quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Bons tempos... Onde comer um nhoque era tão mais simples!



Hoje, entramos numa conversa culinária no facebook. De nhoque sem batata ou com batata. Isso porque, ao pensar no cardápio do almoço, lembrei dos nhoques que minha mãe fazia. Massa  batida na tigela e jogada ás colheradas na água fervente. Só que é difícil acertar o ponto da massa, sem que ela se desmanche ou fique pegajosa. Então fui buscar ajuda...

E do meu pedido de uma receita simples, vieram várias sugestões de nhoque de batata, de leite, enrolado na mesa, comprado no supermercado... Poucas pessoas sabiam de que  “nhoque” que eu estava falando. Que na verdade era feito com a simplicidade que a pobreza daqueles dias exigia. Uma amiga chegou a  me dizer: “Faça de batata que é mais fácil!”. Mas não era nada disso que eu queria! 

Eu queria voltar ao tempo em que se vivia na simplicidade. Que pouco ou nada de carne, se tinha para comer. A batata era uma coisa que não era tão comum. Era reservada às maioneses do domingo. Onde arroz e feijão era o prato de todo dia, nunca faltava. E também o trigo para fazer pão. E galinhas no quintal para botar os ovos, e tinha as coitadinhas, que não eram poedeiras, para servir de iguaria nos almoços especiais. E tinha chuchu nas cercas dos quintais, abóboras e abobrinhas de lastro, que crescia por cima da grama do jardim. Alfaces vistosas, transplantadas mudinha a mudinha, depois da brota. Cebolinha, salsinha, manjericão, alecrim; nem se pensava que podiam ser comprados; não tivesse em nossos quintais, tinha no do vizinho.

Ah, que saudade! Das muitas comidinhas simples e fáceis, sem qualquer traço elaborado ou bonito... Que hoje a gente nem encontra quem saiba mais fazer. Sinto falta de quando o cheiro do alho e da cebola frita, era tudo que se precisava para deixar um prato gostoso. E dos doces e compotas que a gente esperava a estação da fruta pra comer. Das bolachas duras de salamoníaco. Do macarrão feito em casa que secava numa toalha na beira da bacia...

Não. Isso não existe mais. Hoje a gente tem que ter uma receita escrita para seguir, passos complicados e elaborados, temperos de que nunca se ouviu falar e tudo se compra no supermercado. E não se come mais sem carne... E ninguém pensa em assá-la, ela vem de uma rotisserie (palavra chique que a gente nem sabe pronunciar)...

Ângela Rocha


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