domingo, 8 de janeiro de 2017

QUANDO OS ÍDOLOS NUNCA MORREM...



Sou fã incondicional de Elvis. Tinha onze anos quando ele morreu. Não me lembro se isso causou impacto em mim ou não. Dessa época só me lembro que assistia aos filmes dele na TV.

O fato é que sempre soube quem era Elvis, parece que já nasci sabendo. Minha irmã, sete anos mais velha que eu, foi uma grande influência. Lembro de nós três, irmãs e fãs, dançando feito loucas na sala, ao som de Elvis na vitrola. Não tinha, claro, consciência do ele representaria para o mundo da música. Só sabia que gostava daquela voz de veludo e daquele som maravilhoso que fazia a gente ter vontade de sair pulando.

Bom, o fato é que, como dizem os aficcionados por música, o mundo não seria o mesmo se Elvis não tivesse existido. Quem nunca escutou "Always On My Mind" ou "Love Me Tender"? Ou “ My Way” na voz dele? Fora os ritmos quentes do rock. Ele misturou o country com o blues num ritmo mais acelerado e criou a fórmula do rock’n’rol. Bonito, (lindo, pra falar a verdade!), branco e com aquela voz de veludo, Elvis ganhou o mundo. Outros tinham feito isso antes, mas nunca com o apelo de Elvis.

Dizem que se Elvis não existisse, o rock seria um ritmo negro. O jeito como rebolava e mexia os quadris, mexeu profundamente com a nossa libido de garotas assanhadas. Elvis inventou o rock e por extensão, toda uma cultura jovem. Sem Elvis, não existiram os Beatles e sem Beatles, não teria acontecido a revolução cultural dos anos 60, com drogas, cabelos compridos, sexo livre, independência feminina e todo o resto. Segundo um comentário que li na internet: a cara que a juventude tem hoje, mesmo multifacetada e dividida em várias tribos, nasceu do rock. E o rock nasceu de Elvis.

Fui tomar consciência da morte dele um pouco mais tarde, nos vários aniversários de morte. Nos vários depoimentos e reprises de filmes, fui tomando consciência de que meu ídolo havia morrido... Que não haveria novos hits, nem novas aventuras do rei do rock. E ficou aquela saudade sentida que só ouvindo a voz melodiosa dele cura um pouquinho: “And now the end is near and so i face the final curtin, my friend, I'll say it clear....”

Mais de trinta anos da morte dele e ele continua mais vivo do que se estivesse aqui até hoje. O que alimenta essa paixão? Esse quase culto a uma pessoa que já se foi? Que já não grava mais nada e no entanto, é adorado por milhares de fãs que nasceram depois da morte dele?

Na verdade todos os nossos ídolos deveriam ser como Elvis Presley, que nunca morreu de fato. Todas as pessoas que admiramos deveriam ficar para sempre em nosso coração nos chamando de “Angels”. Não deveríamos nunca descobrir defeitos nelas, ou se descobríssemos, não dar a menor importância para isso, o que importa é que esteja: “ always on my mind...”

Não me importa se ele morreu gordo e feio, de overdose de remédios. Para nós que somos fãs, ele sempre será lindo, com aquela mecha de cabelo na testa, com aquele sorrisinho torto... E sempre que a saudade aperta basta que a gente coloque aquele “disco” na “vitrola” e curta com os olhos fechados: “love me tender...”

A gente ama, Elvis, a gente ama....

Your "Angel": Ângela Rocha

Um comentário:

  1. Nossa, arrepiei... A sua história é a minha. Em cada palavra, em casa verso passei por uma viajem ao túnel do tempo... Perfeito!

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