Inquietar-se

…acabamos sempre por chegar aqui quando nos enamoramos de verdade. É uma fase em que sentimos no coração a inquietude de se chegar a “fronteira vital” em que as hipóteses são: passar para o outro lado ou voltar atrás e andar as voltas no mesmo lugar.
É a fase das perguntas fundamentais, mas, ainda não muito claras. “E se?... E se houver muito mais?...” Surge em nós a intuição profunda de que, afinal, o encantamento e o enamoramento são apenas o início de uma história muito, mas muito, maior. Começamos então a entender que quem tem “as rédeas” da coisa, já não somos nós...
E falamos agora da chegada a beira do cais, do embarcar numa viagem onde não dá para saltar no meio do mar... A história de amizade vai se tornando uma questão primordial. Já não dá mais para viver uma relação “sossegada”. E esta Inquietação marca exatamente a etapa em Ele começa a tornar-se questão de sobrevivência… É o fim da "adolescência"... Das brincadeiras e da irresponsabilidade.
Então, pressentimos em nosso âmago que isso implica uma mudança de vida, o que era já não é mais. É o salto qualitativo, um novo ponto de referência para muitas coisas… Por isso, esta é a hora do desassossego, do primeiro “franzir de sobrolho” para o Mestre, como quem lhe pergunta: “Para onde me levas?”… E é preciso confiar...
É uma etapa interessante… A gente se esforça para esquecer e não pensar muito nisso, mas começam a surgir algumas perguntas que nos arranham o coração muito mais do que gostaríamos ou esperávamos...
O enamorar-se não dura para sempre! Das duas, uma: ou morre ou se transforma numa inquietação interior que leva a um compromisso maior. É a aproximação da “fronteira vital”, é o escolher “viajar” sem saber bem o destino.
E as perguntas? Elas se multiplicam dentro de nós num ritmo e numa urgência muito diferente, mas todas têm o mesmo tom e a mesma origem… Sentimos “provocações” interiores que nos espantam... Como as perguntas que as crianças nos fazem sobre coisas que imaginamos escondidas e inesperadamente temos que encontrar uma resposta que as satisfaça.
“E se eu agora pedir mais do que você tem me dado, o que posso esperar de você?”
“Se eu agora quisesse pedir mais do que tem me dado, você estaria disposto a dar?” “Você bem sabe que não quero as tuas coisas. Quero a você! Porque te amo!”
“Prometo que não vou roubar você de si próprio e que nunca te farei mal! Só quero de você o que me der.”.
“Prometo que não vou roubar você de si próprio e que nunca te farei mal! Só quero de você o que me der.”.
“Vá lá… Sejamos sérios! Quero viver com você uma relação de verdadeiro Amor, e para isso temos que ser verdadeiros um com o outro desde o princípio.”
“De que projetos de vida seria capaz de abdicar por mim?”
“E que projetos seria capaz de sonhar comigo? Deixa-me sonhar com você?...”.
“Até onde me deixará te levar?”
“Será que tem que ser sempre você a decidir a direção dos passos que damos juntos?!”
“Quando me darás mais espaço para poder ter iniciativas na tua Vida?”.
“Quando me darás mais espaço para poder ter iniciativas na tua Vida?”.
“Está disposto a arriscar alguma coisa por minha causa?”
“Você tem coragem de se por em minhas mãos ou continuarei sempre reduzido a um “adendo” seu?!”.
“Gostaria de ir mais longe com você…”.
“Gostaria que saíssemos desse relacionamento morno em que você me dá sempre apenas umas migalhas do teu amor e da tua atenção, mas nunca põe realmente o destino de seus dias em minhas mãos!”
“Não confias em mim…”.
“Diga-me, o que posso esperar de você”?
“O que posso esperar mais de você?”
“Eu te amo demais para aceitar ser apenas o teu “amiguinho” de sempre, que diz umas coisas legais num ou noutro momento de descontração...”.
“Eu te amo demais para desistir de “nós”!”.
“Essa é uma História de Amor, percebe?”
“O que posso esperar de você?...”.
E a verdade é que essas perguntas nos rondam durante um tempo... Inquietantes são esses dias... E felizes aqueles que os experimentam e percebem que não há motivos para fugir...
Angela Rocha
*Texto adaptado
Comentários
Postar um comentário