segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

UM TRISTE ANIVERSÁRIO...

Hoje, os haitianos do mundo inteiro (cerca de dois milhões de haitianos vivem nos Estados Unidos, perto de um milhão na República Dominicana e mais uma porção de gente em Cuba e em outras ilhas do mar do caribe), lembram do dia mais trágico de sua história... dia 12 de janeiro de 2010, quando aconteceu o terremoto mais catastrófico no Haiti.

A Cruz vermelha internacional estimou que cerca de três milhões de pessoas foram afetadas pelo abalo sísmico. O governo haitiano calculou em mais ou menos 300 mil, o número de mortos. O terremoto causou grandes danos a Porto Príncipe, capital do país. Milhares de edifícios, incluindo construções do patrimônio da capital, como o Palácio Presidencial, o edifício do Parlamento, a Catedral de Notre-Dame de Porto Principe, a principal prisão do país e todos os hospitais, foram destruídos ou gravemente danificadas.

A sede da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, localizada na capital, desabou e que um grande número de funcionários da ONU morreram, inclusive o chefe da missão. Perdemos também a doutora Zilda Arns, pessoa incansável no trabalho de combate a desnutrição de nossas crianças. Graças a ela a Pastoral da Criança é uma das pastorais mais atuantes de nossa Igreja.

Muitos países responderam aos apelos de ajuda e enviaram fundos, expedições de resgate, equipes médicas e engenheiros. Sistemas de comunicação, transportes aéreos, terrestres e aquáticos, hospitais, e redes elétricas foram danificados pelo terremoto, o que dificultou a ajuda nos resgates e de suporte; confusões sobre o comando das operações, o congestionamento do tráfego aéreo, e problemas com a priorização de voos dificultou ainda mais os trabalhos de socorro. Os necrotérios da cidade não tinham suporte para receber tantas vítimas; o governo haitiano anunciou em 21 de janeiro que cerca de 80 mil corpos foram enterrados em valas comuns. Com a diminuição dos resgates, as assistências médicas e sanitárias tornaram-se prioritárias.

Algum tempo depois, o país ainda sofreu uma epidemia de cólera, trazendo ainda mais sofrimento à população. Cerca de três meses depois da tragédia, nosso amigo Alberto Meneguzzi esteve lá. Já havia uma infinidade de ONGs e representantes de instituições governamentais internacionais no trabalho de reconstrução. Os relatos dele sobre a situação do país foram impressionantes. Uma das coisas que mais me marcou foi esta foto:

“A expressão do rosto deste menino, um dos milhares de flanelinhas que circulam pelas ruas de Porto Príncipe. Ele foi no vidro do carro onde estávamos e deu uma espiada. A expressão do rosto dele é de cortar o coração... O olhar dessa criança me fez chorar”.

E na época, dediquei para ele esse pequeno texto:

"Tua boca não me diz. Mas sabe do que falam teus olhos? Falam das mil dores que teu coração criança sente... Eles falam das tantas lágrimas que nem teu pranto consegue derramar mais... Eles não falam da esperança, que tua mão em arco pede tão ostensivamente por detrás destes vidros que te fecham nessa realidade trágica que é a tua vida... Mas, teus olhos tristes sabem quantas janelas fechadas te separam do meu afago..."

Mas, uma coisa que não posso deixar também de lembrar, são das muitas vítimas das enchentes em nosso país. Enchentes, deslizamentos, casas alagadas, pessoas soterradas, famílias desabrigadas que perdem absolutamente tudo que tem... que na maioria das vezes já é pouco. E isso acontece todos os anos... Se não é em São Paulo, é em Santa Catarina, no Rio de Janeiro, Paraná e até no nordeste. Será que o governo já contabilizou as mortes que acabam acontecendo nestas enchentes? Será que já não estamos perto dos 300 mil?

E gostaria também de lembrar das nossas crianças que ficam nas esquinas pedindo trocados, dos nossos flanelinhas...  

 


E não somos como o Haiti...
Não somos um país assolado pelas guerrilhas e marcados por tragédias históricas.
Não somos um país com um dos mais altos índices de analfabetismo e desemprego do mundo.
Não somos um país marcado por crendices e práticas como o Vudu.
Não somos um país de pobres e miseráveis...

Ou será que somos?

Ângela Rocha

5 comentários:

  1. Profunda reflexão! Triste realidade! :(

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  2. Olá, é com alegria que venho lhe convidar a passar lá no blog e deixar um comentário para sabermos que desejas continuar na lista dos Catequistas Unidos. A lista será atualizada e quem não responder terá seu link retirado. Conto com você!
    http://www.catequesenanet.com.br/2015/01/catequistas-unidos-o-sonho-nao-acabou.html

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  3. Realmente nossa realidade, em muitos lugares e situações, não difere em nada da situação de muitos países mais pobres.

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  4. Estou aprendendo a lidar com o Blog. Estou na aula de internet segunda fase na Paróquia e a professora me dará meia hora antes de começar.

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  5. Estou aprendendo a lidar com o Blog. Estou na aula de internet segunda fase na Paróquia e a professora me dará meia hora antes de começar.

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