terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Sendo catequista...

Houve uma ocasião em minha vida, que precisei de “salvação”. 

E quem me salvou foi a Igreja Católica. Pela acolhida e ações de uma comunidade inspirada em Jesus Cristo. Essa mesma Igreja forjou a minha identidade religiosa. Nela fui batizada, crismada, fiz a minha primeira comunhão, casei, batizei os meus filhos e onde, hoje, sou catequista.

Durante algum tempo (aquele tempo em que a gente acha que tem que fazer tudo: estudar, trabalhar, criar os filhos, passear, festejar e tudo o mais... e pra ontem ainda!), eu esqueci um pouco dos meus compromissos de cristã batizada. E levei a vida de, como muita gente costuma se denominar, “católica não praticante”. Pouco me lembrava de rezar e ia a missa de vez em quando. E claro que, lá pelo meio do caminho, eu me perdi completamente.

E voltei a lembrar de Deus, porque “precisei” Dele. E O ti ve.

E posso dizer então, que me transformei numa católica de verdade e de fé. Porque provei daquilo que Jesus distribuiu fartamente: amor, caridade, perdão, doação, partilha, compreensão. Não porque Ele não tivesse me dado antes. Esteve sempre lá mas, eu acreditava não precisar. E foi como beber de uma fonte que nunca seca. Passei a ter sede dessa fonte de água viva. Passei a verdadeiramente, VIVER a fé. Passei a dar um valor enorme aos outros. Por que amar não é guardar o que de bom se tem. É partilhar com o outro.

Mas percebi também que precisava saber mais de Jesus. Por isso li, pesquisei, estudei e escutei. E enquanto ia me aprofundando nisso e minha alma e meu espírito foram se enchendo da mais pura felicidade... Percebi que não podia ficar quieta. Ah, eu não podia ficar sem falar daquilo com alguém!

Fazer ecoar as coisas que vem de cima, reverberar a mensagem no coração das pessoas a ponto de refletir por toda a sua volta. Falar de Jesus! Não com a boca, mas com o coração e com as atitudes. Acredito que a partir daí, me foi confiada uma missão. E que não passei o que passei a toa. Acredito que fazia parte do “aprendizado” que Deus queria que eu tivesse.

A missão confiada, não é fácil. A responsabilidade é tremenda. Mas a recompensa é valiosa. E não é só por ver a alegria de cada pessoa a quem você mostra Jesus Cristo, é porque a cada minuto, vai crescendo em nosso próprio coração essa “catequese”.

E ao longo dessa caminhada percebi que chegar a um encontro de catequese não é ir “dar uma aula”. É encontrar-se com Jesus em meio àquelas pessoas. É viver a realidade de cada um e aprender dela. E isso muitas vezes não depende de “didática” ou “metodologia”. Se eu quiser mesmo usar essas palavras, talvez pudesse dizer “didática do amor” ou “metodologia da fé”.

Aprendi também que nem sempre é possível ser “exemplo” (apesar de saber que devo sê-lo), muitas vezes o outro é meu exemplo. E nem sempre sei bem o que falar. Mas se somos verdadeiros, se amamos de verdade, a voz do coração sempre fala mais alto.

Muitas vezes, ser catequista implica deixar de fazer coisas bem mais fáceis e cômodas. Existem serviços em nossa Igreja que independem de tanto trabalho ou não exigem tanto do nosso tempo. Não é preciso preparar antecipadamente o que se diz, o que se faz, de que maneira se vai fazer ou o que se vai falar. E nem se tem nas mãos a responsabilidade da “conversão” e da fé de tantas pessoas. Nem é preciso “conhecer” tanto.

Mas a catequese implica bem mais. Não posso falar daquilo que não sei nem dar o que não possuo. E mesmo com toda a iluminação do Espírito Santo não há como espalhar a Boa Nova sem entendê-la e conhecê-la. Aliás, aqueles que se dão ao trabalho de conhecer, ler, estudar, orar, se aprimorar.. . Estes sim é que tem o Espírito Santo de Deus com eles!

Então, se minha Salvação foi obra e graça de Jesus Cristo, só posso retribuir. Como? Transmitindo a mensagem que Ele deixou usando os meios que a Igreja que Ele fundou me proporciona: A Palavra de Deus, fonte de inspiração; a Eucaristia, alimento do espírito; a leitura constante e estudo dos documentos do magistério da Igreja, base para o entendimento das coisas Dele e do mundo; respeito pelas tradições e pela Liturgia e; o infinito amor que Ele nos transmite a cada encontro com meu semelhante. 

Angela Rocha

"Comunicar-se com os outros é dizer as palavras que o amor escolhe."

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