segunda-feira, 25 de junho de 2012

O SIM À VIDA


Meu filho mais velho hoje está com 25 anos...

Eu tinha 19 anos quando fiquei grávida. Não estava casada e meu namoro, com alguém tão jovem quanto eu, não tinha pretensões ao casamento.

A gravidez foi uma inconsequência da juventude. Eu mal começara minha vida, estava no meu primeiro emprego de verdade e tinha planos de começar a faculdade. Não morava com minha mãe desde meus 16 anos porque ela não podia sustentar todos os filhos depois que ficara viúva. Eu morava numa pensão e não tinha "um gato pra puxar pelo rabo". Meu namorado fazia faculdade e trabalhava, mas não tinha condições de começar uma família. Como eu, ele também era órfão de pai.

Lembro-me de ter ido ao médico por estar "passando mal" com alguma coisa que tinha comido. E qual não foi a minha surpresa ao responder as perguntas dele sobre o ciclo menstrual, relações sexuais e se eu fazia uso de anticoncepcionais...  Não, aquilo não era "comum" em minha vida... Mas meu ciclo estava atrasado. E o exame de sangue confirmou: eu estava grávida. E, vejam só, há 26 anos atrás, num hospital até bem conceituado, o médico me perguntou se eu pretendia ter o bebê, se queria fazer um aborto.

Naquele momento meu mundo se transformou...

Mas esta "transformação", em momento algum, foi no sentido de achar que minha vida tinha acabado e que a gravidez ia acabar com meus planos de futuro. Tudo que eu senti naquele momento era que ia SER MÃE! Que havia uma VIDA crescendo dentro de mim. Que o milagre da perpetuação das espécies ia se fazer ali, dentro da minha barriga. O aborto, apesar de me ter sido oferecido, ali de uma maneira fácil e rápida, segura até, nunca foi uma opção para mim. Aquela pequena semente, que muitos nem consideram gente ainda, para mim já era meu menino ou minha menina. Uma PESSOA, um ser que estaria em meus braços e em minha vida dali por diante para amar e cuidar. MINHA responsabilidade. MEU filho. Com minha inconsequência eu estava tendo que cumprir meu papel de mãe mais cedo que o desejável, mas nunca que o "desejado".

E se tivesse que voltar no tempo, faria tudo de novo. Porque tenho o mais profundo respeito pela vida, respeito que aprendi da minha mãe e da minha fé. Mãe que quando soube disse-me que as decisões eram minhas e que me apoiaria qualquer que fosse ela...

Meu namorado, hoje meu marido há mais de 25 anos, me apoiou, nos casamos e por um bom tempo nossos planos de faculdade e de trabalho, foram adiados e até hoje, não posso dizer que estamos economicamente estabilizados. Sofremos um bocado no começo. Amadurecemos a medida que nossos filhos amadureciam... Porque tivemos mais três filhos ainda. No começo de nossa vida fizemos muitas renúncias. Quando nossos amigos iam a festas, nós cuidávamos do nosso bebê. E trabalhávamos feito loucos para levara vida... Quando finalmente terminei minha faculdade minha caçula já tinha 3 anos e eu 37.

E quando ouço falar de ABORTO, de legalização, despenalização, etc. e tal... Fico aqui pensando que, para mim, isso não fez a menor diferença. Legal, instituído, prática comum nos hospitais ou não, ele nunca foi uma OPÇÃO para mim. E que assim deveria ser para todas as mulheres que, por qualquer motivo, conceberam uma criança "fora de hora".

Penso que o aborto ainda pode acabar sendo legalizado em nosso país. Mas, que se ele não for "legal" na cabeça e no coração de nenhuma mulher ou homem, ele nunca acontecerá. Sim, eu marcharia contra a legalização, e assinaria todos os abaixo-assinados necessários, mas já estaria aqui pensando numa maneira de conscientizar as pessoas de que, mesmo legal, esse não é o caminho...

O caminho é toda pessoa entender o quanto a vida é valiosa, o quanto ela é um dom de Deus, o quanto ela é um presente maravilhoso que nos é dado. A junção das células do homem e da mulher para começar uma vida, É UM MILAGRE. Milagre que não temos o direito de interromper, quaisquer que tenham sido as circunstâncias que o geraram.

No momento em que toda mulher e homem compreenderem e valorizarem a enorme missão que lhes foi dada, de poder gestar uma vida, nenhum lei vai fazer diferença.

Ângela Rocha

2 comentários:

  1. Querida vi sua atualização no twitter e vim ler... que bom! Parece q estava sentada tomando um cafezinho e ouvindo vc, conhecendo um pouco mais e gostando ainda mais de você.
    Deus abençõe vc e sua família!
    Bjs!

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    1. Obrigado Dinha! Que seja abençoada a sua família também! Beijão!

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