segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Telefone sem fio...

Estou tentando, com todas as minhas forças, ser catequista...

Acordo todos os dias achando que estou cada dia mais perto.

Quando fui procurar a secretaria da paróquia para ser catequista, lá nos idos de 1990 e alguma coisa eu tinha sim, um objetivo: descobrir afinal de contas que coisa é essa que, ao invés de ajudar meus filhos a permanecer na igreja, se transformou numa enorme “chatice”. A ponto até, de fazê-los questionar a utilidade da mesma. E não me venham dizer que estou sendo radical! Porque não estou não. É assim com a grande maioria dos jovens.

Acontece que algum tempo depois eu realmente atendi ao chamado que Jesus me fez na pessoa daquele padre chamando gente pra ser catequista...

“Venha caminhar comigo!”, disse Jesus. E eu fui.

E comecei a entender o que era o caminho. Não é uma estrada para se “chegar lá”, nem tampouco um objetivo a ser alcançado. É um “estar com ele” cada segundo, minuto, hora, dia da minha vida. É tropeçar nas pedras, se ferir em espinhos e colher flores... É caminhar sem tentar entender aonde isso vai dar. Não é um caminho fácil. Nem é uma estrada que tem fim. Ou “objetivo”, como preferir. Assim, se eu tenho um objetivo sendo catequista, não sei dizê-lo.

Como não sei dizer o que espero dos meus catequizandos...

Acho que vou roubar a fala de uma outra catequista que disse que o que mais gosta na catequese é: “O dia do encontro”. Sim é isso. Espero sempre o dia do encontro. E venha o que vier, aceito com alegria. Amo sem restrições e sem porquês. Apenas amo aquelas crianças como se fossem minhas. Só.

Também não sei se há uma coisa que gosto mais na catequese. Já disse muitas vezes: a catequese parece correr nas minhas veias junto com meu sangue. Nem me imagino fora dela. Faz parte de mim. Ela não se divide em “pedaços” para que eu possa escolher um. Ela é “inteira”, com todos os seus desafios, alegrias e decepções.

Agora, responder o que precisa mudar na catequese, então! É um trabalho de Hércules. Não posso mesmo fazê-lo. Caberia aqui um tratado político-religioso-social-humano-filosófico... Para dizer pouco!

Há muitas mudanças a serem feitas. Muitas mesmos. Começa pelas famílias, passa pela inclusão, pelo comprometimento com a comunidade, por uma maior atenção por parte dos padres, por investimentos em recursos, por espaço adequado, por coordenações efetivas, por uma formação adequada dos catequistas. E poderia citar aqui inúmeras coisas que poderiam ser diferentes, mas não são. Bem melhores, mas não são.

Mas tem uma coisa imprescindível que precisa mudar na catequese. Vamos ver se consigo explicar...

Não sei se vocês, que são mais ou menos da minha idade, já brincaram de telefone sem fio quando eram crianças. Lembram?

A gente fazia uma roda enorme, alguém começava falando uma frase no ouvido do amigo do lado e este ia repassando o que escutava até chegar lá no fim, ao último da roda... Normalmente a frase que se dizia no início não era nem parecida com aquela que chegava lá no fim! A mensagem era totalmente deturpada. Pois acho que acontece muito de “telefone sem fio” na catequese. O que se pretende aqui no começo nunca é o que acontece lá no fim.

A começar pela mensagem inicial de Cristo: “Você não anda bem da vista! Vá ao oculista!” E a mensagem vai passando, passando, passando... E o sujeito lá no final escuta: “Venha ser catequista!”.

E aí, dá no que dá... Muita, mas muita gente mesmo, não sabe o que está fazendo na catequese. Não enxerga um palmo diante do nariz. É cego de tudo! Está definitivamente no lugar e na hora errada. Isso precisa mudar. Com urgência!

Angela Rocha

Catequista Amadora

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