quarta-feira, 30 de novembro de 2011

É tudo culpa do Papai-Noel...


Perceberam o quanto nós lutamos contra moinhos de vento em nossa Igreja? De vez em quando se levantam bandeiras de causas totalmente inócuas. É o caso do dia das bruxas, é o coelhinho da páscoa e muitas outras coisas. Nessa época a luta tem sido contra o pobre do Papai Noel. Aquele velhinho sorridente de longas barbas brancas e roupa vermelha, símbolo de esperança que povoa o imaginário de muitas crianças. Resolvemos colocar toda a culpa da nossa incompetência, em evangelizar e tocar corações, nas costas do bom velhinho.

Temos dito que ele é o símbolo do consumismo e não significa o Natal. Concordo. Afinal, São Nicolau, ao iniciar a tradição, apenas queria trazer alegria às crianças pobres no natal. Jamais imaginou que a Coca-cola ia dar-lhe uma roupa vermelha e que sua figura ia ser transformada em tamanho ícone do capitalismo. Mas o fato é que temos dado a ele um fardo grande demais para carregar. Tá certo que ele já carrega um saco a altura de tamanha amolação, mas... Haja saco!

Pouco, na verdade, nos esforçamos para transformar o Menino Jesus em símbolo do Natal. O menino na manjedoura como símbolo de esperança e salvação, não nos lembra o Jesus adulto que carregou no pó das suas sandálias tantos discípulos. Cristo adulto é para nós modelo e mensagem. Do Cristo menino, pouco sabemos. Lembramos dele no natal e só.

A ternura do menino nascido num estábulo, não lembra às crianças, aquilo que elas vão necessitar por toda a sua vida adulta: fé. Porque quando criança, precisamos de coisas palpáveis que façam parte do nosso mundo. Brinquedos, por exemplo. Talvez seja isso que faça com que a maioria das crianças, confie bem mais no velhinho que atravessa os céus em um trenó movido a renas, cheio de presentes. É de praxe. Copiamos e vivemos muitos modelos americanos. E também, é bem mais fácil para as crianças confiar num adulto, que lembra o vovô, do que num pobre menino que nasceu num berço de palha.

Mas, independente de ícones e símbolos, o significado do Natal está arraigado, de alguma maneira, em cada um de nós. É uma época mágica. De luzes, enfeites, presentes, encontros. É uma época em que um pouco daquela bondade escondida em nós, vem à tona. Sim, deveríamos transportar estes sentimentos de fraternidade e perdão, para o resto do ano, mas temos falhado nisso, de modo fragrante.

Fato é, que todos nós, temos lembranças de natais passados e dos natais da nossa infância. Maravilhosos ou não, trazem ao nosso coração aquela doce nostalgia de uma época em que ainda tínhamos a inocência de acreditar em Papai Noel, onde havia esperança, muito mais que de presente, de encontro, de abraço, de rever parentes, de festa. Claro que hoje a mídia e o comércio deram ao natal uma roupagem por demais materialista. Nossas crianças não se contentam mais com simples bonecas e carrinhos. Computadores e jogos, videogames de décima, vigésima... geração, Ipods, Tablets, celulares cibernéticos, Barbies que cantam, dançam e, se duvidar, expressam sua opinião; estão mais ao gosto delas. São os novos tempos. E lutar contra o futuro, é fazer como Dom Quixote, lutar contra moinhos de vento imaginando que são dragões.

Definitivamente, Papai Noel existe. E está aí, estampado em outdoors e decorando as vitrines de todas as lojas, para quem quiser ver.  Então, ao invés de lutarmos contra ele, porque é que não gastamos nossas energias na Novena de Natal, ou numa campanha de alimento e presentes? Porque não temos catequese no Natal? Porque numa época tão maravilhosa e cheia de significado religioso, damos férias a nossas crianças? Deve ser porque precisamos de tempo para percorrer todas as lojas, tão lindamente enfeitadas com a imagem do Papai Noel...

Angela Rocha

2 comentários:

  1. Olá! Estamos de volta. Peço desculpas por este período ausente, fico feliz ao ver que seu blog continua com a mesma qualidade de sempre.
    Neste tempo de Advento e Natal deixemos que Maria nos conduza, aproveitemos o seu exemplo, contemplemos as suas atitudes, deixemo-nos educar e com Ela aprendamos a viver como verdadeiras famílias cristãs. Jesus tem que nascer de novo em cada um de nós, para que possamos viver em íntima união com Ele.
    Grande abraço na Paz e no Amor de Cristo,

    Reinaldo e equipe da Pascom

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  2. Ângela, não desista nunca. Pode ter certeza que eu sou uma catequista que aprendi muito este ano com você e com outros blogs e também estou correndo atras de conhecimento, abraços fraternos, Shenia.

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