,00 que ela achou muito "fashion"...

Ângela Rocha
(Mãe de quatro filhos: 24, 21, 18 e 11 anos)

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