quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Inalcansáveis!




E estamos nós aqui, alguns anos mais velhas... E um pouco mais mães, e um pouco mais avós... Novas vidas se fazem presentes em nossas vidas... E quem sabe tem mais gente que virou mãe e avó e eu nem sei? E fico aqui pensando no quanto estes filhos e netos,  essas criaturinhas, são pedacinhos da gente e de Deus.

E mais ausências também...

Pois é...
Todo dia penso em escrever uma carta pra matar uma saudade. Pra retomar aquele tempo bom que quanto mais a gente lembra, mais parece que foi bom...

Mas, quando dou por mim... Já era! E a gente escuta e anda falando muito isso por aí... Vi isso num blog outro dia: a “doença da pressa”.

Parece que nosso tempo foge e andamos “perdendo o bonde”, facim, facim... E, às vezes, esse bonde nos levaria pra lugares “nunca dantes imaginados”!

Sabe, ler uma carta deve demorar apenas uns 5 minutos, um pouco mais um pouco menos, depende da sua afinidade comigo (Aha! Tem que ter afinidade comigo para me ler!) e de seu ritmo de leitura. E o que são 5 minutos do seu tempo?

Dizem por ai, que cada vez se tem menos tempo - e paciência - para ler, por isso a solução é fazer facebooks, blogs, livros, “páginas”, sites, perfis... Cada vez mais "acelerados" onde o que você lê, você interpreta como dá, como bem entender, puder ou quiser ... E assim metade da informação é passada pelo “telefone sem fio” da latinha de massa de tomate... E quem conta um conto, aumenta um ponto. No final nem sabemos mais o que é real ou imaginário... Ou “virtual” mesmo, desta terra de ninguém, onde todo mundo escreve e parece que nada é de autoria de alguém...

E a tal leitura dinâmica ou leitura rápida é o que mais se faz, mesmo sem a menor intenção. Aposto que você já cansou de dizer: “...é, eu dei uma passada de olhos” ou “eu li algo sobre isso em algum lugar” ou “É, baixei um arquivo sobre o assunto”... Que você acabou “arquivado” sabe lá Deus aonde.

E isso é uma epidemia, sabiam? A doença da pressa. Tá todo mundo infectado! Sabem quais são os sintomas? Desejo de saber tudo, ouvir tudo, ter todo tipo de informação, mesmo que seja pela metade, compactada, sem nenhum pingo no i, sem nem saber pra que serve a tal “informação”. Na pressa, no sufoco, no “depois eu leio”, “ai, deletei sem querer!”... Ou pior, pior dos piores: “isso não me interessa...”

Aviso aos “posta-restantes” deste correio: Eu estou fazendo a mala pra voltar a viver um outro tempo, na era das “cartas escritas” (não a mão que a essa altura do campeonato minha caneta é o teclado...) Vou beber de uma outra energia de agora em diante...


E se a gente andasse com mais lerdeza? O tempo está se acelerando mesmo? Mas o dia continua tendo 24 horas! 1 hora vale 60 minutos e, cada minuto ainda tem 60 segundos! Então, que foi que mudou?

Eu que não passarei mais um ano com a sensação de que não consigo fazer tudo o que quero e que deixei algo passar! E que uma destas coisas é a preciosidade de ter amizade verdadeira das pessoas...

E essas tecnologias modernas que nos custam tão caro e prometem fazer render nosso tempo nos enganam sem a menor consideração! Propaganda enganosa! Continuamos com uma pressa inalcançável! Nada faz “render” o tempo... A não ser o nosso passo mais lento... 

E hoje a gente não consegue se esconder de mais ninguém. Podemos ser localizados em qualquer lugar e a qualquer momento por qualquer pessoa em qualquer rede social... Praqueiço? Se na hora que eu quero chorar de verdade na “aba” de alguém, tá todo mundo “offline”? Convido um amigo pra tomar um café, um simples cafezinho ele tem que consultar a agenda pra ver se pode? Celular virou sala de visita... Ninguém se encontra mais!

Mensagens instantâneas num simples click de tecla, uma quantidade de informação que eu nunca conseguirei acessar, uns 1.000 amigos que eu jamais encontrarei pessoalmente... 

Doença da Pressa já existe, sabia? E os semáforos vermelhos continuam testando nossa paciência, obrigando a gente a frear a cada quarteirão. E quem disse que apertar as teclas do elevador, duas, quatro, dez vezes vai melhorar a eficiência do elevador? A fila do supermercado não anda porque as pessoas ainda comem. E ainda assim, continuamos a xingar no semáforo, a reclamar do elevador que não chega nunca, e ai daquele que na hora de pagar lembra que esqueceu o pãozinho... Aceleração é uma escolha que fazemos... E vamos perdendo muita coisa que não temos tempo de apreciar pela janela, porque nosso bonde  mais parece o trem-bala...


E aí a gente também vai cometendo os erros da vida acelerada... Como não ter amigos de verdade.

Prejudica as relações com a família, maridos, amigos... Porque temos pressa ou estamos distraídas para se envolver profundamente com qualquer outra pessoa (que não a gente mesma).

E viva as “gentes pela metade”! E vamos engordando porque comemos rápido demais ou algum bagulho de fastfood... E temos ideias pouco criativas por dar à mente poucas chances de funcionar num modo mais suave, relaxado...  Divagar, deixar a mente fluir, a cabeça bobear... E a gente lá tem tempo pra isso? 

E paramos de ter prazer com a comida, sexo e hobbies pra realizar atividades mais “prazerosas” depois! tsc, tsc, tsc. Quequéiço?? E cada “mico” que a gente  carrega nas costas! Corre, corre, corre tanto, pra não chegar a lugar nenhum!

Vamos então separar um tempo para desligar toda a tecnologia que nos cerca: internet, celular, televisão.... Sentar com os próprios pensamentos...
Ligar pra mim ou escrever uma carta...  Escutar o Elvis ou ler um livro...

Larga tudo que tá fazendo e vem comigo! No caminho eu explico....


Ângela Rocha

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